segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Falácias argumentativas dos antitrinitários



A doutrina da Trindade está baseada em três pressupostos bíblicos: (1) Unidade: "Há absolutamente um só Deus e Deus é absolutamente um só" (Deuteronômio 6.4; 1 Timóteo 2.5; Marcos 12.32; 2 Samuel 7.22; Romanos 3.30; Tiago 3.19), (2) Deidade: o Pai é Deus absoluto, o Filho é Deus absoluto e o Espírito Santo é Deus absoluto (1 Coríntios 8.6; Filipenses 2.11; Isaías 9.6; João 1.1; Hebreus 1.8; Colossenses 2.9; Judas.4; 2 Coríntios 3.17-18; Romanos 8.9) e (3) Distinção: O Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas (Subsistências) distintas (João 8.17-18; Atos 7.55; João 14.26; Mateus 12.31-32; Mateus 3.16,17; Mateus 28.19).[1] Apesar da clara base bíblica da fórmula trinitária, alguns argumentos têm sido levantados contra ela, os quais pretendo refutar abaixo:

1: ARGUMENTO DO SILÊNCIO

Defende que, para uma doutrina ser bíblica, ela precisa aparecer de maneira explícita nas Escrituras. Assim é comum vermos antitrinitários perguntando: “Onde a palavra ‘trindade’ aparece na Bíblia?’’, ou ainda “só acredito na Trindade se você me mostrar o verso que diz ‘o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só’”. Evidentemente, como a Bíblia não é um tratado de Teologia Sistemática, não se deve esperar encontrar nela a palavra Trindade, mas sim seu conceito e textos sobre as quais está embasada.

2: ARGUMENTO DA ADULTERAÇÃO

Argumenta que se um texto apoia a Trindade, ele foi adulterado. Ainda que não haja argumentos sólidos e consistentes, e até mesmo fortes evidências contrárias, atribuem adulterações a textos como Mateus 28.19 e Isaías 9.6. No entanto, as credências desses textos estão acima de qualquer contestação séria. Geralmente, os antitrinitários preferem o duvidoso Textus Criticus do que o tradicional Texto Majoritário, comumente cometendo uma falácia cronológica, como se a veracidade de um manuscrito fosse determinada por sua antiguidade.[2]

3: ARGUMENTO DA POSSIBILIDADE DE TRADUÇÃO

Textos como Tito 2.13 e Romanos 9.6 podem ser traduzidos tanto se referindo a divindade do Filho, quanto do Pai. Na realidade as duas possibilidades de tradução não só não contrariam a Trindade, como a apoiam. É importante ressaltar que uma possibilidade de tradução que ignora o contexto pode levar ao erro, a exemplo de traduções equivocadas de João 1.1 “um deus” e Hebreus 1.6 “prestar homenagem”, quando o contexto favorece mais a tradução “Deus” e “adorar”.


4: EXIBICIONISMO CRONOLÓGICO

Afirma que a Trindade é falsa porque foi desenvolvida e sistematizada após o término da escrita bíblica. No entanto, embora tenha sido sistematicamente formulada tempo depois do término da escrita bíblica, a Trindade sempre esteve presente nas Escrituras. Desde o início do Cristianismo tinha-se a noção de que o próprio Cristo, enquanto Logos, era Deus absoluto (Jo 1.1), em Paulo ele preexiste na forma de Deus (Fp 2.6), em Hebreus, Ele é o Senhor que no princípio fundou a Terra (Hb 1.10). Nas cartas paulinas os Três são vistos como constituindo um só, “Jeová é o Espírito” (2 Co 3.17), e o Espírito de Deus é o Espírito de Cristo (Rm 8.9). A Trindade foi espiritualmente revelada nas Escrituras, mas precisava-se de tempo e distância para chegar-se a uma formulação dos conteúdos revelados. A Trindade está presente espiritualmente, desde os primeiros tempos da Igreja, e seria pura questão de palavras insistir que a Trindade só foi descoberta tempo depois.

5: PARALELISMO INDEVIDO DE PASSAGENS

Deve-se tomar muito cuidado com o método comparativo e o paralelismo textual. Nem sempre uma expressão ou construção textual de uma passagem tem o mesmo sentido da de outra. Não é porquê “deus” se refere a Moisés e juízes num sentido que deverá ter o mesmo sentido para Cristo.[3] Nem que “espírito” por poder se referir a um aspecto antropológico humano ou a um elemento impessoal, que terá o mesmo sentido ao se referir ao Espírito Santo. Palavras em contextos diferentes tem significados diferentes.

6: INVALIDAÇÃO PRESSUPOSICIONALISTA

Relembrando, existem três pressupostos básicos na fórmula trinitária: (i) Unidade; (ii) Divindade e (iii) Distinção. A falácia 6 argumenta que uma pressuposição da Trindade invalida a outra. Assim pensa-se que o primeiro pressuposto (unidade), contraria os outros dois. Assim é comum vermos antitrinitários citando textos que falam que “há um só Deus”, no entanto isso não é argumento contra a Trindade, mas sim a favor. Além do mais, o pressuposto primeiro não invalida os outros dois, pois estes se referem à hipóstase, e aquele à essência.

7: CONFUSÃO CONCEITUAL 

Alguns confundem a Trindade com o modalismo, e assim querem refutar a Trindade mostrando que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são a mesma pessoa, enquanto é justamente isso que a Trindade ensina. Outros confundem também com tríade, e assim alegam que a Trindade é um politeísmo disfarçado, ou “três deuses” ou ainda com tripartidismo, e assim acham que a Trindade ensina que existem três seres divinos em um só Deus, ou ainda que Jesus é parte de uma Trindade, ou que para a Trindade Deus é uma unidade composta, que Jesus é uma pessoa separada de Jeová, ou mesmo que a Trindade ensina um Deus com divisões e separações.


8: ALEGAÇÃO DE PAGANIZAÇÃO

Ensina que a Trindade é pagã por usar termos filosóficos ou por haver conceitos semelhantes em culturas pagãs. O erro desse argumento é esquecer-se da Revelação Geral de Deus, da origem comum das culturas e geralmente se baseia numa confusão conceitual dos pressupostos da Trindade ou em um uso equivocado do método histórico-comparativo.

9: ARGUMENTO ANTIFILOSÓFICO

Afirma que a Trindade é falsa por usar termos filosóficos gregos em sua formulação. Esquecem-se da Revelação Geral de Deus e ignoram que a Trindade é derivada primariamente das Escrituras e não da filosofia. A realidade é que, por influência da filosofia grega pagã, argumentos neoplatônicos foram usados para defender tanto a trindade como o unitarismo, nas discussões de Atanásio e Ário, por exemplo. Ário, um antitrinitário, fez uso da filosofia platônica da ideia de Monas. Vários elementos da filosofia grega invadiram o Cristianismo, e foram usados tanto para defender doutrinas bíblicas como antibíblicas. Existe uma falsa ideia entre aqueles que querem 'purificar' o Cristianismo do paganismo, segundo a qual tudo o que possui influência da filosofia grega é heresia. É verdade que não podemos menosprezar a Bíblia (nossa única regra de fé) em favor de filosofias humanas, nem ignorar que muitas heresias têm sua origem no pensamento greco-romano. No entanto, será um equívoco de nossa parte achar que a filosofia grega não trouxe nenhuma contribuição positiva para a epistemologia cristã, embora não como fundamento base para derivar uma doutrina. O próprio apóstolo Paulo não ignorou a literatura grega (At 17.28). Segundo Gordon Clark: Não importa o quanto um estudante principiante gostaria de evitar a filosofia, mais cedo ou mais tarde ele enfrentará essas dificuldades ou resignará a teologia em desespero.”[4]

10: ARGUMENTO ANTICATÓLICO

Há por parte de alguns, um ódio contra tudo que possa remeter às palavras, “pagã” e “católico”, de modo que qualquer dogma que supostamente tenha alguma ligação com essas palavras são atacadas com todas as forças. Embora seja verdade que a Igreja Romana seja a mãe de muitas heresias, alguns só negam a Trindade por amor ao judaísmo e ódio ao catolicismo, e não por apreço à verdade. É comum vermos pessoas levantando fatos históricos como a inquisição para invalidar a Trindade. Ignoram que quem revelou a doutrina da Trindade foi Deus e não a Igreja Romana.

11: CONFUSÃO ENTRE ECONOMIA E ONTOLOGIA

Por economicamente o Pai ser maior que o Filho e o Filho maior que o Espírito, acreditam que isso também seja válido ontologicamente. Boa parte das críticas levantadas contra a Trindade erra justamente neste ponto, apresentado a hierarquia funcional como argumento contra a igualdade essencial das Pessoas da Trindade. Esse equívoco se vê por aqueles que insistem em provar que o Pai é maior que o Filho e o Espírito menor que o Filho e que assim a Trindade é invalidada. É comum insistirem, a partir daí, que um sabe mais que o outro, que há diferença de poderes entre Eles, etc.. Tais argumentos acabam por confundir função com essência e por isso conduzem a essas conclusões desastrosas. Uma compreensão clara da hierarquia funcional entre as hipóstases da divindade e da igualdade essencial entre elas eliminaria muito dos argumentos falaciosos levantados contra a Trindade.


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Notas:
[1] http://brunosunkey.blogspot.com.br/search/label/Trindade
[2] http://aprendiz.witnesstoday.org/ARTIGO_TEXTUS_RECEPTUS.htm
[3] http://www.ia-cs.com/2014/07/testemunhas-de-jeova-jesus-e-deus-assim.html
[4] http://www.monergismo.com/textos/trindade/A_Trindade_Gordon_Clark.pdf

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Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos

Uma ponderação para os Reformados - Entendendo a Livre Agência



Quando pensadores reformados indicam que não possuímos livre arbítrio, não significa que estão dizendo que somos robôs, agindo mecanicamente em um teatro da vida. Esse é o grande mistério: como Deus consegue nos dar nossas faculdades decisórias, mas, ainda assim, cumprir o seu plano de forma imutável. 

Confissão de Fé Westminster nos esclarece isso no Cap 3, seção 1 (“Dos eternos decretos de Deus”), onde lemos que Deus “ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece”, porém “nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias”.
Como reformados, precisamos cuidar, portanto, ao contestarmos o livre arbítrio, de não suprimirmos esse aspecto – de que decidimos organicamente as questões da nossa vida, mas Deus, soberanamente, cumpre seus propósitos. Se olharmos sob este prisma, reduzimos os atos de Deus a ummodus operandi que não é o dele, nem é o ensinado na Bíblia.

Talvez uma distinção que pode auxiliar a nossa compreensão e dar maior precisão ao tratamento desse conceito, é a utilização do termo livre agência. O livre arbítrio foi perdido. Esteve presente em Adão e Eva, mas não se encontra na humanidade caída. Mas a Livre Agência é a capacidade recebida de Deus de planejarmos os nossos passos (Ti 4.13), de decidirmos o nosso caminhar. 

Quando entendemos bem esse aspecto, nunca vamos achar que nossas decisões são autônomas, ou “desligadas” do plano de Deus (Ti 4.14-15). É ele que opera em nós “tanto o querer como o realizar” (Fl 2.13) e o faz milagrosamente, imperceptivelmente, sem “violentar a vontade da criatura”. 

Longe de ser uma contradição, esse entendimento reformado, retrata Deus em toda sua majestade, ao lado de criaturas preciosas, livres agentes, que perderam a possibilidade de escolha do bem (livre arbítrio), mas continuam formadas à imagem e semelhança da divindade, necessitadas da redenção realizada em Cristo Jesus que é aplicada nas vidas dos que constituem e constituirão o Povo de Deus, pelo poder do Espírito Santo.

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Autor: Pb. Solano Portela
Fonte: Perfil do autor no Facebook

Idolatria Política - Um Perigo Iminente



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Desde as eleições presidenciais de 2014, observamos que o debate político ficou muito mais acirrado. Por conta das redes sociais, muitos se aventuram em falar sobre política e expressam suas preferências partidárias e/ou ideológicas. Os cristãos evangélicos - uma fatia importante da sociedade - não ficam atrás. Se em décadas passadas evangélico e política eram duas coisas que não se misturavam de jeito nenhum, hoje, existe até uma bancada de políticos que representa a massa evangélica no Congresso Nacional. Pois é, os tempos estão mudados. 

Obviamente que o envolvimento político não é algo ruim em si. A política tudo permeia e é por isso que devemos estar atentos a ela. Os cristãos não são alienígenas. Os cristãos são cidadãos que pagam seus impostos e estão inseridos no convívio social, sendo concomitantemente produtores e consumidores no sentido econômico e também cultural. Mas há um detalhe: Estamos no mundo, porém, não pertencemos a ele. A Escritura nos diz que a nossa verdadeira cidadania é no Reino dos Céus, e quem a conquistou para nós foi Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Por conta disto, devemos ter um comportamento diferenciado daqueles que são do mundo. É justamente por não observarmos direito esse ponto que estamos pecando em nosso envolvimento político.

A política mundana tomou para si ideologias que fazem de algum elemento da criação aquilo que salvará a humanidade. Vejamos os exemplos: Para o liberalismo, a salvação se dá pela liberdade. O socialismo vai eleger o Estado como seu “messias” e o nacionalismo coloca o povo como salvador de si mesmo. O messianismo político é pecado pelo simples fato de tentar salvar a humanidade deixando de lado o único e suficiente salvador, que é Cristo. Quando um dos elementos supracitados toma o lugar que pertence a Cristo, a política se tornou idólatra. Idolatria é uma abominação e muitos evangélicos não se dão conta que em alguns casos eles idolatram determinado político, partido ou ideologia. Se a esperança do cristão for depositada em qualquer outra coisa que não seja Cristo e a consumação de sua obra na segunda vinda, então ele - infelizmente - já foi envenenado pelo materialismo, que é ambidestro. Acreditando que algum elemento da criação seja capaz de tornar este mundo um lugar ideal, sem mazelas e sem injustiças, ele tira a prerrogativa de Jesus, pois, somente ele enxugará de nossos olhos toda a lágrima. Logo, essa esperança vã deve ser chamada pelo nome que lhe é devido: Idolatria.

Em tempo de crise, muitos pendem para um lado e para outro na esperança de ver o Brasil sair do atoleiro de corrupção e má gestão em que se encontra. Não é ilícito desejar por mudança. Não é errado querer mudar. Mas acontece que os crentes estão mais preocupados em eleger “salvadores da pátria” do que dobrar os seus joelhos e interceder ao SENHOR dos senhores para que a nossa nação seja curada. Parece também que esqueceram que são o sal da terra e a luz do mundo, pois, vivem em guetos eclesiásticos, nutrem uma subcultura e não promovem os valores do Reino. O Evangelho é para ser vivido, aplicado em qualquer área da vida, a política também está inclusa nisso. As ideologias de esquerda e direita são – ambas – mundanas. O que é espiritual é o Evangelho. Devemos discernir e confrontar todo e qualquer pensamento ideológico através das lentes da Escritura. A nossa cosmovisão, isto é, nossa maneira de ver o mundo, não deve abandonar a confessionalidade. Precisamos olhar para a política sabendo que Cristo é Senhor e que ele tem domínio sobre César, e não o oposto.

Tome muito cuidado, antes de sair por aí dizendo que político ou partido X te representa. Procure assegurar-se de que está usando os óculos certos, os que trazem consigo as lentes da Escritura. Se envolva no debate político, escolha um partido. Só não se esqueça de dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Confundir as bolas pode te deixar em maus lençóis com o Soberano. 

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Autor: Thiago Oliveira
Fonte: Perfil do autor no Facebook

Deus escolheu alguns porque previu a fé neles?


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A teologia arminiana afirma que Deus escolheu os que seriam salvos com base em sua presciência. Segundo essa concepção, Deus olhou para o futuro e viu os homens que creriam, elegendo-os então. Isso levanta a seguinte pergunta: Quem fixou o futuro para o qual Deus olhou? Se foi ele mesmo (e ao crente não resta outra opção), por que teve que consultá-lo? E mais: Se foi o próprio Deus quem estabeleceu o futuro no qual poderia ver de antemão quem creria, isso não equivale a dizer que ele próprio estabeleceu quem creria? Ora, é exatamente isso o que os calvinistas afirmam. Então, por que não concordar com eles de uma vez? Dentro ainda dessa discussão, deve-se considerar que a Bíblia diz que a fé é dom de Deus (Ef 2.8 [o "isto" mencionado nesse versículo se refere ao processo todo que abrange a fé]; Fl 1.29; Hb 12.2). Se é, pois, o Senhor quem concede a fé, por que ele teria que “descobrir” quem creria e, então, escolhê-los?

A posição arminiana, contudo, nesse aspecto, não enfrenta dificuldades apenas por causa da falta de lógica em seus argumentos. A ideia de que Deus elege com base no que antevê também encontra problemas teológicos insolúveis. Por exemplo: se Deus escolhe o homem baseando-se em algum bem visto nele previamente, então a graça de Deus desaparece para dar lugar a uma forma disfarçada de retribuição. Com efeito, se a visão arminiana estivesse correta, a eleição divina deixaria de ser gratuita e incondicional, tornando-se a recompensa dada por Deus àqueles em quem anteviu algo que o agradou, a saber, a fé resultante do uso adequado da graça preveniente. No arminianismo, portanto, a gratuidade da eleição é demolida e, em seu lugar, é edificada uma escolha divina meritória. No fim das contas, o homem é salvo porque Deus o considera digno disso, ao descobrir previamente que ele, de si mesmo e por si mesmo, fará bom uso da graça capacitadora dada a todos.

Ora, o Novo Testamento não dá margem alguma para essa hipótese. De fato, Paulo ensina que a graça de Deus não procura homens dignos, mas sim cria homens dignos (Cl 1.12). A triste realidade é que se Deus procurasse homens dignos para então escolhê-los, ninguém seria salvo. Aliás, a beleza, infinitude e magnificência da graça de Deus é percebida precisamente no fato dele ter escolhido homens que mereciam somente a sua ira (Ef 2.3), pessoas em quem o Senhor não viu virtude alguma, mas sim pecado, maldade, rebelião e ódio contra ele (Rm 5.6-10).

Contrariando o ensino arminiano, o Novo Testamento também realça que a eleição não é a recompensa da fé, mas sim a sua causa (2Ts 2.13), de modo que o indivíduo não é eleito porque vai crer, mas sim vai crer porque é eleito. Realmente, o texto sagrado sempre coloca a eleição como a razão da fé e não o contrário. A escolha de Deus não depende, assim, da fé prevista. É a fé que depende da escolha prévia. É por isso que em Atos 13.48, Lucas afirma que entre os gentios que ouviam a pregação de Paulo em Antioquia da Pisídia, “creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna”. Na dinâmica da frase de Lucas, a eleição é a causa, não o efeito da fé.

Como então lidar com Romanos 8.29 e 1 Pedro 1.2? Uma análise simples mostrará que esses textos, na verdade, não amparam em nada a concepção arminiana. Considere-se, a princípio, a frase, “aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou” encontrada em Romanos 8.29. Será que essa frase corrobora mesmo a tese de que Deus primeiro anteviu quais pessoas creriam e então as predestinou para a salvação? De modo nenhum! Para descobrir o verdadeiro significado da expressão “conheceu de antemão” basta observar a sua única outra ocorrência nos escritos de Paulo.

Essa expressão é, na verdade, a tradução do verbo grego proginósko e é usada outra vez pelo apóstolo somente em Romanos 11.2, onde escreve sobre Israel: “Deus não rejeitou o seu povo, o qual de antemão conheceu”. Ora, é evidente que aqui, conhecer de antemão não significa prever a fé, uma vez que Israel nunca creu na mensagem de Deus (At 7.51-53). Resta, pois, somente um sentido possível para a fórmula sob análise, a saber: Deus conheceu de antemão a quem mostraria seu favor. Esse é, portanto o modo como Romanos 8.29 deve ser entendido. Não se trata de Deus saber previamente quem creria, mas sim de Deus saber previamente a quem favoreceria. Esse entendimento, aliás, se harmoniza plenamente com outras passagens do Novo Testamento onde ser conhecido por Deus significa ser alvo do seu favor (1Co 8.3; Gl 4.9; 2Tm 2.19). Aliás, Em 1Pedro 1.20, existe a evidência de que o verbo proginósko também pode significar “fazer algo a fim de assegurar que um evento realmente ocorra”. Esse sentido também corrobora a tese defendida aqui (Veja-se ARICHEA, D. C.; NIDA, E. A. A handbook on the first letter from Peter. UBS handbook series. Helps for translators (42). New York: United Bible Societies, 1994.).

É assim também que o texto de Pedro deve ser interpretado na parte que diz: “escolhidos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai”. Note-se que nesse versículo, Pedro usa a preposição grega katá, traduzida como “de acordo com”, indicando que a escolha de Deus foi feita conforme ele sabia previamente que iria fazer. É, portanto, como se Pedro dissesse: “Vocês foram escolhidos conforme Deus Pai havia previsto que vocês seriam”. Ora, isso indica que Deus não escolheu os crentes porque anteviu a fé neles, mas sim porque sabia previamente a quem mostraria favor.

Na verdade, se Pedro quisesse indicar que Deus escolheu porque anteviu a fé, como ensinam os arminianos, ele certamente usaria a preposição diá, extremamente comum na língua grega e cujo significado, quando usada com o modo acusativo (como é o caso em 1Pe 1.2) é “por causa de”. A tradução, então, ficaria assim: “Vocês foram escolhidos por causa do pré-conhecimento de Deus Pai”. Isso sim indicaria que Deus previu a fé e, por causa disso, teria escolhido alguns. Porém, não é esse o caso aqui, de modo que a Bíblia permanece silente no tocante a qualquer suposta eleição divina alicerçada numa fé prevista.

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Autor: Pr. Marcos Granconato
Fonte: Perfil do autor no Facebook

O TEMOR DO SENHOR

"O temor do Senhor é o princípio da sabedoria" (Pv 9.10). Se isto é verdade (e é), então o temor do Senhor nunca é algo a ser temido. Este temor não é uma barreira ao crescimento, mas um caminho para o crescimento e a realização eterna. Mas a palavra "temor" precisa de esclarecimentos, não é? Afinal de contas, a Bíblia não diz "O perfeito amor lança fora o medo" (1Jo 4.18)? Sim. Então, deve haver dois tipos de temor.

Um tipo de temor é aquele que foge do Senhor com pavor, que se esconde e se afasta dele com terror, como se ele fosse nosso problema. Esse tipo de medo é pagão, não cristão. Não tem nada a ver com glorificar e desfrutar de Deus. É desconfiança e ressentimento para com Deus. O evangelho não cria esse temor em nossos corações. O evangelho nos mostra a glória da graça de Deus em Cristo e nos ergue, seguros e destemidos, para enfrentar a vida corajosamente como homens e mulheres com destinos eternos.

Se você não está em Cristo, você teme o Senhor de todas as formas erradas, e não o teme o suficiente. A Bíblia diz que você enfrenta uma "expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários" (Hb 10.27). Se você não está em Cristo, você é adversário de Deus e está indo para o julgamento eterno – e você realmente merece isso. Mas ele está livremente lhe oferecendo Cristo como seu abrigo.

Você precisa de abrigo por muitas razões. Aqui vai apenas uma: sem Cristo, você é tudo que você tem. Arthur Allen Leff, da Escola de Direito de Yale, um incrédulo brilhante, declara sem rodeios: "Parece que nós somos tudo que nós temos. Dado o que sabemos sobre nós mesmos e sobre os outros, esta é uma perspectiva extremamente desgostosa; olhando ao redor do mundo, parece que, se todos os homens são irmãos, o modelo dominante é Caim e Abel. Nem a razão, nem o amor e nem mesmo o terror parecem ter servido para nos tornar "bons", e pior do que isso, não há razão nenhuma por que qualquer coisa deva nos tornar assim". Se você não está em Cristo, você é tudo que você tem. Isso é algo a temer. Mas Cristo é um abrigo para as pessoas que estão com mais problemas do que elas mesmas imaginam. Volte-se para Ele. Volte-se para Ele agora. Ele vai recebê-lo.

Aqui está outro tipo de temor: "O temor do Senhor [como] o princípio da sabedoria" (Pv 9.10). Esta é uma nova atitude de abertura a Deus, criada pelo Seu amor. Se você está em Cristo, o perfeito amor dEle está lançando fora o seu medo de julgamento. A Bíblia diz: "o medo implica castigo, e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro." (1Jo 4.18-19, A21). O castigo caiu sobre nosso Substituto na cruz. Nós O recebemos com as mãos vazias da fé. Estamos sob o amor de Deus agora. O evangelho nos liberta do temor de que Deus irá, no final, nos condenar de qualquer forma. Nada jamais nos separará do amor de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8.38-39).

Nós cremos nisso, e O amamos.
Então, tememos ao Senhor de uma nova maneira. Tememos que venhamos a entristecer aquele que nos ama tanto. Este temor sadio é uma humildade ensinável, diz a Bíblia (Pv. 15.33). É total abertura para fazer a vontade de Deus (Gn 22.12). É arrependimento, afastamento do mal (Jó 28.28). Ele se traduz em obediência simples e prática à Palavra de Deus.

De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem (Ec 12.13).

O temor do Senhor é uma outra maneira de descrever a confiança no Senhor. Mas a palavra "temor" acrescenta conotações de reverência, respeito e admiração. O temor do Senhor é o oposto de uma superficialidade lisonjeira. Esta humildade não se importa de depender totalmente do Senhor. Na verdade, o temor do Senhor é psicologicamente compatível com "o conforto do Espírito Santo" (At 9.31). É um novo senso de realidade com o Deus vivo (At 2.43; 5.11; 19.17), que nos resgata de uma fé meramente teórica. Este temor é doce, e nos mantém perto do Senhor.

O temor do Senhor ganha em apelo quando concordamos com C. S. Lewis que "em Deus você está diante de algo que é, em todos os aspectos, incomensuravelmente superior a si mesmo." Se pensamos que podemos viver um só dia de nossas vidas sem nos submetermos ao Senhor, cedendo à Sua sabedoria superior e baseando-nos em Sua infinita provisão a cada momento, enganamos a nós mesmos, não importa o quão brilhante possamos ser.

Mas assim que aceitamos que não somos a medida, mas somos medidos; que não somos os doadores, mas os recebedores, e que Jesus Cristo é o maior especialista do universo em todas as coisas humanas, nós embarcamos em uma maravilhosa nova jornada. Somos livres para crescer e mudar.

O temor do Senhor é o princípio dessa sabedoria.

Por Ray OrtlundTradução: João Paulo Aragão da Guia Oliveira
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel, via:ministeriofiel.com, adapitaçao para o blog: rev. Ronaldo P. Mendes

Cristo cumpriu os Dez Mandamentos


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Adão quebrou os dez mandamentos no Éden. Mas Cristo guardou os dez mandamentos no “deserto”, sob circunstâncias muito mais intensas do que aquelas às quais Adão foi submetido.

Guardou o primeiro mandamento. Ele trouxe glória a Deus o Pai enquanto esteve na terra (Jo 17.4). Temeu, creu, e confiou em seu Pai (Hb 2.13; 5.7; Lc 4.1-12). Cristo zelou pela glória de seu Pai (Jo 2.17) e foi constantemente grato ao seu Pai (Jo 11.41). Ele prestou completa obediência ao Pai em todas as coisas (Jo 10.17; 15.10).

Guardou o segundo mandamento. Ninguém jamais cultuou como Cristo (Lc 4.16). Ele leu, pregou, orou e cantou a Palavra de Deus com um coração puro (Sl 24.3-4). Ele condenou o falso culto (Jo 4.22; Mt 15.9). Além disso, aquele que era a imagem visível de Deus não precisou fazer imagens ilícitas de Deus.

Guardou o terceiro mandamento. Como portador da imagem de Deus (Cl 1.15), ele revelou o Pai de modo perfeito (Jo 14.9). Falou somente aquilo que havia recebido do Pai (Jo 12.49). Em outras palavras, ele jamais tomou o nome de Deus em vão, mas falou apenas a verdade sobre o Pai e trouxe glória ao Pai por viver em conformidade com quem ele é (o Filho de Deus).

Guardou o quarto mandamento. “Entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga…” (Lc 4.16). Ele fez obras de piedade, misericórdia e necessidade no dia de descanso (e.g.: Mc 2.23-28). Além disso, o Senhor do Sábado assegurou nosso sabá eterno por meio de sua morte na cruz, permanecendo no sepulcro no sábado, e ressurgindo no domingo.

Guardou o quinto mandamento. Ele sempre fez aquilo que agradava a seu Pai celestial (Jo 8.29). Sobre a cruz, mesmo enquanto estava morrendo, preocupou-se em cuidar de sua mãe (Jo 19.27). Ele também guardou as leis terrenas (Mc 12.17; Mt 17.24-27).

Guardou o sexto mandamento. Jesus preservou a vida. Ele fez isso física e espiritualmente. Ele salvou pecadores de seus pecados (Jo 5.40). E também curou muitas pessoas (Mt 4.23). Foi manso, gentil, amável e pacífico enquanto esteve na terra (e.g.: Mt 11.29). Sua vida foi de misericórdia e compaixão (e.g.: Lc 18.35-43).

Guardou o sétimo mandamento. Cristo, o marido, entregou sua vida por sua noiva (Ef 5.22-33). Embora eu não tenha dúvidas de que ele achava algumas mulheres atrativas, ele jamais cruzou os limites adequados com respeito à interação entre homens e mulheres, e seus pensamentos sempre foram puros com respeito a pessoas do sexo oposto (cf. 1Tm 5.2).

Guardou o oitavo mandamento. Cristo doou livremente (Jo 2.1-11). Ele se opôs ao roubo (Jo 2.13-17). João 2 retrata, entre outras coisas, Cristo guardando o oitavo mandamento. Aquele que era rico se tornou pobre para que nós, em nossa pobreza, pudéssemos nos tornar ricos (2Co 8.9).

Guardou o nono mandamento. Ele sempre falou a verdade (Jo 8.45-47) porque falou somente as palavras que o Pai lhe havia dado (Jo 12.49). Ele defendeu a verdade porque ele é a Verdade (Jo 1.14, 17; 14.6). Ele não maquiou a verdade (Mt 23), não a falou fora de tempo ou a sonegou (Mt 26.64).

Guardou o décimo mandamento. Aquele que é dono do céu e da terra é aquele que também disse: “As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9.58). Aquele que poderia facilmente saciar sua própria necessidade e desejo contentou-se com aquilo que vinha da mão do Pai (Lc 4.1-12). Ele não cobiçou aquilo que não era propriamente seu, mas com paciente resistência recebeu sua herança por meio da cruz.

Nos círculos reformados devemos, em nossa pregação, fazer um melhor trabalho em explicar como Cristo guardou perfeitamente a lei. Uma coisa é dizer e sempre repetir: “Jesus guardou a lei perfeitamente por nós [como um pacto de obras] para que pudéssemos ser salvos”; mas outra coisa é explicar precisamente como ele guardou a lei e o que estava envolvido nessa guarda da lei. Ouvir sobre a obediência ativa de Cristo e sobre a imputação gratuita de Deus a nós, por meio da fé, dessa obediência ativa, não deve nunca ser algo que se resuma a frases de efeito.

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Autor: Rev. Mark Jones
Fonte: Reformation 21
Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Via: Monergismo

O que é a verdade?


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A pergunta de Pilatos a Jesus permanece: “O que é a Verdade?” (João 18.38). Vários sentidos têm sido dados à palavra “verdade” dependendo dos pressupostos epistemológicos e antropológicos de uma determinada visão. Metafísicos, realistas, naturalistas, racionalistas, empiristas, kantianos e marxistas têm dado diferentes conceituações para a palavra “verdade”, mesmo que algumas delas sejam contraditórias em seus fundamentos. Um nietzschiano, por exemplo, não pode admitir a ideia de “verdade absoluta”. Mas se isso é assim, como podemos eticamente identificar uma “mentira” se não existe imutabilidade e objetividade na verdade?

A Ciência Moderna, geralmente, adota a tese popperiana de verdade, segundo a qual a verdade é a meta da Ciência. No entanto, a verdade é vista como um padrão inatingível ao qual devemos buscar nos aproximar cada vez mais, mas não podemos nunca estar certos de tê-lo alcançado. Os ajustes feitos nos erros que nossas teorias vão apresentando diante de novas evidências seria aquilo que nos possibilitaria aproximar cada vez mais da verdade. Não obstante, ainda que chegássemos a essa verdade, não poderíamos estar certos disso. 

O Relativismo por sua vez se apresenta como uma forte aversão pela verdade, e não se preocupa em se aproximar ou buscar a verdade. Para o filósofo Richard Rorty a verdade é por demais sublime para ser alcançada por meros mortais, deveríamos abandonar o desejo pela verdade. Já para William James a verdade seria aquilo que é útil ou bom para uma comunidade num determinado contexto.  

A Epistemologia Cristã, evidentemente, precisa adotar alguma teoria sobre a natureza da verdade. Para Kierkgaard, a subjetividade é a verdade. Deus seria a Verdade Plena, que é alcançada por meio da fé e que se encontra na interioridade do indivíduo. Será que a teoria cristã sobre o conhecimento deve reivindicar uma noção subjetiva de verdade? A Ortodoxia Cristã ou o Cristianismo alega possuir a verdade absoluta, no entanto, precisamos definir o que é essa verdade. 

TEORIAS FALSAS SOBRE A VERDADE

A Verdade tem sido definida de várias formas, algumas dessas definições, porém errôneas, são apresentadas abaixo:

Pragmatismo: De acordo com o Pragmatismo a verdade é aquilo que funciona ou produz resultados úteis. Geralmente a verdade irá depender de um contexto, sendo portanto aquilo que é bom para uma situação específica. O problema com essa visão é que muitas das vezes mentiras e enganos funcionam muito bem. Com base numa epistemologia pragmatista poderíamos justificar o erro e o engano como “verdades” por produzirem bons e úteis resultados. O Pragmatismo também é uma cosmovisão restritiva, já que a verdade é determinada pela utilidade, isso descartaria algumas verdades puramente teóricas, metafísicas e abstratas. 

Coerentismo: Conceitua verdade como aquilo que em seu todo é logicamente consistente, coerente e que faz sentido. O que define uma teoria como verdadeira é o fato dela ser lógica em seus pressupostos e apresentar um todo coerente e consistente. No entanto construções lógicas e com sentido nem sempre são verdadeiras. Por exemplo, a sentença “São Paulo é a capital do Brasil”, é uma frase lógica, que faz sentido e que é coerente em si mesma, contudo é evidentemente falsa. 

Intencionalismo: Essa visão entende que algo é verdadeiro se a pessoa que afirmou uma proposição tinha a intenção de dizer a verdade e falso se a pessoa que afirmou determinada pressuposição não tinha a intenção de dizer a verdade. Nesse sentido a sinceridade da pessoa é o que importa. Sabemos, no entanto, que pessoas podem estar sinceramente enganadas. A Bíblia Sagrada, claramente refuta o Intencionalismo. Levítico 4. 27 declara: “Se for alguém da comunidade que pecar sem intenção, fazendo o que é proibido em qualquer dos mandamentos do Senhor seu Deus, será culpado. ” 

Abrangencionismo: Uma teoria verdadeira seria aquela que consegue abranger e explicar uma coisa da forma que mais abranja os aspectos e elementos dessa coisa. No entanto, é evidente que é possível existir uma cosmovisão ampla sobre algo que é falso e uma visão incompleta daquilo que é verdadeiro. 

Existencialismo: A verdade é aquilo que é subjetivamente relevante para o indivíduo e sua existência. Seria portanto verdadeiro tudo aquilo que possui um valor existencial para a nossa vida. Verdade é aquilo que faz sentido para a nossa vivência subjetiva. Esse pensamento apresenta os mesmos problemas semelhantes ao pragmatismo, pois nem tudo o que é essencialmente relevante é verdadeiro. 

Subjetivismo: A verdade é determinada por um sentimento subjetivo de que algo é bom. Um religioso, por exemplo, tem certeza de que sua fé é verdadeira porque sente isso no seu coração. Poderíamos estar certos da nossa missão na terra, da realidade de nossas experiências numinosas e da verdade de um livro sagrado porque isso nos faz sentir bem com o cosmos. Esse pensamento, no entanto, é falso. A verdade é que a verdade muitas vezes machuca. Uma notícia ruim não deixa de ser verdadeira porque não sinto bem com ela. A existência de um Deus Justo que pune os pecadores não deixa de ser uma verdade, mesmo que isso não nos faça sentir bem. 

A DEFINIÇÃO CORRETA DE VERDADE

Há algumas coisas em comum com todas as teorias apresentadas acima. A maioria delas confundem teste de verdade, com definição de verdade. Normalmente aquilo que é verdadeiro funciona, é coerente e é existencialmente relevante, mas nem tudo o que apresenta essas características é verdadeiro. Por exemplo, tudo que é verdadeiro é consistentemente lógico, mas nem tudo o que é logicamente consistente é verdadeiro.

Além disso, todas essas visões pretendem ser verdadeiras porque suponham corresponder à como as coisas são de fato. Isso indica que todas elas acabam tendo que afirmar algo que rompe com sua própria epistemologia. A Epistemologia Cristã, por outro lado, não é hipócrita e autodestrutiva em sua alegação. A verdade é definida justamente como aquilo que corresponde à realidade, seja ela concreta ou abstrata. Várias passagens Bíblicas mostram que verdade é aquilo que corresponde à realidade dos fatos e mentira, aquilo que não corresponde à realidade dos fatos:  O que é a Verdade?


Mandem algum de vocês buscar o seu irmão enquanto os demais aguardam presos. Assim ficará provado se as suas palavras são verdadeiras ou não. Se não forem, juro pela vida do faraó que ficará confirmado que vocês são espiões!” - Gn 42:16
Não darás falso testemunho contra o teu próximo. - Ex 20:16
Disse a serpente à mulher: Certamente não morrerão!” - Gn 3:4
Então perguntou Pedro: Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade?” - At 5:3
Se o que o profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção. Não tenham medo dele.” - Dt 18:22
Vocês enviaram representantes a João, e ele testemunhou da verdade.” - Jo 5:33
Se tu mesmo o interrogares, poderás verificar a verdade a respeito de todas estas acusações que estamos fazendo contra ele.” - At 24:8

Uma visão de correspondência de verdade é muito importante eticamente, sem ela não poderíamos identificar uma mentira, nem dizer que a mentira existe. Ainda, sem uma visão de correspondência de verdade, não seriam possíveis nem mesmo comunicar fatos e informações sobre a realidade. 

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Bibliografia:

A Subjetividade é a Verdade. Éder Junior Moraes, Fabio Junior Batistella e Leossandro Carlos Adamiski. <http://coral.ufsm.br/gpforma/2senafe/PDF/014e1.pdf>
Filosofia Contemporânea: Lógica, Linguagem e Ciência. Marcelo Carvalho e Vinicius Figueiredo. <http://www.anpof.org/portal/images/XV_Encontro_ANPOF/textos_PDF/ANPOF_XV5.pdf#page=17>
Richard Rorty: Relativismo ou Etnocentrismo Sobre a Verdade. Eduardo Barbosa Vergolino. <http://www.mackenzie.br/fileadmin/Chancelaria/GT7/Eduardo_Barbosa_Vergolino.pdf>
Geisler, N. (2015). Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus
Gretter, F. P. (2012). As possíveis verdades sobre a mentira. Filosofia Ciência & Vida, Ano IV – Edição 70. 

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Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos

Não desperdice o seu câncer


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16 de Fevereiro de 2006

Estou escrevendo estas palavras na véspera da cirurgia do câncer na minha próstata. Creio no poder de Deus para curar — por meio de um milagre e da medicina. Sei que é certo e bom orar pelos dois tipos de cura. O câncer não é desperdiçado ao ser curado por Deus. Ele recebe a glória — e isto porque o câncer existe. Então, não orar pela cura pode desperdiçar seu câncer. Mas a cura não é o plano de Deus para todos. E existem muitas outras formas de desperdiçar seu câncer. Estou orando por mim e por você, para que não desperdicemos esta dor.

1. Você desperdiçará seu câncer caso não creia que isto foi planejado por Deus.

Não diga que Deus apenas usa nosso câncer, mas que não o planeja. O que Deus permite, ele o faz por uma razão. E está razão é sua vontade. Se Deus prevê desenvolvimentos moleculares tornando-se cancerígenos , ele pode deter isto ou não. Se não, ele tem um propósito. Por ser infinitamente sábio, é correto chamar este propósito de plano. Satanás é real e causa muitos prazeres e dores. Mas ele não é a causa última . Assim, quando ele atacou Jó com úlceras (Jó 2:7), Jó atribuiu-as a Deus (2:10), e o escritor inspirado concorda: “e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado” (Jó 42:11). Se você não crê que seu câncer lhe foi planejado por Deus, você o desperdiçará.

2. Você desperdiçará seu câncer caso creia que ele é uma maldição , e não uma bênção.

Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” ( Romanos 8:1). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3:13). “Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel” ( Números 23:23). “Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão.” (Salmos 84:11)

3. Você desperdiçará seu câncer caso procure conforto em suas chances em vez de procurá-lo em Deus.

O plano de Deus em relação ao seu câncer não é treiná-lo no cálculo de chances racionalista e humano. O mundo consegue conforto em estatísticas. Os cristãos não. Alguns contam seus carros (porcentagens de sobrevivência) e outros contam seus cavalos (efeitos colaterais do tratamento), mas nós confiamos no nome do Senhor, nosso Deus (Salmos 20:7). O plano de Deus é claro em 2Coríntios 1:9: “portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte , para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos”. O objetivo de Deus relativo ao seu câncer (entre várias outras coisas boas) é derrotar a autoconfiança em nosso coração para podermos descansar completamente nele.

4. Você desperdiçará seu câncer caso se recuse a pensar na morte.

Todos nós morreremos caso Jesus não retorne em nossos dias. Não pensar sobre como seria deixar esta vida e encontrar Deus é tolice. Eclesiastes 7:2 diz: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete ; porque naquela se vê o fim de todos os homens , e os vivos o aplicam ao seu coração”. Como você pode aplicar esta verdade a seu coração se não pensa nela? Salmos 90:12 diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”. Contar seus dias significa pensar sobre quão poucos eles são e que terminarão. Como você conseguirá um coração sábio se você se recusa a pensar nisto? Que desperdício , caso não pensemos sobre a morte.

5. Você desperdiçará seu câncer caso pense que “vencê-lo” significa sobreviver e não aproximar-se de Cristo.

Os planos de Deus e os planos de Satanás para seu câncer não são os mesmos. Satanás deseja destruir seu amor por Cristo. Deus planeja aprofundá-lo. O câncer não vencerá se você morrer, apenas se falhar em aproximar-se de Cristo. O plano de Deus é privá-lo do alimento do mundo e satisfazê-lo com a suficiência de Cristo. Isto tem o objetivo de ajudá-lo a dizer e a sentir: “tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”. E saber, portanto, que “o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 3:8; 1:21).

6. Você desperdiçará seu câncer caso gaste muito tempo lendo sobre o câncer e não o suficiente a respeito de Deus.

Não é errado ler sobre o câncer. Ignorância não é virtude. Mas, o desejo de saber mais e mais, e a falta de zelo pelo conhecimento contínuo de Deus é sintomático no incrédulo. O objetivo do câncer é acordar-nos para a realidade de Deus, colocar sensações e força no mandamento “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Oséias 6:3), acordar-nos para a verdade de Daniel 11:32: “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte, e fará proezas”, tornar-nos carvalhos indestrutíveis e firmes: “antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará.” ( Salmos 1:2,3). Que desperdício lermos dia e noite sobre o câncer e nada a respeito de Deus.

7. Você desperdiçará seu câncer caso se isole em vez de aprofundar seus relacionamentos manifestando afeição.

Quando Epafrodito trouxe os presentes enviados pela igreja de Filipos para Paulo, ele ficou doente e quase morreu. Paulo diz aos filipenses: “porquanto ele tinha saudades de vós todos, e estava angustiado por terdes ouvido que estivera doente” (Filipenes 2:26). Que reação maravilhosa! Não diz que estavam angustiados porque Epafrodito estava doente, mas que ele estava angustiado porque os filipenses ouviram que ele estava doente. Este é o tipo de coração que Deus pretende criar com o câncer: o coração profundamente afetivo e preocupado com as pessoas. Não desperdice seu câncer voltando-se para si mesmo.

8. Você desperdiçará seu câncer caso se entristeça como quem não tem esperança.

Paulo usa esta expressão para designar pessoas cujos entes queridos haviam morrido: “Não queremos, porém , irmãos , que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança” (1Tessalonicenses 4:13). Existe tristeza na morte. Mesmo para o crente que morre, há uma perda temporária — a perda do corpo, de entes queridos e do ministério terreno. Mas a tristeza é diferente — é permeada pela esperança: “desejamos antes estar ausentes deste corpo, para estarmos presentes com o Senhor” (2Coríntios 5:8). Não desperdice seu câncer ficando triste como quem não tem esta esperança.

9. Você desperdiçará seu câncer caso trate o pecado tão normalmente quanto antes.

Seus pecados freqüentes permanecem tão atrativos quanto antes de você ter câncer? Se a resposta for afirmativa, então você está desperdiçando seu câncer. O câncer foi planejado para destruir o apetite pelo pecado. Orgulho, ganância, luxúria, ódio, falta de perdão, impaciência, preguiça, procrastinação — todos estes são adversários que o câncer deve atacar. Não pense apenas em lutar contra o câncer. Pense também em usá-lo. Todas estas coisas são piores que o câncer. Não desperdice o poder do câncer para esmagar estes adversários. Deixe a presença da eternidade tornar os pecados temporais tão fúteis como eles realmente são. “Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo?” (Lucas 9:25).

10. Você desperdiçará seu câncer caso falhe em utilizá-lo como meio de testemunhar a verdade e a glória de Cristo.

Os cristãos nunca se encontram em determinado lugar por acidente. Existem razões para as quais somos levados onde estamos. Considere o que Jesus diz sobre circunstâncias inesperadas e dolorosas: “Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para que deis testemunho” (Lucas 21:12-13). Assim também é com o câncer. Essa será uma oportunidade para testemunhar. Cristo é infinitamente digno. Aqui está uma oportunidade de ouro para mostrar que Jesus vale mais que a vida. Não a desperdice.

Lembre-se de que você não foi deixado sozinho; terá a ajuda necessária: “Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus” (Filipenses 4:19).

Pastor John

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Autor: John Piper
Fonte: DesiringGod
Tradução: Josaías Júnior
Revisão: Rogério Portella
Via: Monergismo

COMO SUPORTAR AS PROVAÇÕES (Tiago 1.2–12) PARTE II

Tradução: Thiago Mancini  
passando pela prova
     Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações;
     Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência.
     Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.
     E, se algum de vós tem falta de sabedoria, Peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.
     Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte.
     Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa.
     O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos.
     Mas glorie – se o irmão abatido na sua exaltação,
     E o rico em seu abatimento; porque ele passará como a flor da erva.
     Porque sai o sol com ardor, e a erva seca, e a sua flor cai, e a formosa aparência do seu aspecto perece; assim se murchará também o rico em seus caminhos.
     Bem – aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.”
(Tg 1.2 – 12).


     Na última semana nós começamos a olhar para este maravilhoso texto das Sagradas Escrituras, Tiago capítulo 1; mais exatamente Tiago capítulo 1 do versículo 2 até o versículo 12, concernente ao tema: Como Suportar As Provações.

     Eu suponho que nós poderíamos imaginar a pior provação que poderíamos enfrentar na vida, e assim, surgiria uma lista de problemas potenciais: crise financeira, para algumas pessoas talvez a queda do valor das ações na Bolsa de Valores, perdendo todos os investimentos, perdendo a aposentadoria, perdendo a sua poupança, enquanto que para outras pessoas a pior provação possível seria a perda do Seguro Social, enquanto que ainda para outras pessoas a pior provação possível seria a perda do emprego, sendo despedido de um emprego e não tendo mais nenhum rendimento para sustentar a família.

     Talvez ainda pior, seja o anúncio de um doutor que você tem uma enfermidade no coração, ou até mesmo que você tenha câncer, ou ainda que haja um enorme tumor cerebral no seu cérebro, ou alguma coisa que afete a sua esposa, ou o seu cônjuge, ou o seu filho ou a sua filha ou os seus netos.

     Talvez, para você seja a morte acidental de uma criança, ou ainda o estupro ou o assassinato de alguém que você ama, ou a morte de ente querido da sua família, e por aí vai...

     Estas provações são assustadoras e nos deixam aterrorizados. E eu suponho que em um determinado grau maior ou menor a maioria das pessoas tem um medo oculto e escondido do telefone tocar no meio da noite... especificamente se já é tarde da noite ou se é muito cedo pela manhã que pode ser o anúncio de uma tragédia inimaginável.

     Tais tragédias ocorreram há exatamente uma semana atrás na Índia com uma família, com uma família missionária. Graham, sua esposa Gladys Staine estavam servindo ao Senhor na Índia em um ministério aonde estavam... aonde tinha estado por 35 anos entre os leprosos... devotando a si próprios para proclamar o Evangelho e ministrando às pessoas com a terrível doença da lepra. E eles tinham três crianças, uma filha e dois filhos.

     Foi no último domingo que o marido e os dois filhos estavam no carro deles quando uma turba de aproximadamente 100 homens irritados e do grupo radical Anti-Cristão assaltaram o carro, jogaram gasolina pelo carro e queimaram o homem juntamente com os dois filhos até à morte. Eles foram incinerados dentro do carro. A sua esposa e a sua filha estavam em algum outro lugar em uma casa e então escaparam de tal destino.

     O Governo Indiano tinha até este ponto, pelo menos, reunido aproximadamente   50 dos 100 homens do grupo radical Anti-Cristão que havia assassinado o homem com os dois filhos e o Governo Indiano pensa saber exatamente quem é o cabeça desta ação criminosa. Foi uma atividade contra aquelas pessoas que tentam converter pessoas do Hinduísmo ao Evangelho.

     O que torna a história interessante para nós, é que esta querida família era parte do Ministério Grace To You [1] na Índia. Desde 1985, eu acho, de alguma forma eu vinha sendo o pastor deles através das ministrações por fitas de vídeo.

     Esta semana, eu vou fazer uma chamada telefônica para a Índia para falar com Gladys sobre isto.

     Enquanto ela estava em estado de choque e estava sendo... pelo menos sendo questionada pelas autoridades da Índia e pelos meios de comunicação indianos, ela disse:


     “Eu estou profundamente machucada, mas eu não estou com raiva por que  o nosso Senhor nos disse para perdoarmos os nossos inimigos.”

     Esta foi a extensão da entrevista e eles se apressaram em deixá-la por uma questão de cuidados.
     Agora eu suponho que você não pode pensar em absolutamente nada mais inimaginável do que ter a sua família incinerada por um grupo de radicais quando se tem servido ao Senhor fielmente por muitos e muitos anos.

     E como nós notamos, na semana passada, nós sempre pensamos de volta em Jó e no horror de toda a situação de Jó. Tão ruim quanto era, e mesmo estando tão distante de nós, provavelmente as coisas que afetaram a Jó não nos afetaram da mesma forma e ao mesmo tempo que afetaram a Jó.

     Mas se você estivesse a ponto de olhar para a Bíblia, você poderia perguntar para você mesmo... qual é o trauma mais inimaginável, qual é a  tragédia mais profunda que poderia ocorrer?

     Certamente Jó estaria nesta lista de pessoas, e na verdade estaria no topo da lista; mas talvez a provação mais severa que qualquer pessoa jamais atravessou, e que está registrada no Antigo Testamento, foi a provação enfrentada por um homem chamado Abraão. E agora, me permita apenas lembrar a você das provações que Abraão enfrentou.

     Você se lembra que Abraão e Sara eram sem filhos, e Deus disse a Abraão que ele seria o pai de uma grande nação e que a sua descendência seria como as areias do mar.

     Deus disse a Abraão que a sua descendência seria constituída de pessoas especiais que seriam favorecidas por Deus de modo que as nações da terra seriam tratadas por Deus em resposta de como elas trataram a semente de Abraão.

     E então, através de Abraão, o mundo seria abençoado. Qualquer pessoa que amaldiçoasse as suas pessoas seria amaldiçoado e qualquer pessoa que abençoasse as suas pessoas também seria abençoado... a grande Pacto Abraâmico.

     Eles, é claro, não poderiam ter filhos, mas, milagrosamente, Deus lhes permitiu terem um filho, Isaque.

     Está dito em Gênesis 22 que depois deles terem tido este filho e que depois de Isaque ter crescido até atingir a masculinidade de um jovem, Deus testou Abraão e disse a ele, “Abrão”, e Abraão respondeu, “Aqui estou eu senhor.”
     “Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui!” (Gn 22.1).
     Então Deus disse para Abrão tomar o seu filho Isaque, o seu único filho a quem Abraão realmente amava... Deus está enfatizando todas estas realidades.

     “Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece – o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.” (Gn 22.2).

     Para nos dizer, para nos permitir saber o qual difícil foi a provação,

     “Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.” (Gn 22.1 – 2).

     Francamente dizendo, esta provação foi um teste absolutamente incrível, praticamente impossível de acreditar. Se Isaque falecer, então, todas as promessas do Pacto Abraâmico perecem também. Se Isaque, toda a esperança de descendência de um Abraão com idade avançada vai embora, toda a esperança de um povo de vai junto.

     Mas o mesmo Deus que fez a promessa a Abraão e tocou nos lombos de Abraão e de Sara para fazer com que passasse o tempo, o mesmo Deus agora vem e dá um mandamento para matar violentamente a própria promessa.

     Matando Isaque, Abraão mata todas as promessas de Deus… dando um golpe violento no Pacto de Deus fielmente... matando a palavra da promessa... removendo a linhagem do Messias... destruído todas as suas próprias esperanças pessoais.

     O que torna esta provação em particular tão severa não é que Isaque estava para morrer, mas sim que Abraão estava para matá – lo. Isto é inimaginável... um pai matar um filho a quem tanto ama.

     E o versículo 3 de Gênesis 22 em diante diz o seguinte:

     “Levantou – se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado.

     Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe.

     Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós.

     Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos.” (Gn 22.3 – 6).

     Abraão e Isaque estavam caminhando em direção ao Monte Moriá, que é justamente o templo do Monte em Jerusalém nos dias de hoje.

     “Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou – lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos.” (Gn 22.7 – 8).

     A esta altura dos acontecimentos Isaque não sabia que ele próprio é quem estava a ponto de ser sacrificado. É claro que, o sacrifício era um costume pagão, e justamente o fato de o sacrifício ser um costume pagão é que torna isto tão incrível: Deus estava mandando Abraão fazer o que o próprio Deus proibira...

     “Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos.” (Gn 22.8).

     E eu não acredito que Abraão estava mentindo. Eu acredito que Abraão pode sim ter muito bem acreditado que Deus iria fazer a provisão.

     “Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha.” (Gn 22.9).

     Deve ter sido uma experiência muito confusa para Isaque.

     “Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho.” (Gn 22.9 – 10).

     Abrão estendeu a mão e tomou o cutelo para imolar o filho; e isto é... isto é obediência a qualquer custo, isto é adoração ao nível supremo, contrariando tudo o que estava em seu coração, contrariando tudo o que estava em sua mente, indescritivelmente, uma dor inimaginável. E ainda assim, foi isto o que Deus tinha dito.

     “Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abraão! Abraão! Ele respondeu:           Eis-me aqui! Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.” (Gn 22.11 – 12).

     Uau. Abraão revela, escute isto, que nós podemos ser testados em pessoas e em coisas tão perto de nós e tão queridos de nós quanto um membro da família.  Nós podemos ter que oferecer o nosso próprio Isaque. Esteja disposto a oferecer ao Senhor aqueles que você ama, não apenas na morte algum dia, mas também durante a vida.

     Abraão estava disposto a oferecer Isaque. E quando Abraão estava disposto a oferecer Isaque ao Senhor, Abraão mostrou que tinha o direito de manter Isaque para si; por que então Abraão não seria possessivo do próprio filho, mas iria libertar o filho à vontade de Deus.

     Isto é um teste. Existem alguns pais que não querem nem mesmo que os filhos entrem para o ministério. Existem alguns pais que não querem nem mesmo que os seus filhos possam ir para um Campo Missionário no estrangeiro. Existem alguns pais que não querem nem mesmo que os seus filhos deixem a cidade... mesmo que eles possam ser pressionados em seus corações pela compulsão divina.

     Mas não importa qual a provação tenhamos que enfrentar, nunca poderia ser uma provação como esta que Abraão enfrentou, recebendo uma ordem do próprio Deus para matar o próprio filho.

     E isto tem que ser dito, de qualquer maneira, que o quanto mais difícil for a obediência, mais excelente será. Quanto maior for a auto – negação requerida, mais genuína será a fé exibida... e Abraão passou no teste.

     Deus disse a Abrão no versículo 12: “Eu sei que temes a Deus...”; ou seja, é Deus dizendo a Abrão que Abraão passou no teste.

     “Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.” (Gn 22.12).

     Agora, abra sua bíblia em Hebreus 11 por um momento por que em Hebreus 11 nós temos um Comentário do Novo Testamento sobre a história de Abraão.

     Em Hebreus 11.17 – 18, o escritor de Hebreus diz que quando foi posto à prova, Abraão estava pronto a sacrificar Isaque:

     “Pela fé [e que grande fé é esta], Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência.” (Hb 11.17 – 18).

     E então, no versículo 19 está a razão pela qual Abraão depositou tanta fé em Deus:

     “porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou.” (Hb 11.19).

     Ou seja, há uma perspicácia muito grande de Abraão.

     A chave aqui é que Abraão estava disposto a fazer o que fosse que Deus lhe pedisse para fazer. Abraão acreditou em Deus, até o ponto de que, se como ele suspeitava que poderia acontecer, e aconteceu, se Deus não tivesse providenciado outro animal... você lembra que havia um carneiro preso no arbusto que era o substituto de Isaque... mesmo se Deus não tivesse providenciado um animal e ele tivesse que imolar Isaque, Abraão acreditava que Deus era poderoso o suficiente para ressuscitar Isaque dos mortos. Era este tipo de confiança que Abraão tinha em Deus.

     Na verdade, algumas pessoas conjecturam que ele estava realmente ansioso para ver o milagre da ressurreição e poderia ter ficado ligeiramente desapontado de encontrar o carneiro no arbusto. Eu duvido disto... eu duvido disto. Mas este é o tipo de fé, certamente em um nível humano, este tipo de obediência é supremo.

     Eu não conheço outra referência de obediência bíblica que possa superar a obediência de Abraão. E é por isto que encontramos em Gálatas capítulo 3 e versículos 6 e 7 diz que Abrão creu em Deus e esta fé lhe foi imputada por justiça:
     “É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão.” (Gl 3.6 – 7).

     Em outras palavras, agora Abraão define o padrão, por que ele é o símbolo da fé, por que ele é o modelo da fé.

     Abraão acreditou contra toda esperança que a criança poderia nascer. Abraão acreditou contra toda a razão e contra toda natureza humana que se fosse necessário, Deus poderia ressuscitar a criança dentre os mortos. E assim, Abraão passou no teste da fé e temeu a Deus. Agora, Abraão constitui o padrão para nós.

     A vida vai ter as suas provações, e os seus problemas e as suas perdas. E isto nos leva de volta para o nosso texto na epístola de Tiago [ver Tiago 1.2 – 12].

     Agora eu sei que a maioria das pessoas sonha com um mundo de facilidades. Nós esperamos por uma vida com um conforto perfeito. E nós procuramos apenas as mínimas provações.

     E eu acho que a nossa isenção momentânea, o nosso alívio momentâneo das provações nos faz acreditar que talvez a vida sempre vá caminhar desta maneira. Mas, a verdade é que não vai...

     Isto me recorda do Salmo 30 e do versículo 6, aonde o salmista diz que quando estava atravessando um período de prosperidade, ele acreditava que a vida continuaria sempre desta forma:

     “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado.” (Sl 30.6).

     Ou seja, o Salmo 30.6 é o salmista dizendo que no meio da prosperidade ele imaginava que a vida sempre seria desta forma e que nada poderia abalá – lo.

Bem, as pessoas que pensam desta forma vivem no paraíso dos bobos. Pessoas que nunca preveem os problemas, que prometem a elas mesmas somente facilidades estão vivendo em um Mundo irreal.

     Thomas Manton, o escritor puritano disse: “Deus tem somente um Filho sem pecado, mas Deus não tem nenhum filho sem sofrimento.”

     As provações vêm para nós da parte de Deus, por que Deus permite as provações sobrevirem à nossa vida por que na vida do cristão a provação tem fins múltiplos. Mas o propósito primário das provações que nós vemos abordados no caso de Abraão e no caso do qual Tiago diz, é testar a força da nossa fé. E isto é certo, o objetivo das provações é testar a força da nossa fé.

     Em II Crônicas capítulo 32 e versículo 31, enquanto Ezequias está sendo testado, é dito que Deus permitiu a provação para saber o quê é que estava no coração de Ezequias:

     “Contudo, quando os embaixadores dos príncipes da Babilônia lhe foram enviados para se informarem do prodígio que se dera naquela terra, Deus o desamparou, para prová-lo e fazê-lo conhecer tudo o que lhe estava no coração.” (II Cr 32.31).

     As provações na vida do cristão são como que um teste. As provações testam a nossa humildade, não testam?

     As provações testam ou não testam se nós pensamos muito elevadamente de nós mesmos do que nós deveríamos pensar. As provações testam se por acaso nós temos uma ideia imaginária de que... de que já que nós somos tão bons, Deus nunca deveria nos corrigir.

     As provações na vida do cristão também testam a afeição do cristão pelas coisas do mundo. As provações testam se nós estamos ou não estamos sucumbindo aos tesouros desta terra. Quando coisas terrenas são como que rasgadas para nós e colocadas fora do nosso alcance nós somos encontrados se somos ou se não somos mundanos.

     Testes na vida, provações na vida, sofrimento, dor e lamento, também testam se temos ou se não temos uma mentalidade celestial... se estamos ou se não estamos realmente vivendo a vida com uma perspectiva da eternidade.
     E as provações na vida também são um teste para revelar o quê é que nós realmente amamos.

     Todas estas coisas testam a força e o caráter da nossa fé, testam a nossa humildade e testam se podemos enfrentar as provações de bom grado por que sabemos que não merecemos nada mais. As provações testam se estamos engolfados pelas coisas mundanas e testam se a nossa afeição está posta nas coisas celestes. As provações testam o que nós realmente amamos.

     Olhe para o caso de Abraão, havia alguma coisa mais querida para Abraão do que Isaque? Sim. Quem era mais querido para Abraão do que Isaque? Deus... Deus. E o teste da provação revelou a quem Abraão mais amava. Abraão amava a Isaque, isto está dito. Mas Abraão amava mais a Deus.

     E as provações na vida testam como nós valorizamos a graça divina. E o que é que isto quer dizer? O que eu quero dizer com isto é que se nós estamos dispostos a sofrer para experimentar a graça em uma medida mais abundante?

     Os nossos sentidos nos dizem para valorizarmos o prazer, para valorizarmos aquilo que nos faz felizes; enquanto que a fé nos ensina a valorizar a Deus e a valorizar a Obra de Deus.

     Os nossos sentidos nos dizem para valorizarmos a segurança terrena, valorizarmos a proteção terrena e valorizarmos o suporte terreno; enquanto que a fé nos diz para valorizarmos a graça divina derramada em nós no meio do sofrimento.

     É justamente como a canção que diz: “Se eu não tivesse nenhum problema, eu nunca saberia como resolvê-los e eu perderia toda a graça...”

    
     No Salmos 63 versículo 3 o salmista resume tudo isto dizendo para Deus as seguintes palavras:

     “Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam.” (Sl 63.3).

     A coisa mais doce que você jamais vai conhecer é a graça de Deus.
     Mas a soma de tudo isto e o tema de Tiago 1 é que as provações são designadas por Deus para nos testar e para nos fortalecer. Isto é o que as provações fazem na vida do cristão. E isto é bom, e isto é bom.

     Novamente citando o escritor puritano Thomas Manton: “Enquanto todas as coisas estão quietas e confortáveis, nós vivemos pelo sentido ao invés de vivermos pela fé, assim como o valor de um soldado nunca é conhecida em tempos de paz.”, fim da citação.

     O verdadeiro caráter se manifesta bem no meio do teste. E então, nós temos provações. As provações são inevitáveis. Nós somos criaturas caídas vivendo em um mundo caído. E não somente nós temos que resistir aos resultados normais do pecado no Universo, do pecado no Planeta e do pecado em nós mesmos; mas à isto é adicionado o fato de que o próprio Deus traz provações nas nossas vidas e permite provações nas nossas vidas com o propósito e com o objetivo de nos testar e de nos fortalecer.

     Agora, na passagem lida de Tiago 1.2 – 12 existem alguns assuntos práticos para consideração. Se eu estou a ponto de ser aprovado no teste, se eu estou a ponto de ser abençoado através deste teste, se eu vou sair deste teste mais fortalecido, se eu estou a ponto de superar a provação e persistir e perseverar, o que é requerido, ou o que é necessário? Esta é a questão que nós começamos a responder no último Domingo.

     Em primeiro lugar, (versículo 2) uma atitude alegre ... uma atitude alegre.

     “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações.” (Tg 1.2) – (ARA).

     Esta é a primeira coisa a que nós dos direcionamos na última semana...

     Em segundo lugar, um entendimento mental. Versículo 3:

     “sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.” (Tg 1.3) – (ARA).

      Entenda o que Deus está fazendo. Através das provações, Deus está tornando você mais forte. Através das provações Deus está produzindo perseverança.
     Através das provações Deus está fortalecendo a sua fé e tornando você mais útil para a Obra de Deus.

     E assim, nós respondemos às provações com uma atitude alegre e com um entendimento mental; e em seguida, por último, em último lugar, uma vontade submissa. Versículo 4:

     “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.” (Tg 1.4) – (ARA).

     Não lute contra isto. Permita que o teste faça aquilo que Deus quer fazer para que você possa ser perfeito e íntegro e em nada deficiente. É tudo parte da sua maturidade espiritual. É tudo parte do seu desenvolvimento espiritual. É tudo parte do seu crescimento... não importa se é uma enfermidade ou a perda de uma pessoa amada, não importa se o seu marido e se os seus dois filhos são incinerados pelas mãos de um bando de agentes das trevas que odeiam a Cristo, não importa se é a perda de um emprego, qualquer coisa que seja... a sua primeira abordagem inicial com relação às provações deve ser uma atitude alegre por que você sabe que Deus trabalha todas as coisas juntamente... todas as coisas juntamente para... para quê?... para o seu próprio bem [ver Romanos 8.28].

     A segunda coisa é um entendimento mental, para perceber que tudo isto é para o seu próprio desenvolvimento por que tudo isto produz perseverança. Você sabe, uma das maldições de ser jovem é que você ainda não teve provações suficientes. Alguém me disse certa vez, e eu assumi isto como um elogio, eu certamente recebi isto como um elogio, mas se não era um elogio isto não foi dito. Alguém me disse: “Parece que à medida em que você envelhece, a sua pregação é mais compassiva e mais   pastoral.”

     Bem, eu vou dizer à você, que à medida que você envelhece, você certamente vai enfrentar mais provações. E duas coisas podem acontecer: as provações podem endurecer você e amargar você deixando você ressentido, ou as provações podem te ensinar a ter uma paciência maior, uma perseverança maior e uma força espiritual maior. Eu oro, Deus, esta é a verdade.

     Uma atitude alegre, um entendimento mental e uma vontade submissa. Agora, me permita falar sobre mais algumas atitudes durante a provação. Número quatro, um coração crente... um coração crente.
    


     À esta altura, alguém poderia dizer o seguinte: “Bem, rapaz, eu gostaria de ter uma atitude alegre no meio das provações, eu gostaria de ter um entendimento mental no meio das provações, já que tudo isto é para o meu próprio bem e é Deus mesmo quem está fazendo tudo isto, eu gostaria de ser capaz de deixar isto acontecer e apenas... e apenas me sentir confortável e descansar nos propósitos de Deus.

     Você nota isto com Abraão, sem argumentos, sem descuido, sem bagunça, Deus disse para fazer isto e ele apenas arrumou suas coisas e sai para fazer o que Deus mandou... Eu gostaria de ser capaz de ser tão submisso e ter este entendimento e de manter a alegria no meio das minhas tribulações, mas me falta alguma coisa para isto. Me falta discernimento espiritual.

     Eu me esforço ao máximo para manter o meu coração alegre no meio das provações. Eu me esforço ao máximo para realmente entender por que é que isto tem que acontecer e eu... eu me esforço ao máximo para ser submisso. Eu preciso de um entendimento mais profundo. Eu preciso de sabedoria espiritual. Eu preciso saber mais para que eu não esteja tão perplexo e tão fraco no meio das    provações.”

     E isto nos leva do versículo 5 ao versículo 8.

     “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, Peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.

     Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.

     Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.” (Tg 1.5 – 8) – (ARA).

     No meio disto, se é realmente isto que você e que eu estamos nos esforçando para manter a alegria, o entendimento e a submissão, o versículo 5 diz que se algum de nós necessita de sabedoria... “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, Peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.” (Tg 1.5) – (ARA). Vamos nos deter aqui.

     O que é sabedoria? Eu não estou falando sobre algum conceito filosófico aqui. Quando falamos sobre sabedoria, tudo o que nós estamos falando é sobre um entendimento prático dos problemas da vida... um entendimento prático dos problemas da vida. E escute, a sabedoria está no prêmio durante a provação.

     Os judeus procuravam este tipo de sabedoria. Quando você lê os Salmos, quando você lê Provérbios, quando você lê Eclesiastes, você sabe que eles estavam como que enamorados da sabedoria.

     Mas a única coisa que eles realmente queriam resolutamente nas suas vidas era a sabedoria de Deus, que você pode encontrar em ambos os livros de Salmos e de Provérbios.

     E quando você olha para a sabedoria humana no livro de Eclesiastes, tudo é vaidade, certo? Tudo é futilidade. Tudo é nada. Nós não queremos algum… algum conceito etéreo, alguma filosofia imparcial e distante. O que nós queremos é um entendimento prático dos problemas da vida, para que então nós possamos resolver as coisas que estão acontecendo e por que é que estão acontecendo.

     Para os judeus, muito diferentemente dos gregos, para os judeus, a sabedoria é um entendimento da vida através da ótica de Deus.

     No meio de tudo isto que estava acontecendo, era ver isto como o trabalhar de Deus. O salmista disse que sempre tem posto o Senhor na frente de Si, e que então o seu coração se alegra...

     “O Senhor, tenho–o sempre à minha presença; estando ele à minha direita, não serei abalado. Alegra – se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro.” (Sl 16.8 – 9).

     É difícil ficar em depressão quando se está sempre enxergando a vida como toda envolvida por Deus desdobrando os propósitos divinos.

     Quando você está enfrentando um teste e você se sente fraco e você deseja força e recursos e entendimento, e você está tentando aguentar, aonde é que você vai em busca de sabedoria?

     Bem, você poderia correr para um psicologista, eu creio. Você poderia correr para um psiquiatra. Ou você poderia até mesmo ler o seu horóscopo. Ou ainda, você poderia ligar para todos estes terríveis números de telefone aonde eles pretendem ser capazes de lhe dizer exatamente tudo sobre você mesmo. Ou você poderia olhar para o mundo e tentar encontrar a sabedoria.

     Mas há uma declaração maravilhosa, maravilhosa que você provavelmente sabe. É bem mais do que uma simples declaração e é encontrada, eu acredito que é o   capítulo 28... eu estou certo sobre isto... do livro de Jó, e a questão perguntada no versículo 12 é a seguinte:

     “Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento? O homem não conhece o valor dela, nem se acha ela na terra dos viventes.” (Jó 28.12 – 13).

     Bem, isto é bom, você quer sabedoria, então não olhe para este mundo... esqueça isto.

     Rapaz, isto é algo muito sério de ser dito. Isto não está disponível na terra dos viventes, isto quer dizer, este Mundo.

     “O abismo diz: Ela não está em mim; e o mar diz: Não está comigo.
     Não se dá por ela ouro fino, nem se pesa prata em câmbio dela.
     O seu valor não se pode avaliar pelo ouro de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira.
     O ouro não se iguala a ela, nem o cristal; ela não se trocará por jóia de ouro fino; ela faz esquecer o coral e o cristal; a aquisição da sabedoria é melhor que a das pérolas.
     Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode avaliar por ouro puro.” (Jo 28.14 – 19).
     Não importa o quão rico você seja, não importa o quão profundo você possa mergulhar nas profundezas do mar. Não importa o tamanho da sua fortuna, você não pode comprar a sabedoria.
     “Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode avaliar por ouro puro. Donde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar do entendimento? Está encoberta aos olhos de todo vivente...” (Jó 28.19 – 21a).

     Ou seja, a sabedoria não está disponível no Planeta. A sabedoria não está aqui. Você nunca vai ser capaz de resolver os problemas da vida, procurando a sabedoria em um nível humano.

     “Donde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar do entendimento? Está encoberta aos olhos de todo vivente e oculta às aves do céu.” (Jó 28.20 – 21).
     Ou seja, não importa o quão longe você possa voar, você não vai encontrar a sabedoria.
     O abismo e a morte dizem que ouviram com os seus ouvidos sobre a sabedoria, mas que não importa o quão profundamente se viaje para o ventre da Terra, ainda assim, a sabedoria não será encontrada:
     “O abismo e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama.
     Deus lhe entende o caminho, e ele é quem sabe o seu lugar.” (Jó 28.22 – 23).

     Notemos o versículo 28 aonde está escrito que a sabedoria é o temor de Deus:

     “Porque ele perscruta até as extremidades da terra, vê tudo o que há debaixo dos céus. Quando regulou o peso do vento e fixou a medida das águas; quando determinou leis para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões, então, viu ele a sabedoria e a manifestou; estabeleceu – a e também a esquadrinhou.

     E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar – se do mal é o entendimento.” (Jó 28.24 – 28).

     Ou seja, você não chega nem perto de pisar no terreno da verdadeira sabedoria, a menos que você vá até Deus, por quem em Deus é encontrada a sabedoria.

     A sabedoria não é encontrada neste Mundo. Você nunca será capaz de solucionar e de resolver os problemas desta vida procurando por soluções humanas.

     “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.” (Pv 3.5).
     Confie no Senhor com todo o seu coração e não se estribe em teu próprio... em teu próprio o quê?... em teu próprio entendimento.

     “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal.” (Pv 3.5 – 7).

     Agora, há sabedoria para cada situação, há sabedoria que pode ser bem aproveitada em todas as provações da vida. Contudo, esta sabedoria não está disponível em nenhuma fonte humana.
     Vamos para o capítulo 3 de Tiago, no versículo 17, e nós poderemos ter que fazer mais um sermão nesta séria, mas tudo bem...

     Vamos para Tiago 3.17, por que eu quero que vocês entendam isto:

     “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento.” (Tg 3.17).

     “A sabedoria do alto…”; agora, há um ponto, e você precisa sublinhar isto,              “A sabedoria do alto…”. Ou seja, a sabedoria não está na terra dos viventes. A Sabedoria não está disponível na Terra. A sabedoria não está aqui. A sabedoria não é humana. A sabedoria vem do alto…

     “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento.” (Tg 3.17).

     Agora, qualquer sabedoria que não venha do alto, diz o versículo 15, a sabedoria não é aquela que vem do alto, qualquer outro tipo de sabedoria, é terrena, natural e demoníaca.

     “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade.

     Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca.” (Tg 3.13 – 15).

     Uau...

     Então, se você estiver enfrentando uma provação, se você está enfrentando uma luta e se você está tentando resolver estes problemas e você está fazendo questionamentos sobre o quê é que está acontecendo: Por que isto está acontecendo? Questões como Jó perguntou. E você está se perguntando como pode compreender toda a situação e com você pode obter um entendimento dos problemas da vida que estão afetando você?
     Salomão bem sabia o quão importante isto era. Tanto que em I Reis 3, quando lhe foi dada a oportunidade de pedir qualquer coisa para Deus, o que foi que ele pediu? Ele pediu sabedoria e ou entendimento de coração.

     “Salomão amava ao Senhor, andando nos preceitos de Davi, seu pai; porém sacrificava ainda nos altos e queimava incenso. Foi o rei a Gibeão para lá sacrificar, porque era o alto maior; ofereceu mil holocaustos Salomão naquele altar.

     Em Gibeão, apareceu o Senhor a Salomão, de noite, em sonhos. Disse – lhe Deus: Pede – me o que queres que eu te dê.

     Respondeu Salomão: De grande benevolência usaste para com teu servo Davi, meu pai, porque ele andou contigo em fidelidade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua face; mantiveste–lhe esta grande benevolência e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como hoje se vê.

     Agora, pois, ó Senhor, meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me. Teu servo está no meio do teu povo que elegeste, povo grande, tão numeroso, que se não pode contar.

     Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?” (I Rs 3.3 – 9).

     Então, vamos voltar para Tiago capítulo 1. Se você estiver enfrentando uma provação depois de uma provação depois de outra provação na sua vida saiba que é Deus em Seus propósitos poderosos testando a sua fé e fortalecendo você e refinando você e descobrindo se você está ligado a coisas terrenas, descobrindo se você pensa nas coisas do alto, descobrindo o que é que você realmente ama.

     Deus vai trazer todas estas coisas sobre a sua vida e através delas fortalecer você, e fazer você, como Ele diz no versículo 4, perfeito, completo e em nada deficiente:

     “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.” (Tg 1.4) – (ARA).

     No meio de tudo isto, você está se esforçando para obter um certo controle sobre tudo o que está acontecendo. Tudo o que você sente é dor. E às vezes o castigo pelos pecados na sua vida parecem muito graves para o momento. E você fica se perguntando:
“Como eu posso entender isto?
Como é que eu posso compreender tudo isto que está acontecendo?”
     E a primeira resposta que as Escrituras dão à você é que não existe resposta disponível no reino terrestre. Toda a sabedoria deste mundo ou é natural ou é demoníaca [ver Tiago 3.13 – 15]. Tem que vir de cima para baixo.

     Então, quando você precisar de sabedoria... volte para o versículo 5...

     “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, Peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.” (Tg 1.5) – (ARA).

     Se algum de vós necessita de sabedoria, peça a quem? Peça a Deus.

     Na verdade, isto é um mandamento. Está no tempo verbal presente ativo – imperativo, e não é opcional, é um mandamento e é contínuo. Em todas estas oportunidades nas quais você não pode resolver os problemas da sua vida, peça sabedoria a Deus.

     Eu realmente creio que esta é uma das razões primárias pelas quais Deus traz provações na vida do cristão, em ordem para elevar a nossa dependência de Deus. Justamente quando você pensa que você tem tudo no lugar, certo?

          Justamente quando você pensa que é o senhor do seu próprio destino, você tem a sua vida toda resolvida, você tem os seus filhos aonde crê que eles deveriam estar, você tem o seu parceiro de vida comprometido com você, você tem sido bem sucedido nos seus objetivos profissionais e tem atingido as suas metas e você está feliz com o seu estilo de vida e você gosta do jeito que a vida está indo, isto é um tipo de dependência, e este é o tipo de prosperidade sobre o qual Deus avisou Israel quando Israel foi para a terra que mana leite e mel e achou isto bom, eles teriam esquecido de Deus e teria que sobrevir uma série de lembretes para Israel não  se esquecer de Deus na prosperidade.

     E uma das coisas que as provações fazem conosco é nos colocar em uma posição aonde nenhum recurso humano pode resolver o problema.

     Como vocês sabem, foi à um par de semanas atrás que a minha mãe morreu. Não seria o que nós escolhemos e o meu pai disse para mim uma dúzia de vezes, que se ela morresse daqui a um ano, ainda seria muito cedo, se ela morresse daqui a dois anos, ainda seria muito cedo, se ela morresse daqui a cinco anos... se ela morresse antes de eu ir, sempre seria muito cedo. E há um desamparo por que você não pode fazer nada sobre isto.

     Quando alguém amado em sua família fica com câncer, você não pode fazer nada sobre isto ultimamente. Oh, você pode você pode tomar qualquer opção médica que você queira e fazer tudo o que a ciência tem providenciado para nós nesta habilidade maravilhosa de prolongar a vida, mas no fim... no fim é o caráter e a natureza da doença que determinam a vida ou a morte do indivíduo e realmente isto está fora do controle das nossas mãos.

     Quando você chega àqueles lugares aonde suas crianças tem abandonado, como ouvimos no testemunho daquela jovem hoje à noite, você faz tudo o que você pode para compartilhar o evangelho com elas, para colocar dentro delas a verdade de Deus e elas saírem de uma vida de pecado, e você está incapaz... você não pode fazer nada sobre isto, e você não tem lugar algum para ir a não ser ir para Deus. E isto é bom, não é? Isto é bom... isto é bom.

     Você é deixado apenas com um meio invisível de suporte. E então é dito no versículo 5 que se você necessita de sabedoria, você deve pedir a Deus. e você pode dizer:
 “Bem, rapaz, eu preciso de sabedoria nesta situação, o que é que eu tenho que fazer para obter isto de Deus? Eu tenho que bater na porta do Céu?”

     Bem, apenas olhe para o restante do versículo: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, Peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.” (Tg 1.5) – (ARA).

     Deus dá sabedoria a todos os homens que Lhe pedem liberalmente, incondicionalmente, sem barganha, generosamente, livremente. Ele apenas derrama. Ele não retém nada, absolutamente nada.

     “Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos.” (Pv 2.6 – 7).

     Deus tem pilhas e mais pilhas de sabedoria. E Deus não ama nada mais do que dispensar esta sabedoria para os Seus filhos que pedem.

     Estamos falando sobre oração aqui. Estamos falando sobre perseguir o conhecimento de Deus nas Escrituras.

     Escute Jeremias 29.11 e os versículos seguintes:

     “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei.

     Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor [eu amo isto...] e farei mudar a vossa sorte...” (Jr 29.11 – 14a).

     Deus não está relutante. Ele dá liberalmente. Quando você enfrenta as provações da vida, Deus está lá pára providenciar toda a sabedoria necessária se você apenas for até Ele.

     E outra coisa. Ele dá para todos os homens generosamente e sem censura. A antiga versão King James diz: “… sem censura …”

Me permita dizer à você o que é que isto significa. Eu não sei com relação à você mas eu já tive este tipo de conversa, eu suponho com meus próprios pais e com os meus próprios filhos. As crianças vêm e pedem alguma coisa. E elas não têm sido obedientes como você deseja que elas fossem, e você quer dar a elas o que elas pediram por que é necessário e assim você dá à elas  um pequeno discurso sobre... Bem, veja, eu estou dando isto à você mas você não merece isto; mas por que eu me importo com você e por que eu acho que é necessário, eu estou dando isto para você, mas eu realmente não deveria fazer isto.

     Agora, isto é dar com uma certa repreensão não é? Você não está feliz por que você não tem este tipo de coisa quando você vai até Deus? Não há repreensão... não há repreensão.

     Vejamos Tiago 1.17:
     “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” (Tg 1.17).

     Deus concede a sabedoria sinceramente. Deus dá a sabedoria sem hesitação. Escute, Deus concede sabedoria sem reserva mental. Deus dá sabedoria sem reter nada. Deus não regatea. Deus não reclama ao dar a sabedoria como os pais fazem. Ao conceder a sabedoria, Deus não diz: “Você sabe, isto está ficando um pouco demais. Tudo o que Eu sempre quis fazer é salvá-lo.”

     O compromisso de Deus é fornecer toda a sabedoria necessária que os cristãos precisam para lidarem com os problemas da vida, e Deus concede sabedoria generosamente ao máximo e sem repreensão. Nós não temos que ouvir de Deus este sermão que ouvimos de nossos pais: “Você não é digno disto... você não merece  isto.” Deus concede a sabedoria. Concede generosamente a todos os homens, e para aqueles que são Seus, sem nenhuma repreensão é dado à eles.

     Eu quer dizer que, esta promessa é uma promessa realmente maravilhosa. Se você está enfrentando uma provação, se você está tentando resolver este problema, você vai para a Palavra, você vai para o Senhor em oração e você sabedoria a Deus e então a sabedoria é derramada sobe você, sem reserva e sem repreensão.

     Eu amo o que é dito no Salmo 81.10:

     “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito.... [escute as palavras seguintes…] Abre bem a boca, e ta encherei.” (Sl 81.10).

     Você não gosta disto? Isto é como Deus é. Ele não diz: “Aqui tem um bocado de comida, seu desgraçado que não merece.” Ele diz: “Abra a sua boca tão largamente quanto você possa por que Eu estou prestes a enchê-la.”
     Isto realmente está nos chamando para encontrar os nossos recursos no alto, para uma vida de oração, indo até Deus como a fonte de tudo o que o precisamos no meio das nossas provações.
     É Marcos 14.38.
     “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação [... se mantenha orando, se mantenha orando... se mantenha buscando a Deus para que as suas provações não façam você cair em tentação e consequentemente cair em pecado...]; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mc 14.38).
     Olhe para o versículo 6 então: “Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.”  (Tg 1.6) – (ARA).

     “Peça-a, porém, com fé...”, e este é o quarto princípio aqui que eu identifiquei para você como um coração crente. Uma atitude alegre, um entendimento mental, uma vontade submissa e um coração crente.

     “Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.” (Tg 1.6) – (ARA).

     Se você for orar, ore acreditando. Tendo descrito a vontade do Pai no versículo 5, Tiago volta a atenção para a espera paciente no versículo 6 e descreve o tipo de fé que é requerida.

     Se há falta de sabedoria na sua vida, se você não pode solucionar os problemas da sua vida, se você não pode lidar com os traumas e com as lutas e com as provações, se você não pode lidar com tudo isto, isto não é culpa do Pai. Não há nenhuma falta nas provisões de Deus, a fé de uma criança é que é o problema.

     O que Tiago quer dizer aqui, por pedir com fé e em nada duvidando? Tiago está simplesmente definindo a fé verdadeira, a fé verdadeira, as coisas reais, as coisas que pertencem aos crentes.

     Qualquer pessoa, Hebreus 11.6 diz, que vai até Deus deve acreditar que Ele é Deus e que Ele é recompensador daqueles que O buscam.

     “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.” (Hb 11.6) – (ARA).

     Você tem que acreditar que Deus é salvador, redentor, gracioso, e um Deus recompensador. Não há lugar para orações insinceras, para orações duvidosas.

     Ele diz, “Na tribulação, o verdadeiro crente vai lançar-se sobre os recursos de Deus com fé genuína de que Deus vai suprir.” Esta é a fé de um crente verdadeiro. Além disso, ele diz, “Sem nenhuma dúvida... sem fraquejar... sem disputar... sem debater.”

Você não está duvidando do poder de Deus, você não está duvidando da provisão de Deus. Isto, por sinal, não é tanto a dúvida do intelectualismo quanto a dúvida do comprometimento pessoal.

     Se você tem uma fé verdadeira, uma fé inabalável, você acredita que Deus é o seu Salvador, que Deus é o seu Pai, que Deus é soberano, que Deus é amor, e que Deus conhece as necessidades de seus próprios filhos...

     “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.” (Fp 4.19).

     Nós acreditamos que... nós acreditamos que Deus vai suprir todas as nossas necessidades. Os cristãos verdadeiros acreditam nisto.

     Um crente orando, então, pede a Deus, busca a Deus e pede a Deus, nunca duvidando da natureza de Deus, nunca duvidando do amor de Deus, nunca duvidando da paternidade de Deus, nunca duvidando que Deus é o seu Salvador, que Deus é o seu guardador, que Deus é a sua provisão e o seu provedor, nunca duvidando disto.

     Este é o tipo de fé que os judeus disseram que moveria montanhas, que era uma metáfora para fazer coisas difíceis. Este é o tipo de fé que é descrito como uma semente de mostarda, que começa pequena, mas cresce. É um tipo de fé crescente, persistente, o tipo de fé que cresce alinhada com a natureza de Deus. Você ora e você realmente acredita que Deus pode prover e que Deus vai prover.

     Mas se você duvidar, versículo 6, você fraqueja, você vacila, você é como a onda do mar, agitada e impelida pelo vento.

     “Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.” (Tg 1.6) – (ARA).

     Sobre o que é que Tiago está falando aqui? Bem, isto é muito óbvio. Você já viu a espuma das ondas do mar e você já viu o vento e o mar se movendo para frente e para trás com as suas marés infinitas... E se você notar, elas não chegam a lugar nenhum.

     Isto é como titubear entre duas opiniões, como aqueles que não podiam decidir se Jeová era Deus ou se Baal era Deus em I Reis 18. É como aqueles em I Coríntios 10 que sacrificavam aos demônios em altares pagãos, e então iam para a Igreja e trabalhavam e comungavam. É como aquelas pessoas mornas na igreja de Laodicéia que Deus estava a ponto de vomitar de Sua boca.

     Esta é a pessoa que não tem uma fé real em Deus. Esta é a pessoa que ou é um incrédulo ou é fraca, duvidando do Cristianismo  e agindo como um verdadeiro incrédulo.

     Esta pessoa, diz o versículo 7, não deve esperar receber nada de Deus:

     “Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa.” (Tg 1.7).

     Deus não é obrigado a responder aos céticos. Se você vai debater com Deus, se você vai duvidar da providência de Deus, da provisão de Deus, do amor de Deus, do cuidado de Deus, da soberania de Deus, quando o teste vem e você vai até Deus sem fé e sem confiança em Deus, não espere receber nenhuma sabedoria por que o versículo 8 diz que você é um homem inconstante:

     “Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.” (Tg 1.7 – 8).

     Esta expressão, “ânimo dobre” aqui em Tg 1.8 vem do grego “dispuchos” significa  com que duas almas, ou duas mentes, uma alma dividida entre Deus e o Mundo.

     “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tg 4.4).

     Se alguém ama o Mundo, de acordo com I João 2.15, o amor do Pai não está nele:

     “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.” (I Jo 2.15).

     Esta pessoa de ânimo dobre é um... é um termo que é primariamente utilizado para se referir aos incrédulos por que no versículo 8 do capítulo 4, Tiago 4.8:
     “Chegai – vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores [... esta palavra sempre é utilizada no Novo Testamento para incrédulos...]; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração.” (Tg 4.8).

     “Afligi – vos, lamentai e chorai. Converta – se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai – vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.” (Tg 4.9 – 10). Aqui está falando aos pecadores...

     Uma pessoa de mente dividida ou de ânimo dobre tem uma certa espécie de comprometimento externo à religião, ao Cristianismo; mas isto não é uma devoção verdadeira.

     Eu suponho que como eu disse mais cedo, existem certos tipos de crentes que poderiam ter momentos quando agissem como incrédulos com este tipo de dúvida, mas a ideia aqui é de uma pessoa que não fez um comprometimento total e completo com Deus.

     John Bunyan, em O Peregrino, chamou esta pessoa de Mr. Facing Both Ways.

     Salmos 12.2 fala do coração duplo que o Senhor irá julgar:

     “Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido.” (Sl 12.2).

     O versículo realmente claro que nos direciona para um coração único, como lemos nesta manhã é Deuteronômio 6.5.

     “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.” (Dt 6.5).

     
     Esta é a pessoa indecisa. A pessoa que sabe que há um Deus, que acredita em Deus, mas que não se comprometeu com Deus. Ele é instável não apenas em alguns de seus caminhos, mas em... em quê?... em todos os seus caminhos, o que indica que a sua condição espiritual geralmente está fora do Reino de Deus.
     Ele não pode lidar com as provações da vida. Ele é como que levado pelo vento para todos os lugares. Ele é golpeado de todos os lados pelas tempestades da vida.

     E ele gostaria de ir a Deus e ser capaz de solucionar isto, mas ele não fez um compromisso suficiente com Deus, ele não tem a genuína e verdadeira fé salvadora; ou se de fato um crente poderia se encaixar nesta categoria, ele como que escorregou ao ponto de agir e de se comportar como um não cristão, e como visto, Deus não recompensa dúvidas...

     Esta pessoa não tem uma confiança verdadeira, não tem uma lealdade verdadeira ao Senhor. Toda a sua vida é vacilante, vacilante, vacilante. Ele é “akatastatos”, inconstante. É utilizada em I Coríntios 14.22 aonde diz que Deus não é o autor da confusão. “porque Deus não é de confusão, e sim de paz.” (I Co 14.33). Esta é uma pessoa confusa, que ainda não chegou à maturidade. É a pessoa inconstante de     Tiago 1.8. Esta pessoa não está resolvida.

     Então, ouçam isto com atenção pessoal. Se você está enfrentando as provações na sua vida e você ainda não fez um comprometimento com Deus colocando a sua confiança e depositando a sua fé em Jesus sem reservas, se a sua fé não é a sua fé salvadora que abarca tudo o que Deus é e todas as promessas de Deus, e você está lutando no meio das provações da vida com a sua duplicidade e suas dúvidas e suas inquietudes e suas inconstâncias e suas vacilações, não espere que Deus dê a você a sabedoria necessária para resolver os problemas da sua vida. A sabedoria que vem do alto vem somente para aqueles que são filhos de Deus.

     Como uma nota de rodapé, se você é um crente confuso, se você está tropeçando e está desastrado em torno de algum padrão de pecado e está tentando alcançar a sabedoria no meio de alguma provação sem lidar primeiro com este pecado, não espere Deus honrar esta sua duplicidade e hipocrisia.

     Agora, se nós vamos receber de Deus a sabedoria, nós precisamos pedir... nós precisamos pedir com fé.

     Uma atitude alegre, um entendimento mental, uma vontade submissa, um coração crente, e há mais uma atitude sobre como enfrentar as provações para o próximo sermão.

     Você quer saber qual é? Então, espere a próxima semana...

     Vamos orar.

     Eu digo isto por que eu posso mudar esta próxima atitude sobre como enfrentar as provações até semana que vem... Não, eu não faria isto.

     Pai, a vida é cheia de tantas lutas e nós precisamos tanto desta grande esperança e confiança que provêm da Sua Palavra, nós oramos para a querida Gladys Staine e sua filha jovem na terrível, na terrível perda de seu fiel e amado marido e seus dois preciosos jovens garotos, eu creio que eles tinham nove e sete anos de idade, e eu apenas oro, Senhor, por esta paz que ultrapassa o entendimento, reine no coração dela... e no coração da sua filha.

     Obrigado por sua graça evidente que é demonstrada na resposta dela à tudo isto. Eu oro para que a sabedoria abundante seja entregue à ela no meio desta provação para que então ela possa ter uma atitude alegre, mesmo no centro do mais inimaginável pesar.

     E, Pai, por todos os problemas da vida que todos nós enfrentamos e vamos enfrentar, nos conceda esta abordagem triunfante, nos dê uma atitude alegre e um entendimento mental.

     Senhor, nos ajude... nos ajude a ver as coisas ao ponto aonde nós podemos exercitar uma vontade submissa, e por aquilo que nós não podemos compreender, nos dê um coração crente que vá até o Senhor honestamente em oração  sem ânimo dobre e que procure do Senhor a sabedoria necessária... com a confiança de que o Senhor vai nos dar esta sabedoria generosamente, e que sem nos ralhar, o Senhor vai nos conceder tudo o que nós precisamos.

     E pelas nossas provações, Senhor, o Senhor possa nos fortalecer e nos tornar mais maduros e mais úteis. E uma vez que tenhamos sofrido um pouco aqui, que o Senhor possa nos fazer mais fortes para a grande glória do nosso Salvador... e nós oramos no maravilhoso nome de Jesus. Amém.

  Nota do Tradutor.
[1] O Grace to You, é um ministério fundado pelo pastor John MacArthur no ano de 1969.
     O Ministério Grace to You é uma organização cristã sem fins lucrativos, responsável pelo desenvolvimento, produção e distribuição de livros, recursos de áudio, e programas de rádio e televisão, atingindo grandes centros populacionais em todos os continentes do mundo.
     Você pode acessar o site do Ministério Grace to You através do link http://www.gty.org/


Extraído de: http://www.materiasdeteologia.com