segunda-feira, 16 de julho de 2018

Salmo 18 – A angustia do Servo do Senhor



    O Salmo 18 nem de longe trata de questões relacionadas ao salmista Davi ou de suas conquistas pessoais, antes, inspirado pelo Espírito Eterno ele profetizou cerca do Messias ( 2Sm 22). O Salmo 18 fala de como Deus retribuiria o Cristo segundo a pureza de suas mãos, visto que, Cristo é o único homem a não cometer pecado “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” ( 1Pe 2:22 ).

    A angustia do Servo do Senhor

    Salmo 18
    1 EU te amarei, ó SENHOR, fortaleza minha. 2 O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio. 3 Invocarei o nome do SENHOR, que é digno de louvor, e ficarei livre dos meus inimigos.
    4 Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram. 5 Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surpreenderam. 6 Na angústia invoquei ao SENHOR, e clamei ao meu Deus; desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face.
    7 Então a terra se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porquanto se indignou. 8 Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo que consumia; carvões se acenderam dele. 9 Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão estava debaixo de seus pés. 10 E montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento. 11 Fez das trevas o seu lugar oculto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das águas e as nuvens dos céus.
    12 Ao resplendor da sua presença as nuvens se espalharam, e a saraiva e as brasas de fogo. 13 E o SENHOR trovejou nos céus, o Altíssimo levantou a sua voz; e houve saraiva e brasas de fogo. 14 Mandou as suas setas, e as espalhou; multiplicou raios, e os desbaratou. 15 Então foram vistas as profundezas das águas, e foram descobertos os fundamentos do mundo, pela tua repreensão, SENHOR, ao sopro das tuas narinas. 16 Enviou desde o alto, e me tomou; tirou-me das muitas águas. 17 Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me odiavam, pois eram mais poderosos do que eu. 18 Surpreenderam-me no dia da minha calamidade; mas o SENHOR foi o meu amparo. 19 Trouxe-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim.
    20 Recompensou-me o SENHOR conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos.
    21 Porque guardei os caminhos do SENHOR, e não me apartei impiamente do meu Deus.
    22 Porque todos os seus juízos estavam diante de mim, e não rejeitei os seus estatutos.
    23 Também fui sincero perante ele, e me guardei da minha iniquidade.
    24 Assim que retribuiu-me o SENHOR conforme a minha justiça, conforme a pureza de minhas mãos perante os seus olhos.
    25 Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás sincero;
    26 Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável.
    27 Porque tu livrarás o povo aflito, e abaterás os olhos altivos.
    28 Porque tu acenderás a minha candeia; o SENHOR meu Deus iluminará as minhas trevas.
    29 Porque contigo entrei pelo meio duma tropa, com o meu Deus saltei uma muralha.
    30 O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; é um escudo para todos os que nele confiam.
    31 Porque quem é Deus senão o SENHOR? E quem é rochedo senão o nosso Deus?
    32 Deus é o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho.
    33 Faz os meus pés como os das cervas, e põe-me nas minhas alturas.
    34 Ensina as minhas mãos para a guerra, de sorte que os meus braços quebraram um arco de cobre.
    35 Também me deste o escudo da tua salvação; a tua mão direita me susteve, e a tua mansidão me engrandeceu.
    36 Alargaste os meus passos debaixo de mim, de maneira que os meus artelhos não vacilaram.
    37 Persegui os meus inimigos, e os alcancei; não voltei senão depois de os ter consumido.
    38 Atravessei-os de sorte que não se puderam levantar; caíram debaixo dos meus pés.
    39 Pois me cingiste de força para a peleja; fizeste abater debaixo de mim aqueles que contra mim se levantaram.
    40 Deste-me também o pescoço dos meus inimigos para que eu pudesse destruir os que me odeiam.
    41 Clamaram, mas não houve quem os livrasse; até ao SENHOR, mas ele não lhes respondeu.
    42 Então os esmiucei como o pó diante do vento; deitei-os fora como a lama das ruas.
    43 Livraste-me das contendas do povo, e me fizeste cabeça dos gentios; um povo que não conheci me servirá.
    44 Em ouvindo a minha voz, me obedecerão; os estranhos se submeterão a mim.
    45 Os estranhos descairão, e terão medo nos seus esconderijos.
    46 O SENHOR vive; e bendito seja o meu rochedo, e exaltado seja o Deus da minha salvação.
    47 É Deus que me vinga inteiramente, e sujeita os povos debaixo de mim;
    48 O que me livra de meus inimigos; sim, tu me exaltas sobre os que se levantam contra mim, tu me livras do homem violento.
    49 Assim que, ó SENHOR, te louvarei entre os gentios, e cantarei louvores ao teu nome,
    50 Pois engrandece a salvação do seu rei, e usa de benignidade com o seu ungido, com Davi, e com a sua semente para sempre.

    Este salmo seria um louvor de Davi pelas súplicas respondidas? Seria um agradecimento pelas ‘graças alcançadas’?
    Não! Este salmo não foi composto para tratar das mazelas do dia a dia de um rei, antes é uma previsão que retrata o Cristo na condição de Servo do Senhor.
    O salmista previu que a relação do Cristo com o Pai seria equivalente a de um senhor com um filho obediente ou com o seu servo, uma relação de amor! “EU te amarei, ó SENHOR, fortaleza minha” (v. 1).
    Quando lemos: “Eu te amarei, ó Senhor”, não podemos pensar com a mente do homem moderno. O verso não apresenta uma relação baseada em sentimento, antes uma relação estabelecida em obediência, submissão. O ‘amor’ do Servo do Senhor revela-se em obediência. Não diz de um sentimento, mas da disposição em cumprir tudo o que lhe foi determinado.
    O amor do verso 1 diz da obediência descrita por Samuel a Saul: “Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer  é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1Sm 15:22); “Porque eu quero o amor mais que os sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Os 6:6).
    Jesus disse: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama” ( Jo 14:21 ), e, de igual modo Jesus guardou os mandamentos do Pai (amou), pois Ele mesmo disse: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” ( Jo 4:34 ).
    O servo perfeito é aquele que obedece, e o servo que obedece é o que verdadeiramente ama. Cristo cumpriu a vontade do Pai, de modo que Ele foi o Servo perfeito “Quem é cego, senão o meu servo, ou surdo como o meu mensageiro, a quem envio? E quem é cego como o que é perfeito, e cego como o servo do SENHOR?” ( Is 42:19 ).
    Cristo foi formado no ventre de Maria para ser o perfeito servo do Senhor “E agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó; porém Israel não se deixará ajuntar; contudo aos olhos do SENHOR serei glorificado, e o meu Deus será a minha força” ( Is 49:5 ).
    Na condição de servo, Jesus se socorreu da palavra de Deus, ou seja, fortaleceu-se na força do Pai (v. 30 -31). A força de Cristo é o próprio Deus por intermédio da sua palavra que não volta vazia! ( Is 55:11 ).
    O Salmista como profeta do Senhor evidencia: “O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio” (v. 2 compare com Is 49:5 ). O profeta Isaias evidencia as mesmas características pertinentes ao Servo do Senhor.
    Invocar é o mesmo que confiar. O que confia invoca, e o que invoca é porque confia. O Senhor Jesus glorificava o Pai quando O invocava. Por confiar em Deus, ficou livre de seus inimigos “Invocarei o nome do SENHOR, que é digno de louvor, e ficarei livre dos meus inimigos” (v. 3).
    Há quem diga que o salmista adorou a Deus através deste salmo quando venceu Saul e os seus inimigos, porém, tal composição poética é profética e aponta para a vida, condição e os sentimentos de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus.
    Quando lemos: “Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram. Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surpreenderam” ( v. 4 e 5), não podemos pensar que o rei Davi estava compondo um ode às suas batalhas.
    As ‘tristezas de morte’ que cercaram o Cristo diz da angustia que antecedeu a sua prisão no Getsêmani “Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo” ( Mt 26:38 ). O salmo 94 descreve os opositores de Cristo como sendo homens que, com intrépido se arremetem contra a vida do Justo, e condenam o sangue inocente a pretexto de uma lei ( Sl 94:21 -22).
    Nas palavras dos escribas e fariseus havia verdadeiros laços de morte. As palavras deles eram comparáveis ao laço do passarinheiro, pois buscavam acusar o Cristo de qualquer modo, porém, Jesus não foi enlaçado por eles.
    Estes versos do Salmo 18 retratam o momento que antecede a crucificação, e o triunfo de Cristo estabelecido na cruz, pois confiou continuamente no Pai “Na angústia invoquei ao SENHOR, e clamei ao meu Deus; desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face” (v. 6). É este quadro que o Salmo 22 apresenta no verso 24: “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” ( Sl 22:24 ).
    Como homem Jesus estava fraco, emitia gemido de dores e o coração aterrorizado pelas agruras que haveria de passar ( Sl 38:8 -11; Mc 14:33 ; Lc 22:44 ), mas a sua confiança no Pai permaneceu firme conforme o descrito no verso 2.
    A promessa de Deus para o Cristo foi específica: “Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei” ( Sl 91:14 – 15).
    No salmo 18 o Filho promete honrar (obedecer, amar) o Pai, já no salmo 91, o Pai promete livrá-lo, pois encarecidamente o obedeceu ( Sl 18:1 compare com Sl 91:14 ). Jesus confiou no Pai e entregou-se à morte, não fazendo caso da grande angustia ( Jo 10:17 -18). Ele enfrentou a paixão da morte, porém, a certeza da proteção do Pai foi consolo bem presente na angustia.
    Quando o Filho em obediência ao Pai cumpriu o seu mandamento “… eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” ( Jo 10:18 ), ocorreu o descrito nos versos 7 à 13: “Então a terra se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porquanto se indignou. Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo que consumia; carvões se acenderam dele. Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão estava debaixo de seus pés. E montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento. Fez das trevas o seu lugar oculto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das águas e as nuvens dos céus. Ao resplendor da sua presença as nuvens se espalharam, e a saraiva e as brasas de fogo. E o SENHOR trovejou nos céus, o Altíssimo levantou a sua voz; e houve saraiva e brasas de fogo”.
    Estes versos descrevem a ação sobrenatural de Deus vindo em socorro do seu Filho. Diante da indignação do Todo-poderoso, a criação não resiste. O verso 8 descreve a divindade na sua ira, indignação, pronto a tomar vingança.
    O socorro é instantâneo segundo o poder contido no ecoar da voz do Pai.
    Quando Jesus rendeu o seu espírito, muitos viram os seguintes eventos: “E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” ( Mt 28:51 – 52).
    O salmo 144 dá elementos para compreendermos a visão magnifica que o salmista teve. Após questionar quem era o Filho do homem e o motivo pelo qual o tem em alta estima, o salmista no Salmo 144, verso 4, demonstra que os dias do Messias na terra seriam curtos ( Is 53:8 ).
    Em seguida, temos a palavra profética do Cristo de Deus clamando para que Deus abaixe os céus e venha em seu socorro ( Sl 144:5 ). Que Deus estenda as suas mãos e o retire das muitas águas, das mãos dos que não conhecem ao Senhor ( Sl 144:6 ; Ap 13:1 ).
    Já o salmo 97 apresenta o Cristo glorificado e assentado no trono da sua majestade. Os mesmos elementos que há no salmo 18 e 144 aplicam-se ao Senhor que retornou à sua glória e está entronizado. O Senhor Jesus é descrito como possuindo um fogo que vai adiante transformando os seus inimigos em carvão ( Sl 97:3 ). A sua glória é descrita como a luz dos relâmpagos, o que faz os moradores da terra tremerem. Os montes se derreteram, ou seja, as nações se derretem na presença do Senhor, a quem pertence a terra e toda a sua plenitude ( Sl 97:5 ).
    A mesma descrição do salmo 18 que se refere a Deus é aplicada ao Cristo glorificado no salmo 104, o que indica a divindade de Cristo “Ele se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma cortina. Põe nas águas as vigas das suas câmaras; faz das nuvens o seu carro, anda sobre as asas do vento. Faz dos seus anjos espíritos, dos seus ministros um fogo abrasador” ( Sl 104:2 -4).
    Enquanto os algozes de Cristo pensavam que eram vitoriosos pela empreitada que deu cabo da existência do Filho do homem neste mundo, Deus estabeleceu a vitória do seu Ungindo e dos seus servos ( Is 53:8 ). Oculto dos olhos dos homens, enquanto os montes se moviam e se abalavam, Deus tomou vingança contra os inimigos do seu Ungido.
    Nos versos 16 e 17, a previsão do salmista descreve como Cristo foi socorrido. Deus enviou socorro do alto e tirou-o da turba que se insurgiu contra Ele (águas). Quando Cristo morreu na cruz, ficou livre dos seus opositores, que naquele momento eram mais fortes e descritos como touros de Basã “Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam” ( Sl 22:12 ; Sl 18:16 e 17; At 4:27). Neste verso, ‘águas’ refere-se aos homens, conforme se depreende do paralelismo existente na seguinte citação: “Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza (…) Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu” ( Sl 46: 3 e 6; Sl 124:2 e 3; Sl 144:7 ; Ap 17:15 ).
    Apesar da calamidade que se abateu sobre Cristo, o Senhor foi o seu amparo ( Sl 18:18 ). Apesar da morte de cruz, Cristo foi arrancado do lamaçal e os seus pés posto em lugar firme e espaçoso “… livrou-me, porque tinha prazer em mim” (v. 19; Sl 40:2 ). O livramento que o Pai lhe proporcional se deu porque Cristo era aprazível ( Mc 1:11 ).
    Deus retribuiu o seu Filho amado segundo a sua retidão. Segundo a pureza de suas mão, o Cristo de Deus foi recompensado ( Sl 18:20 ; Sl 15 ; Sl 24:4 ). Cristo deleitou-se em fazer a vontade do Pai ( Sl 40:8 -10), ou seja, cumpriu tudo o que estava predito nas Escrituras.
    Cristo foi o único homem que se apresentou diante de Deus com mãos puras, pois permaneceu no caminho do Senhor, não rejeitou os seus decretos, foi sincero e guardou-se da iniquidade ( Sl 18:24 ). O salmo 26 descreve a condição do Messias, o único que pode clamar ao Senhor para ser provado e examinado, pois foi integro e justo em todos os seus caminhos “Lavo as minhas mãos na inocência (…) Mas eu ando na minha sinceridade; livra-me e tem piedade de mim” ( Sl 26:6 e 11 ).
    Somente o Cristo-homem foi bom, sincero e puro diante de Deus. Estas qualidades não são próprias dos homens gerados de Adão, pois com relação aos nascidos segundo a carne não há quem faça o bem (v. 25- 26).
    Se todos os homens juntamente se desviaram e não há se quer um que faça o bem, como Davi poderia considerar que era puro de mãos e merecedor da benignidade de Deus conforme a sua própria bondade? ( Sl 14:3 ; Sl 51:5 ; Sl 58:3 ).
    O salmista apresenta um princípio inviolável: “Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás sincero; Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável” ( Sl 18:25 -26), o mesmo que foi dito a Moisés: “Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” ( Êx 33:19 ).
    Estes versos são mal compreendidos, pois utilizam para enfatizar a soberania de Deus, mas, o que eles evidenciam é a justiça de Deus. Tais versos foram interpretados pelo apóstolo Paulo: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:11 -13).
    Deus se mostra benigno para os que O obedecem, mas para os que se apartam de Deus, não há compaixão. Deus só tem misericórdia dos misericordiosos, de modo que Ele se compadece dos que O obedecem.
    O salmo enfatiza que Deus salva os humildes, os aflitos, porém, abate os soberbos, os altivos. Ora, os humildes são aqueles que reconhecem a sua miséria e invocam o Senhor em busca de salvação. Já os altivos, são aqueles que confiam na força dos seus braços, que faz da carne a sua salvação. Estes são aqueles que confiam que são salvos por serem descendentes da carne de Abraão (v. 27).
    Em nossos dias também há muitos ‘altivos’. São pessoas que não confiam em Deus que salva, antes depositam a sua confiança em prática tais como jejuns, orações, sacrifícios, votos, etc.
    O verso 28 demonstra que Cristo não confiaria da carne como os seus compatriotas, antes repousaria em Deus, que é Luz. É Deus que manteve a candeia do Cristo e o guiaria em meio às trevas. Como homem Jesus dependeu inteiramente do Pai, sendo luz para o seu povo e para os gentios “Ali farei brotar a força de Davi; preparei uma lâmpada para o meu ungido” ( Sl 132:17 ). Certo é que a palavra de Deus é lâmpada para os pés ( Pv 6:23 ; Sl 119:130 ).
    Neste verso, ‘luz’ deve ser interpretada como entendimento, compreensão, e ‘trevas’ deve ser interpretado como ‘ignorância’, ‘simplicidade’, ‘inocência’ (v. 28); “Aos justos nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo” ( Sl 112:4 ).
    Com o auxilio do Pai, Jesus esteve no meio de um exército de inimigos. Em meios aos seus inimigos Jesus não voltou atrás na missão de cumprir a vontade de Deus. Fazer a vontade do Pai era a comida de Cristo “Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” ( Jo 4:34 ).
    É por isso que o profeta Davi predisse: “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda” ( Sl 23:5 ). Ir ao calvário diz da mesa preparada na frente dos inimigos do Cristo, pois ali Jesus estava fazendo a vontade de Deus. Como fazer a vontade do Pai era a comida de Jesus, e o calvário era da vontade do Pai, morrer na cruz era uma mesa posta na presença dos inimigos de Cristo.
    O sacrifício do cordeiro de Deus que tira ao pecado do mundo era uma mesa farta preparada aos olhos dos inimigos. Ele foi o escolhido de Deus para beber do cálice que o Pai apresentou “E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” ( Mt 26:39 ).
    Todos que aceitarem a Cristo tornam-se participantes da mesa posta, ou seja, da obediência de Cristo e fazem a vontade de Deus “E eles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado” ( Mc 10:39 ). Como a morte de Cristo foi em obediência ao Pai, houve substituição de ato, obediência pela desobediência, e tragada foi a morte na vitória: o último Adão obedeceu, todos que dele são gerados herdam a benesse de viver eternamente, contrapondo ao primeiro Adão, que desobedeceu, e todos que dele são gerados estão mortos em delitos e pecados ( Rm 5:18 ).
    A oposição da multidão não impediu que Cristo realizasse a vontade de Deus ( Lc 4:29 -30). O que Deus estabeleceu é perfeito, pois a sua palavra é pura e serve de escudo para os que confiam em Deus ( Sl 91:4 ).
    Por submeter-se ao Pai, Cristo é o perfeito caminho. A palavra provada e fiel. Ele é escudo para os que n’Ele confiam. Cristo é a rocha para os n’Ele confiam. Ele é a fé pela qual o justo viverá. Ele é o firme fundamento, e prova das coisas que se esperam.
    Daí o testemunho das escrituras da divindade de Cristo: “Porque quem é Deus senão o Senhor?”. É o Pai que ordena ao Filho que se assente à sua direita nas alturas ( Sl 110:1 ).
    As possibilidades atinentes ao Messias advinham de Deus, em quem Ele confiava, de modo que estava revestido da armadura de Deus (v. 32 ; Ef 6:10 ). Assim como o caminho dos justos é comparável à luz da aurora, que vai brilhando até a perfeição, em Deus está a plenitude (v. 32).
    É Deus que protege os pés, adestra as mãos e alça o seu Filho à vitória por intermédio da sua palavra ( Sl 18:33 -35 ; Is 59:17 ). A descrição deste salmo demonstra que Jesus foi participante de todas as fraquezas pertinente aos homens e em tudo foi tentado, porém, sem pecado ( Hb 4:15 e Hb 5:7 ).
    Após descrever a força que Deus lhe proporcionou, de modo que submeteu debaixo dos seus pés os seus inimigos (v. 36 -40 ), no verso 41 fica claro que os inimigos do Messias são os filhos de Jacó, pois eles clamaram a Deus, porém, não foram atendidos “Clamaram ao Senhor, mas ele não lhes respondeu” ( Sl 18:41 ).
    Cristo os esmiuçou ( Mt 21:44 ). Cristo foi livre dos ataques do povo e foi feito cabeça das nações ( Is 42:6 ; Is 49:6 e At 13:47 ). Um povo que Ele não conhecia, passaram a servi-lo. Esta profecia tem duplo cumprimento: a) através da igreja, e; b) no milênio, como rei das nações ( Sl 2 ).
    Cristo é a cabeça da igreja, que é o seu corpo. A igreja é o povo escolhido dentre gentios e judeus, formado para louvor e glória de Deus.
    O salmo deixa claro que a vingança pertence ao Cristo glorificado, que após perseguir velozmente os seus inimigos, abateu a todos (v. 37 -38). Este feito foi profetizado no Salmo 110, verso 1. É Deus quem sujeita os povos a Cristo. É Deus que livrou o Cristo do levante dos homens violentos, ou seja, daqueles que fazem da sua carne o seu braço, a sua força (violento).
    O apóstolo Paulo aplica o salmo 18 à pessoa de Cristo quando cita o verso 49: “Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais; E para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: Portanto eu te louvarei entre os gentios, E cantarei ao teu nome. E outra vez diz: Alegrai-vos, gentios, com o seu povo. E outra vez: Louvai ao Senhor, todos os gentios, E celebrai-o todos os povos. Outra vez diz Isaías: Uma raiz em Jessé haverá, E naquele que se levantar para reger os gentios, Os gentios esperarão” ( Rm 15:8 -12; Sl 18:49 ).
    Deus dá vitórias ao rei que Ele elegeu “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião” ( Sl 2:6 ). Deus usou de benignidade para com o seu Ungido, que é Cristo. Também usou de benignidade para cm Davi, pois da casa de Davi veio o Cristo. Deus usa de benignidade para com os descendentes do seu Ungido, pois é esta a promessa que Ele fez “Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” ( Is 55:3 ; Sl 18:50 ).
    Todos que ouvem e aprendem de Cristo, que é humilde e manso de coração, tornam-se participantes das firmes beneficências prometidas a Davi. Cristo é o servo do Senhor que produz descendência a Abraão. Cristo é a semente que produz filhos a Deus “Porém tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi descendência de Abraão, meu amigo” ( Is 41:8 ).
    Para compreendermos esta colocação de Isaias, temos que nos socorrer do apóstolo Paulo, que disse: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ).
    O Israel servo do Senhor, ou o Jacó eleito, diz de Cristo, o descendente de Abraão. É por Isso que o evangelista Mateus diz que a profecia de Oséias fez referencia a Cristo “E esteve lá, até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu Filho” ( Mt 2:15 ); “QUANDO Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho” ( Os 11:1 ).
    Muitos entendem que Deus amou especificamente o povo de Israel, porém, esquecem que dos que saíram do Egito, somente dois não pereceram no deserto. Quando o verso diz que Deus amou Israel, significa que Deus cuidou, preservou a Israel, visto que Deus fez aliança com os patriarcas “O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito (…) e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” ( Dt 7:7 -8 e Dt 9:5 ).
    O sentido da profecia é: Deus cuidou (amou) de Israel para que fosse possível trazer o seu Filho a existência, pois esta foi a promessa feita a Abraão. Deus não prometeu salvar os filhos da carne de Abraão, antes que traria a existência, por meio da carne de Abraão, o seu Filho Jesus Cristo.
    Em outras palavras, quando Israel foi formado, Deus cuidou (amou) deles resgatando-os do Egito, de modo que o ato de resgatar o povo de Israel é o que proporcionou trazer o seu Filho Jesus Cristo a existência, confirmando a promessa feita aos pais.
    Após analisar o Salmo 18, lembremos-nos das palavras de Cristo: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ). O que me leva a concluir que, assim como muitos outros salmos, o Salmo 18 é um testemunho vivo de quem é o Cristo de Deus.
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    Quem é Jesus?

    Jesus se apresentou como pão, luz, porta, pastor, à multidão e aos escribas e fariseus, já com relação à apresentação: ‘Eu sou a ressurreição e a vida’, Jesus se declara a uma discípula, Marta, em um dos momentos mais difíceis: a morte de seu irmão Lázaro.

    O testemunho do Pai

    Na lei de Moisés, uma pessoa seria apenada com a morte, através do testemunho de duas ou três pessoas, o que torna possível aquilatar o valor de um testemunho.
    “Por boca de duas testemunhas ou, de três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá.” (Deuteronômio 17:6).
    “E na vossa lei está, também, escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo e de mim testifica, também, o Pai que me enviou.” (João 8:17-18).
    O evangelista João declara: ‘se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior’, isso porque Deus é verdadeiro, fiel, imutável e todo poderoso.
    “Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou.” (1 João 5:9).
    Certa feita, Jesus esclareceu aos judeus que as Escrituras, que eles cuidavam ter nelas a vida eterna, na verdade, testificavam de Cristo.
    “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;”(João 5:39).
    Como o testemunho de duas pessoas deve ser considerado verdadeiro, Jesus testificou de si mesmo e fez menção do testemunho do Pai, porque sabia que contestariam o testemunho, que deu acerca de si mesmo (João 8:13).
    “Eu sou o que testifico de mim mesmo e de mim testifica, também, o Pai que me enviou.” (João 8:18).
    Mas, além do testemunho que Cristo deu de si mesmo e do testemunho das Escrituras, Jesus apontou que as obras que realizava a mando de Deus, também, testificavam de Cristo, como o enviado de Deus.
    “Respondeu-lhes Jesus: Já vos tenho dito e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim.” (João 10:25).
    João Batista, também, testificou de Cristo (João 5:33), mas, Cristo não aceitava testemunho de homem (João 5:34), pois, o testemunho do homem não tem a mesma qualidade do testemunho do Pai (Lucas 7:20).

    As declarações de Jesus

    “Eu Sou o pão da vida” (João 6:35).
    Jesus não estava se apresentando como solução para o vazio existencial que atinge grande parte da humanidade e nem como solucionador dos problemas sociais dos homens.
    Justamente, quando os judeus buscavam Jesus, por causa dos pães que comeram no milagre da multiplicação, Jesus se apresentou como o pão vivo que desceu dos céus.
    Para compreender essa declaração de Jesus, temos que nos voltar para as Escrituras, especificamente, para o Salmo 146:
    “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio e cuja esperança está posta no SENHOR seu Deus. O que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto há neles, e o que guarda a verdade para sempre; O que faz justiça aos oprimidos, o que dá pão aos famintos. O SENHOR solta os encarcerados. O SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos; O SENHOR guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios. O SENHOR reinará eternamente; o teu Deus, ó Sião, de geração em geração. Louvai ao SENHOR.” (Salmo 146:5-10).
    Considerando que o Senhor, o qual o Salmo 146 trata, refere-se ao Senhor do Salmista, que ouviu a seguinte ordem: ‘Assenta-te à minha direita’ (Salmo 110:1) e que criou os céus e a terra (Salmo 102:25-27; Hebreus 1:10-12), compreende-se que Cristo é a justiça dos oprimidos e o pão dos famintos.
    Os seus concidadãos ficaram indignados e contra argumentaram que Moisés deu aos pais pão dos céus a comer e ainda citaram as Escrituras.
    “Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.” (João 6:31).
    Jesus replica, dizendo que não foi Moisés quem deu o pão do céu, antes, é Deus quem dá o verdadeiro pão do céu: Cristo, pois Ele desce e concede vida ao mundo (João 6:33).
    Jesus é o pão da vida, o pão que sacia a fome e a sede de justiça dos necessitados.
    Quanto ao que representa, Jesus é incisivo:
    “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e quem crê em mim nunca terá sede.” (João 6:35).
    Os habitantes de Jerusalém não quiseram aceitar a doutrina de Jesus como verdadeira, porque conheciam a mãe de Jesus, José e seus irmãos (João 6:42), mas Jesus, novamente, enfatiza que todos quantos comeram o maná no deserto morreram, mas que quem se alimentasse d’Ele, da sua carne, viveria. (João 6:49)
    Cristo é o pão vivo que desceu dos céus, mas só tem vida aqueles que de Cristo se alimentam (João 6:51).
    “Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também, viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” (João 6:57-58).
    Cristo é a palavra que dá vida (1 Coríntios 15:45; João 6:63) e para ter vida é necessário ao homem tornar-se participante de Cristo. O pão que Jesus deu foi a sua carne, para que o mundo tivesse vida (João 6:51), mas, cada homem, em particular, deve se tornar participante desse pão.
    “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade, vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem e se não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne, verdadeiramente, é comida e o meu sangue, verdadeiramente, é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” (João 6:53-56).
    A importância da oferta do corpo de Cristo é tamanha, que Jesus fez referência à sua morte, momentos antes de ser crucificado e morto.
    “E tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.” (1 Coríntios 11:24);
    “Na qual vontade temos sido santificados, pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez.” (Hebreus 10:10).
    Através dessa apresentação de Cristo, têm-se algumas considerações doutrinárias, acerca da salvação.
    Quando Jesus se declara ‘o pão da vida, que dá vida ao mundo’, vemos que a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens (Tito 2:11). É por causa dessa afirmação de Jesus, que é dito que Ele morreu por todos os homens, sem exceção.
    Sem o Pai ter dado o pão vivo, que desceu dos céus, jamais o homem poderia se salvar. Deus manifestou a sua graça ao conceder aos homens Cristo, o pão vivo (João 3:16). Como nenhum homem é merecedor da salvação, por isso, é dito que o homem é salvo pela graça (Efésios 2:8).
    Mas, apesar de os homens serem salvos pela graça, a salvação é por meio de Cristo, ou seja, a fé manifesta (Gálatas 3:23 e 25; Efésios 2:8). Sem Cristo, o dom de Deus, o firme fundamento, não haveria salvação.
    Cristo, a fé manifesta, o dom de Deus, na condição de pão que dá vida, é um convite para que o homem, que tem fome e sede, se torne participante e assim, coma da carne e beba do sangue de Cristo.
    Mas, alguém pode contestar, dizendo que se é facultado ao homem ser participante ou, não, da carne e do sangue de Cristo, que havia, então, mérito por parte do homem em aceitar o que lhe foi dado, gratuitamente.
    Há mérito em lançar mão do que lhe é dado, gratuitamente, para satisfazer as necessidades quando se está faminto, ou sedento?
    Por qual motivo a sabedoria clamaria aos simples?
    “Quem é simples, volte-se para cá. Aos faltos de senso diz: Vinde, comei do meu pão e bebei do vinho que tenho misturado. Deixai os insensatos e vivei, e andai pelo caminho do entendimento.” (Provérbios 9:4-6).
    Que mérito tem os que não têm recursos? Em atender o convite há mérito?
    “Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me, atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. Inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim; ouvi e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi.” (Isaías 55:1-3).

    A luz do mundo

    “Eu Sou a luz do mundo” (João 8:12).
    Jesus não é a chamada ‘luz no fundo do túnel’, uma solução para as questões deste mundo como: casamento, família, emprego, saúde, etc.
    Para compreender a declaração de Jesus, temos que olhar o predito pelos profetas, como está escrito:
    “Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação, até à extremidade da terra.” (Isaías 49:6; Isaías 46:6; Atos 13:14)
    Quando Jesus declarou ser a luz do mundo, enfatizou a necessidade de os homens segui-Lo, pra alcançar a luz da vida.
    “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (João 8:12).
    Seguir a Cristo é se fazer servo, ou seja, humilhar-se a si mesmo.
    “Se alguém me serve, siga-me e onde eu estiver, ali estará, também, o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará.” (João 12:26).
    E como o homem se faz servo de Cristo? Basta crer em Cristo, como O enviado de Deus ao mundo.
    “Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.” (João 12:46).
    Mas, alguém pode argumentar ser meritório o homem crer em Cristo, sob pretexto de que ter fé é dom de Deus e, ainda, cita o apóstolo Paulo:
    “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;” (Efésios 2:8-9).
    Através da declaração de Jesus, de que Ele é a luz do mundo, e se alguém O serve, que o siga, conclui-se que é impossível alguém se gloriar no fato de se fazer servo. Alguém que se humilha a si mesmo é obediente, portanto, sujeitou-se ao senhorio de Cristo, de modo que exclui qualquer glória, jactância ou altivez.
    “Porquanto, qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado e aquele que a si mesmo se humilhar, será exaltado.” (Lucas 14:11).
    Jesus, na forma de homem, teve que humilhar-se a si mesmo, ou seja, ser obediente ao Pai; o homem perdido, por sua vez, humilha-se a si mesmo, quando crê que Jesus é o Cristo, ou seja, por obedecer ao mandamento do Pai.
    “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.”(Filipenses 2:8).
    Em se humilhar, Jesus exaltou-se a si mesmo? Havia glória em ser obediente ao Pai? Não! Pois, em ser obediente ao Pai, Jesus teve que negar-se a si mesmo e beber o cálice dado pelo Pai.
    Por Jesus ter sido obediente, Deus o exaltou sobremaneira, dando um nome acima de todos os nomes, porque foi o Pai que o glorificou.
    “Por isso, também, Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;”(Filipenses 2:9);
    “Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus.” (João 8:54).
    Como é possível ao homem sujeitar-se a Deus, obedecendo-O, ou seja, crendo que Jesus é o Cristo, se crer é um ato meritório? A concepção de que há mérito se, em somente ouvir o evangelho, o homem crê em Cristo, é má leitura do verso 8, de Efésios 2.
    Entender que crer é o dom de Deus, a fé por meio da qual o homem é salvo, é má leitura, pois, a fé no verso 8 diz de Cristo, o firme fundamento, que é a base da crença do homem. Quando o apóstolo Paulo diz que ‘não vem das obras para que ninguém se glorie’, ele faz referência às obras da lei, pois, nas obras da lei, há jactância.
    O evangelista João deu testemunho de que Cristo é a luz verdadeira que ilumina a todo homem que vem ao mundo, ou seja, Jesus morreu por todos os homens, sem exceção.
    “Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.” (João 1:9).
    Mas, apesar da abrangência da salvação (todo homem), é exigido do homem que creia em Cristo, para que seja filho da luz. Só é irmão, irmã e mãe de Jesus aquele que faz a vontade do Pai e a vontade de Deus é que o homem creia em Cristo para ser filho da luz.
    “Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco, por um pouco de tempo. Andai, enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois, quem anda nas trevas, não sabe para onde vai. Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles.” (João 12:35-36);
    “Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, irmã e mãe.”(Mateus 12:50).

    A porta

    “Eu Sou a porta” (João 10:7)
    Por que Jesus se apresenta como a porta?
    Tal prerrogativa deriva do exposto no Salmo 118, verso 20:
    “Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão.” (Salmo 118:20).
    O Salmo 118 faz referência a várias figuras que remetem à pessoa de Cristo, como: luz, vítima, pedra, destra e porta.
    “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á e entrará, sairá e achará pastagens.” (João 10:9).
    Cristo é o único acesso do homem a Deus e, por isso, se apresenta como a entrada do aprisco das ovelhas. Se alguém entrar por Cristo, salvar-se-á. Mas, como isso é possível? Não haveria mérito por parte do homem se decidir entrar por Cristo? É possível salvar-se a si mesmo?
    Entrar ou, não, pela porta estreita, não é escolha entre opções, antes, é decisão que decorre de uma ordem: “Entrai pela porta estreita” (Mateus 7:13). O homem não está em uma situação confortável, que tenha como fazer escolha, antes, é imprescindível que se decida por entrar pela porta estreita, pois, já está em um caminho largo, que o conduz à perdição.
    Novamente, a proposta de Jesus demanda uma decisão por parte do homem e dizer que tal decisão, em resposta à ordem de Cristo, é meritória por parte do homem, é desconsiderar a essência da obediência.
    Considerando que o amor de Deus é que guardemos os seus mandamentos, compreendemos a natureza do amor descrito pelo apóstolo Paulo:
    “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal”(1 Coríntios 13:4-5);
    “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.” (I João 5:3).
    Aquele que guarda os mandamentos de Deus, ou seja, que O ama (João 14:15 e 21), não se ensoberbece e nem procura os seus interesses, antes, submeteu-se à ordem do Seu Senhor, executando a sua obra:
    “Jesus respondeu e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.” (João 6:29).

    O Bom Pastor

    “Eu Sou o Bom Pastor” (João 10:11)
    O profeta Ezequiel, muito tempo após a morte do rei Davi, vaticinou, acerca do pastor que reinaria sobre Israel, e que os filhos de Israel andariam segundo o estabelecido por Deus.
    “E meu servo Davi será rei sobre eles e todos eles terão um só pastor;  andarão nos meus juízos e guardarão os meus estatutos e os observarão.” (Ezequiel 37:24);
    “E suscitarei sobre elas um só pastor e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor.” (Ezequiel 34:23).
    A profecia de Ezequiel foi feita através de uma grande parábola, pois, descreve a apostasia do povo de Israel, na condição de um rebanho de ovelhas, e os líderes de Israel, figurando como pastores.
    “Assim se espalharam, por não haver pastor, e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam.” (Ezequiel 34:5).
    Jesus, por sua vez, quando se apresenta como o bom Pastor, também, o faz no contexto de uma parábola, o que nos remete ao verso 2, do Salmo 78:
    “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade.” (Salmos 78:2; Mateus 123:35).
    Jesus teve compaixão da multidão, porque eles eram como ovelhas sem pastor e, por isso, se pôs a ensiná-los muitas coisas (Marcos 6:34). Ora, o Pregador, no Livro de Eclesiastes, deixou registrado que as palavras dos sábios são como aguilhões, palavras essas, concedidas aos homens, pelo único Pastor.
    “As palavras dos sábios são como aguilhões e como pregos, bem fixados pelos mestres das assembleias, que nos foram dadas pelo único Pastor.” (Eclesiastes 12:11).
    O apóstolo Pedro fez referência a Cristo como o sumo Pastor:
    “E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.” (1 Pedro 5:4);
    “Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas, agora, tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas.” (1 Pedro 2:25).
    Jesus propôs uma parábola que diferencia o ‘pastor’, do ‘estranho’, pois, enquanto este ‘entra’ por qualquer parte, para ter acesso às ovelhas no aprisco (João 10:1), aquele entra pela porta (João 10:2). As ovelhas são capazes de diferenciar a voz do pastor, da voz do estranho, pois, elas seguem somente o pastor, que vai adiante das ovelhas e as leva para fora do aprisco (João 10:3-5).
    Como os escribas e fariseus não compreenderam a parábola (João 9:41 a João 10:1-6), Jesus se apresenta como a ‘porta das ovelhas’, pois, Ele é a porta pela qual os justos entram (Salmo 118:20).
    Jesus classifica todos quantos vieram antes dele como ladrões e salteadores (João 10:8), o que coaduna com o anunciado pelos profetas, visto que os líderes judaicos não tinham o conhecimento de Deus.
    “Porque os pastores se embruteceram e não buscaram ao SENHOR; por isso, não prosperaram, e todos os seus rebanhos se espalharam.” (Jeremias 10:21);
    “Desviaram-se todos e, juntamente, se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um. Acaso, não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo, como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus.” (Salmo 53:3-4);
    “Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso.” (Jeremias 50:6);
    “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim, diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas?” (Ezequiel 34:2);
    “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que, porquanto, as minhas ovelhas foram entregues à rapina e as minhas ovelhas vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuraram as minhas ovelhas; e os pastores apascentaram a si mesmos e não apascentaram as minhas ovelhas;” (Ezequiel 34:8).
    Jesus Cristo, como o Bom Pastor, veio para que os homens tenham vida (João 10:10), mesmo tendo que dar a Sua vida pelas suas ovelhas (João 10:11), diferentemente, dos mercenários, pois, como as ovelhas não lhes pertencem, quando vê vir o lobo, foge e deixa o rebanho à mercê do lobo, que dispersa as ovelhas (João 10:12).
    Acerca do Pastor, há dois aspectos: o Pastor, como o Senhor Deus que virá e o seu braço dominará e será o protetor do seu povo (Isaías 40:11), profecia ainda por se cumprir, e o Pastor ferido, quando as suas ovelhas ficaram dispersas, profecia que já se cumpriu:
    “Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará, suavemente.” (Isaías 40:11);
    “Ó espada, desperta-te contra o meu pastor e contra o homem que é o meu companheiro, diz o SENHOR dos Exércitos. Fere ao pastor e espalhar-se-ão as ovelhas; mas, volverei a minha mão sobre os pequenos.”(Zacarias 13:7; Mateus 26:31).

    A ressurreição e a vida

    “Eu Sou a ressurreição e a vida” (João 11:25).
    Jesus se apresentou como pão, luz, porta, pastor, à multidão e aos escribas e fariseus, já com relação à apresentação: ‘Eu sou a ressurreição e a vida’, Jesus se declara a uma discípula, Marta, em um dos momentos mais difíceis: a morte de seu irmão Lázaro.
    Mesmo após ter perdido o seu irmão, Marta continua confiando em Cristo como o enviado de Deus (João 11:21-22). Diante da confiança de Marta, Jesus afirma: Teu irmão ressurgirá! E ela, lembrando-se dos ensinamentos de Jesus, aquiesce, mas diz que será na ressurreição do último dia (João 11:24).
    “Porquanto, a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:40).
    Nesse momento, Jesus faz uma declaração: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá. Crês isto?’ (João 11:25-26).
    Marta faz uma confissão: eu creio Senhor, que tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo (João 11:27). Com essa confissão, fica evidente qual o espírito que Marta recebeu (1 João 4:13): as palavras de Cristo (João 6:63; 1 Coríntios 15:45).

    O caminho, a verdade e a vida

    “Eu Sou o caminho, a verdade e a vida.” (João 14:6)
    Em outra ocasião, Jesus estava instruindo os seus discípulos e enfatizou que, além de crerem em Deus, era necessário crerem em Cristo (João 14:1).
    Após enfatizar que iria para Deus, disse que voltaria para levar os discípulos para permanecerem juntos (João 14:2-3) e que eles conheciam o caminho. Tomé se adiantou e disse não saber o caminho, quando Jesus declarou: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’ (João 14:6).
    Jesus é o único acesso do homem a Deus, caminho que consagrou pela sua carne (Hebreus 10:20). Cristo é a verdade, porque é o enviado de Deus, e não há n’Ele injustiça alguma (João 7:18; João 18:37).
    “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:17).
    Cristo é vida aos que creem, pois ao crer em Cristo, o homem crê em Deus, que O enviou, e assim passa da morte para a vida.
    “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas, passou da morte para a vida.” (João 5:24);
    “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (João 20:31).

    A videira verdadeira

    “Eu Sou a videira verdadeira.” (João 15:1)
    Jesus se declara a videira verdadeira e os seus discípulos, como as varas que produzem fruto. A relação de Jesus, como a videira, com o Pai, o agricultor, é demonstrado no cuidado, pois Ele poda os ramos que produzem frutos e corta os que não produzem e lança no fogo.
    A palavra anunciada por Cristo é o que limpou os discípulos (João 15:3), o que demonstra que o cuidado de Deus para com os homens está na sua palavra.
    Para um discípulo de Cristo produzir fruto, é imprescindível que permaneça em Cristo, o que se denomina perseverança, Cristo permanecerá no crente (João 15:4-5).
    A obra perfeita da crença do indivíduo é a perseverança (Tiago 1:3-4), pois, sem a perseverança, o tal será lançado fora (João 15:6; 2 Timóteo 2:12-13). O crente deve perseverar, crendo que Jesus é o Cristo, para permanecer n’Ele (Hebreus 3:15) e as palavras de Cristo no cristão (João 15:7).
    Através da parábola da videira, Jesus reforça a ideia de que só há vida no homem, enquanto tiver comunhão com Cristo.

    O Alfa e o Ômega

    “Eu Sou o Primeiro e o Último” (Apocalipse 1:17).
    A declaração ‘Eu sou o primeiro e o último’ foi feita por Jesus ao evangelista João em uma visão na ilha de Patmos (Apocalipse 1:9). Essa mesma declaração foi feita no início e no termo do Livro do Apocalipse:
    “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.” (Apocalipse 1:8; Apocalipse 22:13).
    Alfa e ômega são a primeira e a última letra do alfabeto grego, o mesmo que dizer o primeiro e o último ou, o princípio e o fim (Apocalipse 1:9).
    O Senhor Jesus ainda era lembrado por alguns dos seus seguidores como o homem que viveu em Nazaré, mas, o Cristo, através da visão dada ao apóstolo João, se declara o Todo-Poderoso.
    O Livro do Apocalipse não trata do Cristo que se fez homem e que, na condição de homem, se humilhou a si mesmo, se fazendo servo (Filipenses 2:8), mas, do Cristo ressurreto e glorificado, que está assentado à destra da Majestade, nas alturas (Salmo 110:1; 2 Coríntios 15:16).
    Nesse contexto, Jesus se apresenta como o Deus todo-poderoso, no seu exato esplendor e glória, que possui na eternidade (João 17:5). Cristo se revela o Senhor que é, que era e que virá (João 8:58) e que detém todo poder.
    Onipotência (todo-poderoso) e onipresença (é, era e virá) são atributos próprios da divindade, o que demonstra que Jesus não era um ser angelical, ou que fora criado em algum momento da eternidade. Por isso mesmo, Jesus é apresentado como o Pai da eternidade (Isaías 9:6).
    Embora Todo-Poderoso, Jesus não nega que viveu entre os homens, sofreu e morreu, o que demonstra a realidade de que Ele viveu entre os homens.
    “E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo, para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.” (Apocalipse 1:18).

    A raiz e a geração de Davi

    “Eu Sou a Raiz e o Descendente de Davi” (Apocalipse 22:16).
    Antes de fazer essa declaração, Jesus se apresenta e notifica que enviou o seu mensageiro (anjo) para dar testemunho às igrejas, acerca das coisas que foram reveladas.
    “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.” (Apocalipse 22:16).
    Jesus se declara a raiz de Jessé, o descendente de Davi, conforme predito nas Escrituras (Isaías 11:1 -2), o sol da justiça para todos os povos (Lucas 1:78-79).

    Quem é Jesus?

    Tendo por base as Escrituras, Jesus era um homem que viveu na cidade de Nazaré, nas regiões da Galileia. Segundo o apóstolo João, os discípulos ouviram, viram e tocaram em Cristo, cujas palavras concedem vida eterna aos que ouvem e creem (1 João 1:1-3).
    Jesus teve um corpo constituído de carne, ossos e sangue, como todos os homens, porém, nasceu isento de pecado, pois, veio ao mundo de modo sobrenatural, porque nasceu de uma virgem.
    Jesus veio ao mundo, participante de carne e sangue, para que em tudo fosse semelhante aos homens e pudesse, segundo a graça de Deus, ser participante da morte por todos. (Hebreus 2:14 e 17)
    “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.”(Hebreus 2:9).
    Esse Jesus que percorreu a Judeia e a Galileia foi morto por mãos de homens ímpios, conforme o previsto nas Escrituras, mas, ao terceiro dia ressurgiu dentre os mortos e está assentado à destra de Deus.
    Mas, antes de existir mundo, esse mesmo Jesus já existia, estava no princípio com Deus e era Deus (João 1:1). Todas as coisas foram criadas por meio d’Ele e nenhuma delas, sem Ele, veio à existência (João 1:3; Efésios 3:9).
    O Salmista, profetizando acerca desse aspecto de Cristo, assim declarou:
    “Desde a antiguidade fundaste a terra e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas, tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás e ficarão mudados. Porém, tu és o mesmo e os teus anos nunca terão fim” (Salmo 102:25-27).
    O escritor aos Hebreus faz referência a Cristo, o Filho, através deste Salmo (Hebreus 1:10-12). Ele, também, demonstra que o Salmo 45 refere-se a Cristo, o Filho, e o nomeia Deus (Hebreus 1:8).
    “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.” (Salmo 45:6-7).
    Ao prometer a Davi um filho, Deus anuncia, de antemão, o que ocorreu na eternidade, um acordo, na qual uma das pessoas da divindade seria Pai e o outro, Filho.
    “Este edificará uma casa ao meu nome e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens.” (2 Samuel 7:13-14).
    Uma das pessoas da divindade abriu mão do seu poder e glória e foi introduzido no mundo em um corpo preparado por Deus que, assim, declarou, ao introduzi-Lo no mundo:
    “Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.” (Salmos 2:7).
    Deus se fez carne e tornou-se semelhante aos homens, mas, na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, fazendo se servo de Deus, sujeitando-se à morte de cruz.
    Ao ressurgir dentre os mortos, Jesus recebeu um corpo glorificado, tornando-se, assim, a expressa imagem do Deus invisível (Colossenses 1:15; Hebreus 1:3). Através da pessoa de Cristo ressurreto, o primogênito dentre os mortos, compreende-se o propósito eterno que Deus estabeleceu em si mesmo: a preeminência de Cristo, em todas as coisas (Efésios 3:11).
    O propósito de Deus anunciado na criação do homem: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre o gado, sobre toda a terra e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.” (Gênesis 1:26), cumpriu-se no Filho do Homem que, ao ser glorificado, tornou-se a imagem e expressa semelhança de Deus.
    É no Cristo glorificado que se cumpre o Salmo 8, quando o Filho do homem passa a ter o domínio sobre as obras da Sua mão:
    “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus! Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador. Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois, pouco menor o fizeste do que os anjos, de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim, como os animais do campo, as aves dos céus e os peixes do mar e tudo o que passa pelas veredas dos mares. Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!” (Salmo 8:1-9).
    Muitos se equivocam, achando que o domínio de todas as coisas foi dado ao primeiro homem, Adão, porém, o Salmista corrige essa visão, deixando claro que tal domínio será dado ao Filho do homem, a quem todas as coisas lhe estão sujeitas, embora, ainda não O vejam assim, pela má leitura das Escrituras. (1 Coríntios 15:27)
    “Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, de glória e de honra o coroaste e o constituíste sobre as obras de tuas mãos; Todas as coisas lhe sujeitaste, debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas, agora, ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas.” (Hebreus 2:7-8).
    Mas, o Cristo glorificado, que é a expressa imagem do Deus invisível, um dia entregará o reino a Deus ao Pai e Ele se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou e Deus será tudo em todos, como no princípio.
    “Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus ao Pai e quando houver aniquilado todo o império e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.” (1 Coríntios 15:24-28).