segunda-feira, 16 de setembro de 2019

O aumento do número de homossexuais é culpa da mídia?

Você pergunta se o aumento do número de homossexuais seria culpa da mídia, das redes sociais, Internet, TV, gibis e influenciadores sociais. Às vezes as autoridades até proíbem ou tiram de circulação algum material por considerá-lo subversivo aos bons costumes, ou exigem que seja embalado e lacrado de forma a resguardar crianças. Bem, eu já fui criança e sei que quanto mais secreto algo for, maior o apelo para romper suas trancas.

Portanto a resposta à sua dúvida depende muito de como enxergamos o ser humano. Quando visto sob a perspectiva do homem natural e de seus instintos carnais, é evidente que um cheiro de churrasco possa me fazer salivar e sentir vontade de comer carne. Neste exato momento o vento sopra vindo da churrascaria da esquina e é assim que me sinto. Se ainda fosse vegetariano, como era antes de minha conversão, eu não diria que o cheiro de abobrinha refogada tivesse o mesmo efeito, mas o de um pão integral quente certamente seria tentador.

O Senhor deixou claro que no homem em sua natureza adâmica e caída não há bem algum e existe em seu coração potencial para exteriorizar todo tipo de mal. Não que ele se torne mal praticando coisas más, e sim que ele pratica coisas más porque a malignidade está entretecida em sua natureza. Tentar excluir sua maldade é como puxar um fio solto de uma blusa de tricô. Se continuar vai ficar sem blusa. Portanto, como um papagaio, ele acaba imitando o que outros fazem por ser facilmente influenciado pelo exemplo.

Por isso a mídia — ao menos a mídia série e ética — evita publicar notícias de suicídios ou de ataques de assassinos em série. Quando publicado é porque se trata de alguma celebridade ou o atentado foi bem sucedido. O suicídio de pessoas comuns ou os ataques que não trouxeram vítimas costumam ficar fora das páginas dos jornais porque poderiam produzir o copycat, expressão inglesa que costuma ser usado para um crime que imite outro.

Mas volto a dizer que essa norma, de ser influenciado pela mídia e assim sair do armário, como se usa para o homossexualismo, nada mais é do que o homem natural exteriorizando o que já trazia latente dentro de si. Ainda que proibissem todo tipo de conteúdo homossexual dos meios de comunicação, o homossexualismo continuaria existindo, do mesmo modo que a violência continuaria, ainda que proibissem todo conteúdo violento de livros, gibis, filmes, músicas etc. Caim não tinha Internet, nem TV, nem videogame, e mesmo assim matou seu irmão.

É neste ponto que alguém poderá alegar que não se pode comparar homossexualismo com violência, pois o homossexual não atenta contra ninguém. Atenta sim, é que você não está considerando o maior ofendido neste caso que é Deus. Ou já se esqueceu do motivo que o levou a destruir Sodoma e Gomorra?

"Ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor... Ao anoitecer, vieram os dois anjos a Sodoma, a cuja entrada estava Ló assentado; este, quando os viu, levantou-se e, indo ao seu encontro, prostrou-se, rosto em terra. E disse-lhes: Eis agora, meus senhores, vinde para a casa do vosso servo, pernoitai nela... Mas, antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados; e chamaram por Ló e lhe disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles." (Gn 13:13; 19:1-5).

A mera proibição pelas autoridades de material impróprio não extirpa o mal que está arraigado ao coração do homem. Nem mesmo as ações radicais efetuadas por governos autoritários, como os socialistas, nazistas, comunistas ou de países islâmicos que perseguem e matam homossexuais, não evita que a prática continue. Lembre-se de que nem mesmo uma medida tão radical quanto destruir toda a humanidade e reservar apenas um pequeno grupo que não tinha sido influenciado pela mídia de seu tempo não teve sucesso. Refiro-me ao Dilúvio, pois Noé, depois que saiu da arca, se embebedou e tirou a roupa, deixando seus filhos envergonhados.

"E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente... Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor... E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. " (Gn 6:6-8; 9:20-21).

A admoestação dada pelo Senhor  a Caim depois de matar seu irmão foi de que o pecado sempre estaria à sua porta, pronto para picá-lo com sua peçonha. "Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar." (Gn 4:7).

Mas sabemos que aquela exortação era inócua, porque ao longo de séculos de testes ficou muito claro que o ser humano seria incapaz de lidar com o pecado. A serpente à porta sempre seria maior e mais venenosa do que ele seria capaz de evitar. Nas cartas dos apóstolos, que trazem a revelação final e completa dos pensamentos de Deus para com o homem, aprendemos que o veneno da cobra não estava apenas na serpente à porta, mas em nossos lábios.

"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos." (Rm 3:10-18)

Então é inevitável que, estimulados ou não pela mídia, mais cedo ou mais tarde todo pecado e malignidade saiam do armário do coração humano para mostrar suas asinhas. Só para não perder o costume de fazer analogias, no Jardim do Éden, ao pecarem, Adão e Eva engoliram um pendrive que tinha todos esses arquivos, e cedo ou tarde abrimos um ou todos.

"Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem." (Mt 7:21-23).

Para o incrédulo é inevitável que isso aconteça e, do mesmo modo como nem aqueles cintos de castidade de ferro da Idade Média podiam impedir a donzela de trair seu nobre cavaleiro que viajava para as Cruzadas, não há trancas nem armários que fiquem herméticos às tentações que vêm de fora, porque elas encontram eco e resposta do lado de dentro. Se encontrar alguém que bate muito forte em homossexuais, prostitutas, ladrões, assassinos, corruptos etc. vá devagar com o andor antes de declará-lo de ilibada conduta, pois aquele santo também é de barro. Ele é tudo isso em potencial e tem pavor que alguém enxergue os desejos que saracoteiam pelo seu avesso.

Então como viver com tamanho vírus dentro de nós, pronto a estourar suas pústulas malignas em nossas ações? Bem, no caso do que um dia nasceu de novo, creu em Cristo como seu Salvador, foi selado pelo Espírito Santo e agora é capaz de andar em novidade de vida, a Palavra de Deus ensina que o crente já está aparelhado para enfrentar isso. Apesar de nosso velho homem ter sido pregado lá na cruz em Cristo, e estarmos perdoados de todos os pecados, nossa carne continua viva e ativa em nós, por isso precisamos de uma estratégia nas duas pontas: na tentação e no como lidar com ela.

"Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia", escreve o apóstolo Paulo algo que serve também para os carolas de plantão que se acham mais justos, puros e piedosos que todo mundo. E continua: "Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria." (1 Co 10:12-14).

O incrédulo peca porque isso é inevitável a ele, não está equipado com o Espírito Santo e nem com o escape proporcionado por Deus. A diferença é tão grande quanto um carro velho sem freios, espelhos e farol, e um de última geração que vem com freios ABS, câmeras, alarme de proximidade e... deixo para você completar a lista porque não entendo muito de carros. Nenhum cristão poderá alegar que o freio falhou na hora em que foi tentado, ou que não viu a situação de risco se aproximando. O incrédulo peca porque não pode evitar; o cristão peca porque quer pecar.

Se você observou o final da passagem, ali a Palavra de Deus nos diz para fugirmos da idolatria. Talvez você esteja pensando em jogar fora aquela réplica da Taça Jules Rimet, que representa a deusa grega Nice da vitória, ou a miniatura da estátua da Liberdade que comprou no aeroporto e representa a deusa romana Libertas, ou ainda um quadro da Santa Ceia de extremo mau gosto que não pode tirar da parede da sala porque foi bordado pela sogra... Mas se voltar um pouco no texto verá isto: "Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar." (1 Co 10:7).

Isso mesmo, aqui idolatria não fala de imagens de pau e pedra, fala de satisfação pessoal e entretenimento. Como assim? Comer, beber e se divertir são pecados? Começando pela diversão, que na Bíblia é comparada ao mel, Provérbios nos exorta: "Achaste mel? come só o que te basta; para que porventura não te fartes dele, e o venhas a vomitar." (Pv 25:16). Então não é que a diversão seja proibida, mas é bom saber que se for ela a controlar você acabará escravo dela. "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." (1 Co 6:12).

Quanto ao comer e beber, algumas religiões vêm com uma lista de proibições, desde bebidas alcoólicas até carne de porco e outros alimentos que eram vedados pela Lei Mosaica. Aí você é convidado para aquela churrasco de uma igreja que proíbe beber vinho e vê uma verdadeira orgia de apetite desordenado disputando no braço os melhores nacos. A questão é que Deus não proíbe nem o comer carne e nem o beber vinho, o que a Bíblia condena é a glutonaria e a embriaguez ou seja, o exagero nessas coisas. Ao falar da necessidade de vigilância, o Senhor advertiu os seus: "E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida" (Lc 21:34).

Não há desculpa para um verdadeiro cristão dizer que foi influenciado pela mídia ou que nasceu assim, e por isso decidiu sair do armário e se casar com outra pessoa do mesmo sexo. Se isso fosse um homem poderia argumentar que nasceu com excesso de hormônios masculinos e não consegue viver sem agarrar qualquer mulher que passar pela frente. Ou uma cleptomaníaca que é incapaz de resistir roubar bijuteria nas lojas. O crente, embora ainda tendo em si a carne pecaminosa, não deve andar sob o comando dela, mas sob o comando do Espírito Santo que agora habita em si.

Para mostrar como é míope nossa avaliação de pecados, repare que entre os que são condenados na passagem a seguir estão lascívia (libertinagem ou sexualidade exagerada), inimizades, emulações (rivalidade ou desejo de prejudicar alguém), iras, pelejas, dissensões, invejas e glutonarias, coisas que achamos perfeitamente normais e nem sempre julgamos quando as sentimos.

"Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.  Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito." (Gl 5:16-25).

por Mario Persona

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Esperar pela vida futura causa depressão?

Você escreveu que sofre de depressão e que isso "realmente inferniza a vida, pois muda a perspectiva. A vida perde o sabor aquilo que era doce agora é amargo. Não tem mais cor, há desinteresse, tédio, falta de vontade, vigor e força. A depressão é cinza e turva a visão de quem tem essa doença. Não há futuro, só um presente penoso e ás vezes incerto. É isso o que eu sinto. E eu confesso que é maravilhoso ter a certeza da salvação, contemplar a Glória de Cristo. Mas estou confusa.".

Há quem diga que depressão é se ocupar demasiadamente com o passado, estresse é a ocupação exagerada com o presente, e ansiedade aquilo que dá em quem fica muito preocupado com o futuro. Será que o cristão deveria viver assim? Tirando o lado clínico da depressão, pois em muitos casos ela é resultado de uma disfunção química que leva a distúrbios do pensamento, não acredito que um cristão deva alimentar o sentimento de depressão. Há muitos anos eu disse à minha namorada na época que estava na fossa e ela perguntou: "E o que tem na fossa é bom?". Nunca me esqueci daquilo.

Realmente não existe nada de bom em uma fossa, e quem já viu uma transbordar pelo excesso de excrementos sabe de que estou falando. Então por que insistir em ficar lá? Alguém poderá alegar que é por não existir meios de fugir, mas quando entendemos que Cristo já resolveu nosso passado, cuida do presente e é a mais brilhante perspectiva em nosso futuro, não deveríamos nos ater a nenhuma das dificuldades de cada tempo.
O sentimento do cristão pode até se assemelhar ao de um depressivo, já que não vê mais esperança aqui nessa terra e não vê a hora de estar junto ao Pai. Mas isso é uma análise muito superficial daquilo que deve ser o sentimento do cristão. Você disse estar deprimida mesmo conhecendo a Verdade que é o próprio Jesus, e que não deve depositar qualquer esperança neste mundo e estar totalmente dependente do Pai. Mas ainda assim se sente corroída por dentro.

Eu me sinto corroído por dentro quando paro para olhar para dentro. Aí me dou conta de estar me ocupando com um com quem não deveria me ocupar: Eu mesmo. Como já disse, a depressão pode ser consequência de disfunções químicas do organismo, por isso é sempre bom consultar um médico. Mas a certeza da salvação e de que a qualquer momento estaremos com o Senhor não deveria causar depressão como parece ser sua ideia, muito pelo contrário.

Saber que esta vida é volátil e efêmera, e que nosso Lar não é aqui, não deveria servir de combustível para a depressão. Ao contrário, deveria causar em nós um ânimo ainda maior de servir ao Senhor no breve tempo que ainda nos resta aqui, de anunciar a outros o seu amor, de levar mais pessoas a conhecerem sua maravilhosa graça.

Pense em alguém no aeroporto prestes a embarcar que se lembrou de que tem pouco tempo para comprar presentes para toda a família. Ele não vai ficar sentado se lamentando, mas vai correr de um lado para outro, de loja em loja, escolhendo o que existe de melhor para levar para os seus. A certeza da Salvação e do embarque iminente para o céu não nos leva ao marasmo e depressão, muito pelo contrário: gera em nós um senso de urgência.

E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: NEGOCIAI ATÉ QUE EU VENHA." (Lc 19:13).

Um bom texto para entendemos a atitude que devemos ter neste exílio em que vivemos no mundo, enquanto aguardamos nossa ida para nosso lar celestial, é a carta que Jeremias enviou aos judeus cativos que estavam habitando em Babilônia. Eles tinham tudo para estarem deprimidos. Estavam exilados, fora de sua amada Jerusalém, eram ali cidadãos cativos e de segunda categoria, tinham seus pensamentos no lar da terra prometida, mas nada disso deveria desanimá-los. Pelo contrário, a carta que Deus inspirou Jeremias a escrever a eles mostrava que deviam ser ativos e produtivos enquanto estivessem ali aguardando sua libertação.

"Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os do cativeiro, os quais fiz transportar de Jerusalém para Babilônia: Edificai casas e habitai-as; e plantai jardins, e comei o seu fruto. Tomai mulheres e gerai filhos e filhas, e tomai mulheres para vossos filhos, e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; e multiplicai-vos ali, e não vos diminuais. E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que sonhais; porque eles vos profetizam falsamente em meu nome; não os enviei, diz o Senhor. Porque assim diz o Senhor: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar. Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei." (Jr 29:4-14).

por Mario Persona

Arminianismo e Calvinismo - J. N. Darby


Que Cristo morreu por todos é, como já vimos, dito muitas vezes nas Escrituras. Portanto reconheço Sua morte para o mundo como a base, a única base aproximação para o mundo, estando o amor mostrado nela. Quando um homem crê, posso dizer: Agora tenho mais a dizer-lhe: Cristo levou todos os seus pecados; eles nunca poderão ser mencionados novamente.

Se olharmos para a diferença da pregação arminiana e calvinista, veremos o significado disso imediatamente. Os arminianos pegam a morte de Cristo por todos e geralmente conectam a carga de pecados a ela; e tudo é confusão quanto à realidade e eficácia de Cristo levando nossos pecados, pois eles negam qualquer obra especial para o Seu povo. Eles dizem: se Deus amou a todos, não pode amar particularmente alguns. O resultado disso é uma salvação incerta, e o homem freqüentemente acaba sendo exaltado. Assim, o bode expiatório é praticamente posto de lado.

O calvinista considera que Cristo está levando os pecados do Seu povo, para que eles sejam salvos efetivamente; mas ele não vê mais nada. Ele dirá: Se Cristo amou a igreja e se entregou por ela, não pode haver amor verdadeiro por qualquer outra coisa. Assim, ele nega a morte de Cristo por todos e o caráter distintivo da propiciação, e o sangue no propiciatório. Ele não vê nada além de substituição.

A verdade é que nos é dito que Cristo ama a igreja, nunca o mundo. Isso é um amor de relacionamento especial. Deus nunca diz que ama a igreja, mas o mundo. Isto é bondade divina, o que está na natureza de Deus (não o Seu propósito), e a Sua glória é o verdadeiro fim de todos.

Mas eu não me detenho nisso, pois quero apenas apontar a confusão feita com propiciação e substituição, que necessariamente leva à confusão no evangelho, enfraquecendo a mensagem para o mundo, ou enfraquecendo a segurança do crente, e em todos os aspectos criando incerteza no anúncio da verdade. Creio que a busca sincera das almas, e pregar a Cristo com amor a Ele, será abençoado onde houver pouca clareza, e isso é mais importante que a total exatidão da declaração. Ainda assim, é um consolo para o pregador deixar claro, mesmo que não pense nisso no momento; e, quando for edificar sobre isso mais tarde, a solidez do alicerce é da maior importância.
J. N. Darby em "Propitiation and Substitution"