sábado, 28 de fevereiro de 2015

Nosso padrao e nossa esperanca - C. H. Mackintosh

Apo 3:1  E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.
Apo 3:2  Sê vigilante e confirma o restante que estava para morrer, porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus.
Apo 3:3  Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.
Apo 3:4  Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes e comigo andarão de branco, porquanto são dignas disso.
Apo 3:5  O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
Apo 3:6  Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Apo 3:7  E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre:
Apo 3:8  Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.
Apo 3:9  Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás ( aos que se dizem judeus e não são, mas mentem ), eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo.
Apo 3:10  Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.
Apo 3:11  Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. 


Há dois princípios muito importantes apresentados em Apocalipse 3:3-11 que são profundamente interessantes, claros, simples, de fácil compreensão e cheios de poder, quando assimilados - duas coisas distintas que caracterizam um vencedor. A primeira é a verdade que nos foi comunicada, e a segunda, a esperança que está diante de nós.



Encontramos estas duas coisas ilustradas na história de Israel e na história da Igreja de Deus - aquilo que Ele nos deu, e aquilo que é colocado diante de nós. Essas duas coisas servem para formar nosso caráter. Não devemos ser influenciados pelo "caráter" das coisas ao nosso redor, nem pela atual condição do povo de Deus, mas devemos nos deixar influenciar pelo que Deus tem nos dado e por aquilo que nos dará. Somos facilmente desencorajados e desanimados pelo estado das coisas ao nosso redor e levados a desistir de tudo por causa da ruína, ficando assim paralisados. Mas se você tomar posse dessas duas coisas, ou melhor, se elas se apoderarem de você, elas lhe permitirão transpor essas dificuldades e ser um vencedor. Você deve se lembrar daquilo que tem recebido e ouvido, e acalentar a esperança da glória.

Temos diante de nós o protestantismo em Sardes. Você deve sempre distinguir entre a obra do Espírito de Deus e o estado das coisas decorrentes da interferência do homem, da administração humana, dos estratagemas terrenos, que tentam emular um poder que já não existe. A Reforma Protestante foi uma obra distinta do Espírito de Deus, uma onda de poder espiritual. O protestantismo atual é a forma impotente que, graças à fraqueza humana e aos ardis de Satanás, sucedeu aquela gloriosa época de visitação divina.

Há cinquenta anos houve um movimento muito distinto do Espírito de Deus que atraiu muitos para fora dos limites da cristandade. Mas que proveito foi tirado disso? Quando a energia, o frescor, e o desabrochar do Espírito haviam partido, o que se seguiu, em muitos dos casos? Por que as pessoas "escorregaram" no que pode ser chamado de  “dead brethrenism” (alusão ao que ficou conhecido como “movimento dos irmãos”, porém sem vida? Nãohá nada pior do que isso, porque a pior corrupção é aquela que ocorre com as melhores coisas. Qual é a nossa salvaguarda moral? Reter o que temos recebido, e viver na bem-aventurada esperança da vinda de Cristo, para compreender em nossas próprias almas o poder daquilo que Deus nos tem dado e do que Ele dará.

Encontramos exemplos disso nos tempos do Antigo Testamento. Todos os grandes movimentos de reforma em Israel foram caracterizados por isso. Foi assim no tempo de Josafá, e no tempo de Ezequias. O Senhor chama de volta seu povo ao padrão original, para aquilo que eles haviam recebido inicialmente. Ezequias reporta-se a Moisés como a sua autoridade para manter o padrão divino na celebração da Páscoa. Muitos poderiam ter dito: ‘Oh, é tudo sem esperança; sua unidade nacional se foi/não existe mais. Até mesmo Solomão deixou abominações para atrás’. O diabo sugere a diminuição do padrão por causa da ruína; mas Ezequias não deu ouvidos a isso. Ele foi um vencedor, uma onda de bênção tal como não se via desde os dias de Salomão. (2 Cr. 30)

Então, mais uma vez, nos dias de Josias: a criança estava no trono, uma mulher ocupando o ofício profético e Nabucodonosor quase às portas. O que Josias fez? O livro da lei foi lido. Ao invés de baixar o nível ao estado das coisas em redor, ele agiu com base na Palavra de Deus. Essee era o seu padrão de ação, e ele manteve a Páscoa no primeiro mês. O resultado foi esse: não havia tal páscoa desde os dias de Samuel.

Assim foi com Ezequias e Josias; e temos ainda um exemplo mais belo disso em Esdras e Neemias. Naqueles dias, foi celebrada uma festa que não tinha sido observada desde os dias de Josué, filho de Nun. Essa festa foi reservada para o pobre e pequeno remanescente de Israel. Eles eram vencedores; eles voltaram para Deus, e para o que Ele tinha dado no início.

Mais uma vez, Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego conquistaram uma magnífica vitória quando se recusaram a comer carne do rei. Eles não cederam mesmo diante algo de tão pequena significância. Acaso não foram vencedores? Eles poderiam ter dito: ‘Deus nos seus procedimentos governamentais nos enviou para o cativeiro; por que deveríamos nos recusar a comer a carne do rei?’ Mas não! eles foram capacitados a manter o padrão de Deus em meio às ruínas ao redor.

Foi a mesma coisa com Daniel. Ele permaneceu numa fidelidade inabalável, e conquistou uma esplêndida vitória. Não foi para se exibir que ele abriu as janelas e orou em direção a Jerusalém, mas para manter a verdade de Deus. Ele orou em direção ao centro de Deus e foi chamado de servo do Deus vivo. Se todos esses tivessem cedido teriam perdido suas vitórias, e Deus teria sido desonrado.

Tudo isso se aplica a nós, de uma forma muito distinta, em meio ao protestantismo e faz da Palavra de Deus um valor indescritível para nós. Não se trata de impor nossa própria opinião ou autoridade, mas do fato de sermos chamados a manter a verdade de Deus e nada mais, e se você não se apossar disso não fará ideia de sua posição. Poderia ter sido dito para Josias, quando ele derrubou o que foi construído por Salomão (2 Reis 23:13): ‘Quem é você, para posicionar-se contra Salomão e as instituições criadas por um grande homem como ele?’ Mas essa não era uma questão de Josias versus Salomão, mas de Deus versus o erro.

Quanto ao nosso segundo grande princípio, pelo qual o nosso caráter também é formado, temos diante de nós a vinda do Senhor. Todavia repare que a igreja de Sardes, ao invés de ser louvada por adotar a expectativa que cabe à Igreja, de aguardar pela Resplandecente Estrela da Manhã, é alertada: "Se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei" (Ap 3:3). É assim que Cristo virá para o mundo - como um ladrão. Nós pertencemos à região da luz; nossa esperança é a Estrela da Manhã, a qual é vista apenas por aqueles que estão vigiando durante a noite. A razão pela qual Sardes é alertada, em vez de animada pela esperança da vinda dEle,  foi por ter descido ao nível do mundo, um nível baixo e sem vida, vivendo um cristianismo insípido Para ela a vinda de Cristo será como um ladrão.

Esta é a ameaça dirigida ao protestantismo, e que caberá a você também caso se deixe levar pela correnteza como um peixe morto. O Senhor está despertando o coração de Seu povo a um sentido mais profundo disso. Ele está permitindo a eles que vejam que nada irá funcionar se não cairmos na real.. Se não tivermos isso, nada teremos. Uma coisa é ter doutrinas no cérebro, e outra coisa completamente diferente é ter Cristo no coração e Cristo na vida.

Ele está vindo para mim, e eu tenho que atentar para a resplandecente Estrela da Manhã. Que meu coração possa se elevar acima da condição das coisas ao meu redor. Se eu encontrar santos nessas condições, devo buscar elevá-los acima disso. Se você quiser instruir esses santos, você deve trazê-los de volta para a verdade que recebeu de Deus desde o princípio, edificando sobre o que Deus lhe deu, e de olho na esperança que está diante de você. Acho que uma grande pergunta a ser feita a essas pessoas é: ‘Você está preparado para abandonar tudo o que não vai passar no teste da Palavra de Deus e assumir uma posição a respeito?

Conserve o padrão da verdade de Deus e não aceite nada menos que isso; mesmo que você esteja sozinho. Quando um regimento é dizimado e resta apenas um soldado, se ele conservar a bandeira a dignidade do regimento é mantida. Não é uma questão de resultados, mas de ser fiel a Cristo, para permanecer realmente vivo em um cenário que se caracteriza por ter nome de que vive, e está morto" (Ap 3:1). Queremos algo mais do que mera profissão. Até mesmo o partir do pão pode se transformar em formalidade vazia. Queremos mais poder e frescor, uma devoção mais viva para a Pessoa de Cristo. Somos chamados a vencer. O ouvido cada vez mais atento só é encontrado nos vencedores. Que os nossos corações sejam estimulados a desejar isso.