quinta-feira, 30 de junho de 2011



Há duas maneiras de descrever o mundo que Deus escolheu. A primeira aponta para o mundo em termos ideais, isto é, o mundo como Deus deseja que o mundo seja. Mais ou menos como um menino diante de muitos brinquedos, escolhendo aquele que melhor lhe convém, geralmente o maior, o mais bonito, o que aparenta a possibilidade de ser mais emocionante. Nesse sentido, o mundo que Deus escolheu poderia ser descrito com adjetivos como adorador, solidário, justo, puro, fraterno, abençoador, verdadeiro, compassivo, doador.
Muitas figuras poderiam ser usadas para descrever esse mundo ideal. Os profetas falaram de pais convertidos aos filhos e filhos convertidos aos pais, armas transformadas em artefatos de jardinagem, bestas feras selvagens convivendo com animais domésticos, reis e juízes defendendo o direito dos pobres, o deserto se abrindo em flores, as praças abrigando crianças para brincadeiras de roda e idosos compartilhando memórias e entoando canções de esperança, e muitas outras, uma mais linda que a outra, sempre apontando para o reino de Deus, inaugurado na história e consumado na eternidade.
Mas há outra maneira de descrever o mundo que Deus escolheu: o mundo em seu estado real, longe do ideal, mas nem por isso rejeitado, descartado, desprezado, mas escolhido, abraçado, acolhido, assumido com amor sacrificial e definitivo. Nesse sentido, aprendemos no Evangelho que Deus nos amou primeiro, e nos amou quando éramos ainda pecadores. Deus escolheu o mundo que o rejeitou, escolheu o mundo que deu as costas ao seu amor, que ignorou seu propósito, seu desígnio, design. Deus escolheu o mundo feio, sujo, imperfeito, injusto, maculado pela ganância e pela vaidade da fera humana que pôs tudo a perder e levou consigo tão bela criação.
Martinho Lutero resumiu bem essa singularidade do amor divino ao afirmar que “o amor de Deus não se destina ao que vale a pena ser amado, mas cria o que vale a pena ser amado”. Antes de se tornar amável, tudo deve ser amado. Deus amou o mundo. Deus escolheu o mundo. Deus escolheu amar o mundo.
Fonte: IBAB