Vamos explorar o tema de hoje com sensibilidade, reconhecendo que ele envolve a espiritualidade e a conexão pessoal com a divindade.
Nosso enfoque será a Ceia, ou Memorial do Messias, analisando suas origens no Novo Testamento e como práticas posteriores, influenciadas por Constantino a partir do século IV, podem ter se afastado de seu propósito inicial.
O objetivo não é criticar denominações, mas refletir sobre possíveis distorções históricas e incentivar um retorno aos princípios bíblicos para uma fé mais autêntica.
A Origem Judaica da Celebração
A Última Ceia, descrita nos Evangelhos e em 1 Coríntios 11:23-26 - Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;
E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.
Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha..., era, na verdade, uma celebração do Pessach (Páscoa judaica). Yeshua (Jesus) não criou um novo ritual, mas reinterpretou uma tradição milenar.
Durante essa refeição, ele vinculou o momento à profecia de Jeremias sobre uma Nova Aliança (Brit Chadashá), declarando que seu sangue simbolizava o cumprimento dessa promessa (Jeremias 31:31-34 - Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá.
Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor.
Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados.).
Assim, o que era um memorial da libertação do Egito transformou-se em um símbolo da redenção messiânica.
O Cordeiro e o Sacrifício
No Pessach, o cordeiro sacrificado representava proteção divina e libertação física.
Yeshua, ao partilhar o pão e o vinho, identificou-se como o "Cordeiro de Deus", cujo sacrifício ofereceria libertação espiritual (Mateus 26:26-28 - E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo.
E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;
Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados.).
Esse gesto reforça a importância de entender a Ceia dentro de seu contexto original: uma celebração enraizada na aliança divina, estendida a todos por meio do Messias.
Constantino e as Mudanças Históricas
A partir do século IV, práticas como a institucionalização da Igreja e a helenização de ritos alteraram elementos da Ceia.
Por exemplo, a celebração comunitária e simbólica do Pessach foi substituída por um ritual mais dogmático, distanciando-se de suas raízes judaico-messiânicas.
Propõe-se, então, um resgate da essência desse memorial: não como mero formalismo, mas como experiência de comunhão, seguindo o exemplo de Yeshua e dos primeiros discípulos.
Conclusão: Um Chamado à Essência
A Ceia é a concretização de uma promessa profética e um convite à renovação espiritual.
Ao reconhecer suas raízes no Pessach e seu significado messiânico, os fiéis podem reviver essa celebração com profundidade, honrando a aliança que une passado, presente e eternidade.
Que cada participante busque não apenas repetir gestos, mas internalizar o compromisso de viver conforme a palavra divina, tal como ensinado nas Escrituras.
Reflita: Como você pode integrar o significado original da Ceia em sua prática espiritual?
Yeshua e o Cumprimento Profético do Pessach
Na Última Ceia, Yeshua declara:
“Hoje, o símbolo torna-se realidade”.
O cordeiro do Pessach, que por séculos representou libertação física, agora revela seu significado pleno: ele próprio é o Cordeiro de Deus, cujo sacrifício traz redenção espiritual (João 1:29 - No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.).
Essa conexão não é acidental.
A escolha do Pessach para instituir o Memorial do Messias está intrinsecamente ligada à profecia de Jeremias 31:31-34, que associa a Nova Aliança ao êxodo do Egito.
Assim, Yeshua ressignifica a Páscoa, transformando-a em um pacto eterno, não apenas para Israel, mas para toda a humanidade.
Por Que a Santa Ceia Não É Celebrada no Pessach?
Apesar das raízes judaicas, muitas denominações cristãs celebram a Ceia em datas desconectadas do calendário bíblico.
A Igreja Católica, por exemplo, adotou o domingo (dia do Senhor) como referência, baseando-se em Atos 2:42-46 - E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.
E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.
E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.
E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração..., que menciona o “partir do pão” como prática comunitária frequente.
No entanto, essa mudança reflete uma ruptura histórica:
Influência de Constantino:
No século IV, o cristianismo, sob o Império Romano, distanciou-se deliberadamente de suas raízes judaicas para facilitar a conversão de pagãos.
Helenização dos Ritos: Práticas como a substituição do calendário bíblico por datas greco-romanas (ex.: Natal no solstício de inverno) e a centralização do culto no domingo (dia do deus Sol) enfraqueceram a ligação com o Pessach.
Reforma Protestante:
Mesmo Lutero e Calvino, críticos da Igreja Católica, mantiveram estruturas doutrinárias herdadas de Roma, incluindo a celebração da Ceia fora do contexto original.
O Equívoco da Desconexão
A desconexão do Pessach gera uma perda simbólica profunda:
Sentido do Sangue: No Pessach, o sangue nas portas era proteção e identidade (Êxodo 12:13 - E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito.).
Na Nova Aliança (Aliança Renovada), o sangue de Yeshua representa redenção e pertencimento à família de Deus
(1 Pedro 1:18-19 - Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais,
Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado).
Memorial vs. Ritualismo:
Celebrar a Ceia sem vincular ao Pessach reduz o ato a um mero ritual, perdendo a dimensão de libertação contínua do pecado (1 Coríntios 5:7-8 - Purificai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.
Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade.).
Como Restaurar o Significado Original?
Recuperar o Calendário Bíblico:
Celebrar a Santa Ceia durante o Pessach (ou em datas próximas) para honrar o paralelo entre o êxodo físico e a libertação espiritual.
Reconhecer o Contexto Judaico-Messiânico:
Entender que Yeshua não fundou uma nova religião, mas cumpriu promessas dentro da tradição de Israel
(Mateus 5:17 - Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim destruir, mas cumprir.).
Priorizar a Essência sobre a Forma: Focar na comunhão e na memória do sacrifício, não em dogmas ou frequência ritualística.
Reflexão Final
A Ceia é uma ponte entre o passado e o futuro, ligando o êxodo do Egito à redenção messiânica.
Ao ignorar suas raízes, perdemos a riqueza de seu simbolismo.
Que tal, neste próximo Pessach, revisitar as Escrituras e celebrar a Ceia não como tradição humana, mas como memorial divino?
“Guardai isto por memorial para vós e vossos descendentes” (Êxodo 12:14).
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