sábado, 26 de julho de 2014

Os Cinco Contraditórios Pontos do Arminianismo

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Por Jailson Serafim

a) O dogma do livre arbítrio

Como resultado da queda de Adão no Éden, a Bíblia diz que n'Ele, toda a raça humana está espiritualmente morta (Gn 2:17; Ef 2:1,5; Cl 2:13). Estando espiritualmente mortos, todos os filhos de Adão tendem a refletir a atitude de seu pai, ou seja, fugirem da presença de Deus (Gm 3:8-10) e não se reconhecerem como culpados (pecadores) diante de Deus (Gn 3:11-13), razão pela qual o Espírito Santo têm que convencê-los de seu pecado (Jo 16:7-9). Ora, se houvesse após a queda a capacidade de escolher a Deus por parte do homem espiritualmente morto, certamente Adão procuraria a Deus, e não Deus a Adão! E o resultado da queda de Adão sobre os seus descendentes é que segundo a Bíblia, "viu o SENHOR... que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração ERA SÓ MÁ continuamente" (Gn 6:5 ACF). Embora as Escrituras digam que após a queda no Éden o homem está completamente morto (totalmente depravado) e arruinado, todavia, à revelia da Bíblia, os arminianos dizem que "a natureza humana foi indubitavelmente prejudicada pelo pecado, porém não arruinada totalmente" (Rev. José G. Salvador; Arminianismo e Metodismo, p.87). 

Não só o dogma do livre arbítrio é falso e blasfemo, mas também contraditório. Ele entra em contradição com o segundo ponto do arminianismo - a eleição condicional. Os arminianos dizem que "desde a fundação do mundo, Deus sabia quem iria crer ou não crer em Cristo. Assim, com base nessa presciência, elegeu os que iriam crer para a salvação, e da mesma forma, predestinou, designou, recusou ou reprovou de antemão [desde a eternidade] os que não iriam crer para a condenação" (Pr. Raimundo Ferreira de Oliveira; Lições Bíblicas [CPAD], Quarto Trimestre de 1987, pp.32-33). Com base nisto, perguntamos: Aqueles que, pela presciência de Deus, não crerão em Cristo e que foram de antemão por Deus predestinados, designados e reprovados para a condenação possuem a capacidade de escolherem a Deus? Se Possuem essa capacidade, onde fica, então, a presciência de Deus?

Harpa Cristã, hinário das Assembleias de Deus, canta a doce melodia da total depravação do homem (esmigalhando o dogma do livre arbítrio), dizendo: "Longe do Senhor, andava no caminho do horror, por Jesus não perguntava, nem queria o seu amor no juízo não pensava, nem na minha perdição, nem na minha alma desejava a eterna salvação" (169:1,2).

Tais frases refletem o ensino bíblico. Os ímpios, antes de serem regenerados pelo Senhor, não tem nenhum interesse por Deus (Rm 10:20). Nenhum deles tem ou podem ter qualquer desejo de ir até a Cristo (Jo 3:20; 5:40; Jó 21:14-15). O ímpio não pensa no juízo nem em sua perdição, uma vez que, em seu estado de total morte espiritual, ele não se julga um pecador (Mt 23:30; Lc 18:11-12). Por conta de seu estado caído (a sua natureza pecaminosa), ele não entende que o juízo de Deus está sobre ele (Pv 28:5 compare com Sl 7:11; Rm 1:18). E por que os ímpios não estão convencidos de que estão debaixo do juízo (ira) de Deus? Porque estando espiritualmente mortos, "eles nada sabem, nem entendem; vagueiam em trevas" (Sl 82:5 ARA); "Os perversos são inimigos da luz, não conhecem os seus caminhos" (Jó 24:13 ARA). Os ímpios estão totalmente impossibilitados e incapacitados de chegarem a esta conclusão por si mesmos. O Espírito Santo têm que convencê-los disso (Jo 16:7-8). Agora imaginem alguém que têm condições de chegar as suas próprias conclusões necessitar da ajuda de outro alguém para chegar a estas conclusões? Complicado, não é? Os ímpios não podem jamais desejar a salvação, visto que eles odeiam tanto a Deus (Rm 5:10; 8:7; Cl 1:21) e reputam as trevas como "luz" (Is 5:20). Em suma, o dogma do livre arbítrio não encontra respaldo nas Escrituras!

(b) O dogma da eleição condicional

A Bíblia diz que a eterna eleição para a salvação (Ef 1:4) é "a eleição da graça" (Rm 11:5,6), e se "graça" é "favor imerecido", como ela pode ser condicionada a qualquer futura atitude do homem? Embora a Bíblia diga que a eleição é da graça (isto é, incondicional = At 13:48), os arminianos, contrapondo as Escrituras, dizem que ela é condicional. Não só este dogma é blasfemo e antibíblico, como também contraria o terceiro ponto do arminianismo. Ora, se em sua presciência, Deus já sabia quem vai crer e quem não vai crer em Cristo, elegendo os futuros crentes em Cristo para a salvação, bem como predestinando, designando, recusando ou reprovando de antemão os que não crerão em Cristo, como, então, Cristo poderia morrer por aqueles que de antemão Ele próprio havia predestinado, designado, recusado e reprovado para a condenação? Poderia Cristo morrer por aqueles que de antemão sabia que jamais creriam n'Ele? Morreria Cristo em vão? E onde estaria a sua presciência? Justamente por isso, cantamos com a Harpa Cristã a doce melodia da eleição incondicional (que é a eleição da graça): "Fomos nós predestinados, para crermos em Jesus" (236:3)

As palavras da Harpa Cristã ensinam o que a Bíblia ensina: A fé é a consequência, não a causa da eleição para a salvação. Em outras palavras - fomos eleitos para crermos, e não porque creríamos (At 13:48). 

(c) Expiação Geral

Enquanto a Bíblia explicitamente diz que Cristo não morreu por todos os homens, sem exceção (Mt 26:28; Mc 14:24), e que seu sangue foi derramado em favor apenas dos eleitos (1 Pe 1:2), os arminianos, contradizendo as Escrituras, dizem que Ele morreu por todos os homens sem exceção, isto é, por cada indivíduo. Tal dogma arminiano é uma blasfêmia, pois se é verdade que era parte do plano de Deus que Cristo morresse por toda a raça humana sem exceção (com o objetivo de salvar à todos), e se todos não serão salvos, então o plano de Deus foi frustrado e não alcançou o seu objetivo, que é a salvação de todos. Porém, de acordo com a Bíblia, nenhum plano de Deus ficou sem ter o seu objetivo alcançado; antes, todos os seus planos se realizaram perfeitamente (Jó 42:2; Sl 135:6; Is 46:10). Além do mais, a Bíblia diz que Cristo ficaria satisfeito com o resultado de sua obra expiatória (Is 53:11). E qual foi o motivo desta satisfação? O plano de Deus era que Cristo morresse pelos eleitos para que estes obtivessem a vida eterna, que foi algo que eficazmente ocorreu (Is 53:11; Dn 12:10; Mt 20:28; Jo 17:2,4,6). 

Agora, não só o dogma arminiano (expiação geral) é blasfemo e antibíblico como também entra em contradição com o quarto ponto do arminianismo. Ora, o quarto ponto do arminianismo (resistibilidade da graça divina) ensina que a graça de Deus pode ser resistida não só por uma parte da raça humana (os eleitos), mas por toda as duas partes (eleitos e não eleitos [reprovados]). Neste sentido, se Cristo morreu por toda a raça humana para dar-lhe a vida eterna, e se qualquer uma das partes da humanidade (os eleitos ou os reprovados) pode resistir ao seu chamado interno, isto faria com que o Salvador morresse em vão!

Ao contrário do terceiro ponto do arminianismo, prefiro abrir a Harpa Cristã e cantar a doce melodia da "Expiação Particular", que diz: 

"Só mesmo o tão profundo amor Do nosso bendito Deus, mandava ao mundo de horror, o Seu Filho, para salvar os seus" (475:4).

"Por Ele abençoada é toda a nação, que foi predestinada a grande vocação" (135:3).

"Já dantes desta criação me preparava a mais perfeita salvação; Oh! Quanto a mim amava" (219:2).

A estrofe 3, do hino 135, ensina que somente a nação predestinada (ou escolhida) por Deus recebia a benção da vida eterna, como diz a Bíblia (1 Cr 17:21-22; 2 Sm 7:23). A estrofe 4, do hino 465, ensina que Cristo foi enviado para morrer pelos eleitos conforme diz a Bíblia (Jo 10:11,14-16; 17:2,6,9). A estrofe 2, do hino 219, nos ensina que Cristo amou os seus escolhidos bem antes da fundação do mundo com o amor de um Salvador, conforme diz mais uma vez a Bíblia.

(d) Graça resistível

A Bíblia diz que, dentre a raça humana, apenas alguns são escolhidos para a vida eterna, e que aqueles que foram escolhidos para este fim não resistirão ao chamado interno do Espírito Santo e certamente virão a Cristo (Jo 6:37; 10:14). 

Contudo, à revelia da Bíblia, os arminianos dizem que todos (inclusive os eleitos) podem resistir ao chamado interno do Espirito Santo, frustrando, assim, os propósitos de Deus. Todavia, este dogma arminiano não só é blasfemo e antibíblico, mas também contraria o segundo ponto do arminianismo. 

Ora, se é verdade que desde a eternidade Deus já sabia quem iria crer em Cristo, e que com base nesta presciência elegeu estes para a salvação, como, então, estes podem resistir ao chamado interno do Espírito Santo? Este dogma resultaria em negar a presciência de Deus bem como todo o dogma da eleição condicional para a salvação.

Rejeitando este dogma arminiano (resistibilidade da graça divina), preferimos abrir a Harpa Cristã e cantar a doce melodia da "irresistibilidade da graça divina" (para os eleitos), dizendo:

- "Hoje é o dia aprazível,
- Vem a Jesus, teu Salvador
- o Seu amor é irresistível" (238:4).

A estrofe 4, do hino 238, nos ensina que, uma vez amados por Jesus desde a eternidade, os eleitos irresistivelmente passam a amá-lo neste mundo no momento da regeneração (1 Jo 4:19).

(e) Cair da graça ou perder a salvação

A Bíblia ensina explicitamente que é impossível um cristão ser enganado pelos ministros de Satã a vida toda, porém, o engano pode ocorrer temporariamente (Jo 10:4,5). O verdadeiro cristão não pode ser arrebatado das mãos de Cristo e do Pai (Jo 10:28-29) e que não podem ser derrotados pelo maligno e pelo mundo (1 Jo 5:4). Entretanto, em oposição às Escrituras, os arminianos (especialmente os wesleyanos) dizem que é possível um cristão perder a salvação. Todavia, este dogma arminiano, não só é falso e blasfemo, como também entra em contradição com o segundo ponto do arminianismo. Ora, se desde a eternidade Deus sabia quem iria crer nele e perseverar até o fim, e com base nesta presciência, os elegeu para a salvação, como é possível eles se perderem? Este dogma resultaria tanto em negar a presciência de Deus como também negar o dogma arminiano da eleição condicional. Mas, rejeitando o quinto dogma arminiano (remonstrante), prefiro abrir a Harpa Cristã e cantar a doce melodia do "uma vez salvo, para sempre salvo", que afirma:

"Nunca jamais hei de perecer" (146:2)

"Me guardarás por teu amor, fiel até o fim" (229:3)

"Vem a Cristo, sem tardar,Com seus dons te quer fartar, com riquezas que jamais se perderão" (281:3)

"Pra escravidão do Egito nunca mais voltarei" (316:3)

"Jesus para sempre me salvou" (424).

A estrofe 2, do hino 146, revela que é impossível um cristão perecer (Jo 10:28). A estrofe 3, do hino 281, revela que é impossível as riquezas da salvação serem perdidas. E sabe por quê? Porque se a nossa eleição para a salvação e se a nossa vocação para a salvação são dons de Deus (Ef 2:8-9; 2 Tm 1:9), e se "os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Rm 11:29 ARA), como, então, poderia Deus anular o seu chamado (interno) e anular a própria salvação? Como poderia Ele retirar de nós a fé salvífica? (Hb 12:2). A estrofe 3, do hino 316, diz que uma vez libertos da escravidão do pecado jamais poderemos outra vez nos tornarmos seus escravos totalmente (Jo 8:36; 2 Co 3:17). Paulo chega até a ensinar que os verdadeiros cristãos jamais se desviam para a perdição (Hb 10:39). O hino 424 simplesmente está ensinando e afirmando: "Uma vez salvos, para sempre salvos" (Jo 5:24; 10:28-29). A estrofe 3, do hino 229, nos ensina a coroa da doutrina reformada-protestante da perseverança dos santos. Tal estrofe nos diz que a nossa perseverança final não é produto de nossos esforços, mas da graça de Deus (Jr 32:40; Fl 1:6; 1 Co 1:8).

Portanto, concluímos que, além dos quatro pontos do arminanismo remonstrante não se sustentarem biblicamente e de serem uma herança da Contra Reforma (através dos cânones do Concílio de Trento, 1547 d.C), para piorar ainda mais a sua situação vexatória, ambos contradizem a si mesmos e se excluem. 

Que Deus abençoe a todos!

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Fonte: Presbiterianos Calvinistas
Imagem: Contradição, flor crescendo em uma pedra - Crazy Ivan. | Arte: Bereianos