quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Pecadores justos




59. Mas que proveito tem sua fé no Evangelho?
R. O proveito é que sou justo perante Deus, em Cristo, e herdeiro da vida eterna (1). 
(1) Hc 2:4; Jo 3:36; Rm 1:17. 
60. Como você é justo perante Deus?
R. Somente por verdadeira fé em Jesus Cristo (1). 
Mesmo que minha consciência me acuse de ter pecado gravemente contra todos os mandamentos de Deus, e de não ter guardado nenhum deles, e de ser ainda inclinado a todo mal (2) , todavia Deus me dá, sem nenhum mérito meu, por pura graça (3) , a perfeita satisfação, a justiça e a santidade de Cristo (4). Deus me trata (5) como se eu nunca tivesse cometido pecado algum ou jamais tivesse sido pecador; e, como se pessoalmente eu tivesse cumprido toda a obediência que Cristo cumpriu por mim (6). Este benefício é meu somente se eu o aceitar por fé, de todo o coração (7). 
(1) Rm 3:21-26; Rm 5:1,2; Gl 2:16; Ef 2:8,9; Fp 3:9. (2) Rm 3:9; Rm 7:23. (3) Dt 9:6; Ez 36:22; Rm 3:24; Rm 7:23-25; Ef 2:8; Tt 3:5. (4) 1Jo 2:1,2. (5) Rm 4:4-8; 2Co 5:19. (6) 2Co 5:21. (7) Jo 3:18; Rm 3:22. 
61. Por que você diz que é justo somente pela fé?
R. Eu o digo não porque sou agradável a Deus graças ao valor da minha fé, mas porque somente a satisfação por Cristo e a justiça e santidade dEle me justificam perante Deus (1). Somente pela fé posso aceitar e possuir esta justificação (2). 
(1) 1Co 1:30; 1Co 2:2. (2) 1Jo 5:10. 
• Catecismo de Heidelberg

O 23º Dia do Senhor, diante das quatorze semanas que foram tratadas sobre cada ponto do Credo Apostólico, agora nos leva a refletir e perguntar: que bem nos faz crer em tudo o que foi visto?


A resposta que o Catecismo nos dá é essa: “O proveito é que sou justo perante Deus, em Cristo, e herdeiro da vida eterna.”

A doutrina implícita que o 23º Dia do Senhor trata é a doutrina da justificação. Infelizmente muitas pessoas não sabem tratar do assunto ou, quando tratam, abordam de forma incorreta. A reforma protestante, com Lutero, teve seu ímpeto com a descoberta da justificação pela fé somente. Sendo assim, o Catecismo, de forma didática, nos ensina algumas coisas. 

Há cinco conceitos importantes na compreensão desta doutrina implícita no 23º Dia.  

Primeiro, que deste lado do céu nós seremos, como disse Lutero, simultaneamente justo e pecador. O Catecismo nos mostra que mesmo estando de bem com Deus, nós, diariamente, transgredimos os Seus mandamentos. No entanto, Deus não absolve as nossas culpas por causa de nossas obras, mas porque confiamos “naquele que justifica o ímpio” (Rm 4.5).

Segundo, a nossa postura diante de Deus não está baseada em nossa justiça, mas em uma justiça alheia. Ou seja, a nossa justificação não é por nossas justiças, mas por uma justiça que não é nossa, como mostra a Confissão de Fé de Westminster

Deus não os justifica em razão de qualquer coisa neles operada ou por eles feitos, mas somente em consideração da obra de Cristo (XI.I)

E é nessa mesma voz que August Toplady diz poeticamente:

         Nada trago em minhas mãos, 
         Apenas me agarro à tua cruz; 
         Nu, venho a ti para me vestir,
         Dependente, busco graça em ti;
         À tua fonte vou correr. 
         Lava-me, Senhor, ou vou morrer!
         Rocha Eterna, partida por mim, 
         Deixa-me esconder em ti. 


Terceiro, se nada trago em minhas mãos, conforme disse o poeta, devemos entender que a nossa justificação não é baseada em nossa santificação, até porque, como dito anteriormente, nós pecamos todos os dias. No entanto, Cristo imputou em nós a sua justiça, nos livrando da condenação eterna, mas não dos castigos por causa de nossos pecados atuais.


Quarto, se não é a nossa bondade ou santidade que nos faz justificados por Cristo, o que é então? A nossa fé, a qual é dada por Deus (Ef. 2.8). Por isso nós falamos que somos justificados pela fé somente. O catolicismo romano crê que somos justificados pela fé, porém não crê que somente a fé pode nos justificar, mas também às práticas de boas obras que, segundo eles, fazem com que sejamos justificados. É verdade que a fé justificadora deve ser mostrada pelas obras, no entanto, ela não é a base de nossa justificação, mas a demonstração da mesma.

E, finalmente, depois do exposto sobre fé para ser justificado, o Catecismo vai nos mostrar, como um banho de água fria, que a nossa fé não tem valor se não entendermos o que é a santificação, a justiça e a santidade d'Ele que nos justifica diante de Deus. Ou seja, a obra perfeita de Cristo é o objeto da nossa justificação e a nossa fé é o instrumento para que sejamos justificados. Portanto, devemos crer com todo coração em Jesus Cristo, mas nunca colocar a fé na nossa fé. Devemos descansar em Cristo, não em nossa fé. Somente Ele é quem morreu por nós e ressuscitou em nosso lugar para a nossa justificação. Creia nisso, não em você e nem em suas obras. 

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos