segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Vindo "para os seus", vindo "com os seus"


Haveria coisa mais importante para o tempo presente do que ter uma noção clara da verdade? Satanás não ataca apenas por meio daquilo que se opõe diretamente à verdade, mas também o faz confundindo as diferentes verdades e impedindo assim que o crente tenha uma percepção daquilo que Deus apresenta em sua Palavra. O inimigo faz isso principalmente por meio de seus ataques contra aquilo que o Espírito Santo apresenta aos corações dos filhos de Deus.

Agora que a vinda pessoal do Senhor é uma realidade cada vez maior para muitos cristãos, os quais aprenderam a não mais se ocuparem com os eventos que precedem isso, mas com a própria Pessoa, a brilhante Estrela da Manhã, a intenção do inimigo é confundir as passagens que se referem à vinda de Cristo com o seu povo para dar início ao seu reino na terra, com aquelas que falam de sua vinda para encontrar-se com seu povo nos ares, o qual deixará assim a terra para subir à casa do Pai nas alturas.

Se decidirmos chamar a vinda do Senhor para o seu povo e a vinda com o seu povo genericamente como sua vinda, mesmo assim deveria ficar evidente que sua vinda para o seu povo deveria preceder e ser distinta de sua vinda com o seu povo, tanto em seu tempo como em seu propósito. Antes de podermos vir com ele precisamos nos encontrar com ele. Isto é claramente indicado na Palavra como a vinda do Senhor para a igreja que partirá para se encontrar com ele nos ares, concomitante à ressurreição dos corpos dos santos que dormem.

Existe também a sua vinda para a terra com o seu povo, que terá previamente levado para o céu, a fim de subjugar seus inimigos e estabelecer seu reino por mil anos, o que nas escrituras é chamado de seu dia. O “dia do Senhor”sempre se refere ao seu reino e aos eventos que são conectados a ele; nunca se refere à sua vinda para a igreja. Se o leitor tiver o cuidado de observar, verá que sempre que são utilizadas as expressões “o dia do Senhor” e “o Filho do Homem” elas se referem ao reino de Cristo na terra, e não à sua vinda com os seus santos. Se isto ficar bem claro será de ajuda para muitos que estão confusos e ajudará a fazê-los aguardar por ele com uma maior clareza de fé e esperança.

Vamos dar uma olhada em 2 Tessalonicenses 2:1-3: “Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor. Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição” (ARA). Aqui a vinda do Senhor é mencionada como um evento distinto do dia do Senhor.

Aprendemos de 1 Tessalonicenses, capítulo 4, que o inimigo tinha estado ocupado confundindo os santos com a ideia de que aqueles que partiram e já não estavam aqui perderiam a oportunidade de estar no reino que seria estabelecido na terra por ocasião da vinda. O apóstolo, portanto, escreve para desfazer a obra de Satanás, pois quando o erro é propagado nós devemos sempre olhar além do instrumento por meio do qual ele pode estar sendo propagado. Ou seja, sua origem é o próprio Satanás, o verdadeiro autor e motivador do erro, e ele estava lhes dizendo que eles sairiam perdendo com aquela situação. Todavia, na vinda do Senhor a primeira coisa que ocorrerá será a ressurreição daqueles que dormiram em Cristo, enquanto os que estiverem vivos serão transformados para se juntarem a eles em sua subida para se encontrarem com o Senhor.

Na segunda epístola vemos o inimigo trabalhando para distrair os santos e levá-los a concluir que, por causa de suas tribulações, “o dia” já teria chegado. O apóstolo argumenta a partir do fato de que a vinda do Senhor e o arrebatamento deles para se encontrarem com ele não tinha ainda acontecido, e que esse dia não poderia ser o momento presente, e mais uma vez aponta a razão: o homem do pecado ainda não tinha sido manifestado, como será o caso antes de chegar “o dia”.

Enquanto esteve com os tessalonicenses o apóstolo lhes apresentou estes eventos, de como a presença do Espírito Santo na igreja na terra era uma barreira que impedia o aparecimento do homem do pecado. Após a partida da igreja da terra seria removido aquilo que lhe impedia, e então aconteceria a completa manifestação daquele iníquo. Quando isso ocorrer virá o dia do Senhor, de modo que a atual permanência da igreja na terra é uma prova clara de que aquele dia ainda não chegou.

Permita-me introduzir aqui uma ilustração. Imagine um pai dizendo à sua família: “Vou viajar para encontrar um novo lar para vocês, e depois demolirei esta casa. Mas antes de destruí-la voltarei e levarei vocês para a nova casa”. Enquanto o pai está fora, dois inimigos planejam atacar para assustar as crianças. Um entra na casa para estar com as crianças, enquanto o outro permanece do lado de fora. O intruso do lado de fora causa um estardalhaço para fazer parecer que a casa está sendo demolida. O intruso do lado de dentro diz às crianças: “O pai de vocês está demolindo a casa!”. As crianças ficam terrivelmente apavoradas. Então a mãe lhes diz: “Filhos, não tenham medo. Não é seu pai. Ele sempre fala a verdade e nunca age de modo contrário à sua palavra. Acaso ele não disse que antes de demolir a casa ele voltaria e nos levaria para o novo lar que ele foi preparar? Portanto insisto com vocês que, pela palavra do pai de vocês de que ele voltaria para nos buscar, que não acreditem nesse inimigo mentiroso aqui dentro que está combinado com o inimigo do lado de fora para causar toda essa comoção”.

Assim os tessalonicenses são exortados a considerarem duas coisas que devem ocorrer antes, para abandonarem a ideia de que o dia do Senhor já tivesse chegado. A primeira é que eles ainda não tinham sido arrebatado para se encontrarem com o Senhor; a segunda, que o homem do pecado ainda não tinha aparecido, e nem poderia aparecer enquanto eles estivessem aqui, pois o Espírito Santo, que estava com eles e habitava neles, impedia sua manifestação.

O homem do pecado não pode ser completamente revelado até que o relógio de Daniel, capítulo 9, comece a marcar a septuagésima semana. O relógio de Daniel completou a marca de sessenta e nove semanas quando Cristo foi crucificado. Então ele parou e nunca mais bateu desde então, e nem baterá até a ressurreição dos santos mortos, quando os santos vivos — a igreja — forem transformados e, juntos, se encontrarem com o Senhor nos ares para estarem para sempre com o Senhor. A igreja precisa primeiro ser levada para o céu antes que a última das setenta semanas de Daniel comece. No momento atual não estamos dentro das setenta semanas de Daniel, exceto no sentido de um parêntese, ou seja, não estamos incluídos na contagem, mas tão somente ocupamos o espaço após a sexagésima nona semana desde quando o Messias foi “tirado” (crucificado), e antes da retomada da última semana, a septuagésima.

A igreja fica totalmente fora dessa contagem. As setenta semanas determinadas sobre o povo de Daniel (os judeus) e a cidade estão relacionadas aos eventos terrenos. No que diz respeito ao cristão — participante da vocação celestial — este pertence ao céu e está fora dos “tempos e das estações” (At 1:7, 1 Ts 5:1). O não enxergar isto fez com que Satanás levasse alguns a executarem todos os tipos de cálculos falsos e confusos, atraindo sobre si zombaria e escárnio, e levando até mesmo crentes a ficarem com receio de buscarem na Palavra de Deus aquilo que ele revelou a respeito dessas coisas.

Não existe qualquer data a partir da qual se possa calcular a vinda do Senhor para a igreja. Somente depois que a igreja tiver partido daqui, e o relógio de Daniel voltar a contar o tempo, é que se poderá fazer cálculos corretos e apropriados dos eventos futuros. Não existem eventos para os cristãos esperarem antes que o Senhor Jesus venha para nós. A sua vinda é o próximo evento imediato para nós. A obra de Satanás é esconder isto dos corações do povo do Senhor, ou confundi-los sobre este assunto, misturando passagens das escrituras que se referem à sua volta com a igreja com aquelas que falam de sua vinda para a igreja. As passagens que falam do “dia do Senhor” ou da vinda do “Filho do Homem” não se referem à vinda de Cristo para a igreja.

Quando o Senhor vier para a igreja ele virá como a Estrela da Manhã; quando ele vier para o seu dia será “como o relâmpago que ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade” (Lc 17:24). Do mesmo modo como Enoque foi trasladado sem que o mundo percebesse, assim a igreja será também levada. Assim como o dilúvio afetou o mundo todo, enquanto Deus cuidava de alguns poucos para repovoarem a terra, assim a vinda do Filho do Homem em seu dia será de juízo para todo o mundo. Um remanescente de judeus e também de gentios será preservado na terra para o reino de justiça. Todos os seus inimigos serão mortos ou presos.

O Senhor Jesus disse: “Quando porém vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra?” (Lc 18:18). Quando o Senhor vier para o seu povo ele não virá à terra, mas nos ares. Nós o encontraremos ali. Quando o Filho do Homem vier para a terra ele encontrará o mais elevado grau de infidelidade e idolatria. Quando o Senhor vier como Filho do Homem ele descobrirá que Satanás levantou um homem para ser adorado, “o homem do pecado”“o anticristo”“o rei” em Jerusalém, que “fará conforme a sua vontade” (Dn 11:36). Todos os que não adorarem o homem de Satanás serão mortos, exceto aqueles aos quais o Senhor dedicar um cuidado especial. Esse “homem da terra” (Sl 10:18) se declarara a si mesmo como sendo Deus, e pelo poder de Satanás irá realizar milagres com os quais enganará todos aqueles que escutaram a verdade, porém não tiveram amor por ela. Mas ele será destruído pelo fulgor da vinda do Senhor — não em sua vinda para a igreja, pois como já demonstramos, o “homem do pecado” não será revelado até que a igreja tenha partido da terra. A sua destruição ocorrerá pelo mais radiante fulgor da vinda do Filho do Homem que se estenderá do oriente para o ocidente.

Nessa ocasião dois estarão no campo um será tirado — não para se encontrar com o Senhor nos ares, mas ceifado pelo juízo — e outro será deixado para habitar na terra durante o milênio, o reino de mil anos. Duas mulheres estarão moendo no moinho, uma será tirada (pelo juízo) e a outra deixada para o milênio (Mt 24). Em seu dia o Filho do Homem descerá trazendo um repentino juízo sobre seus inimigos como um ladrão à noite. Ele irá então estabelecer o seu reino na terra por mil anos. Aqueles que tiverem sido levados para se encontrarem com ele (santos do Novo Testamento e também do Antigo Testamento), e também os mártires que tiverem sido mortos durante a septuagésima semana de Daniel, isto é, após o traslado da igreja para o céu (pois os mártires de Apocalipse estarão incluídos na“primeira ressurreição”) descerão e reinarão com Cristo no seu dia.

Espero que este texto possa ser de ajuda para livrar alguns dos falsos conceitos referentes à vinda do Senhor para o seu povo, e à sua vinda com o seu povo. Que possamos nos apegar ao Senhor a cada momento para sermos mantidos livres dos enganos do inimigo. Nossa segurança não está em nossa força ou conhecimento, mas no próprio Senhor. Se quisermos ficar seguros devemos permanecer no lugar de segurança, em comunhão com ele. Guardando a palavra da sua paciência seremos guardados da hora da provação (e não na hora da provação”que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap 3:10). Nosso lar não é na terra, mas nos céus. O deus deste mundo sabe como usar pessoas, às vezes com títulos importantes, para pavimentar o caminho para suas mortíferas cavernas de erro, usando palavras mais macias que manteiga e, tal qual um anjo de luz, guiando as pessoas como que com “fios de ouro” para rejeitarem o nome e a palavra de Cristo.

Possamos cuidar para que Cristo seja honrado em sua Pessoa e obra — sua divina Pessoa, eterna, o Filho Unigênito de Deus, o qual é igualmente Deus juntamente com o Pai e o Espírito Santo. Que possamos estar seguros de sua morte expiatória pelos pecados, e também de sua ressurreição, como sendo a declaração de Deus da justificação que ele dá a todos os que creem nele. Ele é agora e para sempre um verdadeiro Homem, do mesmo modo como sempre foi e será verdadeiro Deus. Que possamos nos apegar à sua palavra e ao seu nome em toda a plenitude que nos são revelados. Que nossa oração diária a nosso Deus e Pai por todos os filhos de Deus, em nome de Seu Filho Jesus, nosso Senhor e Salvador, seja para que eles possam ser assim preenchidos de Cristo e de sua palavra, para discernirem rapidamente tudo aquilo que não vier de Cristo.

Oh, que possamos permanecer em Cristo com uma preocupação de guardar tudo que diz respeito a ele, permanecendo firmes por sua palavra e para sua glória, e cuidando de seus interesses contra os ataques daquele que é o grande e sutil inimigo dele e nosso. Que também possamos nos lembrar de que maior é aquele que está em nós do que todo o poder satânico que nos possa ser contrário. Permaneçamos em Cristo, pois nele está nossa segurança e toda a nossa força.

Extraído de “Coming for - Coming With”, by I. C., Bible Treasury, Volume 9 - 1912-1913