quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A SANTIDADE DE DEUS


 Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?”(Êx 15.11). Deus é majestoso e glorioso em sua santidade (cf Is 57.15). E esta santidade é proclamada pelos seres celestiais (Is 6.3; Ap 4.8). E assim como o Senhor é bom, assim somente ele é santo (1 Sm 2.2). Deus não somente é santo, ele é santidade.
           A palavra hebraica “qadosh”, santo, significa separado, ou seja, separado do uso comum. Deus é santo porque ele é totalmente separado de suas criaturas. Todas as coisas que foram separadas para um uso exclusivo de Deus são consideradas santas. Por exemplo: as vestes sacerdotais eram santas (Êx 28.2), o lugar específico para a preparação do sacrifício era santo (Ex 29.31), os vasos usados no templo eram santos (1Rs 8.4), etc. No entanto, estes objetos não deveriam servir como amuleto, ou alguma forma de trazer a santificação ao homem, pois somente Deus santifica. Tudo o que era usado de um modo específico para Deus era considerado santo. Assim sendo, não somente Deus é santo, mas tudo quanto está envolvido em sua presença precisa de santidade.
          O Senhor é livre de qualquer contaminação moral: “Pelo que vós, homens sensatos, escutai-me: longe de Deus o praticar ele a perversidade, e do Todo-Poderoso o cometer injustiça.” (Jó 34.10; Hc 1.13). Assim, as leis de Deus refletem quem ele é moralmente (cf Ex 20).
          A santidade é uma qualidade central de Deus. Ele não apenas decide o que é certo; Ele mesmo é certo! Por exemplo, é impossível que Deus minta   (cf Hb 6.18). Eliú entendeu esse fato quando disse:  “... longe de Deus o praticar ele a perversidade, e do Todo-Poderoso o cometer injustiça" (Jó 34.10). Seus olhos são tão puros que não podem contemplar o mal: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele” (Hb 1.13).
           A importância da santidade divina 
         Nunca é dito que Deus é “justiça, justiça, justiça,” ou que ele seja “amor, amor, amor”. Elas dizem que ele é “santo, santo, santo” e que “a terra está cheia de sua glória” (cf Is 6). Esse é o único atributo enfatizado de maneira especial. Não quer dizer que esse atributo seja o mais importante de todos os outros, mas que seus atributos são qualificados e realçados por sua santidade. As Escrituras dão uma forte ênfase a esse atributo. O amor de Deus é santo, a justiça de Deus é santa, a sua misericórdia é santa etc.
            A santidade do Senhor garante a veracidade de sua Palavra (Sl 89.34-36). É por causa da sua santidade essencial que ele não mente nem é falso no que diz (cf Am 4.2). A santidade é a garantia do cumprimento de sua promessa.
         Assim sendo, todo cristão deve confiar na Palavra de Deus porque ele é santo, ele não pode mentir e consequentemente nem sua palavra pode mentir ou falhar.
           A santidade de Deus revelada em Sua Palavra
          A santidade de Deus pode ser vista em sua lei. Assim o apóstolo diz: “Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.”(Rm 7.12). A lei é Santa porque reflete a natureza santa do Senhor. Por isso o rei Davi escreveu inspirado pelo Espírito Santo: “Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos.” (Sl 19.8). A pureza dos mandamentos é resultado de um Deus que é puro, santo: “Todos os estatutos de Deus são santos e revelam sua natureza (Dt 4.8; Sl 19.10). Mas, podemos dizer que Deus revela a sua santidade nas duas expressões da lei:
          Lei moral (Ex 20) – A finalidade da lei santa não é simplesmente mostrar que os homens são pecadores, mas também leva-los para mais perto da santidade de Deus. Devido ao pecado, a lei causa no homem um desespero.
          Lei Cerimonial – A santidade de Deus é vista na ordem de sacrifícios pelos pecados, mostrando assim o seu ódio ao pecado (cf Hb 1.8-9). A morte dos cordeiros apontava para a natureza santa de um Deus cheio de ira.
       Na redenção –A morte de Cristo na cruz é uma demonstração da aversão de Deus ao pecado (Mt 27.46). Assim Jesus se fez ele próprio maldição por causa dos nossos pecados (cf Gl 3.13; Is 53.10).
        A santidade de Deus e o pecado
        Deus fez o homem para ser santo, mas ele desobedeceu: “Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.” (Ec 7.29).  Mas, em Cristo ele pode viver a santidade que o Senhor o criou pra viver: “agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis”(Cl 1.22) Por Deus ser totalmente santo ele não pode permitir que o homem fique sem penalidade. Deus perdoa o pecador, mas jamais deixa de punir o pecado. Assim sendo, todo pecador vai pagar pelos seus pecados, alguns vão pagar pessoalmente, outros terão um representante que já pagou o preço (Cristo). A santidade de Deus não pode permitir que o pecado fique sem o seu castigo. Chamamos isso de Ira de Deus contra o pecado, e essa ira é totalmente santa. Ao lermos as páginas do Antigo Testamento encontramos vários textos que falam da ira de Deus contra o pecado (ex: Is 5.24-25; 2Rs 17.13,17-18).
        Mesmo que alguns pensem que não, o Novo Testamento nos assegura que Deus ainda responde ao pecado com ira. Isso pode ser visto nas palavras do apóstolo: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado.”(Rm 11.22). O livro de Hebreus diz que Deus é até mais severo hoje do que na época do Antigo Testamento: “Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” (Hb 2.2-3; 10.28-31). A verdade é que a ira de Deus é inseparável de sua santidade. Se Deus aceitasse o pecado, ele não seria o que é, o Deus santo.  
           A santidade em Deus e a santidade nos homens
      Em Deus é uma qualidade essencial; nos homens é uma qualidade adquirida derivada. A santidade de Deus é uma qualidade imutável, porque ela é parte sua essência, não pode ser separada dele.
          Sendo assim, a santidade é uma ordem de Deus para o homem: Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo.” (Lv 19.2). A ideia de santidade aqui é de afastamento do mal, do pecado e se consagrar ao Senhor. A igreja do Senhor precisa entender que a santidade é uma característica essencial da nova aliança em Cristo: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”(cf Hb 12.14; 2Co 7.1). É impossível alguém ter olhos espirituais sem santidade com Deus, ele jamais verá as coisas espirituais, não verá o Senhor jamais se não buscar uma vida santa. A igreja é o santuário de Deus (cf Ef 2.21; 5.26-27). Por isso ela precisa crescer em santidade.
        A santidade de Deus determina o conceito de adoração (Hb 10.22) – O adorador deve se adaptar ao adorado. Como devemos servir a Deus? O autor aos Hebreus responde: “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor.” (Hb 12.28-29) – O termo “sirvamos” pode ser traduzido por “cultuemos”. Portanto, em nosso “serviço” (culto) devemos fazer com temor e tremor.
     A falta de temor a Deus, que se tem caracterizado a presente geração de adoradores, tem produzido uma adoração sem qualquer senso de reverência ao Senhor. Se em nossa adoração não estão presentes a admiração e a reverência, não existe uma verdadeira adoração. E algo muito importante também que devemos destacar é que a santidade nos torna humildes. Pedro viu quem ele era diante da grandeza de Cristo: “..Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador.” (Lc 5.5-8). Quanto mais buscamos a santidade, mas humilde nos tornamos e reconhecemos o nosso estado de miséria longe de Cristo.
         A Santidade de Deus requer de nós obediência  
        Vejamos o caso de Uzá (2Sm 6.1-11) - A arca da aliança havia sido tomada pelos filisteus após a derrota dos judeus. Então Davi, após derrotar os filisteus, buscou a arca da aliança a fim de levá-la para a sua cidade. A arca foi colocada num carro puxado por uma junta de bois, o que era proibido pela lei, já que a arca só poderia ser transportada pelos levitas que a conduziriam por varais de acácia revestidos por ouro e enfiados nas quatro argolas de ouro colocadas nos seus lados (cf Ex 25.10-16). Aqui temos o primeiro erro, ou desobediência. Então, quando os bois tropeçaram, a arca pendeu, como se fosse cair, e Uzá tocou-a, tentando evitar que fosse ao chão. Naquele mesmo instante, a ira de Deus se acendeu contra ele, "e Deus o feriu ali por sua imprudência; e morreu ali junto à arca de Deus" (v. 7). Mas por que Deus fez isso com Uzá? Afinal ele teve boas intenções; não querendo que a arca caísse. Mas quando entendemos o que significa a santidade divina, compreendemos que qualquer desobediência é um ataque direto a Deus.  A punição não foi apenas pelo fato de Uzá ter tocado na arca, mas também pela maneira irregular que todos estavam conduzindo-a (Nm 4.15).
       Ananias e Safira e a santidade de Deus (At 5.1-11) - Os últimos versos do capítulo 4 (vv. 32-37) descrevem como viviam os cristãos. Havia comunhão, amor, suporte mútuo. Os cristãos praticavam a solidariedade e generosidade. Em 4.34 diz que “Não havia nenhum necessitado entre eles, porquanto os que possuíam casas ou terras, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos...”. E vemos que Barnabé vendeu sua propriedade e entregou o dinheiro para a igreja (4.36-37). É exatamente aqui que entra o casal Ananias e Safira. E qual foi o erro deste casal? O erro não foi ter dado todo o dinheiro. Não havia qualquer exigência da entrega de todo o montante da venda (cf v.5). O erro estava na hipocrisia e mentira. Eles não eram avarentos; eram mentirosos. A motivação do casal, ao dar, não era aliviar os pobres, mas alimentar o próprio ego. Na verdade, eles tinham mentido a Deus (v.3). Com essa atitude, o testemunho da igreja estava em risco (ex: Nadabe e Abiú cf: Lv. 10.1-2). Vemos no pecado de Ananias e Safira a influência do diabo que não queria ver a santidade da igreja de Cristo (cf At 5.3). No entanto, eles eram responsáveis por suas atitudes diante de Deus.
        A igreja de Corinto e a santidade de Deus (1 Co 11.28-31) – A igreja de corinto estava vivendo, nos tempos de Paulo, em muitos erros que ameaçavam quebrar a unidade dessa igreja. Paulo diz: “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.”(v.30). Devemos tomar cuidado para não interpretarmos de forma errônea esse verso e defendermos que Deus pune os crentes com doenças e morte, se eles, apesar das falhas espirituais, participarem da Ceia. Quando olharmos para o contexto, o problema da igreja de Corinto era muito mais específico. Ela estava, no geral, perdendo sua unidade. E para a conclusão sobre a Ceia, Paulo aponta para os efeitos dos abusos desta igreja: “fracos e doentes e muitos morreram”(v.30). A forma que estavam se apresentando diante da Mesa do Senhor era resultado de uma vida sem santificação. Alguns de Corinto estavam celebrando a Ceia de uma maneira que destruía a unidade que ela representa. E o juízo de Deus tinha começado, a vara da correção tinha se estendido para alguns. O propósito de Deus julgar aquela igreja era para que aqueles crentes não fossem “condenados com o mundo”(v.32). Deus queria obediência, santificação.
      O que há em comum nessas três passagens bíblicas? Em todos os textos lidos vemos o pouco caso do homem em relação a grande santidade de Deus. Aquilo que Deus santificou é santo e o homem deve tomar cuidado ao se aproximar dessas coisas santas. Não podemos brincar com coisas espirituais e muito menos com Deus. O Senhor quer que nós sejamos santos como ele é santo (cf Lv 20.7).        
     Conclusão: Deus é santo e sua santidade é imutável. Nós só alcançamos santidade porque o Senhor nos santifica.  A criação de Deus é santa, a sua lei e suas promessas são santas. A obra de Cristo é fruto de um Deus santo que não suporta ver o pecado. Essa santidade rege a nossa vida, ela nos dá um parâmetro para seguir. Devemos ser santos porque Deus é santo. Todas as coisas separadas para Deus é de uso exclusivo dele e são santas. Dessa forma entendemos que somos santos, pois fomos escolhidos por Deus para o seu uso: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).  Somos salvos por Deus que é santo, assim precisamos de santidade para servi-lo.                             

Por  Rev. Ronaldo P Mendes