sexta-feira, 3 de julho de 2015

ANTIGO E NOVO TESTAMENTO UMA UNIDADE NA GRAÇA DE DEUS


A falta de uma boa hermenêutica bíblica e assim uma boa compreensão na teologia da Aliança tem feito muitos cristãos ignorarem a unidade da Bíblia. E outros pensam que quando se trata do Antigo Testamento a mensagem é de um “Deus irado” contra um povo rebelde, os pecados dos reis de Israel, o Cativeiro Babilônico, etc. É óbvio que estes assuntos são registrados, mas qual de fato é da mensagem do AT? A graça de Deus em Cristo! E essa graça permeia todo o Antigo e Novo Testamento. Não podemos ler ou pregar o AT sem dar total ênfase na Graça Maravilhosa de Deus!
Não queremos com esse estudo fazer uma lista pormenorizada da aliança de Deus com todos os personagens bíblicos, mas dar uma visão geral para mostrar que há uma unidade. Ou seja, a aliança da Salvação é uma só que o Senhor confirma no decurso da história do povo de Deus. A graça de Deus se manifesta em cada página, em cada verso da Bíblia.  
O Antigo Testamento e a Graça Salvadora
Pentateuco
A primeira manifestação dessa graça está em Gênesis. Após a Queda do homem, por desobedecer a Deus (Gn 3), o Senhor se revela em misericórdia: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (v.15). Apenas com esse versículo e com uma compreensão contextual é possível anunciar a mensagem graciosa de Deus em salvar pecadores. Gerard Van Groningen, escritor de livros como “Família da Aliança”, “Criação e consumação”, “Revelação Messiânica no AT”, chama essa manifestação da graça de Deus em Gênesis de “Proto-Evangelho”(cf Revelação Messiânica Pg.106). Assim temos em Gênesis 3.15 o primeiro relato da obra da Redenção, a graça de Deus em Cristo. A semente da mulher pisaria a cabeça da serpente, mas essa serpente feriria o seu calcanhar.  Isso no leva a compreender que a Redenção tem um preço: o sofrimento do Messias (cf Is 53.12).
Em Gênesis 4 encontramos Caim e Abel e assim, o primeiro homicídio. Então podemos perceber uma semente boa e uma semente má sobre a terra. Caim mata seu irmão Abel (semente santa). Com a morte de Abel, quem viria? Quem daria continuidade a promessa de Deus. Aí aparece em cena Sete (cf Gn 4.25), este continuaria a descendência de Abel. 
Quando lemos Gênesis 6, percebemos que há duas descendências a de Sete (filhos de Deus) e de Caim (filhas dos homens). E por causa da união entre eles, Deus traz o dilúvio (Gn 6.1-22). Porém Noé “… achou graça diante do SENHOR.”(v.8). E com Noé e sua casa, Deus reafirma a promessa de Gênesis 3.15. E essa promessa continua sobre o filho de Noé, Sem (cf Gn 9.26). Após uma grande geração (Gn 11.10-31), vemos que da descendência de Sem (filho de Noé) temos Abraão (Gn 11.26). E a Abraão Deus disse: “... Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome...”(Gn 12.1-2). E Deus continuou confirmando sua aliança em Gênesis com Isaque (Gn 21) e seu filho Jacó (Gn 27 – 28), José (Gn 37). Em toda linhagem manifesta-se a graça de Deus. O Senhor preservou a linhagem santa até José no Egito.
Moisés e a graça salvadora no Egito (Êxodo). O Senhor confirma a sua promessa a Moisés: “... Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento... Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito.”(Êx 3.7,10). Mais uma vez a confirmação da aliança de Gênesis 3.15, uma nação onde viria a semente da mulher.
                Livros históricos
Não vou citar nesse estudo todos os personagens bíblicos com os quais o Senhor confirmou sua promessa de Salvação, mas apenas alguns. Depois da morte de Moisés, Deus disse ao seu sucessor Josué: “Moisés, meu servo, é morto; dispõe-te, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés.”(Js 1.2-3). Deus reafirma essa mesma promessa com Josué (Js 1.7-9). No livro de Juízes destacamos Gideão (Jz 6.11-13). Deus usou para livrar o Seu povo dos inimigos (reafirmando a aliança). O povo não poderia ser destruído, pois dele viria a semente da mulher que pisaria a cabeça da serpente (cf Gn 3.15). 
Mas a graça de Deus se estende até Rute  (cf Rute 4). De Rute com Boaz veio Obede e dele Jessé. E de Jessé, o seu filho Davi. Mas uma vez a graça salvadora de Deus se manifesta.A Davi Deus confirma sua aliança constituindo-o como rei de Israel (2Samuel 5). Aliança que também foi reafirmada com o seu filho Salomão (cf 1Reis 9.1-9). Roboão, filho de Salmão, e sucessor do seu trono, trouxe divisão no Reino (cf 1Reis 12). Reino do Norte Israel e Reino do Sul Judá. Mas ainda assim Deus continua Sua Graça. Entre os reis de Israel e de Judá, muitos andaram conforme a aliança de Deus (ex: Josias que fez uma reforma da adoração a Deus – 640-609 a.C.) , outros não. Assim, o Senhor disciplina o Seu povo levando-o para o cativeiro assírio e babilônico. Isso aconteceu pois: “…os filhos de Israel pecaram contra o SENHOR, seu Deus, que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mão de Faraó, rei do Egito; e temeram a outros deuses. Andaram nos estatutos das nações que o SENHOR lançara de diante dos filhos de Israel e nos costumes estabelecidos pelos reis de Israel.”(2Rs 17.7-8).

Alguns veem nos exílios de Israel e Judá, uma forma severa de Deus tratar seu povo. Mas quando estudamos sobre Aliança de Deus, vemos que tudo isso é amor. Pois o “Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.”(Hb 12.6). Se Deus não tivesse disciplinado o Seu povo, a nação teria desaparecido. E onde estaria a promessa de Gênesis 3.15? Isto foi com certeza uma grande manifestação da graça do Senhor. 
Esdras e Neemias – Ao ler estes livros você verá claramente o poder gracioso do Pai em reestabelecer o Seu povo na terra prometida. Deus levanta esses homens para encorajar os judeus que haviam retornado do exílio. Embora Israel estivesse sob domínio persa, o Senhor estava dando prosseguimento a Sua promessa (Gn 3.15). O plano redentivo de Deus seria concluído. Deus restabeleceria novamente o culto verdadeiro no meio do Seu povo.
Ester e a graça salvadora de Deus – A história do livro de Ester acontece no tempo do império persa, quando Israel se encontrava no cativeiro babilônico. Embora o livro não faça menção clara sobre Deus, vemos a Sua graça e  proteção em todos os capítulos: “Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento…”(Et 4.14). Deus está sempre presente ali no meio do Seu povo. O Senhor defendeu o Seu povo por meio da Rainha Ester.
Livros Poéticos –Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos – Nesses livros vemos a graça de Deus se revelando em cada verso. Jó ao deparar com sua vida declara: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra.”(Jó 19.25). Davi, também declara na sua poesia: “Disse o SENHOR ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.”(Sl 110.1). Em Eclesiastes e Provérbios, Salomão descreve essa graça maravilhosa como sabedoria que vem de Deus. Eclesiastes oferece ao cristão a oportunidade de compreender o vazio e o desespero com os quais aqueles que não conhecem a Deus têm que lidar. Aqueles que não têm uma fé salvadora em Cristo se deparam com uma vida que no fim das contas vai acabar e tornar-se irrelevante. E Cânticos ou Cantares, não se refere a Cristo, como alguns defendem, mas ao amor entre um homem e uma mulher. Como posso ligar Gênesis 3.15 com Cantares? Deus preservou a união marido e mulher, apesar do pecado, e isso é graça. E Paulo lança luz dizendo: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”(Ef 5.25). Só pela graça de Deus, Cristo, podemos ter esse amor de Cantares!
Livros proféticos
A aliança da Salvação e os profetas – É claro que os profetas profetizaram no período dos reis de Israel e Judá. Elias e Eliseu (850 a.C) que não viram o cativeiro, mas anunciaram a graça de Deus através de suas vidas, proclamavam que o Deus de Israel eram o único Deus. Os profetas foram boca de Deus antes, durante e depois do cativeiro e anunciaram tanto o juízo, quanto a graça salvadora do Senhor.
Profetas pré-exílio -  Traziam uma mensagem de condenação do pecado do povo e advertência, mostrando que o julgamento de Deus estaria próximo.
Reino do Norte (Israel)  - Amós e Oséias – Eles depararam com uma realidade de pecado muito mais complicada do que os do reino do sul. O povo havia se misturado com todo tipo de idolatria e apostasia. Sua capital, Samaria, era uma cidade envolvida em toda sorte de pecado. Por isso os samaritanos eram tão desprezados pelos religiosos da época de Jesus.
Reino do Sul (Judá)– Isaías, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias,Obadias, Jeremias (585 a.C) – Os profetas do reino do sul também tinham uma atividade voltada para a condenação do pecado, muitas vezes fazendo referência a destruição do reino do Norte como exemplo da justiça de Deus. Alguns desses profetas continuaram sua atividade profética no exílio. Como os profetas do reino do Norte, eles também denunciam as injustiças. Confirmando a Sua Aliança, o Senhor diz por meio de Isaías: “… eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel.”(Is 7.14). Mas uma vez vemos a graça de Deus se manifestar em meio a um povo desobediente.
Profetas Exílicos (586-500) – Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel – Eles exerceram sua atividade no exílio babilônico. Trazem uma mensagem de esperança, consolo e convite ao arrependimento. O povo que estava no exílio não poderia desanimar e deixar de crer na provisão de Deus.

Deus não tinha se esquecido do Seu povo (cf Isaías 49.14,15). O Senhor mantém firme sua promessa de Salvação. Isaías é colocado aqui porque  Israel caiu durante o seu ministério. Assim o Senhor fala por meio de Jeremias: “Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR.”(Jr 31.31-32). Aqui mais uma vez o Senhor está reafirmando a Sua aliança, que é claro cumpre-se em Cristo (cf Lc 22.20). O Senhor liberta o povo o leva para sua terra (cf Neemias e Esdras), como prova de Sua graça.
Profetas pós-exílicos– Ageu, Zacarias, MalaquiasEles exerceram o ministério depois do exílio babilônico 500-400 a.C. A mensagem destes profetas era pedagógica, ensinando o povo a andar nos caminhos de Deus observando os erros cometidos pelos pais no passado. Através de Zacarias Deus diz: “O SENHOR, seu Deus, naquele dia, os salvará, como ao rebanho do seu povo; porque eles são pedras de uma coroa e resplandecem na terra dele.”(Zc 9.16).
Joel e Jonas  -  É difícil sabermos a data exata do livro de Joel, pois o texto não contém indicações claras quanto a isso. Sendo difícil classifica-lo entre os profetas do exílio. Mas nele encontramos a promessa do Senhor: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar.”(Joel 2.32 cf Atos 2.21; Rm 10.13). E o livro de Jonas, embora seja difícil datarmos com certeza seus acontecimentos (possivelmente na prosperidade do Reino do Norte, no reinado de Jeroboão II – 793-753 a.C), também traz mensagem da Graça de Deus. O livro é uma história da misericórdia e amor Deus. Jonas narra o que define a graça de Deus: “favor imerecido”. Nínive  não merecia, mas Deus derramou Sua graça. 
O Novo Testamento e Graça Salvadora
Evangelhos - Como foi abordado o AT tem uma linha reta no plano de Salvação. Deus, por Sua graça e misericórdia, promete salvação no Seu Filho (cf Gn 3.15). E cada livro do AT, em cada história da nação de Israel, vemos essa promessa reafirmada. Ao olhamos as paginas do Novo Testamento, percebemos como o Senhor é fiel às Suas promessas: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.”(Mt 1.1). A Davi Deus promete que no seu trono nunca iria faltar um sucessor. Para Abraão Deus promete um descendente.  E essa unidade da Palavra de Deus é claramente descrita por Jesus, conforme o relato de Lucas: “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.”(Lc 24.27). Jesus está em todas as páginas do AT. A Aliança de Salvação é uma só e Deus foi reafirmando no decorrer da história do Seu povo. Os quatro Evangelhos, cada um com sua característica própria mostra que Cristo é o Messias. João diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”(Jo 1.1). Cristo é Deus, portanto, Emanuel.
Atos -  O livro de Atos faz total conexão com profecias sobre o Messias. Podemos ver isso, por exemplo, no sermão de Pedro: “Disse, na verdade, Moisés: O Senhor Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser.”(At 3.22).  No capítulo 15, quando Tiago, o irmão do Senhor (cf Mt 13.55), se levanta para deixar seu parecer diante do que estava acontecendo, a controvérsia entre judeus e gentios convertidos, ele faz total ligação e harmonia entre os profetas (cf At 15.12-21). A promessa a Abraão estava se cumprindo. A graça de Deus estava alcançando nações.
Cartas (epístolas)
A salvação pela graça de Deus e não por obras da lei: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.”(Ef 2.8-9). Essa salvação prometida e cumprida é totalmente dom do Senhor, graça!  Aos Gálatas o apóstolo declara: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.”(Gl 4.4-5). Por que a lei de Deus nos condenava? Pelos pecados de nossos pais (Gn 3). Mas Cristo veio como promessa cumprida. Veja o que diz: “nascido de mulher”, ou seja, a semente da mulher que pisaria a cabeça da serpente (cf Gn 3.15).
O autor aos Hebreus mostra que Cristo é o cumprimento final da promessa no AT. Ele é superior a tudo; a Anjos, a Moisés, e aos sacerdotes. No início da Epístola o autor diz: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.”(Hb 1.1-4). Ele é o Messias prometido que cumpriu todas as profecias a Seu respeito no AT. 
Tiago também faz várias referências ao AT. Nos 108 versículos de Tiago, existem referências ou alusões a 22 livros do Antigo Testamento e 15 alusões aos ensinos de Cristo como se encontram no Sermão do Monte. Paulo afirma que somos salvos por meio da graça de Deus (Ef 2.8), e através do ensino de Tiago entendemos que os que são salvos pela graça de Deus precisam de “obras” (não da lei) para evidenciar a sua fé, pois uma fé firmada no Cristo prometido gera frutos (cf Tg 2.14-18). Percebemos através do estudo na epístola que a graça de Deus não isenta nossa responsabilidade cristã.
Nas epístolas de Pedro temos o encorajamento para os cristãos perseguidos (cf 1Pe 5.12) e cristãos que estavam sendo ameaçados pelo falso ensino (2Pe 2.1). Eles deveriam continuar firmes na fé. O apóstolo, como Paulo também faz, traz esperança apontando para cumprimento final na salvação pela graça: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.”(1Pe 1.3-5). A salvação prometida em Gênesis 3.15, cumpriu na vinda do Messias, mas o seu cumprimento final será na sua segunda vinda.
Epístolas de João - Estas também contribuem para confortar e exortar aquele que foi alcançado pela graça de Deus e ajudá-lo a manter-se firme no Senhor (2Jo 5). No Antigo Testamento, Deus cuidava do seu povo com amor, consolando e disciplinando, no Novo Testamento não é diferente. Deus conforta e reprende o seu povo (cf 1Jo 1.7-10) para que ele se mantenha puro até a volta de Jesus.

Judas havia preparado para escrever uma epístola sobre a salvação (Jd 3), mas com a chegada de falsos mestres, ele exorta os leitores para que lutassem pela fé, vivendo de modo consagrado a Deus. Estes falsos mestres tinham um objetivo, deturpar a graça do Senhor: “Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.”(Jd 4). Conforme Judas, o povo de Deus precisa lutar pela fé que lhe foi confiada. Viver na graça do Senhor é viver em oração e encorajar outros a manterem-se firmes.
Apocalipse
Em apocalipse vemos a declaração de Jesus: “Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.”(Ap 1.8). O princípio e o fim. Cristo é o cumprimento da Promessa. Ele ajuntará todos os povos como o Senhor prometeu aos Seus servos no AT: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: 
Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.”(Ap 7.9-10). Apocalipse nos traz o cumprimento final da Promessa de Gênesis 3.15. O pecado de Adão no Éden trouxe a morte, mas Jesus declara: “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade…”(Ap 20.6). Condenação eterna não faz parte daqueles que foram alcançados pela graça de Deus. Eles vão viver com Cristo no “Novo céu e nova terra” (Ap. 21; cf Is 65.17). A graça salvadora de Deus nos dará uma terra nova onde reina a justiça (cf 2Pe 3.13). Assim precisamos aguardar com fé nas promessas de Deus que não falharam até hoje e  não falharão jamais.
Algumas profecias Messiânicas cumpridas no NT
O Messias nasceria da "semente de uma mulher" (Gn 3:15a - Lc 1.34-35)
O Messias seria descendente de Davi (II Sm 7.12-13 -  Mt 1.1)
O Messias receberia autoridade sobre todos (Sl 2.8b; Mt 28.18)
Israel teria um coração endurecido contra o Messias (Is 6.9-10a  - Jo 12:37-40)
O Messias nasceria em Belém (Mq 5.2a - Mt 2.1-2)
Um mensageiro prepararia o caminho para o Messias (Ml 3.1a - Mt 11.10)

Conclusão: Ao contrário do que afirmam os dispensacionalistas, o Antigo e Novo Testamento são uma unidade. A Aliança de Salvação é uma só que o Senhor confirmou no decorrer da história de Israel. Essa Aliança da Graça de Deus está de Gênesis a Apocalipse. O Senhor promete salvação por Sua graça (Gn 3.15). A iniciativa de salvação não foi um acordo entre Deus e o homem, mas foi o Senhor quem deu a Salvação. Ela é garantida.
 Mas para andar na aliança de Deus é preciso obediência. E sempre que o homem quebrava a aliança, Deus a reafirmava. No entanto, disciplinava o rebelde, como vimos nos cativeiros que passou Israel. Uma prova que a aliança da Salvação é uma e imutável é essa: “Se os seus filhos desprezarem a minha lei e não andarem nos meus juízos, se violarem os meus preceitos e não guardarem os meus mandamentos, então, punirei com vara as suas transgressões e com açoites, a sua iniqüidade. 
Mas jamais retirarei dele a minha bondade, nem desmentirei a minha fidelidade. Não violarei a minha aliança, nem modificarei o que os meus lábios proferiram.”(Sl 89.30-34). A salvação é o plano perfeito de Deus que nenhum homem ou pecado podem frustrar. A Bíblia, Palavra de Deus, é uma unidade perfeita que nos revela a Graça maravilhosa do Senhor.

Por Rev. Ronaldo P Mendes