quinta-feira, 16 de julho de 2015

Apóstolos, Profetas e Evangelistas


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Um dos gloriosos propósitos da ascensão vitoriosa do nosso Salvador ao céu (Ef. 4:8) foi dar à Sua amada igreja homens para ensinar-lhe a verdade de Sua Palavra: "E ele [i.e., Cristo] deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres" (v. 11, ARA).


Esse texto, Efésios 4:11, é usado em muitos círculos pentecostais/carismáticos como prova para o seu contínuo "Ofício Quíntuplo" ou "Ministério Quíntuplo". Isso é um engano, primeiro, no fato desse versículo se referir a quatro, e não a cinco ofícios: Cristo "deu [1] uns como apóstolos, e [2] outros como profetas, e [3] outros como evangelistas, e [4] outros como pastores e mestres" (v. 11). A última frase é crucial nesse contexto. Ele não diz "outros como pastores, e outros como mestres", mas sim "outros como pastores e mestres", indicando que "pastores e mestres" (sendo governados por "outros") referem-se a um ofício, aquele de pastor/mestre. Segundo, três desses quatro ofícios não são permanentes na igreja do Novo Testamento (como veremos).

Consideremos cada um desses quatro ofícios, começando com aquele primeiro listado, o de "apóstolos". Os apóstolos, no sentido técnico na Bíblia, são os onze discípulos (Judas sendo um apóstata), Matias (Atos 1) e Paulo (Atos 9). As qualificações desses homens incluíam ter visto o Cristo ressurreto; ter sido designado diretamente por ele; ter autoridade sobre todas as igrejas (2Co. 11:28); ter terríveis perseguições (1Co. 4:9); e a operação genuína de milagres no serviço do verdadeiro evangelho (2Co. 12:12). O Cristo assunto ao céu deu a esses homens a graça e a autoridade para lançar os fundamentos da igreja do Novo Testamento pelo evangelho de Jesus Cristo e escrever a Escritura canônica (pense nos escritos inspirados de Pedro, João e Paulo).

Essas qualificações excluem qualquer e toda alegação de ser um apóstolo desde a morte do amado João até o retorno triunfante de Cristo no final do mundo – contrário às alegações de Roma que o papa é o sucessor do apóstolo Pedro e as pretensões dos "apóstolos" da Igreja Católica Apostólica de Edward Irving (1792-1834), os mórmons e muitos pentecostais.

Segundo, Efésios 4:11 fala de "profetas". Esses profetas são oficiais extraordinários com dons extraordinários, especialmente no fato de receberem revelação diretamente de Deus. Isso incluía a previsão inerrante de eventos futuros. Assim, o profeta Ágabo predisse a fome nos dias de Cláudio Cesar (Atos 11:28-30) e as prisões e sofrimentos de Paulo em Jerusalém (21:10-11). Nós temos também vários livros canônicos (Mateus, Marcos, Lucas, Tiago e Judas) escritos por profetas inspirados do Novo Testamento. Esses, com os escritos canônicos dos apóstolos, constituem o fundamento da igreja do Novo Testamento (Ef. 2:20).

Terceiro, Efésios 4:11 fala de "evangelistas". Esse nome é especialmente dado em seu sentido técnico a Filipe (Atos 21:8) e Timóteo (2Tm. 4:5). Esses homens, e outros, tais como Tito, serviam como assistentes dos apóstolos. Os evangelistas receberam um chamado extraordinário; Timóteo foi designado ao seu ofício "por profecia" (1Tm. 4:14). Eles exerciam dons extraordinários. Filipe operou milagres em Samaria (Atos 8) e Timóteo recebeu o "dom de Deus" com a imposição de mãos de Paulo (2Tm. 1:6). Nas escrituras do Novo Testamento, vemos evangelistas sendo deixados ou enviados a novas igrejas para edificá-las, como Timóteo em Éfeso (1Tm. 1:3) e Tito na ilha de Creta (Tito 1:5).

Esses três ofícios, embora diferindo um dos outros em vários particulares, têm várias coisas importantes em comum. Primeiro, eles são ofícios extraordinários. Apóstolos, profetas e evangelistas receberam um chamado extraordinário. Apóstolos e evangelistas e (provavelmente alguns) profetas operavam milagres. Apóstolos e profetas (mas aparentemente não os evangelistas) eram inspirados.

Segundo, esses três ofícios envolviam trabalho itinerário, mudando-se de um campo de labor para outro. Isso é particularmente claro com os apóstolos e evangelistas.

Terceiro – e isso é especialmente importante contra o assalto pentecostal –, todos esses três ofícios eram temporários. Os apóstolos e profetas lançaram o fundamento da igreja, e isso foi feito de uma vez por todas (Ef. 2:20). Por meio dos apóstolos e profetas, temos agora a Escritura inspirada, inerrante, suficiente e completa (2Tm. 3:16-17; Ap. 22:18-19). Os evangelistas morreram com o ofício que eles ajudavam, aquele dos apóstolos. Pois de nenhum desses ofícios recebemos regras para a sua continuação ou uma lista de qualificações, diferentemente dos ofícios permanentes de presbítero e diácono (1Tm. 3; Tito 1).

Quarto, os ofícios de apóstolo, profeta e evangelista, como o ofício de pastor/mestre, são ofícios de ensino (Ef. 4:11). Essa é a idéia chave no contexto (vv. 11-16). Isso explica também o porquê os ofícios especiais de presbítero e diácono não são mencionados aqui, pois a ideia chave desses ofícios é governar e administrar as misericórdias de Cristo, respectivamente, e não o ensino (como tal).

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Autor: Rev. Angus Stewart

Fonte: Covenant Reformed News, November 2007, Volume XI, Issue 19.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Via: Monergismo