segunda-feira, 14 de março de 2016

As 2 naturezas no crente - Parte III - Gordon H. Hayhoe

Nicodemos deveria saber, como mestre em Israel, que toda a história de sua nação provou que, apesar de tudo o que Deus havia feito para eles como nação, seus corações endurecidos permaneceram inalterados. No futuro, quando Deus finalmente introduzi-los na bênção, Ele irá tirar "da sua carne o coração de pedra" e dar a eles "um coração de carne" (Ez 11.19). Então nascerá a nação "de uma só vez" (Is 66.8). Quando Nicodemos perguntou "Como pode ser isso?" (Jo 3.9), o Senhor lhe mostrou duas coisas importantes. Primeiro Ele falou da glória da Sua Pessoa pois, ao mesmo tempo em que falava com Nicodemos, Ele estava também no céu, conforme diz: "Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu" (Jo 3.13). Ele é Deus tanto quanto Homem, e o valor da Sua obra está na glória da Sua Pessoa. É por Ele ser Deus que pode ser nosso Salvador (Is 43.10,11). Em seguida Ele falou da Sua obra na cruz como o Filho do Homem sendo levantado ali para os pecadores. Fora dessas duas coisas não há bênção para o homem caído, e foi por essa razão que o Senhor proferiu em seguida aquelas benditas e maravilhosas palavras: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16).

Vemos então como o Senhor estava apresentando a Nicodemos a necessidade de ser nascido de novo, a necessidade de receber uma nova vida, e também mostrando a ele que a velha natureza não pode ser aperfeiçoada. Aquela velha natureza é chamada de "velho homem". Em Efésios 4.21-24 vemos que "se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito do vosso sentido; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade". Também em Colossenses 3.3,4 encontramos: "Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória". E ainda em 1 João 3.9, "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus". No capítulo 3 de João vimos a necessidade do novo nascimento, e aqui nestas passagens vemos o que Deus diz a respeito do velho homem e do novo homem.

Qual é a conseqüência de alguém ser nascido de Deus? Bem, após você haver colocado sua confiança no Senhor Jesus Cristo, seu corpo torna-se como uma casa com dois inquilinos. Antes disso você tinha só uma natureza, a natureza caída com a qual nascemos neste mundo. Mas o Senhor Jesus disse que a menos que venhamos a nascer de novo não poderemos entrar no reino de Deus. Portanto, quando depositamos nossa confiança nEle, Ele nos dá uma nova vida, e essa vida, conforme podemos aprender daqueles versículos que acabamos de citar, é criada "em verdadeira justiça e santidade." Trata-se da vida de Cristo e essa não pode pecar. Quão maravilhoso é isto! Não significa que o velho homem foi aperfeiçoado, pois ele ainda "se corrompe pelas concupiscências do engano",conforme acabamos de ler. O velho homem sempre age do mesmo modo pois "o que é nascido da carne é carne" (Jo 3.6), e mais uma vez o Senhor volta a dizer:"O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita" (Jo 6.63). Podemos ver que se o velho homem (o velho inquilino) detém o domínio em nosso corpo, então pecamos. O fato de Deus prover sempre o suficiente para sermos restaurados não é desculpa para pecarmos. Deus cuida de nós em todos os aspectos, tanto no que diz respeito aos nossos pecados quanto naquilo que se refere à natureza que os produz, e Seu desejo é que conheçamos e desfrutemos de Sua graciosa provisão. [continua]