segunda-feira, 14 de março de 2016

As 2 naturezas no crente - Parte IV - Gordon H. Hayhoe

Em Romanos 6 nos é mostrado o que Deus fez com nossa velha natureza, chamada algumas vezes de carne, velho homem e pecado ou pecado na carne. No versículo 6 somos informados que "nosso velho homem foi com ele crucificado... para que não sirvamos mais ao pecado". O pecado é a raiz, e os pecados são os frutos, assim como uma macieira e as frutas que ela produz. A natureza da macieira é produzir maçãs. Você pode colher todas as suas maçãs, mas no próximo ano ela produzirá maçãs novamente. O Senhor Jesus levou "ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro" (1 Pd 2.24). Mas era necessário que Ele fizesse algo a respeito daquele velho homem que me fazia pecar. Aqui encontramos o que Ele fez, ou seja, "nosso velho homem foi com ele crucificado" e assim vemos que encontrou o seu fim diante dEle em Sua morte. O batismo é uma figura disto, conforme é dito: "sepultados com Ele pelo batismo na morte" (Rm 6.4). O velho homem está condenado (Rm 8.3), crucificado (Rm 6.6) e sepultado (Rm 6.4). Na cruz do Calvário o Senhor Jesus não somente levou meus pecados, mas Sua morte foi o fim de minha posição diante dEle como um filho de Adão. Deus não vê mais o crente como um filho do caído Adão, pois morremos para aquela posição e entramos em uma nova posição diante dEle pela ressurreição do Senhor Jesus (Rm 6.9-11).

Talvez pudéssemos ilustrar esta nova posição com uma mudança de cidadania. Por ser um cidadão deste país, se você quiser cruzar a fronteira e passar para outro país, terá que declarar sua cidadania, ou seja, seu país de origem. Mas se antes disso você mudar sua cidadania, sendo aceito e naturalizado como um cidadão do outro país para o qual pretende viajar, sua passagem pela fronteira terá um caráter completamente diferente. Aos olhos do oficial da fronteira você estará em uma posição totalmente nova. Para ele você não existirá mais na sua antiga posição de cidadão deste país, pois se encontra e permanece agora em uma nova posição. Assim também Deus o vê agora em uma posição diferente desde o momento em que você nasceu de novo e entrou para a família de Deus. Ainda que você carregue o velho homem dentro de si, estando agora com "dois inquilinos" em seu corpo, Deus o vê apenas em sua nova posição, aquela que você ocupa perante Ele. Ele o vê como uma pessoa que morreu para sua velha posição e é agora "nova criatura" em Cristo (2 Co 5.17).

Deus nos apresenta o lado prático disto nos versículos que se seguem. Temos que nos considerar mortos para o pecado, mas vivos para Deus (Rm 6.11). Antes de sermos salvos, nossas mãos faziam aquilo que nossa velha natureza desejava fazer, e nossos olhos contemplavam todas as coisas que nossa natureza caída, o velho homem, queria ver, pois nossos corpos estavam sob o controle daquele velho homem. Agora Deus dá ao crente uma nova vida, o novo homem que deseja agradá-Lo, e Ele nos diz: "Considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus" (Rm 6.11). Agora, quando a tentação nos assedia, podemos dizer: - Não! Estamos mortos para aquelas coisas que a velha natureza deseja praticar. Podemos ceder nossos membros para executarem aquilo que o novo homem deseja fazer, coisas que são agradáveis ao Senhor. Permita-me dizer aqui que se você não tem nenhum desejo de agradar ao Senhor você ainda não é um crente, pois se você é nascido de novo então possui em si mesmo a própria vida de Cristo.

"Ah!" - você exclama - "Mas às vezes sinto o desejo de fazer aquilo que é errado!" Isto não significa que sua nova vida deseje fazer o que é errado; o que ocorre é que você está permitindo que o velho homem (o velho inquilino) permaneça em atividade. Deus diz: "Considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6.11). O velho homem não detém mais o direito sobre o corpo. Deus afirma que estamos mortos para o pecado, e por isso lemos em 2 Co 4.10: "Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos". Muitos cristãos têm dúvidas acerca de sua salvação por não terem sido "ensinados, como está a verdade em Jesus" (Ef 4.21). Ficam surpresos quando percebem que, após terem sido salvos, continuam a desejar aquilo que é errado. E então Satanás lhes diz: - Talvez você não esteja salvo pois alguns de seus antigos desejos permanecem em você... Mas acaso o Senhor não disse, em João 3.6, que "o que é nascido da carne é carne"? O próprio apóstolo Paulo teve que reconhecer que "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum" (Rm 7.18). Mesmo após ter estado salvo por tantos anos ele continuava a possuir aquela natureza caída dentro de si.

No capítulo 7 de Romanos a questão deste conflito é tratada de uma maneira prática. A pessoa que é apresentada naquele capítulo está buscando conseguir libertação debaixo da lei. Já se encontra nascido de novo, possuindo assim uma nova vida, mas não está desfrutando de sua nova posição. O Espírito de Deus traz o assunto à tona para nos revelar o caminho de libertação da lei e do velho homem. Por todo o capítulo, até o versículo 18, essa pessoa está chamando o velho homem de "eu" e em outra parte chama o novo homem de "eu". É por isso que se encontra em tal conflito, pois está pensando que os "dois inquilinos" têm os mesmos direitos; mas eles não têm! O velho homem deve ser considerado morto. O novo homem é o único inquilino genuíno, com o direito de dizer o que deve ser feito no corpo, e este novo homem é a vida de Cristo. [continua]