sexta-feira, 10 de junho de 2016

A impossibilidade do conhecimento no ateísmo


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No decorrer dos séculos, várias visões de mundo alternativas à cristã tem surgido. Uma delas, que é a principal cosmovisão concorrente do cristianismo na atualidade, que é o naturalismo, tem sofrido grandes ataques dos filósofos cristãos.

Naturalismo, basicamente, é a visão de que a natureza é tudo o que existe. O universo é um sistema fechado de coisas, isto é, não existe nada além da natureza.

De acordo com eles, portanto, tudo pode ser explicado em última análise, em termos de entidades físicas em conjunto com as leis naturais que descrevem seu comportamento. Isso se aplica até mesmo a fenômenos mentais, que devem ser ou reduzidos a física ou eliminados. Consequentemente, não existem seres sobrenaturais ou não-naturais, como almas, fantasmas, anjos e o mais importante, Deus.

Naturalismo é assim aceito por grande parte dos filósofos e cientistas do Ocidente hoje. Os defensores do naturalismo são conhecidos por terem uma visão de mundo racional, no sentido de ser uma visão que exclui toda superstição religiosa.

Porém, eu vou argumentar aqui de modo que seja evidente que o naturalismo exclui a possibilidade de conhecimento por completo. Ironicamente, a cosmovisão antiteísta que mais é aceita como racional acaba sendo um dos piores inimigos da razão.

A minha reivindicação é que o conhecimento pressupõe a existência de Deus; portanto, uma vez que sabemos, pelo menos, algumas coisas, segue-se que Deus deve existir. Conhecimento, segundo a definição tradicional na filosofia, é crença verdadeira justificada.

A crença envolve o aspecto subjetivo. A verdade envolve o aspecto situacional, sendo verdade o que corresponde com a realidade. E a justificação envolve o aspecto normativo. Iremos esclarecer eles e demonstrar como o naturalismo não consegue preencher os requisitos necessários para se ter conhecimento.

O aspecto normativo do conhecimento é algo necessário para a justificação. Intuitivamente falando, uma crença DEVE ser formada ou mantida no caminho certo, a fim de ser justificada. Ela refere-se a como crenças DEVEM ser formadas, ao invés de COMO as crenças são formadas.

Não é uma noção descritiva, mas prescritiva. Isso implica que existem normas epistêmicas que determinam se a crença em algo é realmente conhecimento. Os conceitos normativos opõem-se aos descritivos no sentido em que, em vez de descreverem como as coisas são, dizem-nos como estas deveriam ser. Neste sentido, pode-se entender o conceito de justificação epistêmica em paralelo com os de bem e mal. Podemos dizer que a pessoa tem boas ou más razões para manter determinada crença.

O fato que existe tal coisa como a normatividade epistêmica coloca problemas sérios para o naturalismo metafísico. Em primeiro lugar, não há espaço dentro do naturalismo pra qualquer normatividade irredutível.

De acordo com o naturalismo metafísico, todos os fenômenos são, em última análise, explicável em termos científicos, mas a ciência é uma disciplina puramente descritiva. A ciência descreve, em vez de prescrever. Ela nos diz como as coisas são, como uma questão de fato empírico; não tem nada a nos dizer sobre como as coisas deveriam ser.

Alvin Plantinga escreveu: “O calcanhar de Aquiles do naturalismo é que ele não tem espaço para normatividade. Não há espaço para certo ou errado, bom ou ruim.” Assim podemos fazer o seguinte silogismo:
  1. A justificação, que é um pré-requisito para o conhecimento, é normativa;
  2. Não há normatividade num mundo naturalista;
  3. Logo, no naturalismo o conhecimento é impossível.

Vamos pensar no aspecto situacional, que nos leva a pensar na verdade de como o mundo é. O argumento que se segue, ao contrário do anterior que é uma redução ao absurdo do naturalismo, é transcendental no sentido filosófico.


Ou seja, busca as condições de possibilidade para a verdade ser tal coisa como a verdade. E o Todo-Condicionar que possibilita a verdade ser verdade é Deus. Pois a verdade existe. Sua negação acarreta numa auto-contradição, visto que para afirmar a inexistência da verdade, tem de alcançar alguma verdade.

A verdade também é imutável. Porque se ela mudasse, é possível que ela mude até que seja imutável. A verdade é eterna. Sua negação é uma auto-negação, visto que haveria a verdade eterna de que ela não é eterna. A verdade também é necessária.

Em termos de lógica modal, a verdade existe em todos os mundos possíveis. A verdade também é mental. Elas não são físicas por serem proposições. Você não vê a verdade andando por aí. A verdade é superior a mente humana, pois se os homens ou até mesmo o universo deixasse de existir, ainda haverá a verdade de que não há mentes humanas e nem o universo. Logo, a verdade existe na mente imutável, eterna e necessária de Deus.

Finalmente, iremos considerar a perspectiva existencial do conhecimento, que nos convida a refletir sobre o sujeito do conhecimento na formação das suas crenças. O naturalismo filosófico evolucionista é a crença que o mundo natural é tudo o que existe e humanos vieram a existir por um acidente através do trabalho cego da matéria.

Nós teríamos evoluído por acidente, de animais inferiores, passando traços e crenças que nos ajudariam a sobreviver. E isso inclui a química do cérebro e como ela funciona.

O cérebro evoluído do ser humano teria vindo apenas como uma forma de ajudar o organismo na sobrevivência. Então, se o naturalismo é verdadeiro, tudo o que o cérebro faz é para a sobrevivência, o que deve necessariamente incluir todas as crenças e pensamentos que ele tem.

O que iria ocasionar no fato de que todas as crenças que pensamos ser verdadeiras são apenas formadas no cérebro para nos ajudar a sobreviver. Mas consequentemente, isso inclui a crença no naturalismo. Então, se crermos que o naturalismo é verdadeiro, então também teremos de acreditar que, crer que o naturalismo é verdadeiro foi por causa do meu cérebro que decidiu que essa crença é benéfica para a sobrevivência, não porque seja verdadeira.

Plantinga apontou que o naturalismo filosófico cai em um ciclo auto-refutável: Se eu creio que o naturalismo seja verdadeiro > então eu devo acreditar que sou apenas um produto do naturalismo evolucionista > portanto, minhas crenças são programas em mim para me ajudar a sobreviver > incluindo minha crença de que o naturalismo seja verdadeiro.

De acordo com Charles Darwin, a probabilidade de nossas faculdades cognitivas serem confiáveis é muito baixa. Ele escreveu: “Em mim sempre nasce a horrível dúvida se as convicções da mente humana, a qual desenvolveu-se a partir da mente dos animais inferiores, têm qualquer valor ou são confiáveis. Confiaria alguém nas convicções da mente de um macaco, se houvesse alguma naquela mente?”

Logo, a crença no naturalismo refuta a si mesma. A verdade seria impossível de se obter. Se a razão não é baseada na razão, mas em processos físicos cegos, então a própria razão está perdida. Mas na cosmovisão cristã não enfrentamos esse problema. Pois não acreditamos que propriedades mentais da consciência e da razão não podem ser redutíveis a processo físicos. Crer que essas coisas são redutíveis, cria mais problemas do que alguns podem pensar ou imaginar, como vimos aqui.

É evidente como o ateísmo em sua forma mais pura acarreta na impossibilidade do conhecimento, seja para satisfazer a perspectiva normativa, situacional ou existencial, que corresponderia a justificação, factividade e a crença. Portanto, se sabemos algo; o naturalismo é falso e Deus existe. Pois “o temor do Senhor é o principio do conhecimento.” (Prov 1:7)

Quer saber em mais detalhes? Assista a aula deste vídeo:


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Autor: Gabriel Reis
Fonte: Gospel Prime