domingo, 4 de outubro de 2015

A TENTAÇÃO NA VIDA DO CRENTE


 Marcos 14.37-38
Cremos que encontramos no texto base deste estudo uma das mais ricas e necessárias exortações feitas pelo Senhor Jesus ao Seu povo. Lidar com o pecado e com aquilo que nos leva a ele, tem sido o grande desafio de cada crente ao longo de todos esses séculos. Os próprios discípulos de Jesus lidaram com isso e não é diferente conosco. Naqueles momentos de agonia que antecederam sua crucificação, Jesus ainda buscava o crescimento espiritual e a preparação daqueles homens para os grandes desafios que teriam pela frente.
A tentação de que Jesus lhes falava não era exatamente em razão daquela fraqueza provocada pelo sono que recaia sobre eles. Jesus usou disso para fazê-los entender a fraqueza da carne que faz com que a tentação nos pegue desprevenidos e caiamos em pecado.
Você se preocupa com o pecado? Tomara que sim, mas fique atento ao fato de que deveria se preocupar antes com a TENTAÇÃO.

PARTE I – O QUE É A TENTAÇÃO?
                A tentação está intimamente ligada ao pecado, mas não é o pecado em si. Na verdade, ela é algo que antecede qualquer ato pecaminoso. Porém, como veremos a seguir, devemos verificar que existem na Bíblia, dois tipos de “tentações” diferentes.
1-      Como a Bíblia descreve a geração do pecado (Tiago 1.14-15).
a)      O pecado não vem antes da tentação ou sem ela.
b)      O homem (crente) não peca sem antes ser tentado.
c)       Não se cai de uma hora para outra (de repente). O pecado é resultado de uma tentação que já vem ocorrendo.
Il: Geralmente, ficamos como aqueles “estudantes” que se preocupam somente quando a prova final é posta em sua mesa e ele vê que vai “levar bomba”, quando deveria ter atentado para isso ao longo de todo o ano em que o cenário para isso se preparava. Se atentássemos antes para isso, tomaríamos os cuidados necessários para não sermos reprovados no momento final.
Essa é a descrição do que a tentação faz para nos levar ao pecado.
2-      Os dois “tipos de tentação”.
a)      Precisamos diferenciar aquele tipo de tentação que é promovido por Deus, que na verdade deveria ser chamado de PROVAÇÃO (Tiago 1.2-4),daquele que visa gerar o pecado.
- Essa provação, da parte de Deus, é para nosso bem. Ela, de alguma forma, busca promover nossa edificação, exercitando nossa fé para maior firmeza espiritual e no conhecimento de Deus.
- Temos como exemplo clássico de “provação” o caso de Abraão, narrado em Gênesis 22, onde Deus lhe ordenou o sacrifício de seu único filho, Isaac. Obviamente, Deus não queria que Abraão cometesse um infanticídio ou um sacrifício humano, pratica essa condenada por Deus. O que Ele fazia com Abraão era uma evidente prova de sua fé.
b)      Tiago, no mesmo trecho citado acima, distingue a provação (a qual ele considera uma bem-aventurança) daquela tentação que não vem de Deus, ao demonstrar que Deus não pode ser responsabilizado pela tentação para o mal (Tiago 1.12-13).
- Essa outra forma de tentação vem do maligno e visa mesmo nos induzir ao pecado, para o nosso mal e para desonra do nome de Deus.
- Quando o Diabo tentou Jesus (Mateus 4.1-11), sua intenção era mesmo demovê-Lo do propósito Divino. Resistir à Soberania e Majestade de Deus é uma ideia totalmente maligna.
- Quando Pedro foi induzido a negar Jesus, também foi uma tentação maligna (Mateus 26.33-35 e 69-75). Ela tinha propósito de derrubar um dos mais atuantes apóstolos e desestruturar a igreja naquele momento.
É totalmente legítima e necessária a nós, a exortação de Deus (feita pela boca do próprio Senhor Jesus) para levarmos a sério o problema da TENTAÇÃO, a fim de não entrarmos ou cairmos nela. Esta deve ser uma preocupação constante que devemos ter com relação a nós mesmos e a nossos irmãos em Cristo. Quando pastores e irmãos espirituais nos exortam a respeito disso, estão sendo movidos pelo mesmo sentimento e propósito fraternal que teve o apóstolo Paulo em relação aos irmãos em Tessalônica, por exemplo (1 Tessalonicenses 3.5).

 PARTE II – PROVAÇÕES
Embora, conforme vimos antes, a PROVAÇÃO e a TENTAÇÃO propriamente dita se distingam entre si, o fato é que temos de estar preparados para ambas. Antes de falarmos mais sobre nossa vigilância para com as tentações do Diabo, cremos ser conveniente meditarmos particularmente naquela forma de tentação que vem de Deus ou que Ele permite para nossa edificação, a qual denominamos “provação”.
1-      Os propósitos de Deus nas tentações (provações):
a)      Elas nos revelam o verdadeiro grau de edificação em que estamos.
- Muitas vezes, nos julgamos mais fortes do que realmente somos. Quando vêm as provações, elas nos revelam com maior clareza em que ponto estamos com Deus.
- Isso é demonstrado por Jesus na parábola do Semeador (Mateus 13.5-6 e 20-21) e por Tiago (1.2-4), por exemplo. Também o autor de Hebreus, ao nos falar sobre os chamados “heróis da fé”, nos relata as intensas provações pelas quais eles passaram (11-33-37 e 12.1-4).
b)      Elas nos fazem, como crentes, conhecer melhor a Deus, nos aproximarmos mais e sermos mais dependentes Dele.
- O apóstolo Paulo manifesta isso ao nos relatar sobre o seu “espinho na carne” (2 Coríntios 12.7-10).
- Embora possam produzir em nós certas angustias, elas podem nos trazer benefícios reais para a alma e para a Obra (2 Coríntios 4.8-12 e 16-18).

2-      De que formas Deus nos prova?
Deus pode nos provar de muitas maneiras diferentes. Essas provações podem vir de forma muito pessoal, conforme nossas próprias características, funções ou necessidades.
a)      Ele nos prova dando deveres que estão acima dos nossos próprios recursos.
- Geralmente os obreiros são provados dessa maneira para que tenham maior dependência Dele (2 Coríntios 1.8-11).
b) Ele nos prova permitindo que soframos por causa da nossa fé.
- O sofrimento de perdas e danos gerados por causa de nossa fé. Perdas materiais, pessoas queridas, liberdade, honra, etc.
- Problemas pessoais que nos humilham e mostram o quanto somos pó e que se tornam verdadeiros “espinhos na carne”.   
- A história da igreja relata duras provações que cristãos sofreram nesse sentido, sendo levados a prisões, açoites e mortes cruéis. Estamos preparados para tal provação? (Filipenses 1.29 e 1 Pedro 2.21).
c) Ele nos prova, permitindo que nos defrontemos com falsos mestres e falsos ensinos.
- Os falsos ensinos desviam a muitos que não estão firmados e dependentes do Senhor. Porém, os piedosos são sustentados por Deus em meio a essas situações (2 Pedro 2.1-2 e 9).

3- Exemplos do que Deus faz nas provações.
a)      No episódio da prova de Abraão, citado antes (Gênesis 22), além de nos oferecer mais uma profecia de Sua providência no Filho Amado para nossa salvação, Deus nos mostra como precisamos ter nossa fé fundamentada em suas promessas (Hebreus 11.17-19).
- Se não conseguimos confiar a ponto de obedecer é porque nos falta fé. Nesse caso, podemos enxergar a necessidade de crescer na fé.
b) Em Jó, podemos descobrir que o servo de Deus nem sempre é afligido como forma de castigo e que a nossa tribulação pode ser para glória de Deus.
- Deus ensinou Jó, que não desfaleceu em sua fé. Pelo contrário, ele alimentou sua esperança nas coisas eternas. Em lugar de seguir o conselho de sua mulher “amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2.9-10), ele ansiou por ver seu Redentor (Jó 19.23-27).
- Ensinou os sábios amigos de Jó que Seus mistérios são maiores do que eles poderiam imaginar em toda sua sabedoria.
- Ensinou à sociedade em torno de Jó o quanto Deus pode ser maravilhoso em dar, tirar e tornar a dar.
- Ensinou a Satanás que os Seus servos fiéis não o servem por interesse, mas por amor ao Seu nome.
Em todas essas situações, vemos a Gloria de Deus na prova dos crentes.
 Por fim, podemos ver que as provações que Deus permite sobre nós em forma de alguma tribulação, podem ser de grande proveito espiritual. Que, ao sermos provados, possamos ver que tais tribulações são passageiras, e que nos aguarda a glória de Deus (1 Pedro 1.3-8).

 PARTE III – TENTAÇÕES MALIGNAS
Falamos, agora, daquela tentação do mal, que não vem do Senhor (Tiago 1.13). Esta é aquela que vem sempre do inimigo de nossas almas, que deseja nos fazer tropeçar. Em Mateus 4.3 e em 1 Tessalonicenses 3.5, por exemplo, Satanás é chamado literalmente de “o tentador”. Essa característica dele fica evidente em muitas outras passagens.
1-      De que formas Satanás nos tenta?
Ele faz isso de algumas formas que podemos perceber em nós mesmos.
a)      Atacando nossa mente:
- Colocando dúvidas em nossas mentes.
- Às vezes ele tenta penetrar em nossas mentes para, como fez no Éden, nos fazer duvidar das verdades da Palavra de Deus ou até da própria realidade de Deus. São pensamentos blasfemos que  precisam ser refletidos e refutados o quanto antes.
 - Colocando pensamentos maus em nossas mentes.
        - Outras vezes, ele procura colocar pensamentos maus em nossas mentes, especialmente para perturbar e dispersar nossa atenção e devoção em momentos de oração, leitura ou da própria pregação.
         John Owen considera esse tipo de tentações como os “dardos inflamados do maligno” de que Paulo fala em Efésios 6.16, os quais precisam ser apagados com o “escudo da fé”. De fato, é com a fé que temos que resistir a esses ataques malignos. Não somos culpados por eles surgirem, mas nos tornamos culpados à medida que sucumbimos a eles.

b)      Usando o mundo ou pessoas mundanas:
- Ele tem muitos meios de agir através de pessoas e coisas deste mundo. Não são poucas as instituições e pessoas que estão a serviço dele, colocadas em nosso caminho para nos induzir a pecar (amizades, celebridades, mídias, etc.).
- Algo que deve nos deixar ainda mais atentos é saber que Satanás também sabe usar do fator surpresa. Ele sabe atacar nos momentos em que estejamos menos alertas, buscando situações não muito previsíveis para isso.
Ele tentou Jesus quando estava debilitado fisicamente pelo jejum prolongado (Mateus 4.1-3). Pedro foi “cirandado” e negou Jesus ao ser pego de surpresa quando foi inquirido, não por alguma autoridade como talvez pudesse esperar, mas por pessoas simples do meio do povo (Mateus 26.69-73).

c)       Usando nossa própria concupiscência:
- Ele sabe verificar o que há no mundo que nos atraia. Como um exímio “pescador de pecadores”, sabe encontrar uma boa isca para nos pegar. Seja nossa tendência ao materialismo, lascívia, negligência, indolência, ou outra coisa qualquer, ele irá perscrutar nossa vida em busca da isca com que possa nos atrair. Judas foi facilmente seduzido a trair Jesus porque era avarento.

2-      Por que devemos tomar cuidado com as tentações malignas?
- Precisamos ser vigilantes contra as tentações malignas porque elas afetam nossa saúde espiritual e grandes males podem ser causados. Quando somos tentados, podemos ser levados:
a)      A fazer o que Deus proíbe.
b)      A não fazer o que Deus determina que façamos.
c)       A cometer pecados que ofenderão a Deus e nos afastarão de Sua doce comunhão.
d)      A cometer pecados que sejam vistos por outros, causando escândalos e prejudicando nosso testemunho, de nossa igreja e manchando o nome do Evangelho de Cristo.
Obs:  Precisamos ficar atentos também ao fato de que nem sempre as tentações se apresentam por algum desejo pecaminoso. Desejos por coisas lícitas como uma vida tranquila, amigos, um bom padrão de vida ou boa reputação, também podem servir de tentação para nos levar a pecar, causando os mesmos males descritos acima. Portanto, sejamos vigilantes todo o tempo!

3-      Quando “entramos em tentação”?
Se Jesus exortou seus discípulos para vigiarem a fim de não “entrarem em tentação”, precisamos compreender o que é isso e quando estamos “entrando” nela.
- Entrar em tentação não é o mesmo que ser tentado. Nós somos tentados constantemente e algumas tentações podem ser evitadas. Nesta vida, porém, nunca estaremos livres totalmente de sofre-las e isso não está ao nosso alcance.
- Entrar em tentação também não é o mesmo que ser vencido por ela. É possível que alguém entre em tentação e não seja vencido por ela.
- Entramos em tentação a partir do momento que ela vem e nossa resistência imediata não é capaz de manda-la embora. Alguma coisa movida de um poder sedutor ou intimidador passa a exercer força sobre nossa fé. José esteve em tentação quando teve de lidar com uma situação bastante complicada com a mulher de Potifar (Gênesis 39.6-12). Davi entrou em tentação quando foi seduzido em uma área de sua vida em que tinha certa fragilidade (2 Samuel 11 e 12). Paulo fala do drama causado pela pressão do apego ao dinheiro sobre a vida de muitas pessoas (1 Timóteo 6.9). Pedro também entrou em tentação quando foi pressionado a ponto de negar ao Senhor Jesus (Lucas 22.54-62).  Entramos em tentação quando ela age em um grau incomum para nós. John Owen ilustra essa situação de um modo interessante: Um vendedor que bate à nossa porta, pode ser ignorado ou dispensado e ele vai. Mas, noutras ocasiões, não é tão fácil lidar com eles. Alguns conseguem pôr o pé do lado de dentro da porta, determinado a efetuar a venda, apresentando-o de forma muito atraente. Assim é quando entramos em tentação.
- Cabe lembrar que, quando entramos em tentação, dificilmente escaparemos de pecar, mas Deus não permite que venha sobre nós alguma tentação que esteja acima do que podemos (1 Coríntios 10.13). Assim como José teve da parte de Deus o poder para escapar, todos os outros casos teriam condição de ter feito o mesmo, embora isso seja terrivelmente difícil para nossa natureza fraca e pecaminosa.
Devemos entender que o poder não está em nós e que somos dependentes de Deus para escaparmos à difícil hora da tentação. Por isso Jesus exortou seus discípulos a “orar e vigiar, para não entrarem em tentação”.
É d’Ele que nos vem o socorro e nós encontramos tudo o que é necessário à vida em nosso manancial que é Cristo (2 Pedro 1.3).

4-      O poder da tentação.
Vamos procurar, aqui, ver brevemente o que a tentação pode provocar em nossa vida, ou seja, qual o poder que ela exerce em nós.
a)      Assim como a bebida afeta o entendimento do homem (Oseias 4.11) e Satanás cega o homem natural (2 Coríntios 4.4), a tentação procura obscurecer a nossa mente. Dessa forma, tendo nossa imaginação e pensamentos dominados por ela, ficamos cegos para as soluções possíveis e a razão. Nossos desejos e emoções passam a turvar a nossa mente.
b)      Ela tem o poder de agir sobre os desejos maus do nosso coração. A escritura nos ensina que nosso coração é mau e enganoso (Jeremias 17.9), mas quando ele é controlado pelo Espírito, tudo vai bem. Quando nos entregamos a nós mesmos e deixamos nosso coração nos guiar, permitimos que as tentações encontrem um terreno fértil para o pecado.
c)       Ela nos faz enxergar virtudes nos atos de crentes professos e seguirmos os exemplos deles, como também não darmos importância a certas coisas e princípios de zelo. Assim, o princípio do “pouco de fermento” entra em ação e “leveda toda a massa” (1 Coríntios 5.6 e Gálatas 5.9).
As tentações malignas podem nos destruir e inutilizar. Desprezar os alertas de perigo com relação a elas é como dirigir em alta velocidade em situações adversas e sem dar atenção à sinalização. Essa negligência pode afetar toda a nossa vida cristã, com danos terríveis, que talvez só nos daremos conta da sua gravidade quando for irremediavelmente tarde.

PARTE IV – ESCAPANDO DA TENTAÇÃO
1-      Os Sintomas da Tentação
                Como já vimos, antes do pecado vem a tentação. Portanto, se queremos fugir ao pecado, convém conhecer os sintomas de que estamos entrando em tentação. Isso precisa ser feito antes que seja tarde demais e o pecado já tenha sido cometido ou estejamos tão afetados que não consigamos mais buscar a solução e a força para não pecar (Tiago 1.14-15 e Gálatas 6.1).
                Quando são vencidos pelo pecado, os crentes verdadeiros geralmente tomam ciência disso e se arrependem dele. No entanto, muitos não se apercebem de qual foi a causa do pecado e nem ao menos observam qual foi o caminho que os levou a esse pecado. Ou seja, qual foi a tentação e a origem dela. Embora conscientes do pecado, não se conscientizam de suas tentações e isso permite que o caminho fique aberto para que caiam novamente em outra oportunidade (próxima ou distante).
É preciso se precaver contra as tentações, principalmente aquelas que já podem ser conhecidas para que não entremos novamente nelas. Elas são como veneno na panela, à nossa disposição para ingerirmos dela a qualquer momento.
Podemos observar quando, por exemplo, a companhia de certas pessoas pode nos levar a pensamentos, atos e palavras pecaminosos, mas é possível que por algum motivo nós gostemos da companhia dessa pessoa e mais tarde venhamos a lamentar o pecado que resultou dela. O mesmo pode ocorrer com certas ambições em nossa vida. O fato é que precisamos procurar nos conhecer e enxergar nossas próprias fraquezas, sem nunca achar que somos fortes em nós mesmos. Quando sentimos que certos “ventos” estão nos levando em direção a algum perigo de pecar, ainda que lentamente, podemos enxergar aí os primeiros sintomas.
A medicina atesta que mesmo certas doenças graves, sendo detectadas precocemente, podem ter um tratamento imediato e grande possibilidade de cura. Assim é com o pecado, também. Quanto antes pudermos detectar pequenos sinais (sintomas) de algum mal, fazendo um pequeno “checkup” de nossa vida, podemos evitar ou tratar aquilo, cortando o mal pela raiz.
Também é verdade que algumas doenças aparentemente inofensivas, não sendo tratadas, lentamente levam o paciente à morte. O pecado também se apresenta dessa maneira, com a tentação nos levando lentamente para o desfecho fatal. O orgulho, a sensualidade, a cobiça e ambição, a indolência, a falta de firmeza de caráter, a falta de controle próprio (temperança) que causa dependência e vícios, etc., são buracos no casco de nossa alma, que podem nos fazer rapidamente naufragar.
Precisamos atentar para quando a tentação vem, mas também precisamos observar outra coisa importante: – Qual a nossa atitude para com a tentação? Quando passamos a, secretamente, gostar dela, fazendo provisão e dando ocasião a ela, na verdade, já denota que entramos em tentação e estamos a um passo de cair.
2-      Agindo contra a Tentação
Assim como ao percebermos sintomas de uma doença, corremos para trata-la, também o mal da tentação, quando percebido por seus sintomas, precisa urgentemente ser tratado.
Precisamos lembrar que quando os sintomas aparecem, é porque o mal já está lá. O ideal seria que evitássemos entrar em tentação ao ponto de não chegar sequer a sentir sintomas dela, mas como podemos escapar a isso? Como agir quando sentimos que já entramos em tentação? A resposta se resume na exortação dada pelo Senhor Jesus em nosso versículo chave – “Vigiai e orai”! A única ação possível e necessária para isso é a ensinada por Jesus nesta curta frase. Vamos refletir um pouco a respeito dessa exortação de Jesus, para que possamos encerrar o assunto de forma prática.
Muitas vezes, mesmo crentes sinceros, estão apenas preocupados em não cometer pecados públicos. Devemos nos lembrar de que todo pecado é, antes de tudo, uma grave ofensa contra Deus, seja ele público ou íntimo. Então, nossa vigilância deve ser voltada para que, de preferência antes que surjam os sintomas, escapemos de todo e qualquer tipo de pecado.
Vigiar, entre outras coisas, quer dizer “estar atento, alerta a perigos e pronto a reagir”. Ninguém vigia dormindo. Também não adiantaria nada estar desperto e atento, mas despreparado para agir caso o inimigo surja. De que adiantaria essa atenção?
A Bíblia nos adverte em todo lugar sobre os diversos perigos para nossa saúde espiritual, mas a verdade é que poucos dão ouvidos a esses avisos. Não podemos andar descuidados! Se não atentarmos para os avisos da Palavra de Deus não estaremos vigiando em sentido algum: Não perceberemos os perigos, como também não estaremos prontos a reagir quando ele se apresentar. Precisamos fazer uso de todos os recursos deixados por Deus para nós (Efésios 6.13).
a)      Vigie pela Palavra. Precisamos nos fortalecer contra as tentações, nos deixando ser instruídos “preventivamente” pela leitura e meditação constante na Palavra de Deus (Salmos 1.1-3).
b)      Vigie sobre as influências que recebe. Certos lugares onde vamos, companhias ou atividades podem nos fazer mal. Devemos estar atentos a isso e evitar tais coisas quando as percebemos. Não podemos querer escapar à tentação nos jogando no meio delas (1 Coríntios 10.23 e 15.33).
c)       Vigie considerando sua incapacidade. Uma das maiores causas das derrotas é a arrogância de considerar-se forte o suficiente em qualquer coisa. Precisamos estar sempre atentos ao fato que lidamos com um adversário astuto e muito mais poderoso que nós. Nossa confiança deve residir no Senhor e se estivermos arraigados e firmados nele, temos preciosas promessas a respeito (1 Coríntios 10.13).
d)      Vigie sobre as circunstâncias da vida.Precisamos estar atentos às circunstâncias que podem surgir e nos fazer distraídos, negligentes ou afastados de Deus, que é. Ele mesmo, a nossa fonte de poder e resistência contra o pecado. Essas situações podem vir tanto através de coisas boas (ou aparentemente boas) como das ruins. Momentos de prosperidade ou de dificuldade podem nos servir de laço para entrar em tentação (Provérbios 30.8-9). Aqueles momentos de dormência espiritual como o que houve com Davi (2 Samuel 11), que para muitos cristãos de hoje se tornaram tão comuns, ou mesmo momentos de grande gozo espiritual (2 Coríntios 12.7) também podem ser circunstâncias perigosas caso não atentemos para seus riscos.
e)      Vigie sobre o seu coração. Deus nos fez diferentes uns dos outros em personalidade e temperamento. Assim, precisamos conhecer os nossos próprios pontos fortes e fracos para melhor podermos guardar nosso coração de pecar. Em que áreas você tem fraquezas a vencer ou uma maior propensão a ser tentado? Faça uma análise cuidadosa e sincera sobre suas atitudes e pensamentos a respeito do materialismo (ganancia, cobiça, inveja), egoísmo, orgulho, ira (temperamento explosivo), maldade, problemas com a língua (fofoca, mentira, xingamentos, maledicência), sensualidade, indolência (preguiça). Essa lista pode ser aumentada, mas faça um exame cuidadoso a respeito dessas coisas no seu coração e verifique quais delas (sim, você as tem!) são pontos fracos onde você tem dificuldades em escapar a tentações. Lembre-se de que nosso coração é mau e enganoso (Jeremias 17.9).
f)       Ore em humilhação. Precisamos orar reconhecendo nossa fragilidade e a necessidade do socorro de Deus (1 Pedro 5.6-9).
g)      Ore sempre. Precisamos orar sempre, pois todo o tempo nós somos alvos da tentação e sempre somos necessitados Dele (1 Tessalonicenses 5.19). Toda vigilância é inútil sem a oração.
VIGIAI E ORAI!