sábado, 10 de outubro de 2015

PROVÉRBIOS - Introdução



INTRODUÇÃO AOS LIVROS DE SABEDORIA

De tudo que podemos aprender dos  chamados livros de sabedoria, a saber, de Provérbios e de Eclesiastes, é que vai bem ao que é reto de coração, e que vive na sabedoria do Senhor, rejeitando a toda forma e aparência de mal.

Porque tudo o mais que obtém ou que se viva nesta vida, fora do modo previsto por Deus para os Seus filhos, é pura vaidade, ou seja, vazio, coisas que se desfarão e que serão destruídas pelo tempo.

Além disso, devemos considerar que há uma forma de existência que foi planejada por Deus para o homem, e não é possível viver de modo aprovado tanto diante dele, quanto daqueles que tenham um caráter reto e aprovado, quando não se vive dentro deste modelo que deve ser seguido, e que o temos na pessoa do próprio Cristo.

Estes livros de sabedoria nos chamam a refletir que não é verdadeira sabedoria aquela que não nos conduz a viver de modo reto.

Que depõe contra a unidade em amor que Deus deseja para todos os Seus filhos, que alguns deles vivam na prática do pecado, manifestado em suas variadas formas, conforme as obras da carne que são relacionadas por Paulo em Gál 5.19-21:  

“19 Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia,
20 a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos,
21 as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.” (Gál 5.19-21).

Há muitas outras obras da carne além das que são relacionadas por Paulo neste texto, pelo que se infere do que ele próprio afirma: “...e coisas semelhantes a estas...”.

Ele diz que havia prevenido a Igreja, e que lhe continuaria prevenindo, quanto ao perigo de se viver na prática de tais obras, por causa das quais os seus praticantes não podem herdar o reino de Deus.

Ele não citou a mentira, a falsidade e o engano entre os crentes, por exemplo, nesta passagem, conforme faz em outras, não porque tais obras da carne sejam menos graves do que as que havia relacionado, mas é necessário ter um especial cuidado em relação a isto, porque é por um andar na mentira, na hipocrisia, que melhor se define o mau caráter.

Não foi sem motivo que Jesus havia alertado os discípulos para não se deixarem contaminar pelo fermento dos escribas e fariseus que é a hipocrisia.

Eles viviam, pela hipocrisia, enganando e sendo enganados, por conveniências pessoais, e até mesmo por interesses corporativos. No entanto, nosso Senhor, nos adverte que não deve ser assim entre aqueles que Lhe pertencem, que devem ter a devida diligência de se despojarem de todo vestígio deste maldito fermento que é a hipocrisia.

Muitos males são oriundos de outros, como por exemplo os que procedem da cobiça, do amor ao dinheiro, e que se manifestam na forma de violência, engano, traição e tantos outros, para que seja atingido o fim almejado.

E a cobiça não é somente por dinheiro, como também por fama, poder, notoriedade, domínio sobre pessoas e bens, e por tanta outras coisas.

Isto é um laço do qual poderão se desvencilhar somente aqueles que andam em amor, submissão, humildade, e que andam no Espírito, debaixo do temor do Senhor, quanto a guardar todos os Seus mandamentos. 

Temos nestes livros de Provérbios e de Eclesiastes, nem tanto, mandamentos diretos e absolutos, como os temos por exemplo na Lei de Moisés, mas o modo de vida aprovado para o qual apontam, são mandamentos para o povo de Deus, ainda que apresentados de forma indireta.

Necessitaremos de sabedoria divina para poder entender estes dois livros e discernir entre o que é comportamento aprovado, e comportamento reprovado por Deus.

Além disso, além do comportamento propriamente dito são apontadas atitudes de coração, e situações de vida, que faremos bem em atentar para moldarmos o nosso caráter num modo de vida que nos leve a separar o precioso do vil, e a escolher aquilo que sirva para a nossa edificação, ao mesmo tempo que rejeitamos aquelas realidades e situações que trarão inevitavelmente complicações para o nosso próprio viver, especialmente no nosso relacionamento com o próximo.

No final do comentário bíblico de Mattew Henry há uma tabela que apresenta um resumo do conteúdo dos assuntos dos capítulos 10 a 29, que estamos apresentando a seguir de forma adaptada.
 
                       REFERÊNCIAS
ASSUNTOS
10.1; 15.20; 17.21, 25; 19.13, 26; 23.15, 16, 24, 25, ; 27.11; 29.3
Conforto, ou aflição dos pais em relação aos filhos, quanto a serem sábios, tolos, religiosos ou descrentes
10.2, 3; 11.4; 15.16, 17; 16.8, 16; 17.1; 19.1; 28.6, 11
Sobre a insuficiência do mundo, e a suficiência da religião
6.6; 10.4, 5, 26; 12.11, 24, 27; 13.4, 23; 15.19; 16.26 ; 18.9; 19.15, 24; 20.4, 13; 21.5, 25, 26; 22.13, 29, ; 24.30-34; 26.13-16; 27.18, 23, 27; 28.19
Sobre preguiça e diligência
10.6, 9, 16, 24, 25, 27-30; 11. 3, 5-8, 18-21, 31, ; 12.2, 3, 7, 13, 14, 21, 26, 28; 13.6, 9, 14, 15, 21, 22, 25; 14.11, 14, 19, 32; 15. 6, 8, 9, 24, 26, 29; 20. 7; 21.12, 15, 16, 18, 21; 22. 12; 28.10, 18; 29.6
A felicidade do justo e a miséria do ímpio
10.7; 12. 8, 9; 18.3; 25.14,27; 26. 1; 27.2, 21
Honra e desonra
10.8, 17; 12.1, 15; 13.1, 13, 18; 15.5, 10, 12, 31, 32, ; 19.16; 28. 4, 7, 9
A sabedoria da obediência, e loucura da desobediência
10.10, 23; 11. 9-11, 23, 27; 12. 5, 6, 12, 18, 20; 13.2 ; 14.22; 16.29, 30; 17.11; 21.10; 24.8; 26.23, 27
Sobre ímpios
10.11, 13, 14, 20, 21, 31, 32; 11.30; 14. 3 ; 15.2, 4, 7, 23, 28; 16. 20, 23, 24; 17. 7; 18. 4, 7, 20, 21, ; 20.15; 21.23; 23.9; 24.26; 25.11
O louvor do bom uso da língua, e o prejuízo e vergonha de uma língua desgovernada
10.12; 15.17; 17.1, 9, 14, 19; 18.6, 17-19; 20.3 ; 25.8; 26.17, 21; 29.9
Amor e ódio, paz e contenda
10.5, 22; 11.28; 13.7, 8; 14.20, 24; 18. 11, 23, ; 19.1, 4, 7, 22; 22. 2, 7; 28.6, 11; 29.13
Sobre ricos e pobres
10.18; 12.17, 19, 22; 13.5; 17.4; 20.14, 17; 26.18, 19, 24-26, 28
Mentira, fraude,  dissimulação, verdade e sinceridade
10.18; 16.27; 25.23
Sobre calúnia
10.19; 11.12; 12.23; 13.3; 17.27, 28; 29.11, 20
Sobre verbosidade
11.1; 12.16; 16.8, 11; 17.15, 26; 18.5; 20.10, 23, ; 22.28; 23.10, 11; 29.24
Justiça e injustiça
11.2; 13.10; 15.25, 33; 16.5, 18, 19; 18.12; 21. 4 ; 25.6, 7; 28.25; 29.23
Orgulho e humildade
11.12; 14.21
Menosprezar e respeitar outros
11.13; 16.28; 18.8; 20.19; 26.20, 22
Difamação
11.14; 15.22; 18.13; 19.2; 20.5,18; 21.29; 22. 3; 25.8-10
Precipitação e deliberação
11.15; 17.18; 20.16; 22.26, 27; 28.13
Fiador
11.16, 22; 12.4; 14.1; 18.22; 19.13, 14, ; 21.9, 19; 25.24; 27. 15, 16
Mulheres de bem ou ruins
11. 17; 12. 10; 14. 21; 19. 17; 21. 13 .
Misericórdia
11. 24-26; 14. 31; 17. 5; 22. 9, 16, 22, 23; 28. 27; 29. 7
Caridade com os pobres
11. 29; 15. 16, 17, 27; 23. 4, 5
Cobiça e satisfação
12. 16; 14. 17, 29; 15. 1, 18; 16. 32; 17. 12, 26, ; 19. 11, 19; 22. 24, 25; 25. 15, 28; 26. 21; 29. 22
Ira e mansidão
12. 25; 14. 10, 13; 15. 13, 15; 17. 22; 18. 14; 25. 20, 25
Melancolia e alegria
13. 12, 19
Esperança e expectativa
13. 16; 14. 8, 18, 33; 15. 14, 21; 16. 21, 22; 17. 24 ; 18. 2, 15; 24. 3-7; 7. 27; 26. 6-11; 28. 5
Prudência e tolice
13. 17; 25. 13, 19
Deslealdade e fidelidade
13. 20; 14. 7; 28. 7; 29. 3
Má e boa companhia
13. 24; 19. 18; 20. 11; 22. 6, 15; 23. 12; 14. 14; 29. 15, 17
Educação de crianças
14. 2, 26, 27; 15. 16, 33; 16. 6; 19. 23; 22. 4; 23. 17, 18
Temor do Senhor
14. 5, 25; 19. 5, 9, 28; 21. 28; 24. 28; 25. 18
Verdadeiro e falso testemunho
14. 6, 9; 21. 24; 22. 10; 24. 9; 29. 9
Escarnecedores
14. 15, 16; 27. 12
Credulidade e cautela
14. 28, 34, 35; 16. 10, 12-15; 19. 6, 12; 20. 2, 8, 26, 28, ; 22. 11; 24. 23-25; 2010. 2-5; 28. 2, 3, 15, 16; 29. 5, 12, 14, 26
Sobre reis e os seus assuntos
14. 30; 23. 17, 18; 24. 1, 2, 19, 20; 27. 4
Sobre inveja
15. 3, 11; 16. 1, 4, 9, 33; 17. 3; 19. 21; 20. 12, 24; 21. 1, 30, 31; 29. 26
Onisciência de Deus, e a Sua providência universal
15. 30; 22. 1
Sobre o bom nome
14. 12; 16. 2, 25; 20. 6; 21. 2; 26. 12; 28. 26
Da opinião dos homens sobre si mesmos
16. 3; 18. 10; 23. 26; 27. 1; 28. 25; 29. 25
Da devoção a Deus, e da dependência a Ele
16. 7; 29. 26
Sobre o favor de Deus
16. 16; 18. 1; 19. 8, 20; 22. 17-21; 23. 15, 16, 22-25, ; 24. 13, 14; 27. 11
Esforços para adquirir sabedoria
16. 17; 29. 27
Precauções contra tentações
16. 31; 17. 6; 20. 29
Velhice e mocidade
17. 2; 19. 10; 29. 19, 21
Sobre servos
17. 8, 23; 18. 16; 21. 14; 28. 21
Suborno
17. 10; 19. 25, 29; 20. 30; 21. 11; 25. 12; 26. 3 ; 27. 5, 6, 22; 28. 23; 29. 1
Reprovação e correção
17. 13
Sobre ingratidão
17. 17; 18. 24; 27. 9, 10, 14, 17
Sobre amizade
21. 17; 23. 1-3, 6-8, 19-21; 27. 7
Sobre prazeres sensuais
20. 1; 23. 23, 29-35
Sobre embriaguez
20. 9
Da corrupção universal da natureza
20. 19; 26. 28; 28. 23; 29. 5
Sobre lisonja
20. 20; 28. 24
Filhos ingratos
20. 21; 21. 6, 7; 22. 8; 28. 8
Da curta duração do que é mal adquirido
20. 22; 24. 17, 18, 29
Sobre vingança
20. 25
Sobre sacrilégio
20. 27; 27. 19
Sobre consciência
15. 8; 21. 3, 27
Preferência aos deveres morais antes dos cerimoniais
21. 20
Sobre prodigalidade e desperdício
21. 22; 24. 15, 16
Os triunfos da sabedoria e da piedade
22. 14; 23. 27, 28
Sobre impureza
24. 10
Desmaio na aflição
14. 11, 12
Ajuda ao aflito
24. 21, 22
Lealdade ao governo
25. 21, 22
Perdão dos inimigos
26. 2
Maldição sem causa
26. 4, 5
Sobre responder aos tolos
28. 1
Covardia e coragem
28. 12, 28; 29. 2, 16; 11. 10, 11
O interesse do povo nos seus governantes
28. 13, 14
O benefício do arrependimento e temor santo
28. 17
Castigo de assassinato
28. 20, 22
Desejo de ser rico
29. 10, 27
A inimizade do ímpio contra o religioso
29. 18
A necessidade dos meios da graça