segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Duas perguntas a um pentecostal - L. E. Struciati


Você ora no monte?

É comum vermos muitas pessoas saindo de suas igrejas, enchendo carros ou montando caravanas com o fim de irem orar no monte. Pastores, diáconos, evangelistas e etc., antes de começar uma campanha em suas "igrejas", passam dias e mais dias se "consagrando" em orações em algum monte deste mundão afora. Acabaram por acrescentar à essa prática um valor espiritual aquém do que está escrito no Livro Sagrado. Vamos analisar melhor a questão dentro do contexto escriturístico.

“Tendo-as despedido, subiu ao monte para orar à parte. Ao anoitecer, estava ali sozinho”. (Mt.14.23).

Por que Jesus e seus discípulos (algumas vezes com ele) oravam no monte? Seria isso uma prática bíblica valida para todas as gerações subsequentes a dEle? Estaria o Senhor nos ensinando que a oração no monte deve ser melhor explorada? Teria Ele deixado um legado ou um exemplo a ser seguido? Seria essa uma questão devocional em que todo filho de Deus deveria ser submetido em obediência? Ou seria está questão, uma questão mal analisada, pessimamente interpretada e fora das linhas exegéticas e hermenêuticas? Vamos ver? Pois bem, vamos lá. 
Primeiro, Jesus e seus discípulos oravam no monte devido a alguns motivos específicos que eu e você não temos. A fama do Senhor Jesus era tamanha e em tão grande proporção - devido aos seus muitos sinais e prodígios - que por meio disso podemos perceber que a vida do Mestre não era nada fácil e sossegada. Certa vez, Jesus estava em sua casa, na cidade de Cafarnaum e grande multidão o soube disso; ao saberem, imediatamente foram até o local e o apertavam ao ponto de não caberem mais ninguém dentro e fora das portas da casa, ao extremo de pessoas terem que descer um paralitico pelo telhado da mesma, para que ele pudesse ter a chance de chegar perto do Redentor (Marcos 2.1-4). Nas cidades judias ou gentílicas, por onde quer que Ele passasse, uma grande aglomeração de pessoas o apertava, não lhe dando sossego por um instante sequer (Mateus 9:23; Mateus 15:35; Mateus 20:29; Marcos 5:24; Lucas 9:37; Lucas 8:40 e etc.). Jesus atravessa o mar, o povo atravessa atras dEle. O Senhor não tinha quase em em nenhum instante, uma vida solitária em que pudesse orar em paz. As pessoas não lhe dava oportunidade para isso, e por este motivo, Ele se retirava aos montes. Em sua casa, Ele não podia fechar a porta de seu quarto e orar, porque alguém, com certeza, estaria ali, lhe perturbando. Este é o motivo pelo qual o Senhor se retirava a orar nos montes.
Segundo, quando Jesus orienta seus discípulos a orarem, Ele não diz: Quando orares, retira-te aos montes como Eu fiz". Pelo contrario, Ele afirma: "Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará" (Mateus.6.6). Jesus não mistificou o lugar chamado montem, dando a ele um significado mais especial, onde Deus Se revelaria aos homens com mais intimidade e proporções e/ou ouviria melhor nossas orações. Não! Ele simplesmente se retirava aos montes, pelo simples fato de ser o único lugar onde as multidões não O acharia e nem o perturbaria. Jesus não focou um lugar, mas sim, pessoas. “Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus.18.20). Não precisamos nos retirar aos montes para orar. Nós não temos a mesma fama de Jesus e nunca teremos. Podemos muito bem entrar em nosso quarto, fechar a porta e falar com Deus. Não terá uma multidão ali nos perturbando em nossa casa e nem por onde quer que andamos. Temos tempo e sossego o suficiente para orarmos o tempo que desejarmos.
Leia os textos bíblicos dentro de seus devidos contextos, analisando os "por quês" e os "pra que", com o fim de entendê-los em seu significado real, não os distorcendo, pelo fato de isolarem alguns versículos, para não agirem como pessoas que não sabem ler e interpretar as Escrituras, levando outros a errarem e a darem um significado aquém do que está escrito.

Você acredita que os gravetos incandescentes é um sinal de Deus em resposta as orações?

Vamos desmistificar essa tese!
Sempre ouço essa justificativa: “O poder é tão grande no monte que até os gravetos pegam fogo!” Seria isso um sinal de Deus? Por que, então, ele só ocorre em montes? “Não!” — os mais místicos argumentará — “Os gravetos trazidos do monte também brilham aqui em baixo”. É mesmo?
Bem, é claro que para o Todo-poderoso é muito fácil fazer gravetinhos pegarem fogo ou brilharem no escuro. Moisés esteve em um monte que fumegava (Êx 19). E o Senhor Jesus, em um monte, transfigurou-se diante de seus discípulos (Mt 17.1-13). Entretanto, cheguei à conclusão de que essa história dos gravetos incandescentes nada tem que ver com sobrenaturalidade.
Vejamos algumas considerações cientificas:
Na escuridão de uma mata é comum ocorrerem fenômenos naturais. Um irmão de Francisco Beltrão-PR, Milton Rogério Seifert, o qual é engenheiro agrônomo, me enviou um e-mail pelo qual assevera: “Os gravetos incandescentes nada mais são que processos naturais de decomposição da madeira onde os fungos decompõem o material e brilham na escuridão. Se trouxermos os gravetos para casa e os colocarmos em um quarto escuro, e eles ficarem lá por um bom tempo, brilharão sempre que houver umidade, até a pupila do olho se acostumar”.
O irmão Milton Rogério também afirma que já foram descobertos até cogumelos bioluminescentes, os quais emitem luz 24 horas por dia! Segundo ele, existem inúmeros trabalhos de pesquisa científica nessa área. E conclui: “Em qualquer mata fechada quem entrar e ficar por lá um bom tempo, se houver umidade, os fungos brilharão assim que a nossa pupila relaxar”. Os tais gravetos incandescentes são, por conseguinte, um fenômeno natural, e não uma manifestação divina sobrenatural.