terça-feira, 4 de julho de 2017

Menosprezar a Cristo (C.H.Spurgeon)



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Sermão pregado na noite do Domingo, 17 de Agosto de 1856
Por Charles Haddon Spurgeon
No Exeter Hall, Strand, Londres.
“Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio;” Mateus 22:5
O homem não mudou muito desde os dias de Adão. Em sua estrutura corporal parece ser exatamente o mesmo, pois os esqueletos que possuem muitas centenas de anos correspondem exatamente aos nossos. E verdadeiramente, os feitos do homem realizados há séculos e que ficaram registrados na história, poderiam ser escritos de novo, pois, “nada há de novo debaixo do sol”. Ainda descobre-se a mesma classe de homens (apesar de, talvez, vestidos de maneira diferente) que existiu em idades muito remotas. Ainda existem homens que respondem ao caráter que o Salvador atribuiu a outros em Seu dia: Vão, “um para o seu campo, e outro para o seu negócio”, desprezando as coisas gloriosas do Evangelho.
Estou seguro de que temos muitas personalidades semelhantes aqui esta noite, e peço ao Senhor que me dê graça para pregar-lhes muito solenemente e muito explicitamente. E devo pedir aos que entendem a arte celestial da oração, que orem para que Deus se agrade em fazer chegar diretamente ao peito em que Ele quer que se alojem, cada um destes pensamentos, para que produzam o fruto consolador de justiça na salvação de muitas almas.
Eles, porém, não fazendo caso…” Muitas pessoas fazem isso neste dia! E, isso mesmo fará, esta noite, uma boa porção de meus ouvintes. Eu creio que menosprezar a Cristo é pecado. E correndo o risco de ser chamado, falsamente, de legalista, ou partidário do livre arbítrio, pelos que são mais sábios do que o que está escrito, eu colocarei esta carga sobre vocês, como tais, pois espero que eu nunca pertença a essa classe de calvinistas que fazem o trabalho do diabo desculpando aos pecadores em seus pecados!
Em primeiro lugar, lhes direi algumas palavras concernentes a o que é aquilo que o pecador menospreza. Em segundo lugar, como é que o menospreza. E em terceiro lugar, por que é que o menospreza. Depois farei uma ou duas observações adicionais, e será tudo, para não cansar-lhes.

  1.   Em primeiro lugar, O QUE É AQUILO QUE O PECADOR MENOSPREZA? Segundo a parábola, as pessoas aludidas menosprezaram a festa de bodas que um rei havia preparado, com todo tipo de finos manjares, à qual haviam sido generosamente convidados e à qual se ausentaram deliberadamente. É fácil descobrir o significado espiritual disto. Os pecadores que menosprezam a Cristo, expressam seu desprezo por um glorioso banquete que Deus tem providenciado pelas bodas de Seu Filho. O lugar que nos encontramos é terra solene. Oh, imploramos pelos ensinamentos do Espírito Santo!
Tomando esta parábola como a base de nossos comentários, podemos observar, primeiro, que o pecador menospreza ao mensageiro que leva-lhe as notícias de que a ceia das bodas está preparada. Estes homens recusaram participar. Decidiram ir, “um a seu campo, e outro a seus negócios”, e assim, menosprezaram o mensageiro. E cada pecador que negligencia a grandiosa salvação de Jesus Cristo, menospreza e não toma seriamente ao ministro do Evangelho, e este não é um insulto insignificante aos olhos de Deus.
Se o embaixador da Inglaterra fosse tratado com indiferença, isso não seria considerado nunca por nossa grande nação como uma ofensa insignificante. E tenham por certo que não é algo sem importância para Deus que os embaixadores que Ele envia a vocês sejam desprezados! Mas isso é relativamente pouco, pois os embaixadores são homens como vocês, que podem suportar a rejeição, se isso fosse tudo. De fato, nós estaríamos contentes o bastante para perdoá-los se estivesse em nosso poder fazê-lo, e se esta fosse toda a culpa de vocês.
Mas estas pessoas desdenharam da festa. Algumas delas imaginavam que os animais cevados e as demais provisões que estariam sobre a mesa, não seriam melhores que os que elas tinham em casa. Essas pessoas pensavam que o banquete real não seria algo tão grandioso para renunciarem a seus negócios por um dia, ou para renunciarem sua lavoura ainda por uma hora. Desprezaram o banquete, ou, ao menos, parece que foi assim, porque eles não participaram!
Oh, pecador, quando você desdenha da grande salvação, seria bom que recordasse o que é o que você despreza! Quando você menospreza o Evangelho de Deus, menospreza a justificação pela fé, menospreza ser lavado pelo sangue de Jesus, menospreza o Espírito Santo! Você menospreza o caminho para o céu, e logo, menospreza a fé, a esperança e o amor. Você menospreza todas as promessas do pacto eterno – todas as coisas gloriosas que Deus reservou para os que o amam e tudo aquilo que Ele prometeu em Sua Palavra como sendo a dádiva prometida àquele que vem a Ele.
Desdenhar do Evangelho é algo grave, pois nessa Palavra – as boas novas inspiradas por Deus – está resumido tudo aquilo que a natureza humana poderia requerer, e tudo aquilo que inclusive os santos que estão na bem-aventurança recebem. Oh, é uma loucura desprezar o Evangelho do Deus Bendito; é muito pior do que loucura! Se você despreza as estrelas, você é um néscio. Se você despreza a terra de Deus, com suas gloriosas montanhas, com seus rios afluentes em seus formosos prados, você é um maníaco. Mas, se você despreza o Evangelho de Deus, você equivale a dez mil maníacos em um. Se você desdenha disto, você é muito mais néscio do que quem não vê nenhuma luz no sol, não contempla nenhuma formosura na lua e nem nenhum brilho no firmamento estrelado. Pisoteie, se quiser, Suas obras inferiores, mas, oh, recorde-se que quando você desdenha do Evangelho, está menosprezando a obra prima de seu Grandioso Criador – o que lhe custou mais do que criar uma miríade de mundos – a compra sangrenta realizada pelas agonias de nosso Salvador!
E, além do mais, estas pessoas menosprezaram ao Filho do Rei. Tratava-se de Seu matrimônio, e na medida em que se ausentaram, desonraram a esse Ser glorioso em honra de quem a ceia foi preparada. Desdenharam dAquele a quem Seu Pai amava. Ah, pecador, quando você desdenha do Evangelho, desdenha de Cristo – esse Cristo diante de quem os gloriosos querubins se inclinam, esse Cristo a cujos pés o excelso arcanjo considera uma felicidade lançar sua coroa; desdenha dAquele cujo louvor ressoa a abóbada do céu; desdenha dAquele a quem Deus tem altíssima consideração, pois lhe chamou: “Deus acima de tudo, bendito para sempre!
Ah, é algo solene menosprezar a Cristo! Se você desprezar um príncipe, receberá pouca honra, por isso das mãos do rei. Mas se você desprezar o Filho de Deus, o Pai se vingará de você pelo menosprezo de Seu Filho. Oh, meus queridos amigos, me parece que é um pecado, não imperdoável, eu sei, mas, ainda assim, um pecado extremamente atroz, que os homens menosprezem ao meu bendito Senhor Jesus Cristo e lhe tratem com um desdém cruel! Menosprezar-te a Ti, doce Jesus? Oh, quando Te vejo coberto com um manto de sangue, lutando no Getsemâni, me curvo ante a Ti e digo: “Oh, Redentor, que sangra pelo pecado, algum pecador poderia desdenhar de Ti?” Quando lhe contemplo e vejo um rio de sangue escorrendo pelos Teus ombros, sob a maldita flagelação do açoite de Pilatos, pergunto: “Algum pecador pode desdenhar de um Salvador como este?” E quando lhe vejo lá, coberto com Seu sangue, cravado em um madeiro, expirando em meio a tortura, e gritando: “Eli, Eli, lamá sabactâni;” me pergunto: “Alguém pode menosprezar isto?”
Ora, se o fizerem, então, de fato, seria um pecado que bastaria para condená-los, ainda que não houvessem cometido nenhum outro pecado: que houvessem desdenhado do Príncipe da Paz, que é glorioso e totalmente desejável.
Oh, meu amigo, se você desdenha de Cristo, haverá insultado ao Único que pode lhe salvar, ao Único que pode lhe transportar para o outro lado do Jordão, ao Único que pode tirar os ferrolhos das portas do céu e lhe dar boas vindas. Não permita que nenhum pregador de lisonjas o persuada de que isso não é um crime. Oh, pecador, pense em seu pecado se você estiver desdenhando dEle, pois então, você desdenha do Único Filho do Rei.
E, ainda, mais uma vez, estas pessoas menosprezaram também ao Rei que havia preparado o banquete. Ah, você pouco sabe, oh pecador, que quando você faz pouco caso do Evangelho, está insultando a Deus. Eu ouvi que algumas pessoas dizem: “senhor, eu não creio em Cristo, mas ainda assim estou seguro de que busco reverenciar a Deus; não me importa o Evangelho, eu não desejo ser lavado no sangue de Jesus, nem ser salvo pela graça imerecida, mas eu não desprezo a Deus. Eu sou religioso por natureza!” Não, senhor, você, na verdade, insulta ao Todo-Poderoso, na medida em que nega a Seu Filho. Se você desprezar o filho de um homem, insulta o próprio homem; Se você rejeitar ao Unigênito Filho de Deus, rejeita ao próprio Ser Eterno. Não existe tal coisa como a verdadeira religião natural à parte de Cristo! É uma mentira e uma falsidade! É o pretexto de um homem que não é suficientemente valente para dizer que odeia a Deus. É apenas um refúgio de mentiras, pois quem nega a Cristo, neste ato ofende a Deus, e fecha as portas do céu diante de si mesmo!
Não se pode amar ao Pai exceto através do Filho – e não há uma adoração aceitável ao Pai, exceto através do Grandioso Sumo Sacerdote, o Mediador, Jesus Cristo. Oh meu amigo, recorde-se que você não desprezou meramente o Evangelho, mas você desprezou o Evangelho de Deus. Ao rir das doutrinas da Revelação, você riu de Deus. Ao ultrajar a verdade do Evangelho, você ultrajou o próprio Deus. Você cerrou o punho ante a face do Eterno, suas blasfêmias não foram contra a igreja, mas contra Deus mesmo. Oh, recordem-se, vocês, que zombam da mensagem de Cristo. Recordem, vocês que se afastam do ministério da verdade! Deus é um Deus poderoso – lembrem-se de quão severamente Ele pode castigar! Deus é um Deus ciumento – Oh, quão severamente Ele punirá! Menosprezar a Deus, pecador? Ora, isto, além de todas as coisas, é um pecado que condena, e ao cometê-lo, pode ser que um dia você assine sua própria sentença de morte, pois desdenhar de Deus, de Cristo e de Seu Santo Evangelho é destruir a própria alma e é precipitar-se de cabeça a perdição. Ah, almas infelizes, extremamente infelizes vocês serão, se vocês viverem e morrerem fazendo pouco caso de Jesus, e preferindo seus campos e seus negócios aos tesouros do Evangelho!
Além do mais, meu pobre amigo digno de compaixão, considere que quando você desdenha de todas as coisas que mencionei, está menosprezando as grandes solenidades da eternidade. O homem que desdenha do Evangelho, menospreza o inferno. Ele pensa que suas brasas não são ardentes e que suas chamas não são como Cristo descreveu. Ele desdenha das lágrimas ardentes que escaldam sempiternamente as faces desesperadas. Menosprezam os bramidos e os gritos que serão os cantos de lamento e a música terrível das almas que perecem. Ah, não é sábio menosprezar o inferno!
Considere de novo: você menospreza o céu, esse lugar ao que os bem aventurados anelam chegar, onde a glória reina sem nenhuma nuvem, e a bem-aventurança reina sem um suspiro. Você coloca a coroa da vida eterna debaixo de seus pés. Você pisoteia o ramo de palma debaixo de seu pé malvado e considera pouca coisa ser salvo e pouca coisa ser glorificado. Ah, pobre alma, uma vez que você esteja no inferno, e uma vez que a chave de ferro seja virada para sempre na fechadura do destino inevitável, você descobrirá que o inferno é algo que não é tão fácil de desprezar! E quando você houver perdido o céu e toda sua bem aventurança, e só possa ouvir o cântico dos bem aventurados ressoando vagamente à distância, aumentando sua miséria pelo contraste com a bem-aventurança deles, então você descobrirá que não é algo sem importância ter menosprezado o céu. Todo homem que desdenha da religião, menospreza estas coisas. Julga erroneamente o valor de sua própria alma, e a importância de seu estado eterno.
Isto é o que os homens menosprezam. “Oh, senhor”! – disse alguém – “eu nunca dou lugar às palavras hostis contra a verdade de Deus. Nunca rio do ministro, nem desprezo o dia de domingo”. Pare, amigo meu, eu o absolvo de tudo isso e, ainda assim, solenemente lhe acusarei deste grande pecado de menosprezar o Evangelho. Ouça-me, então!

II. COMO É QUE OS HOMENS O MENOSPREZAM?
Em primeiro lugar, quando os homens vão ouvir a pregação, mas não prestam atençãoestão menosprezando o Evangelho e todas as coisas gloriosas de Deus. Quantas pessoas frequentam as igrejas e capelas para entregarem-se a uma soneca confortável! Considerem que insulto terrível é isso para o Rei do céu. Por acaso vocês entrariam no palácio de sua majestade, a Rainha Vitória, e pediriam uma audiência, para logo se colocarem a dormir diante de sua face? E, ainda assim, o pecado de dormir na presença de sua majestade não seria tão grande, inclusive contra suas leis, como o pecado de dormir intencionalmente no santuário de Deus. Quantas pessoas vão as nossas casas de adoração, e não dormem, mas sentam com olhares vagos, escutando como escutariam a um homem que não pode tocar uma melodia alegre com um bom instrumento? O que entra por um ouvido sai pelo outro! Tudo que entra no cérebro sai sem nunca afetar o coração. Ah, meus ouvintes, vocês são culpados de menosprezar o Evangelho de Cristo quando escutam um sermão sem lhe prestar atenção! Oh, quanto dariam as almas perdidas para ouvir outro sermão? O que daria aquele pobre desgraçado que está agora se aproximando da sepultura, por outro dia de domingo? E quanto você daria, num desses dias, quando estiver à beira do Jordão, para poder receber mais uma advertência e escutar mais uma vez a voz cortejadora do ministro de Deus? Nós desdenhamos do Evangelho quando o ouvimos sem prestar uma solene e séria atenção.
Mas algumas pessoas dizem que eles, verdadeiramente, prestam atenção. Bem, é possível prestar atenção no Evangelho, e, mesmo assim, desdenhar dele. Vi alguns homens chorarem sob a influência de algum poderoso sermão. Vi que as lágrimas descem uma atrás da outra: lágrimas, benditas evidências das emoções internas. Algumas vezes disse a mim mesmo: é maravilhoso ver estas pessoas chorarem sob a influência de alguma palavra eficaz de Deus, que está alarmando-os, como se o próprio Sinai estivesse trovejando em seus ouvidos.
Mas há algo ainda mais maravilhoso que o pranto dos homens sob a influência da palavra. É o fato de que imediatamente, mais do que imediatamente, eles enxugam todas as suas lágrimas. Mas, ah, meu querido ouvinte, recorde-se que se você ouve acerca destas coisas e se desfaz de alguma solene impressão, ao fazer isso, você menospreza a Deus e desdenha da Sua verdade. E tenha muito cuidado quando fizer isso, para que as suas próprias vestes não se manchem de vermelho com o sangue de sua alma e ela lhe diga: Se perdeu, ó Israel”.
Mas há outras pessoas que a menosprezam de uma maneira diferente. Ouvem a palavra e prestam atenção, mas, aí, prestam atenção, juntamente, em algo mais.
Oh, homem que me escuta, você menospreza a Cristo se O colocar em qualquer lugar, menos no centro do seu coração! Aquele que dá a Cristo um pouco de seus afetos, menospreza a Cristo, pois Cristo quer receber o coração inteiro ou não quer receber nada. Aquele que dá a Cristo uma porção e ao mundo outra porção, despreza a Cristo, pois crê que Cristo não merece receber a totalidade. E, no tanto, quem diz isso, ou pensa isso, tem pensamentos baixos e malvados acerca de Cristo!
Oh homem carnal, você que é meio religioso e meio profano, você é algumas vezes sério, mas com frequência é frívolo; algumas vezes é aparentemente piedoso, mas com frequência é perverso, pois você menospreza a Cristo! E vocês, que choram no Domingo e logo regressam para seus pecados na Segunda-Feira; vocês que colocam o mundo e seus prazeres acima de Cristo, têm menor estima por Ele do que Ele merece. E o que é isso senão menosprezá-Lo? Oh, lhe exorto, amigo que me escuta esta noite, a que se pergunte se você não é esse homem. Você mesmo não menospreza a Cristo? O homem com justiça própria, que se coloca a si mesmo como sócio de Cristo no assunto da salvação, apesar do lixo de todas as suas boas obras, é como o líder no meio dos desprezadores, que eu gostaria de colocá-lo no pelourinho bem no meio deles, e proporia a todos os que são como ele que tremam, para que não sejam encontrados, eles também, como desprezadores de Jesus.
Mais uma vez, despreza a Cristo quem faz uma profissão de religião, e apesar disto, não vive de acordo com ela. Ah, membros da igreja, vocês necessitam de uma boa peneirada! Temos agora uma imensa quantidade de joio misturada com o trigo; e algumas vezes penso que temos algo pior do que isso! Temos alguns em nossa igreja que não são tão bons quanto o joio, pois não parecem, de todo, ter estado perto do trigo. Eles não são nada melhores do que o joio. Entraram nas nossas igrejas, como se houvessem entrado em uma associação comercial, porque pensam que seu negócio melhorará! Tomar o sacramento proporciona respeitabilidade ao seu nome. Haver sido batizado ou ser membro de uma Igreja Cristã lhes torna estimados. E assim, entram em grandes quantidades atrás dos pães e dos peixes, mas não após de Jesus Cristo!
Ah hipócrita, você menospreza a Cristo se você pensa que Ele é um pretexto para obter riquezas! Se você sonha que colocará sela e rédea em Cristo, e cavalgar até as riquezas nEle, comete um grande erro, pois Ele nunca teve intenção de levar os homens a parte alguma exceto ao céu. Se você supõe que a religião foi destinada a adornar sua casa, encarpetar seus pisos e forrar suas carteiras, se equivocou grandemente. Ela tem o propósito de ser proveitosa para a alma. E aquele que pensa em usar a religião em benefício próprio, menospreza a Cristo; e no último dia, este crime lhe será imputado: “ele O menosprezou”. E o Rei enviará seus exércitos para cortar em pedaços aqueles que desprezaram Sua Majestade, e não quiseram obedecer às Suas leis!

III. E agora, em terceiro lugar, lhes direi POR QUE O MENOSPREZARAM. Fizeram isso por diferentes razões.
Alguns deles O menosprezaram porque eram ignorantes. Não sabiam quão excelente era a festa, não sabiam quão generoso era o Rei, não sabiam quão formoso era o Príncipe, pois de outra maneira, haveriam pensado de maneira diferente. Agora, há muitas pessoas presentes esta noite que desdenham do Evangelho porque não o entendem. Muitas vezes ouvi as pessoas rirem da religião. Mas pergunte-lhes em que ela consiste, e não sabem mais sobre a religião do que um cavalo sabe, e pior que isso, pois creem em coisas erradas acerca dela, e um cavalo não faz isso. Riem da religião, simplesmente, porque não a entendem. É algo que está além de seu alcance.
Nós ficamos sabendo acerca de um homem tolo que, sempre que ouvia uma porção de latim sendo mencionada, ria, porque pensava que era uma piada, de qualquer forma era uma maneira muito bizarra de falar, e por isso ria! O mesmo acontece com muitas pessoas quando ouvem o Evangelho. Não sabem o que é, e, portanto, riem. “Oh” – dizem – “esse homem está louco!”. Mas, por que ele está louco? Porque você não o entende? Você é tão soberbo para supor que toda a sabedoria e todo o conhecimento devem descansar em você? Eu lhe sugeriria que a loucura está do seu lado. E ainda que você possa dizer dele: “As muitas letras te fazem delirar”, nós replicaríamos: “É muito fácil ficar louco quando não se tem, absolutamente, nenhum conhecimento”. E aqueles que não possuem nenhum conhecimento, e especialmente aqueles que não têm nenhum conhecimento de Cristo, são os mais propensos a desprezá-lo. Bem que disse Watts:

“Se todas as nações conhecessem Seu valor,
Seguramente a terra inteira O amaria”

Oh, queridos amigos, se vocês soubessem quão bendito mestre é Cristo; se vocês soubessem que coisa bendita é o Evangelho; se pudessem ser conduzidos imediatamente a crer quão bendito Deus nosso Deus é; se pudessem ter uma hora do gozo como o da experiência cristã; se pudessem experimentar uma promessa aplicada a seu coração, nunca menosprezariam outra vez o Evangelho.
Oh, você diz que não gosta dessas coisas! Ora, você nunca provou! Um homem desprezaria o vinho do qual nunca tomou um pequeno gole? Talvez seja mais doce do que ele imagina. Oh, provai, e vede que o Senhor é bom e, é certo que se você O provar uma vez, verá Sua bondade! Irei me aventurar a dizer, outra vez, que há muitas pessoas que menosprezam o Evangelho, simplesmente, devido à ignorância. E se é assim, tenho um pouco de esperança de que quando sejam um pouco iluminados por estarem escutando a Palavra, o Senhor se agrade em levá-los a Si por Sua graça. E então eu sei que nunca mais menosprezarão a Cristo. Oh, não sejam ignorantes, pois “a alma sem conhecimento não é boa”! Busquem conhecê-lO, já que conhecê-lO corretamente é a vida eterna. E quando O conhecerem, nunca O menosprezarão.
Outras pessoas O menosprezaram devido ao orgulho. “De que me serve” – alguém diz – “que você me traga esse convite? Entre em minha casa, meu senhor, e eu te mostrarei uma festa tão boa quanto qualquer outra que você possa falar-me. Olhe isto! Aqui você pode comer abundantemente. Minha mesa é tão abastecida quanto a de qualquer outro homem. Sua Majestade que me perdoe, mas o Rei não pode dar uma festa melhor do que eu. E não vejo por que eu deveria arrastar meus ossos para ali, se não vou conseguir nada melhor do que eu posso ter em casa”. Portanto, não quis ir por orgulho.
E o mesmo acontece com alguns de vocês. Você precisa ser lavado? Não – você nunca foi sujo, não é? Você precisa ser perdoado? Oh, não – você é bom demais para isso! Ora, você é tão tremendamente piedoso na sua própria opinião, que se tudo fosse verdade, você faria inclusive com que o anjo Gabriel se envergonhasse ao pensar em você. Você não considera que um anjo seja capaz, nem sequer de segurar uma vela pra você. O que? Você procurar por misericórdia? Isso é um insulto pra você. “Vá e diga ao bêbado” – você comenta – “Vá e busque a prostituta. Mas eu sou um homem respeitável, eu vou sempre à igreja ou à capela, eu sou um bom indivíduo. Posso me divertir de vez em quando, mas compenso isso num outro dia. Às vezes eu sou um pouco negligente, mas, então ponho rédea nos cavalos, e compenso a distância depois. E ouso dizer que vou para o céu como qualquer outra pessoa. Eu sou um tipo muito bom.”
Bem, meu amigo, não me surpreende que você despreze o Evangelho, pois o Evangelho só lhe diz que você está totalmente perdido. Diz-lhe que sua justiça própria está cheia de pecado! Diz-lhe que, no que diz respeito a ser salvo por sua justiça própria, você poderia, de igual maneira, tentar cruzar o Atlântico navegando sobre uma folha seca, como tentar chegar ao céu por meio de sua justiça própria. E quanto a ela ser um vestuário adequado para cobri-lo, você poderia, de igual maneira, pegar uma teia de aranha para ir a corte e considerá-la um vestido apropriado para se apresentar diante de Sua Majestade.
Ah, meu ouvinte, eu sei por que você despreza a Cristo: é por causa de seu orgulho satânico! Que o Senhor lhe despoje de seu orgulho, porque se Ele não o fizer, será a lenha que assará sua alma para sempre! Acautelai-vos do orgulho; os anjos caíram pelo orgulho. Como então podem, os homens, ainda que sejam a imagem de Seu Criador, esperar vencer por meio dele? Evitem-no, fujam dele; pois tão certo como você é orgulhoso, você incorrerá na culpa de menosprezar a Cristo!
Talvez, um número equivalente menosprezou as boas novas, porque não creram no mensageiro. “Oh!” – disseram – “pare um momento. Como? Será oferecida uma ceia? Não creio nisto! O que? O jovem Príncipe vai se casar? Conte isto aos néscios já que nós não cremos em uma coisa dessas. O que? Todos fomos convidados? Não acreditamos nisto, a história é incrível.” O pobre mensageiro regressou para casa e disse a seu Mestre que eles não acreditaram nele. Essa é precisamente outra razão do por que muitas pessoas desprezam o Evangelho: porque não creem nele. “O que?” – dizem – “Jesus Cristo morreu para lavar os homens de seus pecados? Não cremos nisto. Como? Um céu? Quem o viu alguma vez? Um inferno? Quem alguma vez ouviu seus gemidos? Como? Eternidade? Quem alguma vez regressou desta última esperança de todo espírito? Como? Bem-aventurança na religião? Não cremos nisto: é uma coisa entorpecedora e miserável. Como? Doçura nas promessas? Não, não há; nós cremos que há doçura no mundo, mas não cremos que haja alguma doçura nos poços que o Senhor cavou”. E assim, eles desprezam o Evangelho, porque não creem nele. Mas, eu estou seguro de que, uma vez que um homem crê nele, nunca lhe menospreza. Se eu tenho uma solene convicção em meu coração, pelo Espírito Santo, de que se não sou salvo, há um abismo aberto que há de me devorar, você pensa que posso ir descansar depois de haver tremido da cabeça aos pés? Se creio de coração que há um céu pronto para aqueles que creem em Cristo, você pensa que posso dar sono aos meus olhos, ou descanso à minhas pálpebras depois de haver até chorado porque ele não é meu? Eu creio que não.
Mas a incredulidade abominável introduz sua mão na boca de um homem, e arranca seu coração, e, assim, lhe destrói, pois não lhe permitirá crer! E, portanto, não pode sentir porque não crê. Oh, meus amigos, a incredulidade conduz os homens a menosprezarem a Cristo! Mas a incredulidade não permanece para sempre. Não há descrentes no inferno: todos são crentes ali. Há muitos que foram descrentes aqui, mas não são agora! As chamas são demasiadamente quentes para fazê-los duvidar de sua existência! É difícil que um homem atormentado nas chamas duvide da existência do fogo. Seria difícil que um homem, estando diante do olho ardente de um Deus, duvide depois disto da existência de um Deus. Ah, incrédulos, arrependam-se, ou melhor, que o Senhor lhes convença de desistir de sua incredulidade, pois isto lhes faz menosprezar a Cristo e isto é o que está lhes tirando a vida e destruindo suas almas!
Outro conjunto de pessoas menosprezou esta festa porque eram muito mundanos: Eles tinham muitas coisas para fazer. Eu ouvi acerca de um rico comerciante que foi visitado um dia por um homem piedoso, e quando estava a sua frente, lhe perguntou: “bem, senhor, qual é o estado da sua alma?” “Alma?” – lhe respondeu – “Maldita seja. Não tenho tempo para cuidar de minha alma. Tenho suficientes coisas para fazer cuidando de meus barcos.” Aproximadamente uma semana depois aconteceu que ele teve que encontrar tempo para morrer, pois Deus o levou. Tememos que Deus lhe tenha dito: “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” Vocês, comerciantes de Londres, há muitos de vocês que leem mais seus livros contábeis do que suas Bíblias. Talvez você deva fazê-lo. Mas vocês absolutamente não leem suas Bíblias, enquanto que vocês leem seus livros contábeis todos os dias.
É dito que nos Estados Unidos eles adoram o todo-poderoso dólar. Eu creio que em Londres, muitas pessoas adoram a nossas todo-poderosas moedas de ouro. Têm o maior respeito pelas todo-poderosas notas promissórias – esse é o deus que muitos homens estão sempre adorando. O livro de oração que levam muito religiosamente em suas mãos é seu livro-caixa. Inclusive nos domingos, há um cavalheiro lá – ele não pensa que seu chefe saiba disto – mas esteve sentado toda a manhã dentro do escritório, porque estava chovendo, fazendo sua contabilidade. E agora ele vem aqui à noite, porque ele é um homem muito piedoso, extraordinariamente piedoso. Ele seria capaz de fechar os parques no domingo, ele não permitiria nenhuma alma receber um pouco de ar puro, porque é muito piedoso, mas ele mesmo pode se sentar metade de um dia no escritório, no dia de domingo, para fazer sua contabilidade, e não considera isto um pecado! Mas alguns estão demasiadamente ocupados para pensar nestas coisas. “Orar?” – eles dizem – “Eu não tenho tempo para isso! Eu tenho que pagar! Eu tenho que orar? O que? Ler a Bíblia? Não, eu não posso. Tenho que supervisionar isto e aquilo, e ver como vão os mercados. Eu encontro tempo para ler o jornal Times, mas não poderia pensar em ler a Bíblia”. Será maravilhosamente infeliz para alguns de vocês quando descobrirem que o contrato de arrendamento de suas vidas é muito mais curto do que vocês esperavam! Se vocês houvessem firmado um contrato por suas vidas de oitenta e oito anos a partir desta data, vocês seriam tolos o bastante, talvez, para gastar quarenta e quatro deles no pecado. Mas considerando que vocês são arrendatários acomodados e passíveis de serem expulsos qualquer dia, é o cúmulo da tolice, o próprio clímax do absurdo – que excede tudo o que o bobo da corte com seu chapéu e seus sinos já fez – viver simplesmente para escolher as riquezas deste mundo e não viver para as coisas vindouras. O mundanismo é um demônio que torceu o pescoço de muitas almas. Que Deus nos conceda que não pereçamos devido ao nosso mundanismo!
Há outra classe de pessoas que só posso caracterizar dessa maneira: São completamente irreflexivas. Se lhes perguntar algo concernente a religião, não têm nenhuma opinião a respeito. Eles não a detestam positivamente, não zombam dela, mas não têm nem ideia à respeito! O fato é que têm a intenção de pensar a respeito no futuro. A vida delas é uma espécie de existência de borboletas, sempre se movendo por todos os lados, sem nunca fazer nada, nem para os outros nem para si mesmos. E essas são pessoas muito amigáveis, estão sempre prontas a dar algum dinheiro para uma caridade, nunca rejeitam a ninguém, ainda que dariam seu dinheiro da mesma maneira quer fosse para um jogo de críquete ou para uma igreja! Agora, se eu fosse forçado a regressar para o mundo, e tivesse que escolher o caráter que gostaria de ter, a última posição que eu gostaria de ocupar seria a do homem irreflexivo. Eu creio que pessoas irreflexivas são as que estão em maior perigo de cair na perdição, de todas as classes que conheço.
Algumas vezes eu gosto de dirigir a palavra a um homem completamente resoluto, inflexível e que odeia o Evangelho, pois seu coração é como uma pedra. E quando é atingida pelo martelo do evangelho, a pedra fica despedaçada em um instante. Mas estas pessoas irreflexivas possuem o coração de borracha grossa: Você as golpeia, e elas cedem. Golpeia de novo, e voltam a ceder. Se estão enfermas, você as visita, lhes dizem: “Sim”. Quando lhes fala acerca da importância da religião, dizem “sim”. Quando lhes fala acerca de escapar do inferno e entrar no céu, lhe dizem: “Sim”. Pregue-lhes um sermão quando já estão melhor, e recorde-lhes os votos que fizeram durante sua enfermidade: “isso é certo, senhor” – lhe dizem. E respondem o mesmo não importa o que lhes diga. São sempre muito corteses com você, mas colocam de lado qualquer coisa que lhes disser. Se você começa a falar-lhes acerca dos bêbados: “oh, eles não são bêbados; talvez se embebedaram acidentalmente alguma vez, mas isso foi uma coisa pequena fora do modo habitual”. E apresente-lhes qualquer pecado que queira, e pode golpeá-los, e golpeá-los, mas não adianta nada, pois não são tão facilmente quebrantados nem pela metade (falando da maneira dos homens), como o verdadeiro inimigo do Evangelho de coração duro!
Ora, há um marinheiro que regressa para casa de sua viagem pelo mar, jurando, blasfemando e maldizendo. Ele entra na Casa de Deus, e o Espírito aplica praticamente a primeira palavra para quebrantar o coração de João!  Outro jovem diz: “eu conheço aquilo que qualquer ministro possa me dizer, pois minha própria mãe me ensinou, e meu velho pai costumava ler a Bíblia para mim até o ponto de ter, eu creio, cada pedacinho dela na minha cabeça. Vou a capela por causa do respeito à sua memória, mas realmente não me importa nada disso tudo. Isso é muito bom para as pessoas idosas, é muito bom para as mulheres idosas e para aqueles que estão morrendo nos tempos de cólera; é uma coisa muito boa, mas não me interessa nada sobre isso neste momento.”
Agora, eu lhes digo muito solenemente, pessoas descuidadas, que vocês são o próprio salva-vidas do diabo! Vocês são suas reservas – ele os mantém afastados da batalha – ele não os envia a frente como envia ao blasfemo, pois teme que algum disparo possa atingir casualmente sobre vocês, e vocês poderiam ser salvos. Mas ele diz: “espere aqui, e se você tiver que sair eu lhe darei uma cota de malha[1] impenetrável”. As flechas voam zumbindo contra você, todas lhe alcançam, mas infelizmente, nem uma só delas penetram seu coração, porque esse ficou em algum outro lugar. Você é somente um casulo vazio. Quando vem à Casa de Deus, e Sua Palavra é pregada, você desdenha dela, pois seu hábito consiste em ser irreflexivo acerca de tudo.
Tenho que tocar em outro caso muito brevemente, e logo lhes deixarei ir. Vocês podem desdenhar do Evangelho por pura presunção. São como o néscio, que segue adiante e é castigado – não são como o homem prudente, que, “vê o mal e se esconde”. Eles seguem adiante, este passo é seguro – e o dão. O próximo passo é seguro – e também o dão. Seu pé balança sobre o abismo de trevas. Mas eles tentarão dar um passo, e como esse passo é seguro, pensam em tentar dar o seguinte; e como o último foi seguro, e como durante muitos anos deram passos seguros, supõem que sempre os darão. E porque não morreram, pensam que nunca morrerão. E assim, por pura presunção, pensando que “todos os homens são mortais, menos eles”, eles seguem adiante menosprezando a Cristo. Tremam, vocês homens presunçosos, já que nem sempre poderão fazer isso.
E, por último, temo que haja uma grande quantidade de pessoas que menosprezam a Cristo devido ao caráter generalizado do Evangelho. É pregado em toda parte, e essa é a razão pela qual o menosprezam. Podem ouvi-lo na esquina de cada rua. Podem lê-lo nesta Bíblia que tem ampla circulação e por causa do Evangelho ser tão comum, você não se importa com ele. Ah, meus queridos amigos, se houvesse apenas um ministro do Evangelho em Londres que lhes pudesse dizer a verdade. Se houvesse apenas uma Bíblia em Londres, creio que vocês correriam para ouvir a leitura dessa Bíblia. E o homem que tivesse a mensagem não teria nenhum descanso, pois estaria obrigado a trabalhar desde manhã até a noite para proclamá-la a vocês. Mas agora, porque têm tantas Bíblias, se esquecem de lê-las! Porque têm tantos tratados, param no primeiro artigo neles. Porque têm tantos sermões, não dão nenhum valor neles. Por que isso acontece? Vocês têm pouca estima pelo sol porque ele espalha seus raios amplamente? Vocês têm pouca estima pelo pão porque é o alimento que Deus dá para todos os seus filhos? Vocês têm pouca estima pela água, quando está com sede, porque todos os riachos irão fornecê-la a você? Não. Se você estivesse sedento por Cristo, O amaria ainda mais porque Ele é pregado em toda parte, e não O menosprezaria por causa disto.
“Eles, porém não se importaram”. Quantos dos meus ouvintes esta noite, estão menosprezando a Cristo? Sem dúvidas, muitos de vocês. Darei a vocês, então, apenas uma advertência e logo nos despediremos. Menospreza a Cristo, pecador? Permita-me dizer-lhe que você o lamentará no dia em que estiver em seu leito de morte. Será duro para você, quando o esqueleto lhe agarrar, e quando estiver levando-lhe para o fundo do rio, para lhe mergulhar no lago da morte. Será duro para você, quando os tendões de seus olhos se romperem, e quando o suor de morte estiver sobre sua testa. Lembra-se da última vez que você teve febre? Ah, como você tremia! Lembra-se, noite passada, como você se estremecia na cama quando na tormenta raio após raio atravessavam sua janela, e como você tremia quando o grave trovão manifestava a Voz de Deus? Ah, pecador, você tremerá mais intensamente, quando ver que a morte vem para você e quando o cavaleiro esquelético, sobre seu cavalo branco, pegar seu dardo e cravá-lo em seu coração. Será duro para você então, se você não tem a Cristo como refúgio, nem conta com o sangue para lavar sua alma!
Além disso, recordem-se que depois da morte vem o juízo! Será duro para você se houver desprezado a Cristo e morrer como um desprezador. Você vê aquele anjo voando? Suas asas são feitas de chamas, e em sua mão ele possui uma pontiaguda espada de dois gumes. Oh, anjo, a que deve o seu voo apressado? “Ouça!” – ele diz – “esta trombeta lhe dirá.” E ele coloca a trombeta em seus lábios, e –

“Toca um chamado tão estrondoso e terrível,
Que nunca os sons proféticos foram
Tão cheios de aflição!”
Olhem! Os mortos em suas mortalhas se levantaram de seus sepulcros! Observem! A carruagem de nuvens é conduzida pelas mãos de querubins! Contemplem! Lá, sobre o trono se senta o Rei, o Príncipe. Oh, anjo, o que há de ser, neste dia terrível, do homem que houver menosprezado a Cristo? Olhem ali, ele desembainhou sua espada! “Esta lâmina” – ele diz – “o encontrará e o atravessará. Esta lâmina, como uma foice, arrancará todo joio do trigo, e este braço forte o atará em um feixe para ser queimado. E este meu grande braço o tomará, e o lançará abaixo, abaixo, abaixo, onde as chamas ardem para sempre, e o inferno geme eternamente.” Então, será duro para vocês! Prestem atenção na palavra deste homem esta noite, saiam e zombem dela, mas recordem-se, eu repito, que será algo terrível para vocês quando Cristo vier para o juízo se vocês tiverem menosprezado-O. E pior do que tudo se vocês forem encerrados nas cavernas de desespero. Se alguma vez ouvirem dizer: “Apartai-vos de mim, malditos.” Se misturarem seus terríveis gritos com os dolorosos uivos de miríades de perdidos. Se virem o abismo que não tem fim e o precipício que possui paredes de fogo, por haver Lhe menosprezado. Será algo terrível se encontrar ali e saber que nunca poderão sair! Pecador, esta noite eu lhe prego o Evangelho. Antes que você parta, ouça-o e creia nele. Que Deus te dê graça para recebê-lo, para que você seja salvo. “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer” – assim diz a Escritura – “já está condenado.” Crer é colocar sua confiança em Cristo. Ser batizado é ser mergulhado nas águas em nome do Senhor Jesus, como uma profissão de que você já está salvo e que você ama a Cristo. “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer já está condenado.” Oh, que vocês nunca cheguem a saber, pela Sua Graça, o significado dessa última palavra: CONDENADO. Adeus!
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ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.


FONTE
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com permissão de Allan Roman do espanhol.

Sermão nº 98—Volume 2 do The New Park Street Pulpit,
Tradução: Pedro Vinicius Castro
Revisão: Jéssica Morais
Capa: Salvio Bhering
Projeto Spurgeon – Proclamando a CRISTO crucificado.
@ProjetoSpurgeon