segunda-feira, 3 de julho de 2017

Série Credo Apostólico - Parte 3: Jesus Cristo é o Senhor

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INTRODUÇÃO

“Creio em Jesus Cristo, seu único filho, nosso Senhor”. O credo passa a focar, em especial, na pessoa de Jesus Cristo, e o motivo é simples: É através de Cristo que temos a plenitude da revelação. Através dele conhecemos o Pai e por seu intermédio foi nos concedido o Espírito Santo. No que se convencionou a chamarmos de “economia da salvação”, o papel de Jesus Cristo é de fundamental importância. Não é a toa que os que são integrantes do povo de Deus são identificados como cristãos.

“Jesus Cristo é o Senhor” foi uma confissão de fé surgida nos primórdios da igreja. Sua abreviação era similar a palavra “peixe” em grego, daí usarmos o peixe como um dos símbolos da religião cristã. Em tempos de perseguição, o peixe era colocado nas catacumbas dos que guardaram a sua fé até a morte.

É importante frisarmos que o Cristianismo vindica para si um caminho exclusivo para que nos cheguemos a Deus por meio de Cristo. Ele é o único mediador entre o divino e o humano, não há outro trajeto que se possa percorrer. O credo pós-moderno vai dizer que muitos caminhos levam a Deus, e que Ele pode ser encontrado em todas as religiões. Todavia, a ortodoxia cristã afirma que apenas por meio da fé em Cristo Jesus, nós somos conectados ao nosso Criador.

Não é raro vermos pessoas que se dizem conectadas com Deus, mas que rejeitam a pessoa de Cristo. Outros até o consideram, mas carregam uma imagem distorcida dele. Há quem queira puxar sardinha para o seu lado e se utiliza da figura de Jesus como se este fosse garoto propaganda de determinada ideologia. Uns vão dizer que ele foi da esquerda, outros rebaterão. Para uns Jesus é um pacificador boa praça ao estilo dos hippies dos anos 1960. Outros o veem como um filósofo popular e sincrético. O próprio Cristo falou que no fim dos tempos haveria falsos cristos. Talvez estes não sejam sempre homens (como o patético Inri), mas sim conceitos distorcidos de quem ele realmente é. A resposta de Pedro, relevada pelo Espírito Santo, é a de que ele é o Filho do Deus vivo. E João Batista deu a definição que devemos sempre professar e proclamar: Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Essa confissão de fé é uma antítese e não uma síntese. Toda vez que sintetizamos o Evangelho, é como se diluíssemos o vinho com água antes de oferecê-lo, ou seja, uma fraude.

Devemos estar atentos ao testemunho bíblico sobre Jesus. Pois, se ele não é o que diz ser nas páginas da Escritura, ou foi um lunático ou um charlatão. Estas são as duas alternativas caso não confessemos, tal como o credo nos ensina, que Jesus Cristo é o filho de Deus e o nosso senhor.

NÃO É UM SOBRENOME

Algo que precisamos compreender, antes de qualquer coisa, é que Cristo não é o sobrenome de Jesus. Cristo é o termo grego equivalente ao termo hebraico “messias”. O Messias, que por sua vez significa “o ungido”, é o enviado de Deus para governar o seu povo. Ele é o esperado por Israel, pregado pelos profetas e anelado pelo povo. Quando chamam Jesus de Cristo, estão reconhecendo que ele é aquele que fora anunciado nas páginas do Antigo Testamento. O tão aguardado salvador havia chegado.

Jesus, de fato, é nome. Quando lemos Mateus 1.21, no anúncio do nascimento de Cristo pelo anjo Gabriel, ele fala acerca deste nome, que já nos dá uma pista do que Deus planeja com aquele menino que está para nascer. Jesus significa “Deus salva”. Alguns crentes judaizantes dizem que o correto seria referir-se ao salvador como Yeshua, pois, alegam que este é o verdadeiro nome, sendo Jesus uma adulteração no nome santo. Um dos seus principais argumentos é o de que nomes próprios não são traduzidos. Todavia, Jesus não é tradução, mas sim transliteração. A transliteração é um recurso utilizado para facilitar a fonética de uma língua para outra, ela nada mais é que uma versão de letras, pois, nem todas as letras estão em todos os alfabetos.

O Novo Testamento, escrito em grego “koiné” faz a transliteração de diversos nomes. Tomemos por exemplo Jacó, um dos patriarcas. No hebraico seu nome é Yaacov, mas os redatores neotestamentários usaram Iacobo, que no português tornou-se Tiago, ou seja, Jacó e Tiago possuem o mesmo significado, que é enganador – literalmente aquele que pega pelo calcanhar. O mesmo se dá com Jesus, que é o equivalente grego para Josué. O Novo Testamento original não faz nenhuma distinção entre as nomenclaturas Jesus e Josué, apenas o contexto diferencia o sucessor de Moisés e o Messias, Filho do Deus Vivo.

Logo, quem defende o uso estrito de Yeshua, ao invés de usar Jesus, se fosse para seguir a risca, chamaria Moisés de Moshe, João de Yohanan e por aí vai. Nem Deus seria pronunciado dessa forma, ao invés disso falaríamos todos Elohin. Portanto, não há nada de errado quando falamos Jesus Cristo, embora, pelo fato do segundo ser um título, a grafia mais correta deveria ser Jesus, o Cristo.

Explicado o nome do nosso redentor, passemos agora a analisar os dois títulos que o Credo lhe confere.

FILHO DE DEUS

De uma forma geral, Deus é o pai de sua criação. Daí, todos os seres humanos podem ser vistos como filhos de Deus, no sentido de serem suas criaturas. Outra filiação se dá por adoção. Os filhos de Deus são aqueles que Ele adotou para si: “Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade” (Efésios 1:5).

Como podemos ver, esta adoção se dá por meio de Jesus, que é o Filho de Deus na eternidade. É nesse sentido que Jesus é singularmente o Filho de Deus, pois, é o filho não criado, mas eternamente gerado do Pai. O que quer dizer que compartilham da mesma essência, logo, quando é dito que Jesus é o Filho unigênito de Deus (João 3.16), reconhecemos a sua natureza divina. Lembremos que o Deus a quem professamos é Trindade, logo, o Pai e o Filho são duas personas distintas, porém, estão unidos em essência, compartilhando da substância divida na eternidade.

Alguns teólogos, baseados na filiação eterna de Cristo, dizem que ele sempre foi subordinado ao Pai, todavia, consideramos tal posição equivocada. Na eternidade Pai e Filho são iguais em atributos, poder e glória. Devido a natureza divina ser indivisível, seus atributos estão presentes de maneira igual entre todas as pessoas da Trindade.

É bem verdade que no plano da salvação, Jesus se coloca numa condição servil. Ele é o servo sofredor, conforme Isaías profetizou, pois esvaziou-se (ler Filipenses 2). Sendo assim, Jesus se subordina ao Pai enquanto encarnado em seu ministério terreno. Mas sua relação intra-trinitária não possuí esse caráter servil. Para ilustrar, mesmo sendo filho, é como se Jesus fosse um filho adulto, que não é subserviente ao seu pai, embora o estime e continue mantendo o elo do amor na filiação.

SENHOR

No Antigo Testamento, Senhor é o termo usado para referir-se a Deus. Por ser considerado sagrado ao extremo, o nome de Deus não era mencionado, e então Senhor servia para nomear o Divino. Quando Jesus é chamado de Senhor, ele está sendo reconhecido como Deus, o mesmo de Abraão, Isaque e Jacó. Os judeus tentaram matar a Cristo quando ele se colocou como sendo “Eu Sou”, o Deus revelado aos patriarcas e profetas: “Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!” (João 8:58).

Mas este termo também implica dizer que Cristo é o dono de todas as coisas e por meio dele tudo subsiste. O Novo Testamento se refere a Jesus como Salvador apenas 16 vezes; chama-o Mestre 64 vezes; mas proclama-o Senhor umas 650 vezes! Como disse, certa feita, Abrahan Kuyper: “Não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: é meu!”

CONCLUSÃO

Ter Cristo como Senhor é o que tem faltado a muitos que dizem professar a fé em sua pessoa. Os indivíduos que confessam a Jesus falam o quanto amam seu salvador e batem na tecla de que ele as salvou. Isso é uma verdade: Cristo salva! No entanto, não devemos separar o Redentor do Senhor. Cristo redime um povo e o coloca em baixo de seu senhorio, de modo que a vida que vivem os salvos não mais são as suas vidas, mas passam a ser a vida de seu Senhor Jesus Cristo.

O apóstolo Paulo resume bem o que é viver debaixo do senhorio de Cristo ao escrever aos irmãos da Galácia: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2:20).

Devemos entender que a vida cristã é de renúncia e submissão. Determinada linha doutrinária de nossos dias, que apesar de ser bem popular, é herética, coloca o homem no papel de decretar e dizer aquilo o que Deus deve fazer. Isso não é biblicamente coerente. Por isso devemos ter cuidado e refletir se em nossa relação com nosso SENHOR, somos realmente humildes e subservientes a Sua vontade.

Agora nos é importante lembrar que o nosso Senhor não é um tirano ou um despótico. Aos seus discípulos ele chama amigos (João 15.15) e, paradoxalmente, servi-lo é ter liberdade. Lembrando que quem não tem a Cristo como Senhor é servo de outro patrão: o Diabo. Vive preso em suas redes e tem um trágico fim. Ele geralmente vem bem apresentado, tem muitas artimanhas para escravizar o homem. Os falsos deuses são os artifícios de Satanás para seduzir. Dinheiro, sexo, poder são suas armas mais usadas. Todavia, que diante de um senhorio concorrente, possamos dizer tal qual Josué diante do povo de Israel que estavam se curvando perante ídolos:

Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor”. - Josué 24:15

Soli Deo Gloria 

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos