|
Posted: 09 Mar 2012 02:13 PM PST
Martinho Lutero Na sua exposição do capítulo 15 da 1ª Carta aos Coríntios, falando especificamente sobre os versículos 26 e 27, Lutero fala sobre a tolice humana de se apegar aos bens materiais quando eles são absolutamente inúteis diante da inevitabilidade da morte. O trecho abaixo faz parte de uma série de 17 pregações de Lutero levadas a cabo entre 11 de agosto de 1532 e 27 de abril de 1533, que foram compiladas pelo diácono Jorge Rörer e publicadas por Gaspar Cruciger no mesmo ano de 1533.
Comentário de Martinho Lutero a 1 Coríntios 15:26-27 – “O último inimigo a ser destruído é a morte. Por que todas as coisas sujeitou debaixo dos pés.” O cristão, entretanto, justamente pelo fato de ter-se tornado um cristão, está enfiado na morte e a carrega consigo a toda hora, onde quer que esteja, precisando esperá-la a todo o momento enquanto aqui viver, uma vez que o diabo, o mundo e sua própria carne não lhe dão sossego. Em contrapartida, ele tem a vantagem de já ter saído da sepultura com a perna direita e tem um poderoso assistente que lhe estende a mão, ou seja, seu Senhor Cristo, que, há muito, já saiu, dá-lhe a mão e já o retirou em mais da metade, de modo que não resta mais que o pé esquerdo.
Isso, porque o pecado já lhe está perdoado e eliminado, a ira de Deus e o inferno, apagados, ele já vive totalmente em e junto a Cristo e sua parte melhor (que é a alma) participa da vida eterna; por isso, a morte não mais pode segurá-lo nem comprometê-lo, exceto que o resto, a velha pele, carne e sangue precisam decompor-se para, também, renovar-se e, também, poder seguir à alma. No mais, já chegamos totalmente à vida, porque Cristo e minha alma não mais estão na morte. Desse consolo e obstinação, o mundo nada sabe, embora teimem e se gabem de muito dinheiro e posses, de grande prestígio, amizade e poder. Porém, diga-me uma só pessoa que, com tudo isso, pudesse depender-se da morte ou evitá-la.
Ainda não houve um sequer que tivesse levado consigo a mínima coisa, um grãozinho ou um pingo d’água. Têm que ficar deitados ali, não conseguem ajudar-se com uma respirada sequer, ficando estirados eternamente em fedor insuportável, se não os enterrarem. E nenhum vermezinho seria tão inofensivo a ponto de não conseguir apoderar-se deles para devorar o cadáver. Nenhum rei jamais foi tão rico e poderoso que pudesse levar consigo toda a sua coroa e poder o equivalente a um centavo que fosse. Pelo contrário, tudo que já tiveram, eles têm que deixar aqui fora, deixando-se enterrar no túmulo, totalmente desprovidos.
Embora não muitos de nós já tenhamos saído com Cristo da morte e da sepultura de volta para a vida, temos um homem que da morte tudo levou consigo, nada perdendo por causa dela, mas tudo levou consigo, não deixando lá um fio de cabelo sequer; mas, justamente nela, ele puxou todas as coisas para si (como ele mesmo diz) e as sujeitou a si, de modo que, dele e por meio dele, também nós tenhamos que sair e, também, puxar conosco tudo o que aqui deixamos. Disso podemos nos gabar e isso, também, podemos defender contra o mundo inteiro, ainda que ridicularizem a fé e o cristianismo, fiando-se em que, agora, têm dinheiro e posses suficientes, vivendo como querem em sua ganância e toda sorte de prazeres.
Mas o que vale é: vai acumulando, poupando e ajuntando numa boa, vê quem consegue desbancar o outro! Se tu tens dinheiro e posses, poder e tudo que desejas, tenta levar um centavo contigo! Mas eu quero te mostrar um Senhor que nada deixou atrás de si na morte, mas arrancou tudo [dela] e, também, me dá a mão para que eu possa arrancar também a mim. Mostra-me um homem desses em todo o mundo que, alguma vez, tenha levado consigo um fio ou o tenha trazido da morte!? Que adianta tua insistência em algo tão nulo, que não fica em teu poder sequer um momento ao chegar à morte, como se quisesses tê-lo eternamente ou levar tudo contigo?
|
O Evangelho de João, o Gnosticismo e seu Contexto
Há muita discussão sobre o jogo de influências entre o gnosticismo e o quarto evangelho. Não tenho a pretensão de fechar a questão com este artigo, isso demandaria muita pesquisa; e acredito que a coisa está cercada de tantas possibilidades que não seria possível ser categórico ainda que se leia e se destrinche tudo sobre o assunto. Seriam apenas fontes e evidências, mas as conclusões sempre margearão o campo da especulação. Se no fim das contas ficaremos dependentes de nossos próprios paradigmas que montam as peças desse gigante quebra-cabeça, minha tarefa aqui é apenas a de demonstrar (pelo menos vou tentar!) que há sempre uma interpretação alternativa para qualquer teoria, ainda que formulada com base em fontes ou evidências. Portanto, não estou tentando provar nada, apenas demonstrar que determinadas proposições que “evidenciam” uma influência gnóstica no Evangelho de João ou o propósito de sua autoria podem ser simplesmente uma furada. Vamos começar a questão pelo propósito d...
Comentários
Postar um comentário