quarta-feira, 21 de março de 2012



"É muitíssimo evidente pelas obras de Deus que o seu conhecimento e poder são infinitos... Sendo assim, infinito em poder e conhecimento, ele também deve ser perfeitamente santo, pois a falta de santidade sempre demonstra algum defeito, alguma cegueira. Onde não há escuridão nem engano, não pode haver falta de santidade... Deus, sendo infinito em poder e conhecimento, deve ser auto-suficiente e todo-suficiente; por isso é impossível que ele estivesse sob a tentação de fazer alguma coisa errada, pois não teria uma finalidade em fazê-lo... portanto, Deus é essencialmente santo, e nada é mais impossível de ocorrer do que ele falhar".

Quando Jonathan Edwards se aquietou e reconheceu que Deus é Deus, a visão diante de seus olhos foi a de um Deus absolutamente soberano, auto-suficiente em si mesmo e suficiente para suas criaturas, infinito em santidade e, portanto, perfeitamente glorioso, ou seja, infinitamente belo em toda a sua perfeição. As ações de Deus, por isso, nunca são motivadas pela necessidade de suprir as suas deficiências (pois ele não tem nenhuma), mas são sempre motivadas pela paixão de mostrar a sua suficiência gloriosa (que é infinita).

Ele faz tudo o que faz - absolutamente tudo — a fim de mostrar sua glória. Logo, o nosso dever e privilégio é conformar-nos com o propósito divino na criação, na História e na redenção, ou seja, refletir o valor da glória de Deus, pensar, sentir e fazer tudo o que for preciso para engrandecer o nosso Deus. Nossa razão de ser, a nossa vocação, nossa alegria é a de tornar a glória de Deus visível.

Edwards escreve: "Tudo aquilo que é mencionado nas Escrituras como a finalidade última das obras de Deus está incluído em uma única frase, a glória de Deus... O esplendor brilha sobre e na criatura, e é refletido de volta para a luminária. Os raios de glória vêm de Deus, são algo de Deus e são reintegrados de volta à sua origem. Assim que a totalidade é de Deus e em Deus, e para Deus, e Deus é o começo, meio e fim neste caso". Esta é a essência da visão fascinada pela glória de Deus que Edwards possuía a respeito de todas as coisas!

Deus é o princípio, o meio e o fim de todas as coisas. Nada existe sem que tivesse sido criado por ele. Nada subsiste sem a sustentação da sua Palavra. Tudo tem a razão de sua existência nele. Portanto, nada pode ser entendido à parte dele, e qualquer entendimento de qualquer coisa que o exclua são compreensões superficiais, pois deixam de fora a realidade mais importante do universo.

Hoje, mal podemos começar a sentir quanto nos tornamos ignorantes de Deus, porque ele é o próprio ar que respiramos. E por isso que eu digo que a visão fascinada pela glória de Deus que Edwards possuía a respeito de todas as coisas não somente é rara, mas também necessária. Se não partilharmos dessa visão, não nos uniremos conscientemente a Deus na finalidade para a qual ele criou o universo. E se não nos juntarmos a Deus em avançar seu objetivo para o universo, então desperdiçaremos as nossas vidas e seremos opositores do nosso Criador.

Por John Piper