sábado, 26 de outubro de 2013

O Tempo nos Quatro Evangelhos - P.Wilson


As horas do julgamento e crucificação do Senhor Jesus e os métodos de se contar o tempo são bem interessantes. No Evangelho de João é utilizada a contagem romana do tempo, que é a mesma empregada hoje, porém nos três outros Evangelhos, e também em Atos, o tempo é contado segundo o modo judeu. É calculado do nascer do sol ao poente, e do poente ao nascer do sol.


1. Pilatos condenou o Senhor Jesus "à hora sexta" (Jo 19:14), ou seis da manhã, de acordo com o horário romano. O Senhor e Seus discípulos comeram a Páscoa na noite anterior, e depois foram ao Jardim de Getsêmani.
Ali Ele foi traído por Judas, preso pela turba, e abandonado pelos Seus. Ele foi então levado ao sumo sacerdote, e mais tarde a todo o conselho, onde foi condenado à morte. Dali Ele foi levado a Pilatos, de Pilatos a Herodes, e de volta a Pilatos. Então, em Sua aparição final diante de Pilatos, Ele foi condenado à morte às 6 horas da manhã. Eles haviam ficado ocupados a noite toda a fim de executar seus malignos desígnios.
2. Marcos 15:25 diz: "E era a hora terceira, e O crucificaram". Isto está em perfeita concordância com o Evangelho de João, onde Ele continuava sendo julgado às 6 horas da manhã. Aqui, em conformidade com o horário judaico, Ele foi crucificado à hora terceira, ou 9 horas da manhã. Após Pilatos haver pronunciado Sua sentença, Ele foi levado para ser escarnecido pelos soldados, e depois levado em procissão para fora da cidade, até o Gólgota. Assim passou um período de tempo equivalente a três horas, da sentença até a crucificação.


3. Mateus, Marcos e Lucas nos falam das trevas que desceram sobre a terra da "hora sexta... até a hora nona", ou do meio-dia às três da tarde. Ele esteve na cruz das nove da manhã até o meio-dia sofrendo como um mártir; daí em diante a cena mudou e Ele foi feito uma "oferta pelo pecado". Durante o segundo período de três horas, Ele esteve ali como a vítima santa, e trevas encheram todo o cenário, pois o homem foi colocado fora de cena quando o assunto era Deus tratando com o pecado na Pessoa do Substituto que não tinha pecado. Todos os três evangelhos que falam daquelas três horas falam delas segundo o método judaico de contagem do tempo. A razão de João usar o horário romano está no fato de ele haver escrito muito tempo depois, talvez no ano 90 D.C., ou vinte anos depois de Jerusalém e do governo judaico haver sido destruído; nessa época o horário romano estava em vigor.
4. Tão logo o Senhor Jesus entregou Seu Espírito, à hora nona, o véu no templo foi rasgado de cima abaixo. Nenhuma mão humana fez isso, pois o rasgo começou em cima. Era Deus Quem fazia aquilo, abrindo assim a entrada ao santo dos santos, mostrando que Ele podia sair para fora em graça, e que o pecador podia se aproximar através da obra consumada dAquele que morreu.
5. Atos 3:1 nos diz que a hora nona era a hora de oração; ou seja, às três da tarde. Alguns também dizem que àquela hora, à hora da oração, o sacerdote ficava no santo lugar do templo, bem defronte ao véu. Se isto for verdade, o sacerdote deveria estar no santo lugar para testemunhar o véu rasgando. Que visão deve ter sido para ele, poder enxergar aquele lugar - o santo dos santos, que era conhecido apenas do sumo sacerdote que ali entrava uma vez por ano - totalmente aberto diante de seus olhos. Que testemunho da eficácia da obra dAquele que acabava de morrer!

P.Wilson, Christian Treasury, Ago/94