domingo, 13 de setembro de 2015

Poder do Alto cap.8,9

Como Vencer o Pecado

Em todos os períodos do meu ministério tenho encontrado muitos cristãos professos em lamentável estado de escravidão ao mundo, à carne ou ao diabo, pois o apóstolo diz claramente: "O pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e, sim, da graça". Em toda a minha vida cristã tenho ficado penalizado ao encontrar tantos crentes vivendo na escravidão legalista descrita no capítulo sete de Romanos: uma vida de pecar, de resolver reformar-se e de cair novamente. E o que é particularmente entristecedor e até mesmo motivo de angústia, é que muitos pastores e cristãos proeminentes dão instrução inteiramente errônea sobre o assunto de como vencer o pecado. A orientação que, lamentavelmente, costuma ser dada sobre esse assunto, resume-se nisto: "Trata os teus pecados um por um, resolve abster-te deles, luta contra eles, com oração e jejum se for preciso, até vencê-los. Dispõe firmemente a tua vontade contra uma recaída no pecado, ora e luta, resolve não fraquejar e persiste nisso até que formes o hábito da obediência e quebres todos os teus hábitos pecaminosos". É verdade que geralmente acrescentam: "Nessa luta, não deverás depender das tuas próprias forças, mas pedir o auxílio de Deus".
Em uma palavra, grande parte do ensino, tanto do púlpito como da literatura evangélica, acaba dando nisto: a santificação é pelas obras, não pela fé. Noto que o Dr. Chalmers, nas suas preleções sobre Romanos, sustenta expressamente que a justificação é pela fé, mas a santificação é pelas obras. Há uns vinte e cinco anos, parece-me, que um eminente professor de teologia da Nova Inglaterra sustentou praticamente a mesma doutrina. No início da minha vida cristã eu quase ia sendo enganado por uma das decisões do Presidente Edwards, que consistia mais ou menos nisto: quando ele caía em algum pecado, reconstruía a sua evolução até descobrir a origem, então lutava e orava com todas as forças contra esse pecado até subjugá-lo. Isso, como se vê, é dirigir a atenção ao ato patente do pecado, sua fonte ou ocasiões. Tomar a decisão e lutar contra o ato, faz-nos concentrar a atenção no pecado e sua fonte, desviando-a inteiramente de Cristo.
É essencial esclarecermos o quanto antes que todos os esforços dessa natureza são inúteis e não raro resultam em desilusão. Em primeiro lugar, é perder de vista o que realmente constitui o pecado e, em segundo, abandonar a única maneira viável de evitá-lo. Desse modo poderá ser dominado e evitado o ato ou hábito exterior, enquanto que aquilo que realmente constitui o pecado permanece intato. O pecado não é externo e sim interno. Não é movimento muscular, nem mesmo a volição causadora da ação muscular; não é um sentimento ou desejo involuntário. É um ato ou estado voluntário da mente.
O pecado é nada menos do que aquela escolha voluntária e fundamental, aquele estado de submissão ao agrado próprio, donde procedem as volições, as ações externas, os propósitos, as intenções, enfim todas as causas que são comumente chamadas de pecado. E contra que estamos agindo, quando tomamos resoluções e fazemos esforços para suprimir hábitos pecaminosos e formar outros, santos? "O amor é o cumprimento da lei". Mas podemos induzir o amor por meio de decisões? As decisões eliminam o egoísmo? Claro que não. Podemos suprimir esta ou aquela manifestação ou expressão do egoísmo, resolvendo não fazer isto ou aquilo, orando e lutando contra o mal. Podemos resolver prestar obediência aos mandamentos de Deus. Mas arrancar do peito o egoísmo por meio de resoluções é um contra-senso. Assim também é contra-senso o esforço para conseguir, por meio de decisões, obedecer em espírito os mandamentos de Deus, amar conforme a lei de Deus.
Há muitos que sustentam que o pecado consiste nos desejos. Que seja! Dominamos por força de resoluções os nossos desejos? Poderemos, pela resolução, deixar de satisfazer determinado desejo. Poderemos fazer ainda mais, abstendo-nos de satisfazer o desejo em sua manifestação exterior. Isso, porém, não é assegurar o amor de Deus, que é o que constitui a obediência. Se nos tornássemos anacoretas, emparedando-nos em uma cela e crucificando todos os nossos desejos e apetites no que se refere à sua satisfação, apenas teríamos evitado certas formas de pecado, porém a raiz que realmente constitui o pecado não seria tocada. Nossa resolução não assegura o amor, a única verdadeira obediência a Deus. Todo o nosso batalhar contra a manifestação exterior do pecado à força das resoluções, apenas acabam tornando-nos em sepulcros caiados. É inútil lutar contra o desejo através do poder de resoluções; pois tudo isso, por mais bem sucedido que seja o esforço para reprimir o pecado, quer na vida exterior quer no desejo interior, acabará em desilusão, pois através do poder de resolução não podemos vir a amar amar.
Todos os esforços dessa natureza para vencer o pecado são inúteis e, ainda, estão em desacordo com a Bíblia. Esta ensina expressamente que o pecado é vencido pela fé em Cristo. Ele é "o caminho, a verdade e a vida". Diz-se a respeito dos crentes que seus corações são "purificados pela fé" (At 15.9). E em Atos 26.18 afirma-se que são santificados pela fé em Cristo. Em Romanos 9.31-32 lemos que os judeus não atingiram a justiça porque não a buscaram pela fé e, sim, pelas obras.
A doutrina da Bíblia é que, pela fé, Cristo salva o seu povo do pecado; que o Espírito de Cristo é recebido pela fé para habitar no coração. É a fé que opera pelo amor. O amor é operado e sustentado pela fé. Pela fé os crentes "vencem o mundo, a carne e o diabo". É pela fé que se "apagam todos os dardos inflamados do maligno". É pela fé que os crentes se "revestem do Senhor Jesus Cristo" e "se despem do velho homem com os seu feitos". É pela fé que combatemos "o bom combate", e não pelas resoluções. É pela fé que "ficamos em pé" e pelas resoluções é que caímos. Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. É pela fé que a carne é subjugada e conquistados os desejos carnais.
Na realidade é simplesmente pela fé que recebemos o Espírito de Cristo para operar em nós o querer e o efetuar segundo seu beneplácito. Ele derrama em nosso coração o seu próprio amor, acendendo assim o nosso. Toda vitória sobre o pecado vem pela fé em Cristo; e quando o pensamento se desvia de Cristo para as resoluções e as lutas contra o pecado, quer tenhamos consciência disso ou não, estamos agindo com nossas próprias forças, rejeitando o socorro de Cristo: estamos sob uma perigosa ilusão. Nada, senão a vida e energia do Espírito de Cristo dentro de nós, pode salvar-nos do pecado: e a confiança é a condição uniforme e universal da operação dessa energia salvadora dentro de nós.
Até quando esse fato continuará sendo ignorado, pelo menos na prática, pelos professores da religião? Até que profundidade vai a raiz da presunção da justiça própria e da auto-dependência no coração do homem? É tão profunda que esta é uma das lições que o coração do homem mais custa a aprender: renunciar à auto-dependência e confiar inteiramente e somente em Cristo. Quando abrirmos a porta para a confiança absoluta, ele entrará e fará conosco e em nós a sua morada, inundamo-nos do seu amor. Ele faz toda a nossa alma reviver para senti-lo e, assim e somente assim, purifica o nosso coração pela fé. Ele sustenta nossa vontade na atitude de devoção. Ele aviva e regula nossos afetos, desejos, apetites e paixões, tornando-se a nossa santificação. Muito do que ouvimos em reuniões de oração e de conferência, do púlpito e da literatura, dá orientação tão errônea, que ouvir ou ler tais orientações se torna doloroso ao ponto de ser quase insuportável. Isso só pode gerar ilusão, desânimo e a rejeição prática de Cristo conforme Ele é apresentado no evangelho.
Ai da cegueira que "conduz à confusão" a alma que anseia a libertação do poder do pecado! Tenho escutado, às vezes, doutrinas legalistas sobre este assunto até sentir vontade de gritar. É simplesmente incrível ouvirmos de homens cristãos que fazem objeção ao ensino que tenho apresentado aqui, alegando que nos deixa em estado passivo, para sermos salvos sem atividade nossa. Que ignorância essa objeção revela! A Bíblia ensina que, pela confiança em Cristo, recebemos uma influência interior que estimula e dirige a nossa atividade; que pela fé recebemos sua influência purificadora no recôndito do nosso ser; que através da sua verdade revelada diretamente à alma, ele vivifica todo o nosso ser interior para ter a atitude de amor e obediência; e é esse o caminho, não havendo outro caminho prático, para vencermos o pecado.
Mas, alguém poderá perguntar: "Não nos exorta o apóstolo assim: "Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade"? Então isso não é uma exortação para fazermos aquilo que nesse artigo estais condenando? De maneira alguma. No verso 12 de Filipenses 2, Paulo diz: "Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade". Não há aqui nenhuma exortação a trabalhar por força de resolução, mas sim por meio da operação interior de Deus. Paulo os tinha ensinado, quando estava presente com eles: agora, na sua ausência, exorta-os a desenvolverem a salvação, não pela resolução, mas através da operação de Deus.
É precisamente essa a doutrina do presente folheto. Paulo ensinara muitas vezes à Igreja, que Cristo no coração é a nossa santificação e que essa influência se recebe pela fé. Portanto, não iria agora ensinar que a nossa santificação deve ser desenvolvida mediante resoluções e esforços para reprimir hábitos pecaminosos e formar hábitos santos. De modo muito feliz esse passo da Escritura reconhece as duas agências, divina e humana, na obra da santificação. Deus opera em nós o querer e o realizar: nós aceitamos pela fé a sua operação queremos e efetuamos de acordo com a sua boa vontade.
A própria fé é um estado ativo e não passivo. A ideia de uma santidade passiva é um contra-senso. Que ninguém alegue que, ao exortarmos as pessoas a confiarem inteiramente em Cristo, estamos ensinando que alguém deva ou possa ser passivo ao receber em seu íntimo a influência divina e com ela cooperar. Essa influência é moral e não física. É persuasão e não força. Influencia a livre vontade e, por conseguinte, o faz pela verdade e não pela força. Oxalá fosse compreendido que toda a vida espiritual que houver em qualquer pessoa, é recebida de Cristo pela fé, como o ramo recebe da videira a sua vida. Abaixo com o evangelho das resoluções! É uma cilada de morte. Abaixo com o esforço para tornar a vida santa, quando o coração não tem em si o amor de Deus! Oxalá os homens aprendessem a olhar diretamente para Cristo pelo evangelho e de tal modo a chegarem-se a ele mediante um ato de confiante amor, que ficassem envolvidos na simpatia universal do seu modo de pensar! Isso e somente isso é santificação.

Capitulo 9
Pregador, Salva a Ti Mesmo

"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres, porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes", I Tm 4.16

Não vou pregar a pregadores, mas apenas sugerir algumas condições sob as quais poderão apossar-se da salvação prometida nesse texto.
  1. Cuida em ser constrangido pelo amor a pregar o evangelho, como o foi Cristo a providenciar um evangelho.
  2. Cuida em ter o revestimento especial de poder do alto, pelo batismo do Espírito Santo.
  3. Cuida em ler a vocação, não apenas da cabeça, mas do coração, para empreenderes a pregação do evangelho. Com isso quero dizer: sê cordial e intensamente inclinado a buscar a salvação de almas como a grande missão da tua vida; e não empreendas aquilo a que teu coração não te impelir.
  4. Mantém constantemente a comunhão íntima com Deus.
  5. Faz da Bíblia o teu Livro dos livros. Estuda-a muito, de joelhos, esperando iluminação divina.
  6. Acautela-te de depender dos comentários. Consulta-os quando convier: porém, julga por ti mesmo à luz do Espírito Santo.
  7. Guarda-te puro -- em propósito, em pensamento, em sentimento, em palavras e em ações.
  8. Contempla a culpa dos pecadores e o perigo que correm, para que se intensifique teu zelo pela sua salvação.
  9. Também pondera profundamente e demora-te diante do infinito amor e compaixão de Cristo por eles.
  10. Ama-os de tal modo a estares pronto a morrer por eles.
  11. Dedica os esforços da tua mente ao estudo de meios e modos de salvá-los. Faz disso o grande e intensivo estudo da tua vida.
  12. Recusa-te a ser desviado dessa obra. Guarda-te contra toda tentação que arrefeça teu interesse nela.
  13. Crê na afirmação de Cristo, de que ele está contigo nessa obra sempre e em todo lugar, para dar-te todo o auxílio necessário.
  14. "O que ganha almas é sábio": e "se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e nada lhes impropera: e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé". Lembra-te, portanto, que tens a obrigação de possuir a sabedoria que ganhará almas para Cristo.
  15. Sendo chamado por Deus para a obra, faz dessa tua vocação o argumento constante junto a Deus, para dele obteres tudo que precisares para a execução da obra.
  16. Sê diligente e laborioso, "a tempo e fora de tempo".
  17. Conversa muito com todas as classes dos teus ouvintes sobre a questão da salvação, a fim de compreenderes suas opiniões, erros e necessidades. Verifica seus preconceitos, sua ignorância, seu humor, seus hábitos e tudo mais que precisares saber a fim de adaptares tua instrução às suas necessidades.
  18. Cuida em que teus próprios hábitos sejam corretos em todo sentido; que sejas temperado em todas as coisas: livre da mancha ou odor do fumo, do álcool, das drogas, de tudo que terias motivo para envergonhar-te e que sirva de tropeço a outros.
  19. Não sejas "de mente leviana," antes "põe o Senhor continuamente diante de ti".
  20. Controla bem tua língua e não te dês a conversas frívolas e sem proveito.
  21. Deixa sempre que o povo observe que o tratas com a mais absoluta seriedade tanto no púlpito como fora dele: e não permitas que o convívio diário com as pessoas neutralize tua mensagem no domingo.
  22. Resolve "nada saber" entre teu povo "senão a Jesus e este crucificado": e deixa claro que, na qualidade de embaixador de Cristo, teus negócios com eles dizem respeito inteiramente é salvação da alma.
  23. Tem cuidado de ensiná-los não são por preceito mas também pelo exemplo. Pratica tu mesmo o que pregas.
  24. Tem cuidado especial no relacionamento com o sexo feminino, a fim de jamais levantares pensamento ou desconfiança da menor impureza em ti mesmo.
  25. Vigia os teus pontos fracos. Se fores por natureza dado a jovialidade e brincadeiras, vigia ocasiões de falha nessa área.
  26. Se fores por natureza carrancudo e insocáivel, vigia contra o mau humor e a insociabilidade.
  27. Evita toda a afetação e fingimento. Sê aquilo que professas ser e não serás tentado a "fazer de conta".
  28. Que a simplicidade, a sinceridade e a correção cristã, assinalemtoda a tua vida.
  29. Passa muito tempo, diariamente pela manhã e à noite, em oração e comunhão direta com Deus. Isso te trará poder para a salvação. Não há erudição nem estudo que compense a perda dessa comunhão. Se deixares de manter comunhão com Deus, "te enfraquecerás e serás como qualquer outro homem".
  30. Acautela-te do erro que afirma não haver participação do homem na regeneração nem, por conseguinte, ligação entre esta participação e o resultado final, ou seja, a regeneração da alma.
  31. Compreende que a regeneração é uma transformação também moral e, portanto, voluntária.
  32. Compreende que o evangelho se destina a transformar o coração dos homens e, apresentando-o sabiamente, podes contar com a cooperação eficiente do Espírito Santo.
  33. Na escolha e no tratamento dos textos para teus sermões, procura sempre a orientação direta do Espírito Santo.
  34. Que todos os teus sermões sejam do coração e não apenas da cabeça.
  35. Prega à base da experiência e não por ouvires dizer, nem apenas pela leitura e estudo.
  36. Apresenta sempre o assunto que o Espírito Santo põe no teu coração para a ocasião. Lança mão dos pontos que o Espírito apresentar à tua mente e apresenta-os tão diretamente quanto possível à congregação.
  37. Entrega-te à oração sempre que fores pregar e vai do aposento para o púlpito com os gemidos íntimos do Espírito procurando expressão nos teus lábios.
  38. A tua mente deve estar plenamente imbuída do assunto, de maneira que esta esteja procurando expressão: abre a boca e deixa as palavras saírem como torrente.
  39. Vê que não esteja sobre ti o "temor do homem que arma um laço". Deixa o povo compreender que temes demais a Deus para temê-los.
  40. Não deixes nunca que a tua popularidade com o povo tenha influência sobre a tua pregação.
  41. Não deixes nunca que a questão de salário te detenha de "declarar todo o conselho de Deus", "quer ouçam quer deixem de ouvir".
  42. Não contemporizes, para não acontecer perderes a confiança do povo e assim falhares em salvá-los. Eles não poderão respeitar-te integralmente como embaixador de Cristo, se perceberem que te falta coragem para cumprires o teu dever.
  43. Cuida em te "recomendar à consciência de todo homem, na presença de Deus".
  44. Não sejas "cobiçoso de torpe ganância".
  45. Evita toda aparência de vaidade.
  46. Inspira o respeito do povo pela tua sinceridade e sabedoria espiritual.
  47. Não deixes nem de longe que imaginem que possas ser influenciado na pregação por questões de salário maior, menor ou nenhum.
  48. Não dês a impressão de que aprecias uma boa mesa e gostas de ser convidado para jantar; pois isso será um laço para ti e uma pedra de tropeço para eles.
  49. Subjuga o teu corpo, para que, tendo pregado o outros, não venhas tu mesmo a ser desqualificado.
  50. Vela pelas almas, como quem deve prestar contas delas perante Deus.
  51. Sê diligente no estudo e instrui cabalmente o povo em tudo que é essencial à salvação.
  52. Jamais bajules os ricos.
  53. Sê particularmente atencioso às necessidades e à instrução dos pobres.
  54. Não te deixes levar à transigência com o pecado pelo suborno de festas de beneficência.
  55. Não te deixes tratar publicamente como mendigo, pois do contrário virás a merecer o desprezo de larga classe dos teus ouvintes.
  56. Repele toda tentativa de fechares a boca a tudo quanto for extravagante, errado ou prejudicial entre o teu povo.
  57. Mantém a tua integridade e independência pastorais, para não cauterizar a consciência, apagar o Espírito Santo e perder a confiança do povo e o favor de Deus.
  58. Sê o exemplo do rebanho: permite que a tua vida ilustre o teu ensino. Lembra-te de que as tuas ações e espírito ensinarão com ainda maior ênfase do que os teus sermões.
  59. Se pregas que os homens devem servir a Deus e ao próximo por amor, cuida em fazer o mesmo e evita tudo que possa dar a impressão de que trabalhas por salário.
  60. Serve ao povo com amor e anima-os a retribuir, não com o equivalente em dinheiro, mas com a retribuição do amor, que proporcionará refrigério tanto a ti como a eles.
  61. Repele toda proposta para angariar fundos para ti ou para o trabalho da igreja junto a homens mundanos, embora que sejam solícitos e prontas para ajudar.
  62. Repele as festas e reuniões sociais dispersivas, principalmente nas épocas mais favoráveis a esforços unidos para a conversão de almas a Cristo. Podes estar certo de que o diabo procurará desviar-te nessa direção. Quando estiveres orando e planejando um avivamento da obra de Deus, alguns mundanos da igreja te convidarão para uma festa. Não vás, pois se fores, terás uma série de festas, que virão anular as tuas orações.
  63. Não te deixes enganar: o teu poder espiritual perante o povo nunca crescerá pela aceitação de tais convites em tais épocas. Se a ocasião é boa para festas, porque o povo está folgado, também é boa para reuniões religiosas e tua influência deve ser aplicada para atrair o povo à casa de Deus.
  64. Cuida em conhecer pessoalmente e viver diariamente a pessoa de Cristo. 
José Mateuszemateus@msn.com