domingo, 28 de abril de 2013

A apologética nos Símbolos de Westminster é pressuposicionalista?



Por Luciano Sena

Acho que toda defesa da fé cristã é útil, e para alguns contextos algumas são mais eficazes do que outras. 

A apologética evidencialista, apresenta 'provas materiais', ou observáveis, em favor do cristianismo. Porém, 'a atualização de dados pode ser difícil para uma manutenção argumentativa'. 

Uma apologética racionalista também apela constantemente para pressupostos filosóficos, razão e confronto intelectual. Mas a razão está ofuscados pelo pecado, impossibilitando um uso adequado dela por parte de pessoas não regeneradas (Veja minha opinião sobre a razão AQUI). 

A apologética pressuposicionalista trabalha mais com antecedentes instalados na alma, o fator religioso que todo homem tem. Mas essa também tem sua dificuldade em um mundo onde a crença no mundo espiritual tem diminuído.

A maioria dos irmãos Reformados tem apontado a apologética pressuposionalista como a apologética genuinamente reformada. Acredito nisso, mas não acho que ela (A Teologia Reformada) é exclusivamente pressuposicionalista.

O que me parece é que os Símbolos de Westminster não fixa uma maneira única de fazer apologética. Por exemplo, a existência de Deus e a validade da Escritura. Alguns trechos dos Símbolos de Westminster podem lançar luz sobre esse assunto:

“CAPÍTULO I
DA ESCRITURA SAGRADA I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação [...]”

Entendo que a CFW aqui indica a criação como 'prova' para os incrédulos. Isso é uma conclusão de Romanos 1. E a pergunta do Catecismo Maior relacionado a essa parte inclui essa conclusão dizendo: 

“2. De onde se infere que há um Deus? A própria luz da natureza no espírito do homem e as obras de Deus claramente manifestam que existe um Deus; porém só a sua Palavra e o seu Espírito o revelam de um modo suficiente e eficazmente aos homens para a sua salvação. Rom. 1:19-20; 1 Cor. 2:9-10: II Tim. 3,15-17.”

Entendo que várias abordagens são aqui usadas. A própria luz no espírito do homem é uma maneira pressuposicionalista de abordar a existência de Deus, mas mostrar na criação é ser evidencialista! Apesar de existir os que diriam que isso também é ser pressuposicionalista!- o que Gordon Clark nega!

Para o testemunho da Escritura temos também ambas as abordagens: 

“4. Como se demonstra que as Escrituras são a Palavra de Deus? Demonstra-se que as Escrituras são a Palavra de Deus - pela majestade e pureza do seu conteúdo, pela harmonia de todas as suas partes, e pelo propósito do seu conjunto, que é dar toda a glória a Deus; pela sua luz e pelo poder que possuem para convencer e converter os pecadores e para edificar e confortar os crentes para a salvação. O Espírito de Deus, porém, dando testemunho, pelas Escrituras e juntamente com elas no coração do homem, é o único capaz de completamente persuadi-lo de que elas são realmente a Palavra de Deus.”

Percebo que aqui que duas ou três abordagens apologéticas, ou mais, são genuinamente Reformadas e aceitáveis para a defesa da fé e evangelização.

Para que não fique fora de contexto o que estou dizendo, vamos ver algumas palavras semelhantes no CMW, e ver como foram usados: 

“11. Donde se infere que o Filho e o Espírito Santo são Deus, iguais ao Pai? As Escrituras revelam que o Filho e o Espírito Santo são Deus igualmente com o Pai, atribuindo-lhes os mesmos nomes, atributos, obras e culto que só a Deus pertencem. Jer. 23:6; Isa. 6:3, 5, 8; João 12:41; At. 28:25; 1 João 5:20; Sal. 45:6; At. 5:3-4; João 1:1; Isa. 9:6; João 2:24-25; 1 Cor. 2:10-11; Col. 1:16; Gen. 1:2; Mat. 28:19; 11 Cor. 13:14.”

Para provar a Trindade o CMW apela para testemunhos bíblicos ao usar os termos ‘de onde se infere’ – ou – ‘De onde se conclui’. A doutrina da trindade pode ser provada por evidências bíblicas, mas será que não é preciso o Testemunho do Espírito para isso!? Claro que sim!!!

Usemos todos os recursos apologéticos disponíveis na evangelização, na esperança de que Deus use-NOS para a glorificação de Seu Nome, ao salvar pecadores (I Co 9.22).