domingo, 14 de abril de 2013

Não somos vírus!



Por Josemar Bessa


Tudo que ouvimos sobre missão hoje aponta na direção de alcançar mais pessoas para treiná-las para alcançar mais pessoas e treinar essas pessoas para alcançar mais pessoas... Parece a “ideia” que os vírus tem. Invadir uma célula, se multiplicar até ela explodir e então invadir outras células e repetir o processo, e repetir o processo... até a morte. Certamente esse é um objetivo bizarro. A ideia central do vírus é se multiplicar e multiplicar...

Jesus disse: “Fazei discípulos... Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” - Mateus 28:20 – Isso é diferente! Foi o que Paulo fez.

Paulo não só trabalhou para evangelizar os perdidos, mas se concentrou para mover os regenerados para sua conclusão do propósito redentivo em Cristo:“Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo; E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente” - Colossenses 1:27-29 – A igreja apresenta o evangelho em todos os seus termos e deseja o cumprimento nos santos dos propósitos pelos quais o homem é salvo. Pois a igreja não é sinônimo de “cruzada-evangelística”, mas na missiolatria é, mesmo quando negado.

Se a missão e o sucesso nela é o foco central, irá haver crescimento, mas de fato, ele é irrelevante. A falta de ênfase na santificação (pois essa certamente não é uma boa estratégia “missional”) – está produzindo uma imatura ênfase na liberdade cultural, o que torna todo “sucesso” em algo bobo e irrelevante, já que a cultura molda a “igreja” e não a igreja muda a cultura. Os ídolos do coração e da cultura não podem ser combatidos e mortos, mas acabam apenas “cristianizados”.

A vida e missão mais eficaz não é elaborar culturalmente a mais “relevante” técnica de extensão, mas sim quando os que agora são igreja, de fato tenham sido  transformados em luz e sal - esses se tornam relevantes para o mundo. É a santificação que transforma um povo ( pois isso é ser luz e sal) e os equipa melhor para evangelização e não a metodologia cultural para atrair o mundo. Pois o mundo não necessita de estratégias culturais interessantes, mais de luz para suas trevas, e sal para sua podridão. Sem isso, tudo que chamamos conversão é mera superficialidade – o mundo inteiro estará exatamente como sempre foi, mas se dirá “convertido”.

As cartas de Paulo a Timóteo ( um jovem pastor ) – descrevem a vontade de Deus para o ministério. Certamente Paulo aponta a Tímóteo em direção a proclamação do evangelho ao mundo, a missão (1 Tm 2.1-8 ) – “Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.” - 2 Timóteo 4:5 – mas a maior parte do encargo pastoral indicado por ele a Timóteo é:

- Defender a sã doutrina – ( 1 Timóteo 1:3-5 , 18-19 ; 4 :1-6 ).
- Formar líderes que façam o mesmo - ( 1 Timóteo 3:1-13 , 5:17-22 , 2 Timóteo 2:2 ).
- A devoção rigorosa à santidade pessoal e a resistência numa sociedade e cultura consagrada a mentira e ao engano do pecado - ( 1 Timóteo 1:18-19 , 4: 6-12 , 15-16 , 6:11-16 , 2 Timóteo 1:06 , 2:01 , 3-13 , 20-22 , 04:05 ).
- O cuidado com o rebanho de Deus - ( 1 Tm 5:1-16 ).
- Um trabalho árduo em ensinar fielmente a Verdade tão ofensiva ao homem natural ( 1 Tm 4:11 , 13-14 , 2 Tm 2:15 , 24-26 , 4:1-2).

Equipando a igreja para a maratona de resistência na vida centrada em Deus e na Verdade, que não é negociável para a igreja.

Pastores não irão dar conta do mundo a Deus, mas hão de dar conta das almas que estão sob o seu cuidado, o rebanho de Deus: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” - Hebreus 13:17 – O rebanho é a prioridade de um pastor.

Muito do “fervor missional” está fixado no mesmo DNA de Charles Finney e no pragmatismo reinante no coração natural. Por isso ele está disposto a sacrificar coisas centrais no altar da “missão” – Um zelo por mais pessoas que é fruto de um orgulhoso e indomável desejo de ser um sucesso, da admiração dos outros e da auto-admiração pelos bancos cada vez mais cheios. Esse “zelo” na verdade muitas vezes é apenas uma capa que encobre a missiolatria: a adoração de mais e mais, de números crescendo... uma maneira secreta de auto-afirmação. Mas o que devia ser nossa afirmação é a obra completa de Cristo. Ele é o centro, ele deve ser o objetivo da vida, da igreja, do ministério...

“Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.” - 2 Coríntios 4:4-6

Fonte: Josemar Bessa