domingo, 28 de abril de 2013

Prefiro a esperança do Evangelho.


Por Renato César


Toda fase que se inicia na vida um dia terá fim. A infância começa de maneira encantadoramente frágil. Quando bebês, somos fofinhos, espontâneos, cativantes. Para muitos pais, é a fase que mais deixa saudade.

Então crescemos de pouquinho em pouquinho, até que a mais bela fase da vida de um ser humano chega a seu fim, dando lugar a adolescência, um período, para alguns, de instabilidade e grandes mudanças. Para a maioria de nós, a segunda melhor fase, pois é quando descobrimos muitos dos prazeres da vida, porém ainda sem o peso da responsabilidade da vida adulta.

A adolescência passa e, finalmente, nos tornamos adultos. A liberdade que essa fase traz consigo também acarreta maiores responsabilidades, descolorindo um tanto a vida, fazendo aparecer tons de rotina, de obrigações e afazeres diários que nos tomam quase todo o tempo, com o trabalho, criação dos filhos...

Os anos se passam, e até mesmo a longa fase adulta, recheada com suas responsabilidades diárias, dá lugar à velhice, a última e mais dolorosa de todas as fases. É quando olhamos pra trás na esperança de ter feito valer a pena todos os esforços desprendidos, todas as noites mal dormidas, todos os segundos gastos em busca de um futuro melhor.
Por fim, a fase da vida precisa dar lugar à fase da morte. Mas será esta a última fase? Começamos nascendo e terminamos morrendo? É só isso? 

Não posso, não consigo crer nessa hipótese. Não é possível que a morte seja o final de tudo. Prefiro crer no Evangelho. Não apenas porque é uma ideia mais agradável e afasta minha crise existencial, mas porque me parece mais lógica.

Se tudo acabasse com a morte, seria como dizer a alguém que terminou o doutorado: “Pronto, acaba aqui. Você já sabe tudo sobre esse assunto. Não há mais nada a aprender”. Na verdade, é desse ponto em diante que o novo começa. É quando surgem os maiores desafios e descobertas. Se assim não fosse, a humanidade não evoluiria. Sempre há um depois, a não ser que o agora seja para sempre. Mas sempre não existe neste mundo material.
Prefiro crer no Evangelho, porque ele me diz que depois de toda uma vida existe outra, melhor, abundante, perfeita e eterna. O Evangelho me diz que o que hoje vejo por espelho, em enigma, verei face a face. Em outras palavras, me diz que os vislumbres do outro mundo presentes neste, como o amor incondicional da mãe pelo filho, tornar-se-ão patentes a meus olhos e encherão toda a existência humana.

Não posso crer que a longa caminhada no deserto da vida, que para uns é mais difícil que para outros, termine em nada. Se há um deserto a ser cruzado, é porque do outro lado há uma terra prometida. E é para esta Terra que os filhos da promessa, os que creem no Messias, no Cristo ressurreto, estão indo.
A morte não é fim de tudo, mas tão somente o que vemos daqui de onde estamos, como era o monte Nebo (Dt 32.49) para os israelitas. Ela é o último obstáculo a ser superado antes de se chegar à Terra Prometida, à santa cidade, de onde mana a água da vida.

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Sobre o autor: Cristão reformado, formado em administração de empresas e teologia, membro da IPB - Fortaleza/CE. 

Artigo enviado por e-mail. 
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