terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Cristão e a política


Por Por André Storck


É comum surgir em muitos uma instintiva repulsa ao ouvir falar de política. Alguns a consideram inútil, outros, corrupta e por isso, ainda há aqueles mais extremados que acreditam na incompatibilidade dela com a vida cristã honesta.

Entretanto, há muitos que sabem magistralmente usar da política para manterem a sociabilidade e uma agradável e positiva imagem pública. A política de que trato aqui refere-se exatamente ao “eu-político” existente dentro de cada um de nós.

Não há pecado em procurarmos ter uma boa imagem entre nossos amigos, família e irmãos, pois isso é dar o bom exemplo, como Cristo nos instruiu a fazer. Devemos, porém, ficar em alerta para evitarmos os excessos e a falsidade.

Ora, o exagero na busca pela manutenção de imagem social positiva leva-nos a sermos exageradamente políticos e, como todos os políticos, acabamos buscando pela aprovação de tantas pessoas quanto for possível. Acabamos por praticar a politicagem - movimento que nos leva irremediavelmente ao comportamento de apoio às maiorias e aos mais fortes - iremos sempre concordar com eles e constantemente tomaremos partido à favor das posições por eles assumidas. Faremos isso para obtermos nossa aprovação e manter uma imagem agradável.

Ocorre, porém, que não raras são as vezes em que a maioria está errada, é preconceituosa, invejosa e egoísta. Existe melhor exemplo do que a maioria que condenou Jesus e libertou a Barrabás?

Devemos cuidar e vigiar, pois se nos tornarmos demasiadamente políticos estaremos sempre do lado da multidão, inclusive nas vezes em que ela errar. Daí vêm todos os males da política porque iremos abrir mão de sermos honestos; abriremos mão de amizades antigas; abriremos mão de amar verdadeiramente para amarmos por conveniência no interesse de termos os aplausos da pluralidade. E o pior, abriremos mão da verdade.

Calvino deu-nos um excelente exemplo em Genebra, quando preferiu ser expulso e se exilar na cidade de Estrasburgo, do que ser obrigado a abrir mão das verdades bíblicas para dar lugar aos interesses políticos dos membros do conselho municipal. É triste pensar na quantidade de líderes evangélicos que hoje nem sequer tituariam em escolher abrir exceções para o cumprimento das verdades cristãs com a intenção de continuarem "bem na fita" ou de "fazer bonito para o povo ver".

Quando em meio a uma multidão você se junta a ela e grita por Barrabás ou clama pelo nome de Jesus? E quando toma decisões, você age como Pilatos, ao clamor do senso comum?

Que o “eu-político” de cada um filie-se ao partido de Cristo, deixando de lado nossas vaidades e buscando amar e respeitar o próximo.

“Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito”.Ex. 23:2

Disse Jesus: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” Jo. 13:34

E então, que tipo de político você é?