sábado, 26 de janeiro de 2013

O PERIGO DO SUCESSO


 “Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano. Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.” (Lucas 10.17-20).

No início do capítulo 10 vemos que o Senhor Jesus envia estes setenta homens para anunciar a sua chegada e proclamar seu evangelho, provavelmente nas cidades de Jerusalém (cf Lc 9.51). Não se revela quanto tempo levou para eles cumprirem a missão, nem em que lugar voltaram para Jesus. O que sabemos é que voltaram com alegria e júbilo pelo sucesso da missão.

Estes versículos nos mostram quão facilmente os crentes podem sentir-se envaidecidos por causa do sucesso. Fica claro que entre eles havia auto-satisfação no relato das realizações. A declaração de nosso Senhor Jesus a respeito da queda de Satanás do céu provavelmente tinha o objetivo de ser um alerta. Ele sondou o coração daqueles homens  e percebeu o quanto eles haviam sido ensoberbecidos pela sua primeira vitória. Com sabedoria, o Senhor os repreendeu em sua incorreta exultação, advertindo-os contra o orgulho.

É uma lição que precisa ser recordada por todos os que servem a Cristo. Pelos os fiéis trabalhadores da seara do evangelho que desejam sucesso. Os pastores das igrejas locais, os missionários, evangelistas, professores de Escola dominical e demais obreiros – por todos que esperam igualmente sucesso no trabalho que realizam. Todos eles desejam ver almas convertidas a Deus. E este desejo é correto e bom. Porém, jamais devemos esquecer que o tempo de sucesso é uma ocasião de perigo para a alma do crente. Os corações que se acham deprimidos, quando todas as coisas parecem estar contra eles, com frequência sentem-se indevidamente exaltados no dia da prosperidade.  O apóstolo Paulo instruiu que o presbítero: “não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo.”(1Tm 3.6). Muitos servos do Senhor Jesus provavelmente alcançam tanto sucesso quanto suas almas são capazes de suportar. O que fazer?

         1-   Ore intensamente por humildade – Quando tudo ao nosso redor parece prosperar e todos nossos planos se realizam bem; quando as provações familiares e a enfermidade são mantidas longe de nós e os nossos afazeres seculares segue com tranquilidade; quando nossa cruz é suave e tudo em nossa vida vai bem – este é o tempo em que nossas almas encontram-se em perigo. É tempo em que necessitamos de reforço na vigilância dos nossos corações. É tempo que as sementes do mal são plantadas no nosso íntimo por Satanás.  Há poucas pessoas que permanecem humildes nos tempos de grandes sucessos. Somos tendentes a pensar que nossa própria capacidade e sabedoria nos conquistaram a vitória. A advertência do Senhor Jesus nesta passagem jamais deve ser esquecida. Em meio ao triunfo, clamemos ao Senhor com sinceridade de coração: “Senhor, reveste-me de humildade”!

            2-   Os dons e milagres não são superiores à graça de Deus – O Senhor Jesus disse aos setenta discípulos: “alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.” Com toda certeza, foi uma honra e privilégio receberem eles o poder de expulsarem demônios. Tinham motivos corretos para estarem agradecidos. No entanto, um privilégio maior era serem convertidos, perdoados e salvos em Cristo. A distinção entre a graça da salvação e os dons é profundamente importante, mas com frequência tem sido esquecida em nossos dias. Dons, tais como uma poderosa inteligência, grande memória, eloquência admirável, argumentação hábil, são constantemente valorizados acima do que convém por aqueles que os possuem e admirados de maneira indevida por aqueles que não os tem. Estas coisas não devem ser assim. Os homens esquecem que os dons sem a graça divina não salvam a alma de ninguém e são uma característica do próprio Satanás. Aquele que têm dons, sem a graça, está morto em seus pecados, ainda que seus dons sejam admiráveis. Porém aquele que possui a graça divina está vivo em Deus, mesmo que pareça iletrado e inculto aos olhos dos homens.

         Jamais nos contentemos com o falar com eloquência, o pregar com vigor, o debater com dinamismo, o argumentar com inteligência e conversar com muita fluência. Jamais nos contentemos em saber todas as doutrinas do cristianismo e ter à nossa disposição textos e passagens bíblicas. Estas coisas são boas e não devem ser menosprezadas. Elas são proveitosas, mas não constituem a graça de Deus e, portanto, não poderão livrar-nos do inferno. Não podemos descansar enquanto não tivermos o testemunho do Espírito Santo em nosso íntimo e não formos lavados, santificados e justificados em Cristo (cf 1Co 6.11). Esforcemo-nos para ser cartas de Cristo, conhecidas e lidas por todos os homens (cfr 2Co 3.2); devemos nos empenhar para demonstrar por meio de humildade, amor, fé e mentalidade espiritual que somos filhos de Deus. Esse é o verdadeiro cristianismo. Estas são verdadeiras características do cristianismo que salva. Sem elas, uma pessoa pode ter dons em abundância e tornar-se nada mais do que um seguidor de Judas Iscariotes.    


Por Rev. Ronaldo P Mendes