terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O exclusivismo de João 3:16



Por Rev. Ricardo Moura 


Me impressiona a soberania de Cristo demonstrada no evangelho de João. É um espetáculo o absurdo que se faz com João 3.16, tornando o texto inclusivista, enquanto, de fato, ele é exclusivista. 

Nicodemos estava indo ter com Jesus, de noite, para não ser visto. Chega cheio de elogios e Jesus já manda logo a real, para mostrar que ele não entendia nada: "Tem de nascer de novo!". Nicodemos fica bolado e pede maiores esclarecimentos. Jesus lhe acode: "Quem não nascer da água e do Espírito NÃO PODE ENTRAR NO REINO DE DEUS".

 Bom a água é uma referência ao batismo; era um puxão de orelha, mencionando o símbolo visível de fé, mas visibilidade era tudo que Nicodemos não queria. Isso é óbvio, pois o Reino é do Espírito e quem é da carne (não regenerado, caído, pecado) não faz parte deste Reino. Por ser isso óbvio é que o Senhor falou ao pobre Nicós: "Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo." Mas, para não deixar brecha, Jesus afirma: "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito." 

- penso que Jesus usou a palavra vento como sinônimo de Espírito, pois no hebraico vento e espírito são a mesma palavra; trata-se de um hebraísmo. Isso significa que o que nasce do Espírito nasce da vontade desse "vento" soprar sobre ele. Não adiantava a Nicodemos ir com as próprias pernas, pois, ao fazer isso, só o pode fazer à noite, pois não tinha nada além de admiração por Cristo. Ele queria que suas obras ficassem escondidas, mas os do Espírito amam a luz e fazem tudo de dia, para que seja vista sua fé (vv.18-21). Por isso, ele não entendia nada do que Jesus falava, mesmo sendo mestre em Israel - ele não era do Espírito.

 Os do Espírito são como o povo no deserto que olhavam para a serpente e lembravam de seus pecados de rebeldia e que esta trouxe morte pelas cobras venenosas, enviadas por Deus (Nm 21). Quando olhamos para a cruz, lembramos de nossos pecados e que Cristo foi erguido por causa deles. Quem crê nele não apenas curado do veneno de serpentes, mas tem a vida eterna (aqui mostra-se a superioridade do arquétipo sobre o tipo: a serpente de Nm 21 salva só do veneno, a fé na Palavra de Deus é que ajudava no resto). 

Então, Cristo fecha a porta de vez a Nicodemos: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (v.16). Perceba a maneira como Deus ama o mundo: dando seu Filho, de modo que o que crê possa viver, caso contrário, sem a justiça da cruz, não haveria salvação.

 Então, Cristo prossegue mostrando a Nicodemos que sem fé não adianta ir até ele que não tem salvação, mas condenação. Mas não podemos esquecer que o "vento" sopra onde quer, não onde o nascido do Espírito quer. Portanto, crer não é da vontade do homem, da carne, mas de Deus (1.13).

Desta forma, mundo não tem a ver com especificidade do amor de Deus, mas com a amplitude deste amor. Mundo é o fato de que Deus tem eleitos, crentes, pessoas a quem o "vento" vai de todos os povos, línguas e nações, segundo sua própria vontade. Vento este que não soprou sobre Nicós.

Nicodemos, se o Pai não o deu a Jesus, não adianta ir até ele. Mas não pense que foi só contigo, o jovem rico, cheio de justiça própria, também foi falar com Jesus sem saber bem diante de quem estava.

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Via: Facebook