segunda-feira, 19 de maio de 2014

A incoerência da graça preveniente e da regeneração parcial no arminianismo


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Por Álvaro Rodrigues


Desonestidade intelectual existe em todo o lugar. E não é diferente no meio calvinista e arminiano. O ensino bíblico que enfatiza a verdade de que depois da queda os homens depravaram-se totalmente e que sem a graça de Deus jamais serão salvos, é crido por arminianos e calvinistas. É isso mesmo. Arminianos clássicos não negam a depravação total. Infelizmente muitos calvinistas (não todos graças a Deus) tem deturpado a verdade dos fatos para satisfazerem seus próprios interesses. Muitos calvinistas negam que os arminianos, coerentemente, ensinam a depravação total. Já entre muitos arminianos, pode-se encontrar desonestidades tais como "calvinista não evangeliza, não ora, a doutrina da perseverança dos santos desconsidera a vigilância e a santificação, etc".

Pois é, mas como calvinista, buscarei ser honesto. Minha busca sempre foi e sempre será pela verdade. Se hoje abraço a soteriologia calvinista, não fiz isto por achar essa cosmovisão bonitinha ou por admirar os reformadores; mas sim pela convicção de que esta cosmovisão é bíblica.

Resolvi escrever este artigo na intenção de demostrar as incoerências do arminianismo sem precisar ser um cristão desonesto. E se é possível demostrar tais incoerências, não deixaremos passá-las. Então vamos lá.

Armínio em seus escritos diz :

"Mas em seu estado caído e pecaminoso, o homem não é capaz, de e por si mesmo, pensar, desejar, ou fazer aquilo que é realmente bom; mas é necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto, afeições ou vontade, e em todos os seus poderes, por Deus em Cristo através do Espírito Santo, para que ele possa ser capacitado corretamente a entender, avaliar, considerar, desejar, e executar o que quer que seja verdadeiramente bom. Quando ele é feito participante desta regeneração ou renovação, eu considero que, visto que ele está liberto do pecado, ele é capaz de pensar, desejar e fazer aquilo que é bom, todavia não sem a ajuda contínua da Graça Divina."(Obras de James Armínios Vol: 1)

Aqui está claro que, para Armínio, o homem natural se encontra em estado de total inabilidade no que diz respeito a salvação, e que à parte da graça de Deus, este homem jamais se salvará. Considerando então esta realidade, Armínio pregava a existência de uma graça estendida a todos os homens sem exceção, a conhecida graça preveniente. A palavra "preveniente" significa dizer que esta graça vem antes de qualquer ação do homem.

Essa graça, segundo Armínio, regenera. E tal regeneração traz aos homens o livre-arbítrio e a visão espiritual, fazendo com que eles entendam a mensagem do evangelho. Porém, esta regeneração é parcial, visto que simplesmente condiciona os homens a salvação. Está nas mãos dos homens a decisão de serem salvos  ou não. Esta regeneração deixa os homens neutros, com possibilidades reais de permanecerem com o coração endurecido. Daí conclui-se que a regeneração não é total, mas parcial.

Vale lembrar que esta regeneração parcial, na visão de Armínio, ocorre antes do ato da fé. E que só depois de crer o homem é totalmente regenerado.

O primeiro erro de Armínio é pregar uma graça que é estendida a todos. O ensino da graça preveniente leva inevitavelmente a conclusão de que não existem mais os cegos espirituais e que agora todos entendem o evangelho, pois todos foram alvos desta graça. Ora, se todos os que escutam o evangelho entendem este evangelho, onde estão os que acham loucura esta pregação? Se o Espírito Santo tem convencido a todos (como prega o arminianismo) como uma pessoa que foi convencida de que o evangelho é a verdade, ainda assim continua crendo ser este evangelho uma loucura? Que tipo de convencimento é este?

A escritura em 1 Co 1:18-31 refuta o conceito de graça preveniente no arminianismo, pois claramente atesta a verdade de que mesmo escutando o evangelho muito dos judeus e gregos não entendiam, e definiam o evangelho como algo sem sentido. Somente os que foram "chamados eficazmente" entre os judeus e gentios é que compreenderam o evangelho (vs. 24). Afirmamos que foram "eficazmente chamados" pois lendo 1 Co 1:24 fica claro que há uma distinção de chamados. Através do evangelho todos foram chamados, mas o texto diz que só os que foram chamados "dentre os judeus e gentios entenderam", pois só para estes o evangelho é o "poder e sabedoria de Deus". Logo, conclui-se que há aqui dois tipos de chamados. O externo ( através do evangelho), e o interno (chamado eficaz do Espírito Santo). Os que entenderam foram alvos deste último chamado. Deste raciocínio conclui-se que nem todos entendem o evangelho. Logo, o conceito de graça preveniente no arminianismo é ilógico.

Em Rm 8:30 vemos novamente a distinção de chamados. O texto diz que "E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou". Aqui está claro que o chamado é interno ou eficaz, pois o texto diz que "aos que chamou a estes justificou e glorificou". Paulo aqui não trata do chamado externo que é feito a todos através da pregação. Pois, nem todos que são chamados através da pregação serão justificados e glorificados.

O segundo erro de Armínio é ensinar uma espécie de regeneração parcial. Não existe esta regeneração na bíblia. Muito pelo contrário, a bíblia ensina claramente que os que foram regenerados recebem um novo coração, andam nos caminhos de Deus (Ez 36:26,27), não podem pecar deliberadamente (1 Jo 3:9), creem em Cristo (1 Jo 5:1) e vencem o mundo (1 Jo 5:4). Logo, não existe regeneração parcial, mas sim total. Alguns dirão que Armínio não pregou nenhum tipo de regeneração parcial. Ora, se não é regeneração parcial o que faz então estes homens, alvos dessa regeneração, rejeitar o evangelho? A incredulidade? A rebeldia? Se há qualquer tipo de pecado que os façam negar o evangelho então não há regeneração total. Pois, como já demostrado, a Escritura ensina que os que são nascido de Deus obedecem a Deus (1 Jo 3:9, 5:4). Conclui-se então que os que de fato são regenerados não ficam em estado de neutralidade, mas são totalmente regenerados e jamais poderão deliberadamente rejeitar a Cristo.

O terceiro erro de Armínio e dos arminianos é colocar o homem como causa final de sua eleição. No arminianismo, quem elege o homem para a salvação é "Cristo e o próprio homem", quando este  diz "sim" ao evangelho. Caso diga não jamais será eleito. No calvinismo, somente Cristo elege, e por consequência, somente ele é quem fica com a glória da salvação. No arminianismo Cristo só salva se o homem quiser, caso o homem não queira, Cristo jamais salvará. No calvinismo, Cristo é de fato o salvador pois ao invés de tornar possível a salvação, ele a torna certa.

Soli Deo Gloria

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Fonte: A Suficiência das Escrituras