quarta-feira, 21 de maio de 2014

Vista Seus Sonhos com Tecido Resistente


Alguns colegiais pensam que o trabalho manual conduz à Presidência. . . até que recebam o diploma. De repente, raia a luz. A realidade franze o cenho. E aquele estudante esforçado, inteligente, vesgo, que se especializou em literatura medieval e se desinteressou do latim atinge a maioridade. Ele experimen­ta uma estranha sensação no íntimo do abdô­men duas semanas depois de mandar pôr no quadro o seu diploma. Fome. Notável motiva­ção acompanha este sentimento.

Suas tentativas para encontrar emprego são fúteis. Aqueles lugares que possuem vaga em realidade não necessitam de um cara com mestrado em literatura medieval. Nem mes­mo sabem o que é isto.

Quem se importa se um motorista de caminhão entende poesia européia do século décimo-segundo? Ou que importa se o colega que coloca os estoques nas prateleiras do supermercado pode citar-lhe a nona letra do alfabeto latino?

Quando se trata de obter um emprego, a maioria dos empre­gadores são notoriamente pragmáticos e na­da sofisticados. Eles estão procurando pes­soas que tenham mais do que conhecimento acadêmico e rugas entre suas orelhas. Real­mente pouco lhes importa quanto um rapaz ou uma moça sabe.

O que eles querem é alguém que possa pôr em uso o conhecimento que foi adquirido, seja no campo da geologia ou da contabilidade, seja na engenharia ou no assentamento de canos, seja na física ou na barbearia, seja no jornalismo ou como solda dor.

Isso não acontece por acaso. As pessoas mui­to procuradas hoje são aquelas que sabem usar a imaginação — depois concretizá-la. As que podem pensar e depois levar a bom ter­mo. Aquelas que vestem seus sonhos ousados com vestimentas práticas de tecido resistente. Isso exige certa medida de talento, um toque de perícia e uma tonelada de disciplina!

Ser prático exige que trafeguemos na realidade, permanecendo flexíveis nas interligações on­de as luzes piscam indicando pare e siga. Também demanda compreensão dos outros que estão dirigindo de modo que evite coli­sões.

Outra marca de particularidade é uma constante consciência de tempo. A vida de uma pessoa prática e descomplicada é geralmente metódica. A mente prática preferiria satisfazer um prazo final e decidir-se por ob­jetivos limitados a realizar o máximo e atra­sar-se.

As expressões prediletas de uma alma prá­tica muitas vezes começa com "qual?"
O que é que o emprego exige?
Que é que você espera de mim?
Qual é o último prazo?
Quais são as técnicas? Ou "como". . .
Como isso funciona?
Como fazê-lo no menor prazo? Ou "quanto?"
Quando custa?
Quanto tempo vai levar?

Os sonhadores não se misturam muito bem com os pragmáticos. Eles se irritam mutuamente quando se encontram. . . não obstante ambos são necessários. Elimine-se o primeiro e você tem um resultado previsível e muitas vezes sem vida. Remova-se o último e você tem idéias criativas sem rodas, visões brilhan­tes mas irrealizáveis. . . e você se esgota ten­tando levantar vôo. . .

A Bíblia está cheia de homens e mulheres que tiveram sonhos e viram visões. Mas não se detiveram aí. Eles tinham fé, eram pessoas que viam o impossível, e ainda assim seus pés estavam plantados no planeta Terra.

Tomemos Neemias como exemplo. Que homem! Coube-lhe a tarefa de reconstruir o mu­ro de pedra ao redor de Jerusalém. Ele passou dias pensando, orando, observando, sonhan­do e planejando. Mas sempre era prático! Or­ganizou um grupo desordenado em equipes de trabalho. . . enfrentou a crítica com realis­mo. . . permaneceu na tarefa sem apagar fo­gueiras desnecessárias. . . ele cumpriu os pra­zos finais. . . e manteve o orçamento.

Ou tomemos Abigail. Que mulher! Ela era casada com um delator de primeira categoria, chamado Nabal. Devido à sua falta de sabedo­ria, à sua ganância, ao seu preconceito e ao egoísmo, ele suscitou a cólera de seus empre­gados. Eles traçaram planos para matá-lo. Sendo uma mulher de fé, Abigail percebeu a trama, orou e planejou. Então fez algo notá­vel. Preparou uma refeição para aqueles ho­mens famintos e revoltados. Mulherzinha inteligente! Devido a seu espírito prático, a vida de Nabal foi salva e um bando de homens irados foi acalmado e voltou atrás.

É a pessoa prática, escreve Emerson, que se torna "uma veia em tempos de terror e atrai a admiração dos mais sábios". Muito verda­deiro. Fato surpreendente com relação à pes­soa prática — talvez ela não tenha muita graça ou não tenha os mais profundos pensamen­tos, mas raramente passa fome!

Está terminando os estudos? Procurando um emprego? Este é o motivo de você estar desanimado?

Lembre-se disto — os sonhos são fantasias e as visões têm o seu sabor. Mas em última análise, quando chegar a hora do acer­to de contas elas terão de ser pagas com tra­balho manual. Mão de obra... trabalho duro forjado na fornalha da praticabilidade.

Meu conselho de estímulo a você é. . . en­frente-o. Seja prático!

Extraído do livro Dê-me ânimo de Charles R. Swindoll