segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


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E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim” (Mt 24:14)

Estamos gratos ao Senhor porque Ele está levantando pregadores da Palavra de Deus na África. Não há outra forma pela qual a salvação chegue às nações, senão a que Deus instituiu que é a pregação do Evangelho. O Evangelho é para todas as nações!

Quando será o fim do mundo? Quando se realizará o clímax da História? Será que podemos ver acontecendo hoje alguma coisa daquilo que Jesus descreve no capítulo 24 de Mateus? Será que hoje há nação se levantando contra nação e reino contra reino? Será que hoje há fome e terremotos em vários lugares? Estes são princípios das dores do “parto” quando o reino de Deus está nascendo. Muitas pessoas são perseguidas por causa da fé e muitos são odiados em todas as nações; muitos falsos profetas têm surgido e a fé de muitos, a fé da grande maioria está se esfriando. Mas a Bíblia diz que “aquele que perseverar até o fim será salvo”.

O Evangelho precisa ser pregado e anunciado publicamente; precisa ser proclamado com autoridade. Este evangelho das BOAS NOVAS precisa ser pregado em todas as nações. Jesus afirmou que o Evangelho precisa ser pregado a todas as nações e somente assim virá o fim ― “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”.

O que é este Evangelho? Nós sabemos o que é: Jesus é o Cristo prometido que redime judeus e gentios que NELE confiam, através de Sua morte e ressurreição. Estas são as Boas Novas! Jesus é o Messias prometido! Ele é a consumação de todos os propósitos de Deus na história; por Sua morte e ressurreição Ele redime, liberta da culpa e do poder do pecado a todos os que NELE crêem e que confiam, judeus e gentios, em todas as nações do mundo. Estas são as Boas Novas! Podemos crer ou não crer, mas isso é o Evangelho!

Mistério

Porém existe um mistério no Evangelho. Que mistério é esse? O Evangelho é muito simples e claro, no entanto, mesmo assim há um mistério. Onde está esse mistério? O mistério está exatamente na forma como se dá o crescimento deste Evangelho. Como este Evangelho, que era algo judaico, limitado a uma pequena parte do mundo (Israel) pode se tornar algo mundial envolvendo todas as nações do mundo? Este é o mistério do Evangelho!

Em várias parábolas Jesus menciona o mistério do crescimento deste Evangelho. Eu passei quase nove horas voando a quase mil quilômetros por hora para chegar ao Brasil vindo da Holanda depois que saí de Uganda na África. Da Holanda para a Palestina se leva quase cinco horas voando nesta velocidade. Mas eu venho ao Brasil e aqui encontro muitos crentes e uma multidão de pregadores. Como isto aconteceu? Venho de Uganda, um país no meio da África com uma população de mais ou menos 24 milhões de pessoas, com mais ou menos 18 milhões confessando Jesus como Salvador. É, talvez, 70 a 80% dos habitantes de Uganda. Como isto aconteceu? O crescimento do Evangelho tem um aspecto misterioso.

Relacionado a esse crescimento Jesus conta algumas parábolas. Ele disse que um homem planta uma semente na terra e dia e noite se levanta com uma luz para ver o que está acontecendo. Este homem não consegue compreender o que acontece: ele coloca uma pequena semente na terra imunda, mas ela germina e cresce. Este homem não sabe como isso acontece “automaticamente” (“Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra;depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como” ― Mc 4:26-27). A palavra usada no grego é exatamente “automaticamente”. A semente cresce automaticamente. Como isso acontece? É um mistério!

Jesus conta outra parábola (Mt 13:24-30, 36-43). Um homem semeia uma semente boa no campo e diz que o campo é o mundo e que a boa semente são os filhos do reino (v. 38). O campo seria a Palestina? Jesus não era um homem judeu? Sim, mas o Evangelho não é para os judeus somente, pois Jesus diz que o campo é o mundo e os filhos do reino são a semente semeada no mundo inteiro. Como isso pode acontecer?

Jesus disse ainda que o Evangelho é como um grão de mostarda (Mt 13:31-32), o menor de todos os grãos. Essa pequena semente é colocada na terra e morre fora do alcance da visão das pessoas, mas chega a crescer e se torna uma imensa planta e todo tipo de pássaro vem a fazer ninho nesta árvore que cresceu daquele pequeno grão. Quem são estes diferentes tipos de pássaros? Eu sou um pássaro escocês e o meu intérprete é um pássaro australiano 9 (Pr. Kenneth Wiesk) e ali está um pássaro americano (Dr. Richard Bacon), e ali está outro pássaro brasileiro (um ouvinte). Como aconteceu isto? É um mistério. Vemos pessoas pecadoras de todas as partes do mundo que acham abrigo dentro dos limites do reino do Messias. Não é isto que está acontecendo nas igrejas hoje? Pessoas de todas as nações do mundo estão vindo e encontrando refúgio e segurança no Evangelho. Esse é o mistério do crescimento do Evangelho, mas não sabemos como acontece. Esta é a época de “festa” para vocês, pois celebram a colheita do milho.

Quando era jovem, em Mississipi, nos Estados Unidos, eu pregava em pequenas igrejas no campo na época da ceifa e tínhamos uma colheita muito grande de milho. Sentávamos na varanda da casa e ficávamos sentados em cadeiras de balanço, mas ninguém desejava falar. Ficávamos em silêncio ouvindo o milho crescer. Já ouviram o milho crescer? Isto é um mistério. O mistério do reino crescendo.

Na África, no início do século XX só 1% da população era de cristãos e no final do século XX, 70% das pessoas confessavam Cristo como Senhor e Salvador. Não digo que todos eram realmente nascidos de novo, mas mesmo assim é um mistério muito grande pessoas se dizerem cristãs. O crescimento do Evangelho é um mistério!

Os profetas previram isto. Lendo os profetas do VT podemos ver que quase todos eles estavam sempre falando no crescimento do Evangelho em todos os recantos do mundo. Oséias diz: “e a Não-Meu-Povo direi: Tu és o meu povo! Ele dirá: Tu és o meu Deus!” (Os 2:23). Amós diz: “e todas as nações que são chamadas pelo meu nome, diz o SENHOR” (Am 9:12). O livro de Jonas trata da conversão dos assírios. Mas foi o profeta Isaías que, de forma especial, se colocou entre as duas nações que durante séculos se opuseram contra Israel: Egito, no sul e a Assíria no norte. Ele viu a chegada dos assírios e a devastação que causaram à Damasco, a capital do Norte; Isaías viu eles colocarem um montão de cabeças humanas fora dos portões de Samaria. Os assírios eram “experts” em tirar a pele das pessoas e mantê-las vivas durante o maior tempo possível para que sofressem mais; eles eram cruéis.

Os Egípcios no sul continuamente atormentavam a Israel. Mas Isaías no capítulo 19:23, diz: “Naquele dia, haverá estrada do Egito até à Assíria, os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios”. Os egípcios não passarão por Jerusalém e no meio da terra do Egito haverá um altar ao Senhor (v. 19). Assim os egípcios viajarão até a Assíria para cultuar a Deus. Da mesma forma procederão os assírios indo até o Egito: “Naquele dia, haverá estrada do Egito até à Assíria, os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios. Naquele dia, Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra; porque o SENHOR dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança” (Is 19:23-25). Vemos aqui que Israel será uma bênção como um terceiro país junto com Egito e Assíria. Deus diz que o Egito será uma bênção e a Assíria será obra das Suas mãos juntamente com Israel, sua herança. Foi muita ousadia o profeta falar desta forma porque estas nações sempre oprimiram a Israel. Mas o profeta diz que elas serão povo de Deus.

Já que a inclusão dos gentios no povo de Deus foi profetizada há mais de 780 anos antes de Cristo, onde está o mistério? Por que devemos ficar surpresos com tudo isso? Onde está o mistério do crescimento do Reino se isso já havia sido profetizado de uma forma tão regular e clara? Paulo explica este mistério na epístola aos Efésios no capítulo 3. Paulo fala do “meu evangelho” em II Tm 2:8, porque apresentava o Evangelho de uma forma muito distinta das demais pessoas. Não era outro Evangelho, e sim algo distinto que o apóstolo destaca e enfoca no chamado “meu Evangelho”. Vejamos em Efésios 3:2-6:

... se é que tendes ouvido a respeito da dispensação da graça de Deus a mim confiada para vós outros; pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente” (v. 2-3). Ou seja, é um mistério: “me foi dado conhecer o mistério”. “Pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo” (v. 4). Aqui existe o mistério do Evangelho. “... o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito” (v. 5). Paulo diz que o mistério do Evangelho é algo que os profetas do VT não conheciam. Já que eles não conheciam este mistério, então concluímos que ele não é a inclusão dos gentios, pois todos os profetas do Velho Testamento falam claramente desta inclusão dos gentios no povo de Deus. Isso não era um mistério! O que é este mistério? Vejamos o versículo 6: “... a saber, que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho”. Será que entendemos bem isto? Será que “captamos” o mistério aqui? O que é o mistério? Já vimos que não é a inclusão dos gentios, então o que é? Paulo repete três vezes para ter certeza de que nós estamos entendendo que este mistério tem tudo a ver com os gentios. Afinal, o que é o mistério? Temos de ver mais uma vez: “[por meio do evangelho], os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus” (v.6). Será que agora você “captou” o que é o mistério? O que é? Bem, o texto diz que os gentios são (1) co-herdeiros, (2) co-participantes, (3) membros do mesmo corpo com Israel e de todas as promessas de Deus. Isto é o mistério! Os gentios são IGUAIS! São IGUAIS com os judeus confessando e participando de todas as promessas de Deus. Os gentios não são cidadãos de segundo grau no Reino de Deus. Não há promessas especiais para Israel que também não sejam nossas, que também não sejam para nós gentios.

Percebemos agora porque Paulo foi um missionário tão dinâmico. Ele até insistiu em ir à Ibéria [Espanha-Portugal]— Rm 15:24,28. O que é a Ibéria? A região da Espanha e Portugal, os antepassados dos brasileiros. Paulo disse que tinha de ir para a Ibéria e até aos confins da terra levando o Evangelho. Por que? Por que o apóstolo tinha essa compulsão? Porque os gentios da Ibéria são iguais participantes de todas as promessas de Deus. Mas é muito difícil de aceitar, dizem alguns. Esse é um mistério que ainda hoje a Igreja não entendeu e por isso tem passado por tantos problemas. Mas lembramos do quanto Pedro achou difícil este mistério. Ele viu o céu aberto e descer um grande lençol que continha todo tipo de animal imundo. Uma voz se ouviu dizendo: “Levanta-te, Pedro! Mata e come” (At 10:13). Pedro disse: “De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi cousa alguma comum ou imunda”. Mas a voz se ouviu mais duas vezes: “Pedro, mata e come”. Por três vezes a voz de Deus se fez ouvir aos ouvidos daquele homem teimoso. Pedro tinha vontade própria e quando ouvia pela última vez a voz dizer, “Pedro, mata e come”, ele percebeu alguém batendo à porta. Eram os enviados do gentio Cornélio e que lhe disseram: “Vem Pedro, mostra-nos o Evangelho!”. Pedro responde: “Não, nunca entrei em casa de gentio algum!”. Mas Deus o mandou e ele foi e entrou na casa de Cornélio. O que aconteceu? O próprio Pedro nos diz o que aconteceu em Atos 15:7-11, quando os apóstolos e presbíteros debatiam o que fazer com os gentios convertidos. Pedro conta sua experiência na casa de Cornélio dizendo: “O Espírito Santo desceu sobre estes gentios sujos que nada sabiam sobre a Lei, exatamente da mesma forma que desceu sobre nós no dia de Pentecostes”.

Se nós temos o Espírito Santo hoje vivendo em nós, esta é a coroa de todas as bênçãos de Deus. O que pode ser maior do que ter o Espírito Santo habitando em nós para sempre? Logo no início de seus ministérios os apóstolos receberam gentios. Pedro dá seu testemunho e a Igreja toma a decisão: Os gentios seriam recebidos da mesma forma que os judeus. Não haveria necessidade de se tornar judeu, de ser circuncidado, não precisaria fazer nada do que a Lei dizia para reivindicar todas as promessas de Deus.

Posteriormente, Pedro está em uma refeição na igreja gozando da comunhão com os gentios novos convertidos e alguns irmãos judeus aparecem. O que aquele pescador tão grande e forte faz? Ele procura se esconder para não ser visto com os gentios. Então chega um pequeno homem, o apóstolo Paulo. O que ele diz a Pedro? Paulo o exortou na presença de todos: “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível” (Gl 2:11). Por que Paulo fez isso? Porque Pedro negou o Evangelho, porque o Evangelho é livre e para todos, é uma obra da graça para os gentios da mesma forma que é para os judeus.

Podemos ver agora como é difícil entender este mistério do Reino de Deus? Se vocês de fato entendessem o Evangelho, creio, iriam fazer as malas e correr logo para Moçambique porque o povo desse país fala português como vocês e muitos nunca ouviram o Evangelho; muitos nunca ouviram falar no nome de Jesus. Centenas de milhares de pessoas, num período de quinhentos anos, foram impedidas de ouvir o Evangelho pelos portugueses. Havia uma luta muito grande entre dois grupos comunistas, mas finalmente a paz chegou e o novo governo comunista disse: “As portas estão abertas, os crentes evangélicos estão convidados”. Vocês entendem que no interior de Moçambique há pessoas que podem herdar também a plenitude das bênçãos de Deus? Como podem ficar aqui no Brasil quando muitos em Moçambique nunca ouviram falar de Cristo? Eles podem herdar a plenitude das promessas de Deus!

Este mistério é manifesto de forma plena e clara quando o homem entende que a essência do Evangelho é salvação pela graça, pela fé somente, quando ele entende que é uma boa dádiva de Deus, e que ele não precisa fazer nada, que somente precisa estender a mão vazia, a mão vazia do arrependimento dos pecados, a mão vazia da fé, e Deus lhe dará a vida eterna por meio do Evangelho da graça de Deus; lhe dará a vida eterna por meio da graça somente e da fé somente!

Qual a manifestação clara de que o Evangelho é pela graça e pela fé somente? Vejamos meus antepassados. Eram escoceses bravos, rudes, lobos, bárbaros, não sabiam ler, não sabiam falar outra língua além da língua esquisita deles. Os escoceses foram salvos pela graça e não precisaram se tornar judeus. Deus deu-lhes a dádiva da fé. Quando vemos os gentios que vivem no pecado não vemos também a nós mesmos quando vivíamos no pecado? Éramos assassinos, ladrões, imorais, avarentos, homens que desrespeitavam as autoridades, mas que herdaram todas as bênçãos de Deus apenas estendendo as mãos vazias. Esses gentios bravos que não sabiam nada da Lei de Deus e que viviam em superstição se tornaram filhos de Deus. Isso não é um sinal da graça de Deus?

Uma segunda evidência clara que a salvação é por meio da graça somente e pela fé somente é que, o fato de ser um judeu não significa absolutamente nada quando se trata da possessão das promessas de Deus. Absolutamente nada! Oportunidade para ter possessão, sim. Porque a eles foram dados os pactos e a Lei, mas o fato de serem judeus não os torna de forma alguma pessoas que herdam as promessas de Deus. Não é isso que o apóstolo Paulo diz? Ele diz: “Olhem para mim, eu sou hebreu de hebreus; quanto à Lei sou fariseu, estudei aos pés de Gamaliel, o maior dos estudiosos do Antigo Testamento, sou da linhagem da tribo de Benjamim, a tribo do Rei Saul, e com respeito à justiça pela Lei eu sou sem culpa, mas a tudo isso trato como se fosso esterco”. Será que vocês entendem tudo isso que Paulo está falando? Ele está dizendo que ser judeu não significa nada quando se trata da possessão das promessas de Deus. Se este princípio é verdadeiro com relação à religião judaica, o que dizer das outras religiões? Não valem nada! Vocês entendem o Evangelho da graça de Deus?

Mas do outro lado, se pensarmos que alguém pode ser judeu apenas por ser ter nascido judeu (Israelita), então estaremos remando contra a correnteza. Não estou sendo anti-semítico na minha linguagem, mas para entendermos corretamente o Evangelho nós diríamos: Se para se ser judeu ― apenas por ter nascido judeu (Israelita) ― houver a necessidade de se ter alguma promessa especial diferente daquela para o gentio, então, o Evangelho da graça somente e da fé somente fica comprometido. De repente este Evangelho se torna um Evangelho não só pela graça, mas pela raça, também. Seria um Evangelho da graça somente e da fé somente, mas da raça também, um evangelho de uma etnia. Não seria graça somente, mas graça e religião.

Este é o aspecto misterioso do Evangelho que nunca foi entendido pelo judaísmo e pela vasta maioria dos cristãos evangélicos dos nossos dias. Nada nos é dito nas Escrituras para oferecermos alguma coisa especial aos judeus pelo simples fato de eles serem judeus. Se fizermos isso estaremos dizendo que tudo é pela graça e também pela raça. Seria um Evangelho da graça somado a uma etnia. Se a Igreja pensar assim não chegará a entender de uma forma plena o mistério do Evangelho e por isso não usará seu potencial pleno para levar o Evangelho da graça a todas as nações ― judeus e gentios. Quantas vezes vemos crentes indo a Israel e colocando o Evangelho no “bolso” porque falam e tratam os incrédulos judeus como se fossem irmãos em Cristo e os encorajam a ficarem tranqüilos, pois supostamente já estão salvos somente porque são judeus, mesmo que não tenham fé em Jesus como O Messias. Será que esse tipo de crente está ajudando aos judeus? Isso é de fato uma ajuda? Não, isso é um engano!

Agora podemos entender porque Deus escolheu a Paulo para ser o apóstolo entre os gentios. O lógico seria pensar que Deus escolheria Paulo para ser missionário entre os judeus, porque ele era o mais preparado na Lei mosaica, o mais respeitado entre os judeus por causa do seu preparo. Por que não mandar Paulo para os judeus e deixar Pedro ficar com os gentios, até porque, este era um simples pescador e seu evangelho simples atingiria os gentios ignorantes. Não! Deus queria que os gentios entendessem todas as promessas de Deus da forma mais profunda possível para que pudessem apreciar as maravilhas da salvação que eles têm no Messias Jesus Cristo. Isso impulsionou o apóstolo Paulo e lhe deu o ímpeto missionário. Por isso ele disse aos romanos que iria passar por Roma, mas que de fato estaria indo para a Ibéria ou para os confins da terra para que os gentios entendessem as promessas de Deus.

Implicações Práticas do Mistério do Evangelho

Agora estamos entendendo o aspecto distinto do Evangelho de Paulo. Há pouco tempo quando terminei uma aula no Bible College, na África, e depois de ter falado destas coisas, perguntei aos alunos: “Digam-me, qual é o Evangelho de Paulo”. Ninguém respondia. Eu disse: Vocês estão reprovados! Vocês só entendem o Evangelho de forma parcial. Perguntei novamente: “Vocês podem me dizer o que é ‘o mistério’ do Evangelho?”. Eu mesmo respondi: “A resposta está em uma só palavra que está em Efésios 3:6 ― ‘os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus’”. Ou seja: Está unicamente em uma palavra: “IGUAIS”. Os gentios crentes são iguais aos judeus crentes, pois igualmente possuem todas as promessas de Deus. Qual a aplicação prática disso?

Você como estudante da Escola já ouviu falar destas promessas feitas a Abraão? Quais são estas promessas? Podemos resumir em três coisas:

a) Terra, b) Semente, c) Bênção

(a) A terra é sua; (b) você terá uma descendência como as estrelas do céu e como a areia da praia e (c) será uma bênção para todas as nações da terra.

Estas são as promessas dadas a Abraão. E os gentios, igualmente com os judeus, também são herdeiros destas promessas, pois são filhos de Abraão. Os judeus crentes e gentios crentes:

1) Serão uma BÊNÇÃO ― Eu falei para meus alunos da África: Vocês entenderam que Deus ordenou e decretou que cada um de vocês, cada comunidade de gentios, seriam uma bênção para todas as nações da terra? Entenderam que cada um de vocês é filho de Abraão pela fé? Entenderam que são herdeiros das promessas de Abraão? Vocês brasileiros não pensem que estão apenas trabalhando nesta terra do Brasil, não, não. Vocês têm seus representantes na Alemanha que mostrarão as grandezas do Brasil e vão ganhar a Copa do mundo de Futebol(*). Mas vocês podem fazer coisas melhores; podem ser bênçãos para todas as nações da terra levando o Evangelho para elas. A África tem sido desprezada por muito tempo. Há muitos crentes na África que se converteram e que podem ser uma bênção para todas as nações da terra. Mas porque não temos sido abençoados através deles? Porque somos orgulhosos. Quem pode sequer imaginar sermos abençoados pela África! Nós pensamos: “A população africana é formada por tribos, eles não têm a educação e a sofisticação que temos no ocidente, não podem nunca ser bênção para”.

Faz mais ou menos seis anos que a Igreja Anglicana estava debatendo se devia ordenar ou não homossexuais. Havia um debate conciliar entre os bispos daquela igreja. No meio destes bispos havia alguns que eram africanos. Vi pela TV um bispo africano que estava colocando sua mão na cabeça de um ativista que promovia a ordenação de pastores homossexuais. Um jornalista colocou o microfone em frente a este bispo e perguntou-lhe: “O que está fazendo?”. O bispo africano explicou que não estava ordenando aquele homossexual, mas estava “expulsando o demônio da homossexualidade”. Ali os bispos africanos foram uma bênção para a Igreja Anglicana. E nós, não podemos ser uma bênção para todas as nações da terra?

Semente

Em Romanos 4:11-12 o apóstolo Paulo fala com respeito à bênção de Abraão na sua descendência, na sua semente. Ele diz que Abraão tem dois tipos de semente. Na metade do v. 11 lemos: “para vir a ser o pai de todos os que crêem, embora não circuncidados”. Quem são estes “não circuncidados”? Somos nós os gentios. Abraão é nosso pai e somos seus herdeiros. A nós foi-nos imputada a justiça de Cristo: “a fim de que lhes fosse imputada a justiça”. Mas Abraão tem uma outra linha de descendência e a vemos no v.12: “[Abraão] e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado”. Abraão não é visto aqui apenas como pai dos judeus, mas ele é o pai dos judeus crentes. Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado para a justiça. Dessa forma, ele tem filhos como as estrelas do céu e a areia da praia; isso inclui tanto crentes judeus como gentios. Todos nós que somos crentes em Cristo somos pequenos “Abraões”; temos as mesmas promessas; teremos também tão grande descendência como as estrelas do céu e a areia da praia. Essa semente inclui nossa descendência natural, descendência física, nossos filhos naturais que se tornam crentes e mesmo aqueles que não são descendência natural. Temos a alegria de ter todos estes filhos da mesma forma que Abraão teve. É bênção para os gentios, bênção para o mundo inteiro, será semente para nós gentios. Teremos uma descendência como a de Abraão.

Terra

Que terra é essa? Essa terra pertence aos judeus? Nós que somos gentios não podemos reivindicar a terra? Sim, pois somos iguais aos judeus. Ou não somos? Paulo insiste em que nós somos iguais aos judeus e que somos herdeiros de todas as promessas. Mas, e a terra? Israel não já foi restaurado à terra prometida? E eles não têm a promessa perpétua de que a terra sempre será deles? Como nós gentios ousamos dizer que somos iguais com os judeus quanto à promessa da terra? Podemos fazer isso porque Paulo diz em Romanos 4.13: “Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé”. Ele havia dito antes que nós somos herdeiros da promessa e filhos de Abraão. Agora novamente ele diz que somos a descendência de Abraão: Os judeus crentes e nós gentios crentes! O texto não diz: “... a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro da Palestina”. Paulo não disse isso! Mas ele disse: “herdeiro do mundo”!! Mundo aqui é “cosmos” em grego. Não foi prometido a Abraão que ele seria herdeiro apenas da Palestina, mas lhe foi prometido que seria herdeiro do “cosmos”.

De onde veio esta promessa da terra e a quem foi dada pela primeira vez? Não foi a Abraão, mas foi dada primeiramente a Adão logo após sua queda. A Adão foi prometida uma semente, um descendente que esmagaria a cabeça da serpente. A implicação é que o mundo inteiro seria redimido; que o cosmos seria salvo. A promessa da terra a Abraão é o microcosmo do macrocosmo. Foi um pequeno retrato, uma pequena figura do propósito que Deus tem para restaurar o mundo inteiro, toda a terra. O sentido desta figura para aquele momento do passado apontava para algo que já aconteceu. Agora só serve como um modelo pedagógico da mesma forma que o tabernáculo ou o sistema sacerdotal serve. São pequenas figuras que já ficaram para trás. O mesmo podemos dizer da terra da Palestina, pois foi uma pequena figura daquilo que Deus estava propondo, ou seja, incluir toda a descendência de Abraão: escoceses, australianos, holandeses, americanos, africanos, brasileiros... para serem herdeiros do mundo.

Será que podemos entender tudo isso? É difícil enxergar o evangelho de Paulo? Que tragédia!! Que calamidade continuar falhando sem entender isso tudo!

No ano de 1989 foi estimado haver dois mil crentes em Cristo na terra de Israel e ao mesmo tempo foi estimado que havia 150 mil palestinos crentes em Cristo. Crentes palestinos?! Eles não são terroristas? Cento e cinqüenta crentes palestinos, como é possível?! Devemos dizer que os judeus incrédulos, judeus que rejeitam a Jesus como o Cristo, são herdeiros das promessas de Abraão? E os irmãos palestinos, que são descendência de Abraão pela fé, não têm direito de serem herdeiros das promessas da terra? Nós do ocidente colocamos uma barreira enorme entre o mundo árabe e o mundo cristão porque sempre aprendemos a favorecer a Israel, esteja ele correto ou não; temos alienado os árabes e não os evangelizamos porque não entendemos o evangelho de Paulo. Esse Evangelho deve ser pregado! É assim que deve ser espalhado! Alguns reinos podem crescer e se espalhar pela força militar, alguns crescem pela força econômica, mas Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18:36). Esse Evangelho do Reino será pregado! Nunca minimize o significado daquilo que você faz como pregador. Não há nada mais importante que o pregador faz do que, semana após semana, se levantar para pregar e declarar a todos os homens que sua origem racial não é o importante, mas que o importante é que somente pela fé e somente pela graça os homens podem se tornar iguais e co-herdeiros com Abraão de todas as promessas de Deus. Somente então, depois desse Evangelho ter sido pregado por todo mundo, inclusive no interior de Moçambique, somente então, virá o fim.

Quem está interessado que este fim chegue? Vocês não parecem preocupados com as epidemias de AIDS na África; não têm os problemas que nós temos na África; vocês não têm tribos se destruindo umas às outras; vocês estão comprando e vendendo, casando e dando-se em casamento... Quem se interessa pelo fim? A verdade é que estamos ligados demasiadamente a este mundo. Mas se Deus está falando ao seu coração e colocando uma ansiedade para ver o fim da perseguição a este mundo, então você vai pregar este Evangelho. Ele precisa ser pregado no meio de todas as nações, para todo mundo habitado e assim virá a consumação, assim virá o fim!

Amém.

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- Palestra proferida por Dr. O. Palmer Robertson para pastores e líderes no Hotel 4 de Outubro, Recife, PE – 26 de junho de 2006, durante a Copa do Mundo de Futebol na Alemanha.
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Fonte: Os Puritanos