quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Lógica pressuposicional


Por Ian Hodge


Preciso dizer isso de novo. Sou um aprendiz lerdo. Dãr!

Ora, após 30 anos pensando que era pressuposicionalista, o Dr. Greg Bahnsen mudou a minha mente. Eu estava perto, mas não o suficiente.

Há duas coisas que desafiam todo pensamento: infalibilidade e onisciência.

Exemplo:

Premissa 1: A mente grega (humanista) gostar de fazer conclusões, achar respostas.

Premissa 2: A mente hebraica (não humanista) está interessada no processo, não em conclusões.

Conclusão: Você deve ler as Escrituras com a mente hebraica, não com a mente humanista e, portanto, você não deve fazer conclusões.

É sério! Há pessoas que creem e ensinam esse tipo de “lógica”. Mas o que aconteceu? Essa proposição anti-grega e anti-conclusão fez uma conclusão. Dãr!

Toda alegação de “saber” algo é ao mesmo tempo uma alegação de conhecer exaustivamente, saber infalivelmente. De outra forma a alegação de conhecimento é mera retórica. Isso é o porquê conceitos como infalibilidade ou onisciência não são opções: eles são conceitos inescapáveis. Logicamente, essas alegações não podem ser negadas; elas estão implícitas em toda declaração. Quando pergunta o famoso “por quê” várias vezes, você chega à fonte de qualquer declaração — as pressuposições, o local da infalibilidade e a onisciência.

Você não precisa dominar o pensamento grego ou hebraico, o budismo, islamismo, mormonismo ou mesmo a teologia batista para entender pressuposições. Você precisa entender lógica — a lógica de Deus. A lógica pressuposicional que começa com Deus e sua auto-revelação na Escritura.

Quando a onisciência e a infalibilidade de Deus são negadas, elas são substituídas pela palavra “certa” do homem, uma elevação auto-afirmada ao status de “falando com certeza, sem erro”. Desde o Éden, o homem tem alegado ser capaz de “conhecer” a verdade e o erro sem a ajuda da revelação divina. O homem deseja autonomia. Além disso, é o próprio homem que senta em julgamento da revelação divina e determina se ela terá permissão de entrar na discussão.

Há, então, dois princípios que estão em oposição um ao outro: a infalibilidade e onisciência de Deus num canto, e a infalibilidade e onisciência do homem no outro. Não há terceira escolha, e o jogo é desigual. O peso pesado versus o peso pena. No musical de 1965, Homem de La Mancha, Don Quixote canta a famosa música do musical: O Sonho Impossível. Nas palavras de Van Til, “a interpretação que toma o homem autônomo como auto-interpretativo é uma ‘possibilidade impossível’”.

O sonho impossível do homem é negar a infalibilidade e a onisciência e, todavia, ainda alegar “saber” o que é certo e falso. Isso é loucura.

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. Você não pode raciocinar alheio às verdades da Escritura. Você começa com a Escritura porque a Palavra de Deus é o fundamento de todo conhecimento, não de apenas parte dele. Qualquer coisa menos que isso é uma negação da Fé.

- Sobre o autor: Ian Hodge recebeu seu grau de Ph.D. no Whitefield Seminary, em "Pensamento Intelectual Cristão". Ele já escreveu mais de 400 artigos sobre temas como gestão de negócios, economia, educação, direito, finanças, saúde, filosofia, política, teologia e música, à medida que explora a aplicação de uma cosmovisão bíblica. Ele é músico e professor de música, bem como consultor de gestão para empresários.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – julho/2012
Via: Monergismo