domingo, 7 de julho de 2013

A prática do Dia do Senhor


Por João Calvino - 1509 - 1564


"...O que devemos fazer então? Devemos entender que não é suficiente para nós apenas ouvir o sermão pregado no dia do Senhor, receber algumas boas instruções e invocar o nome de Deus. Também devemos digerir essas coisas e meditar sobre os benefícios que a graça de Deus tem feito por nós. Por este meio podemos nos adaptar as coisas que nos levarão ao nosso Deus na segunda-feira e durante o resto da semana. Assim, quando temos tempo para meditar sobre o que aprendemos, exteriorizamos de nossas mentes todas as coisas que nos impedem ou que nos arrastam para longe da meditação das obras de Deus.

Desse modo vemos a finalidade do regulamento para mantermos este dia. Não é para conservar as cerimônias estritamente como sob a servidão legal judaica, porque não temos a figura ou sombra. Mas, sim, o Dia serve como um meio para que possamos aprender de Deus na medida em que somos capazes, para aplicar-nos mais plenamente ao serviço de Deus. Dedicamos o dia todo a ele para que possamos nos retirar completamente do mundo e, como eu disse antes, para que possamos ter um bom começo para o restante da semana.

Também devemos considerar que não é o suficiente para nós meditarmos no Dia do Senhor sobre Deus e seus trabalhos apenas para nós mesmos. Pelo contrário, devemos nos reunir em um dia especifico para realizar a confissão pública de nossa fé. Na verdade, como eu disse antes, isso deve ser feito todos os dias, mas por causa da imaturidade espiritual do homem e da preguiça é necessário ter um dia especial dedicado inteiramente a este propósito. É verdade que isso não se limita ao sétimo dia; nem nós, de fato, mantemos o mesmo dia nomeado para os judeus, o sábado. Mas, para mostrar a liberdade dos cristãos, o dia foi mudado porque a ressurreição de Jesus Cristo nos libertou da escravidão da Lei e cancelou a obrigação a ele. É por isso que o dia foi alterado. No entanto, devemos observar o mesmo regulamento de ter um dia específico da semana. Quer se trate de um dia ou dois é deixado à livre escolha dos cristãos.

No entanto, se as pessoas se reúnem para observar os sacramentos, para oferecer oração comum a Deus e para mostrar concordância na união da fé, é conveniente ter um único dia especifico para isso. Não é suficiente que cada pessoa apenas se recolha a sua própria casa para ler as Sagradas Escrituras ou para orar a Deus. Pelo contrário, o melhor é que mantenha o regulamento que Deus ordenou , o de estarmos juntos na companhia dos fiéis e demonstrar o vínculo que temos com todo o corpo da Igreja.”...

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Fonte: João Calvino, Sermões sobre Deuteronômio (“On the Sabbath” - No Sábado / Dia do Senhor) - parte 1