quarta-feira, 17 de julho de 2013

A SEGUNDA VINDA DE CRISTO


Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e, então, dará a cada um segundo as suas obras.” (Mateus 16. 27)
Cristo veio para inaugurar seu Reino, mas ele virá novamente para introduzir a consumação deste Reino. Embora, o Reino de Deus esteja presente em um sentido, ele é futuro em outro. Todo o Novo Testamento nos indica o retorno de Cristo e nos conclama a viver de modo tal a sempre estarmos prontos para essa volta.
            O Filho do Homem virá em glória (Mt 16.27; Mc 14.62). Freqüentemente Jesus falou aos seus ouvintes para vigiar por sua volta, uma vez que ele viria em uma hora em que eles não estavam esperando (Mt. 24.42,44). Vemos essa verdade em Atos (At 1.11); e com o apóstolo Paulo (At 17.31;1 Ts 5.2; Fp 4.5) . O autor aos Hebreus também destaca essa verdade (Cap. 9.28); Tiago, o meio irmão do Senhor, também enfatiza a importância da vigilância (Tg 5.8). Pedro diz da certeza de sua volta e da incerteza da hora (2Pe 3.10). E em Apocalipse lemos: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!” (Ap. 1.7).
            Esta mesma expectativa pela a volta de Cristo deveria marcar a igreja hoje. Se esta expectativa não estiver presente há algo totalmente errado.
            Jesus nos ensinou a certeza de sua vinda, sem nos fornecer a data exata. É necessária uma vigilância, que não é uma espera indiferente, mas requer o uso diligente de nossos dons no serviço do reino de Cristo. A volta do Senhor Jesus será algo inevitável e repentino! Como será a Vinda do Senhor?Para sabermos é preciso ficar atentos a alguns pontos: 
Haverá sinais do tempo (Mateus 16.3)  
Sinais do Tempo – “… Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos? (v.3b)Esse termo é usado para descrever certos acontecimentos ou situações as quais se diz que antecedem ou apontam para a segunda vinda de Cristo.  Nessa passagem as palavras usadas no grego para “sinal” denotam um símbolo dado por Deus indicando o que ele fez, está fazendo ou está para fazer. Estes sinais não são para datarmos a sua vinda, eles asseguram que estas coisas realmente acontecerão. Os sinais dos tempos assinalam tanto para o passado como para o presente e futuro. E estes sinais pedem vigilância constante (cf Mt 24.42).
Que sinais são esses?
            1) Sinais que evidenciam a graça de Deus: A proclamação do Evangelho a todas as nações – Há antecipação desse sinal no AT. Os profetas do AT já predisseram que quando os últimos dias fossem inaugurados, o Espírito Santo seria derramado sobre toda carne (Jl 2.28), e os confins da terra veria a Salvação do Senhor (Is. 52.10). E vemos esse sinal nas palavras de Jesus: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.” (Mt 24.14). A pregação missionária do Evangelho a todas as nações é, na verdade, o sinal dos tempos extraordinário e mais característico. O período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo é a era missionária.
2) - A salvação da plenitude de Israel – (Rm 11.25-26a). Alguns entendem que Deus tem um plano especifico para o Israel nação, mas não é isso. Não podemos fugir do contexto dessa passagem, que está no capítulo 9.11. Onde Paulo fala sobre a incredulidade dos judeus. Podemos ver isso no verso 2. Para Paulo o Israel de Deus é todo aquele que crer em Cristo, e que faz parte da promessa de salvação (ler 9.24). Tanto gentios como judeus tem se convertido ao cristianismo e não há um plano específico para Israel como nação.
3) Sinais que indicam oposição a Deus  - Tribulação – (ler Jr. 30.7; Dn 12.1b) – O sermão profético de Cristo trouxe os assuntos sobre a destruição do templo de Jerusalém e também a sua segunda vinda (Mt 24.2-51). Ouve tribulação com discípulos, mas não era essa tribulação que marcaria a vinda de Cristo. No sermão profético Jesus está anunciando os eventos do futuro distante em conexão com os eventos do futuro próximo. A destruição de Jerusalém é um tipo de fim do mundo; daí a mistura. A tribulação é algo que deve ser esperado pelo servo de Cristo entre a primeira e segunda vinda. Apostasia – No sermão profético Cristo nos diz sobre a apostasia (Mt 24.10-12, 24). Paulo também diz: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1Tm 4.1). Últimos tempos ou dias no NT denota todo o período entre a primeira e segunda vinda. Anticristo – O que diz o NT sobre o anticristo? O termo anticristo é encontrado apenas em 1 João 2.18, 22; 4.3; 2Jo 7. Significa um cristo substituindo um Cristo rival. Em Apocalipse 13 encontramos os detalhes desse anticristo. De acordo com o texto o anticristo (ou besta) teria poder político (v.1), “chifres” e “diademas”. E o seu poder é assustador por isso a figura que emerge do mar, apontando para a lenda do monstro que emerge do mar Leviatã. O anticristo é toda forma de pensamento que se opõem a Cristo.
4) – Sinais que indicam julgamento divino - Guerras, terremotos e fomes (ler Mt 24.6-8). Estes sinais também aparecem no AT (ver Juizes 5.4,5; Salmo 18.7; 68.8; Isaias 24.19). Profecias acerca da fome são encontradas em Jeremias (Jr 15.2) e em Ezequiel (Ez 5.15, 17). Estes sinais são evidências do juízo divinoNão quer dizer que pessoas que estão morrendo com estas tragédias, como as guerras, fomes e terremotos são escolhidas como objeto da ira de Deus. Estes sinais que vemos são manifestações do fato de que o mundo presente está sobre a maldição de Deus (Gn 3.17). A ira de Deus está constantemente revelada do céu contra a impiedade e perversão do homem (Rm 1.18). Estes sinais fazem lembrar que o “Juízo está às portas” (Tg 5.9).
Haverá sinais do tempo - Estes não são sinais do fim, pois Jesus disse claramente que, quando eles acontecerem, seu povo não deve ficar alarmado (Ler Mt 24.6). Estes sinais apontam para o fim e é uma garantia da segunda vinda de Cristo.  Você tem percebido isso e tem vigiado?            
Segundo ponto que precisamos saber sobre a volta de Cristo: 
Sobre os eventos que acontecerão com a segunda vinda de Cristo (O que vai acontecer quando Cristo voltar?)
Veremos o próprio Jesus – O próprio Cristo voltará em sua própria pessoa, e isso é claramente ensinado no NT (At 1.11; 3.19-21). Será uma vinda visível – As Testemunhas de Jeová (Fundada por Charles Taze Russell em 1930 Ohio EUA) diz que Cristo voltou em 1914 de modo invisível. Mas Apocalipse 1.7 quebra essa argumentação. Será uma vinda gloriosa – A primeira foi de humilhação (Is. 53.2,3; Fp 2.7,8), mas voltará em glória (Mt 24.30; Ap 19.16).
Haverá a ressurreição do corpo - Deus criou o homem com corpo e alma, e o homem não é completo sem o seu corpo.Aqueles que morreram em Cristo desfrutam agora de uma felicidade provisória, durante o estado intermediário, sua felicidade não será completa até que seus corpos tenham sido ressuscitados dentre os mortos. Como acontecerá a ressurreição do corpo? A Bíblia mostra que a ressurreição de crentes e ímpios será conjunta (ver Dn 12.2; João 5.28-29). Outra passagem é em Atos 24 (ver vs 14,15). No grego, assim como no português a tradução está no singular, não nos mostra ressurreições, mas “ressurreição”.
            Como será este corpo? – Encontramos resposta em 1Coríntios 15.12-14,22, 42-44, 50. No verso 22, o “todos” se refere aos que estão em Cristo. Como será essa ressurreição? No verso 35 Paulo começa discorrer sobre o assunto. Ele usa a figura da semente (vs 35-38). A idéia de Paulo é que Deus fará da semente jogada no solo uma nova planta nascer. A figura da semeadura continua nos versos 42 a 44 onde Paulo apresenta alguns contrastes entre o corpo atual e o ressurreto.  Os contrastes são:
            1) Corrupção e incorrupção(v.42) -  Nossos corpos atuais são corpos expostos a doença e a morteMas ressuscitaremos com corpo incorruptível, não estaremos mais a caminho da morte certa.
            2) Desonra e glória (v.42) - O sepultamento é, com certeza, um momento de desonra ao homem. Mas ressuscitaremos em glória; uma glória não só exterior, mas uma glória que transformará a pessoa desde o interior (ver Fp 3.21). Não sabemos como será essa glória, até que a experimentemos.
            3) Fraqueza e poder (v.43) -  Depois de algumas horas de trabalho ficamos cansados e precisamos de repouso. Temos nossas fraquezas, somos limitados. Mas na ressurreição este corpo ressuscitará em poder.
            4) Corpo natural e o corpo espiritual (v.44) - O corpo ressurreto do crente será como o corpo ressurreto de Cristo. Com certeza o corpo de Cristo foi um corpo físico; ele pode ser tocado (Jo 20.17,27) e pode ingerir alimentos (Lc 24.38-43). O que significa nessa passagem é que: o corpo amaldiçoado pelo pecado será totalmente dominado e dirigido pelo Espírito Santo. Será físico e perfeito (v.50). Paulo diz que é impossível a nossa atual condição herdar as bênçãos da glória do por vir, por isso devemos ressuscitar. Na volta de Cristo tanto ressurreição dos mortos como a transformação dos vivos acontecerão numa sucessão rápida (v.51-52). Em 1 Tessalonicenses 4.16-17 vemos que o arrebatamento dos crentes – sua elevação para encontrar com o Senhor nos ares – acontecerá imediatamente após a transformação desse corpo.
Haverá uma continuidade da vida – Muito se pergunta sobre se lembraremos de nossa vida aqui na terra. Não acredito que seremos “formatados”, creio que lembraremos. Seremos nós mesmos, porém transformados. O livro de Apocalipse diz que no céu entoaremos a canção do Cordeiro e de Moisés (Ap 15.3), que é uma canção sobre história passada. Logo, se vamos cantar sobre os grandes feitos de Deus na história, não podemos esquecê-los.

Mas em Isaías diz: “Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas.” (Isaías 65.17). Alguns dizem que não teremos lembranças desta vida. Será que quando formos para o céu (a Nova Terra), não haverá absolutamente nenhuma lembrança dos Céus e Terra passados? O verso acima não ensina que não haverá nenhuma lembrança no céu ou na era vindoura. Veja as razões:
            
          Perceba o paralelo entre "coisas passadas" no versículo 17 e "angústias passadas" no versículo 16. O versículo 16 diz: “de sorte que aquele que se abençoar na terra, pelo Deus da verdade é que se abençoará; e aquele que jurar na terra, pelo Deus da verdade é que jurará; porque já estão esquecidas as angústias passadas e estão escondidas dos meus olhos.” O estrito paralelo entre “angústias passadas” no versículo 16 e “coisas passadas” no versículo 17 nos leva a pensar que “coisas passadas” não significa todas as coisas, mas as coisas que nos angustiariam se delas nos lembrássemos. E não nos angustiaremos na era vindoura. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” (Ap 21.4).

Mas a crucificação do Cordeiro não foi uma das angústias do mundo? Sim, foi horrível. Portanto parece estar no grupo das coisas que não deveriam ser mais lembradas. O que esqueceremos e o que lembraremos não é uma simples classificação de bom ou ruim. Ao invés disso, esqueceremos e lembraremos das coisas de acordo com o que aumentará o nosso deleite em Deus. Se lembrar de algo intensifica a nossa adoração, nós nos lembraremos.
            E o casamento? Em textos como Mateus 22.30 Jesus ensina que não haverá casamento no céu. O que se aplica aqui é a semelhança dos anjos. Não quer dizer que não haverá diferença de sexo na vida por vir. Mas o que vemos é que a instituição do casamento não mais estará existindo, pois não haverá necessidade de trazer novas criaturas ao mundo.
O que acontecerá com a segunda vinda de Cristo? Veremos a Cristo como ele é! Haverá ressurreição do nosso corpo de humilhação para sermos perfeitos diante de Deus. Nossos corpos serão transformados! Lembraremos da nossa vida com Cristo neste mundo. O pecado não mais existirá! Aleluia!

Conclusão e aplicação final: A segunda vinda de Cristo - Temos que cada dia ter certeza da volta de Cristo e ficarmos vigilantes, pois não sabemos o dia de sua vinda. Esperemos com alegria e com fidelidade a ele. A Bíblia nos diz muito pouco sobre a nossa ressurreição e como será. Mas tudo que sabemos é que será maravilhoso. Está além da mais alta imaginação. As palavras de Paulo devem ser aplicadas aqui: “… Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (1Co. 2.9).                                                                                     

 Por Rev. Ronaldo P Mendes