domingo, 17 de novembro de 2013

Pregando Cristo a partir do decálogo



por John M. Frame


Se toda a Escritura testifica de Cristo, a lei de Deus certamente não pode ser uma exceção. Conforme estudamos a lei no contexto do seminário, então, nada pode ser mais importante do que estudar seu testemunho de Cristo. Ministros do Evangelho precisam aprender como pregar Cristo a partir da lei.

De fato, a lei carrega testemunho de Cristo de diversas maneiras, algumas da quais eu devo discutir nos seguintes pontos.

1. O Decálogo apresenta a justiça de Cristo. Quando dizemos que Cristo foi o cordeiro perfeito de Deus e o exemplo perfeito de vida Cristã, estamos dizendo que ele obedeceu perfeitamente à lei de Deus. Ele nunca colocou nenhum deus antes de seu Pai. Ele nunca adorou ídolos ou tomou o nome de Deus em vão. Ao contrário dos fariseus, ele nunca violou a lei do Sabbath (Sábado). Assim, o decálogo nos diz como Jesus era. Ele nos mostra seu caráter perfeito.

2. O Decálogo mostra nossa necessidade de Cristo. A lei de Deus nos convence do pecado e nos leva a Jesus. Ela nos mostra que estamos separados de Cristo. Nós somos idólatras, blasfemos, quebradores do Sabbath (Sábado), e assim por diante.

3. O Decálogo mostra a justiça de Cristo. Nele somos santos. Deus nos vê em Cristo, como detentores da lei.

4. O Decálogo mostra como Deus quer que rendamos graças por Cristo. No decálogo, obediência segue a redenção. Deus diz a Seu povo que Ele lhes libertou do Egito. A lei não é algo que eles devem guardar para merecer redenção. Deus já os redimiu. Guardar a lei é uma maneira que eles agradecem a Deus pela salvação outorgada livremente.  Assim, a Confissão de Heidelberg expõe a lei sob a categoria de gratidão.

5. Cristo é a essência da Lei. Este ponto está relacionado com o primeiro, mas não é bem a mesma coisa. Aqui eu gostaria de dizer que Jesus não é apenas um guardador perfeito da lei (de acordo com sua humanidade), mas que de acordo com sua divindade ele é aquele a quem nós honramos e adoramos quando guardamos a lei;

(a) O primeiro mandamento nos ensina a adorar Jesus como o único e verdadeiro Senhor, Salvador e Mediador (Atos 4:12, 1 Tm 2:5)

(b) No segundo mandamento, Jesus é a imagem perfeita de Deus (Col 1:15, Heb 1:3). Nossa devoção a ele se opõe a adoração de qualquer outra imagem.

(c) No terceiro mandamento, Jesus é o nome de Deus, e todo joelho se dobrará diante desse nome (Fil 2:10-11; cp Is 45:23)

(d) No quarto mandamento, Jesus é o nosso descanso sabático. Em sua presença, nós cessamos nossos deveres e ouvimos sua voz. (Lucas 10:38-42)

(e) No quinto mandamento, nós honramos Jesus que nos trouxe como seus “filhos” (Heb 2:10) para a glória.

(f) No sexto mandamento, nós o honramos como a vida (João 10:10, 14:6; Gal 2:220; Col 3:4) Senhor da Vida (Atos 3:15, aquele que deu sua própria vida para que pudéssemos viver (Mc 10:45).

(g) No sétimo mandamento, nós o honramos como nosso noivo que se entregou para nos purificar, para nos tornar sua noiva pura e imaculada (Efésios 5:22-33). Nós o amamos como nenhum outro.

(h) No oitavo mandamento, nós honramos Jesus como nossa herança (Efésios 1:11) e como aquele que prove todas as necessidades para seu povo neste e mundo e no vindouro.

(i) No nono mandamento, nós o honramos como a verdade de Deus (João 1:17, 14:6), em quem todas as promessas de Deus são Sim e Amém (2 Cor 2:20)

(j) No décimo mandamento, nós o honramos como nossa suficiência completa (2 Cor 3:5, 12:9) para atender tanto nossas necessidades externas quantos renovar os desejos dos nossos corações.

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Dr. John Frame é professor de teologia sistemática e filosofia no Reformed Theological Seminary em Orlando, após ter servido por 31 anos como professor no Westminster Theological Seminary, Califórnia.

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Fonte: Frame & Poythress 
Tradução: Equipe Bereianos