domingo, 17 de março de 2013

As raízes da adoração


Por Matt Chandler

Deus, somente Deus, é supremo. O Deus sobre o qual você encosta a face se estende a fins invisíveis e insondáveis. John Piper colocou desta maneira: “Quanto mais para cima você for nos pensamentos revelados de Deus, mais claro você enxergará o alvo de Deus ao criar o mundo, como sendo demonstrar o valor de sua própria glória”. Piper acrescenta ainda: “Este alvo nada mais é que a infinda e sempre crescente alegria do seu povo nessa glória”.10 Vemos isso também na Confissão de fé de Westminster: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.

Chamamos tal gozo de “adoração”. Quando tal adoração for a atribuição de máximo valor a alguma pessoa ou coisa que não seja o único Deus trino do Universo, é idolatria. A raiz da adoração cristã, portanto, é reconhecer, submeter-se e ter prazer na supremacia da glória de Deus. Em todas as coisas.

Isso quer dizer, por exemplo, que Deus nos dá o dom do sexo, e é uma boa dádiva, mas não o dá para que nossa alegria se complete no próprio ato do sexo. Ele o deu para que sejamos sobrepujados pela bondade de Deus em nos dar tão excelente dádiva. A sexualidade não é um fim em si mesmo, nem um meio para a nossa glória. Foi-nos dada para que pudéssemos adorar a Deus. Semelhantemente, Deus nos deu os alimentos e o vinho não para que pudéssemos nos embriagar e enfastiar, nem para que não tivéssemos prazer neles, mas para que pudéssemos saborear um bocado de boa comida ou sorver um excelente vinho e, por meio deles, ter prazer em Deus. 1Timóteo 4.4 nos diz: “Pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável”. A adoração, quando vista dessa forma, é maior e mais abrangente do que apenas cantar alguns hinos no culto da igreja umas duas vezes por semana. É o modo de vida daqueles que estão apaixonados e encantados pela glória de Deus. Adoramos a Deus quando, ao compartilhar das suas boas dádivas, algo acontece nos recônditos mais profundos da alma, proibindo que a glória termine no dom em si ou em nosso prazer dele, mas corra mais fundo, estendendo àquele que tudo nos deu.

Sem um entendimento de Deus e sem adorá-lo dessa forma, tudo se torna superficial. Tudo – desde o jantar até o sexo, do casamento até aos filhos, do trabalho até às artes e a literatura – tudo fica superficial e trivial. Mas quando se compreende a força motriz por trás de todas as coisas, de repente há uma quantia eterna de alegria à nossa disposição, porque tudo que fazemos é iluminado e animado pela infinda glória do Deus eterno.

Você não precisa ser um profissional religioso para ver evidência dessa verdade. Se eu não fosse pastor que recebe pagamento para dizer essas coisas, mas apenas um estudante da humanidade, não poderia argumentar contra o fato de que todos nós fomos instalados, feitos, para a adoração. Não creio que seria difícil discutir que nossa adoração acaba sendo vaga e superficial.

Está sendo travada uma guerra, e boa parte do mundo se encontra em uma incrível confusão de pobreza, fome, inquietação cívica e violência. No entanto, se ligar a TV no noticiário, é mais provável que você escute falar das atividades diárias de estrelas populares e atores, ou quanto dinheiro ganha um atleta e quem ele namora no momento, do que qualquer coisa significativa. Com certeza, qualquer pessoa vê que nosso “interruptor de adoração” está sempre ligado, sintonizado a difusoras ridiculamente finitas. Homens adultos pintam o corpo e surfam número incalculável de sites da rede para seguir um time esportivo – emoção significativa derramada sobre as habilidades físicas infantis de um jogo. Vá a qualquer concerto e verá pessoas erguer espontaneamente as mãos, batendo palmas, fechando os olhos, sendo tocados espiritualmente pela música. As pessoas pescam ou fazem caminhadas para estar sintonizadas à natureza. Colocamos pôsteres em nossas paredes, adesivos em nossos carros, tatuagens sobre nossa pele, e drogas em nosso sistema. Fazemos todas essas coisas e outras semelhantes, derramando-nos automaticamente e com grande naturalidade, naquilo que está decadente. Queremos adorar alguma coisa. A adoração é uma reação nata. Fomos feitos pelo próprio Deus para sermos adoradores.

Trecho do livro “O Evangelho Explícito”, de Matt Chandler, Próximo lançamento da Editora Fiel.