sábado, 9 de novembro de 2013

O MISTÉRIO DAS ERAS [As Dispensações de Deus]

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A IDADE APOSTÓLICA, À LUZ DE UM REINO PENDENTE


I  - A MENSAGEM DO REINO E OS SINAIS QUE A ACOMPANHAM

         
Quando Natanael exclamou: “Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel!” (João 1:49), Jesus não recusou o título. Quando Jesus começou o Seu próprio ministério, Sua mensagem foi a mesma de João Batista: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus” (Mateus 4:17). O arrependimento aqui exigido era o “arrependimento nacional”. As Escrituras do Velho Testamento ensinam claramente que o Reino Messiânico não pode ser estabelecido, antes que a nação de Israel se arrependa. Em Mateus 4:23, lemos: “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino”.  Conquanto Sua pregação fosse acompanhada de “sinas e curas físicas”, em nenhuma parte somos ensinados que o “Evangelho do Reino” tenha algo a ver com a salvação da alma e, como ele terá de ser pregado novamente, após o Arrebatamento da Igreja, para testemunho a todas as nações; que chegou o tempo de estabelecer o Reino;  a inferência é que o “Evangelho do Reino” nada tem a ver com “salvação’, sendo apenas um anúncio de que o “Reino Messiânico” está disponível.

Quando Jesus enviou os Doze discípulos, Ele lhes ordenou: “dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; e, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10:5-8). Observem que Suas obras se limitavam a realizar os “sinais do Reino”, o que nada tem a ver com a salvação da alma, mas com o “Evangelho do Reino”. Além disso, o “Evangelho da Salvação” é para o mundo inteiro, enquanto os discípulos foram proibidos de pregá-lo a quem não pertencesse à “casa de Israel”; ou seja, eles deveriam pregar somente para os judeus. Que os discípulos estavam esperando estabelecer um reino terreno visível é evidenciado pelo pedido de Tiago e João a Jesus: “Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda” (verso 37 da narrativa de Marcos 10:35-41). Se não houvesse a possibilidade de um reino terreno, Jesus teria retirado essa idéia de suas mentes; mas, Ele a confirmou, dizendo: “Na verdade bebereis o meu cálice e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado, mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem meu Pai o tem preparado” (Mateus 20:23).



II - OUTRAS POSSIBILIDADES

A - Os judeus 
– Mas, alguém pode indagar: “O que teria acontecido aos judeus, como nação, se eles tivessem se arrependido e aceitado Jesus como Rei. Será que o Reino Messiânico teria sido estabelecido?”  Certamente, porém não tão rapidamente; pois, algumas profecias do Velho Testamento, sobre a morte e ressurreição de Jesus, precisam ser cumpridas. Jesus precisava morrer pela redenção da raça humana, antes de assumir o Seu ofício de Rei [N.T.: E a Escritura não pode ser anulada, segundo João 10:35]. Isso poderia ter-se cumprido através do governo romano, se ele prendesse e crucificasse Jesus, como usurpador; e com a Sua ressurreição e ascensão, a 69ª. semana de Daniel teria sido concluída e a 70ª. semana seria iniciada sem interrupção; e no final da mesma, Jesus desceria para estabelecer o Seu Reinado terreno.


B - A IGREJA - Então, vocês perguntam: “E a Igreja? Se foi o propósito de Deus formar a Igreja (Efésios 1:4), como poderia ela ter sido formada, sem uma interrupção, ou brecha, entre a 69ª. e a 70ª. semana de Daniel, com uma oferta “bona fide” de um reino terreno a Israel”? 

Esta é uma pergunta hipotética, embasada na suposição de que algo pudesse ter acontecido sem a previsão divina, como se Deus não fosse Onisciente para antever claramente  o futuro. O conhecimento antecipado de Deus de que a nação de Israel não iria dar atenção ao anúncio de que o “Reino do Céu” estava à mão, para se arrepender, não anula a sinceridade do anúncio, do mesmo modo como a oferta de salvação por um pregador do Evangelho, a uma audiência de pecadores, no qual essa audiência tem toda confiança, muitas vezes é rejeitada, mesmo sendo uma oferta “bona fide”.



III - A RECONCILIAÇÃO
         O plano e propósito de Deus, em todas as eras, está embasado no Seu conhecimento antecipado. Se Deus não tivesse previsto que os judeus iriam rejeitar  o Rei e, portanto, o Reino, Ele teria planejado a formação da Igreja em algum outro tempo, além desta dispensação atual. Como a Igreja deveria ser comprada pelo precioso sangue de Cristo (Atos 20:28; 1 Pedro 1:21), foi necessário que Jesus fosse rejeitado e crucificado e isso pela Sua própria nação, pois o profeta Zacarias havia profetizado que os judeus iriam olhar para Aquele “a quem traspassaram” (Zacarias 12:10). Mas, o conhecimento antecipado de Deus não exigia nem obrigava a nação judaica rejeitar Jesus, não mais que o conhecimento antecipado de que os judeus iriam traí-Lo e pedir a Sua crucificação. A possibilidade da Igreja ser povoada pelo arrependimento da nação judaica não entra no “plano de Deus”, o Qual previu a recusa de Israel em aceitar Jesus como Rei e que Israel não iria se arrepender, até que a Igreja fosse formada e arrebatada deste mundo.

         Ao expor as Escrituras, não tomamos algo que pertença a uma “passada” e a uma “futura” dispensação, para colocá-lo na dispensação “presente”. Por exemplo, o Reino. A dispensação passada e a futura têm algo a ver com o Reino, numa “organização política” exterior, visível e mundial. E deve ser estabelecida na Terra (Daniel 2:44). Ao mesmo tempo, a “Igreja” é um “organismo espiritual” invisível e celestial, a qual deve ser arrebatada (1 Tessalonicenses 4:16-17). O Reino foi preparado desde a fundação do mundo (Mateus 25:34). A Igreja foi escolhida Nele, antes da fundação do mundo (Efésios 1:4). Nesse caso, a Igreja não é o Reino.



A CONCLUSÃO DA ERA APOSTÓLICA
        A era apostólica chegou ao fim, junto com a cessação dos sinais apostólicos. Quando estudamos  o Livro de Atos, descobrimos que Deus foi, paulatinamente, extinguindo os sinais, em um após outro local, onde os judeus iam rejeitando a mensagem  (Jerusalém - Atos 7; Ásia Menor - Atos 13:45-46; Europa Central - Atos 18:6; Roma - Atos 28:28). Na 1 Coríntios 1:22, os judeus pediam sinais; mas, quando Paulo chegou ao final do seu ministério, ele declarou: “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam”. (Romanos 10:12). A essa altura, Paulo já nem pôde curar o amigo Trófimo (2 Timóteo 4:20), no final do seu ministério.



 

A ERA DA IGREJA


Introdução -
 Somente a partir de Atos 8, é que qualquer homem escuta a respeito da morte de Cristo, como uma reparação pelo pecado. Somente em Atos 9, é que um homem descobre que Cristo habita no corpo do cristão. Somente em Atos 10, Pedro desperta para o fato de que o batismo na água não é necessário para a salvação. A comissão em pauta é: “Nunca se preocupem com o Reino literal, físico e visível, o qual algum dia vai restaurar Israel (vou restaurá-lo, mas não agora). Preocupo-Me, por enquanto, em que vocês saiam por aí, falando de Mim, dando testemunho ao seu testemunho, pois estou lhes dando poder de operar sinais e maravilhas, em Meu nome” (Atos 1, 2, 4, 15).

        Os discípulos saem. Eles operam os sinais e maravilhas apostólicos.  Cooperando com o envolvimento doutrinário e histórico do Livro de Atos, quando ele se relaciona ao ministério e epístolas de Paulo, uma coisa fica clara: um reino espiritual está sendo pregado aos judeus e gentios e os gentios estão recebendo-o melhor que os judeus. (Atos 13, 16, 18, 28). O último verso do Livro de Atos  é uma clara, didática e dogmática declaração de que, até  que o Reino de Deus se torne visível na Terra, com os seres glorificados (Lucas 19:11), não existe o Reino do Céu. Paulo estava pregando o Reino de Deus sem impedimento algum (Atos 28:31), sem ninguém que o proibisse. Ele diz que este Reino deve ser de “justiça, e paz, e alegria no Espírito
Santo”
 (Romanos 14:17). O Reino de Deus não será um sinônimo do Reino do Céu, até que o Único que governa ambos regresse à Terra (Apocalipse 11:15; 2 Timóteo 2:12; Romanos 8:17-25). Na era atual, os dois Reinos são diferentes e um deles ainda não se encontra aqui. [N.T.: O Reino de Deus se encontra dentro dos crentes verdadeiros e o Reino do Céu vai chegar com o governo de Cristo na Terra]. O Reino do Céu é o que Roma e o Concílio Mundial de Igrejas professam controlar, liderar e difundir. Se os dois Reinos não são os mesmos, não há como “estabelecer o Reino” aqui na Terra [N.T.: Isso é Dominionismo]. Com o adiantamento do Reino, para o sétimo milênio, a Grande Meretriz (Mateus 13:33; Apocalipse 17:4), a qual tem levedado a massa com o fermento da falsa doutrina, está usurpando a posição da “Filha Virgem de Israel”, a “Filha de Jerusalém”) (Jeremias 14:17; Sofonias 3:14), garantindo que a mãe solitária já não pode dar à luz filhos (Isaías 54:1-9; 66:5-10). O adiantamento do Reino resulta nessa abominável imitação.



Por amor à clareza, vamos considerar que a Igreja não é e, depois, o que ela é, de fato



O QUE A IGREJA NÃO É

A - Ela não é a continuação da “Dispensação Judaica” com outro nome
Os judeus foram deixados de lado porque a “linhagem principal” deveria entrar em compasso de espera, a fim de dar passagem à Igreja. Jesus disse: “A lei e os profetas duraram até João” (Lucas 16:16). Se as Escrituras colocam Moisés e a Lei numa dispensação e Cristo e a graça na outra, devemos respeitar a ordem divina e não juntar o que Deus separou. 

        Pelo fato de alguns organismos religiosos acreditarem que Igreja é apenas uma nova fase do que eles chamam “Igreja Judaica”, eles têm insistido num ritual cerimonial, retendo o sacerdócio, o altar, as vestes sacerdotais, etc., sem falar nos edifícios idênticos ao Templo. Eles chamam as ordenanças cristãs de “sacrifícios” e sacramentos”, chegando ao cúmulo de advogar a “Igreja Estatal”, tendo a Igreja como cabeça. Eles afirmam que todas as promessas de riqueza e glória do Velho Testamento foram transferidas dos judeus para a Igreja. Esta posição [N.T.: reconstrucionista/dominionista] não é bíblica.


B - Ela não é o Reino
         João Batista apareceu pregando que o Reino do Céu havia chegado; Jesus enviou os Doze e os Setenta para fazer o mesmo; mas os judeus rejeitaram o Rei e o Reino, por isso o Reino do Céu foi adiado. Segundo Lucas 19:11-27, não pode haver Reino algum, enquanto o “homem nobre”, que “partiu para uma terra remota” (verso 12), receba de volta o Seu Reino.

         A Igreja nunca é confundida com o Reino nas Escrituras. Ela é comparada a uma “casa” (1 Timóteo 3:15); a um “templo” (1 Coríntios 3:16-17); a um “Corpo” (1 Coríntios 12:27-31); porém, nunca ao Reino. Cristo é a cabeça da Sua Igreja (Efésios 1:22; 4:15; Colossenses 1:18), mas nunca é aqui mencionado como Rei. A relação da Igreja com Cristo é a de “noiva” (Efésios 5:23; Apocalipse 21:2, 9, 10).



O QUE A IGREJA É

A -
 Ela é um mistério. Os profetas do Velho Testamento a descrevem em termos brilhantes. Mas, havia algo que era um “mistério” para eles e isso era o que estava no porvir, entre o sofrimento e a glória de Cristo (1 Pedro 1:9-12); ou seja, entre a cruz e a coroa. Jesus deu a entender que deveria haver algo que Ele chamou “Igreja”, mas não disse quando ela iria aparecer e a que ela iria se assemelhar (Mateus 16:13-20) [N.T.: Antibíblica é a declaração dos papistas, que dizem que Cristo fundou a Igreja sobre Pedro, o qual teria sido primeiro papa... E dos “evangélicos emergentes”, que se julgam donos da mesma, querendo dominar o mundo através do seus apóstolos e profetas].


O “Mistério da Igreja” foi primeiro revelado a Paulo
        “Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios; se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para  convosco me foi dada; como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi.” (Efésios 3:1-3).



O MISTÉRIO
        “O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito... que” (Ef 3:5)


Os gentios

“são co-herdeiros”
 (verso 6).

O mesmo corpo

“De um mesmo corpo e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho”
 (Ver Efésios 3:1-11).



Vemos aqui que a Igreja era desconhecida pelos patriarcas do Velho Testamento. Que os gentios deveriam ser salvos não era mistério algum (Romanos 9:24-30). O mistério era que Deus iria criar um organismo inteiramente novo, composto de judeus e gentios, o qual seria chamado “Igreja”.



A IGREJA

B -
 Ela é um corpo chamado para fora (Ekklesia)

        Conquanto Israel seja também “um corpo chamado para fora”, ele é um “corpo nacional”, exclusivo aos descendentes de Abraão. A Igreja é um corpo internacional, composto de todas as raças e nações.         Que Israel e a Igreja são distintos e separados, não podendo ser misturados, está claro pelo fato de que sua “eleição” aconteceu em datas diferentes. A eleição da Igreja antecipa a “eleição” de Israel, o qual foi escolhido em Abraão, desde a fundação do mundo (Mateus 25:34), enquanto a Igreja foi escolhida antes da fundação do mundo  (Efésios 1:4-6). Israel foi criado para trazer a semente física, enquanto a Igreja foi criada para trazer a semente espiritual.



C - A Igreja é o “Corpo de Cristo”

        O fato de que a Igreja é um corpo formado de membros vivos, mostra que ela não é uma “organização”, mas um “organismo”. Uma organização é construída com as unidades distintas, como portas, janelas, telhado, pisos, etc., de um edifício, partes que podem ser removidas e substituídas, sem danificar a integridade do edifício. O corpo humano é um organismo, do qual não se pode remover um olho, um braço, um pé e até mesmo um dedo, sem que ele seja danificado e sua integridade destruída.

        Sendo também um corpo ligado a Cristo, a Igreja não pode morrer, do mesmo modo como um corpo morto não pode ficar ligado a uma cabeça viva; e Cristo, o Cabeça da Igreja, não mais pode morrer, segundo Apocalipse 1:18: “E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”. Isso quer dizer que “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Colossenses 3:4). Cristo não apenas deu Sua vida pela Igreja como a deu para a Igreja.

         Mas, por que a Igreja é chamada “Corpo de Cristo”? Porque o corpo serve para manifestação da personalidade. Uma pessoa pode existir sem um corpo físico, entre a morte e a ressurreição do corpo; mas, a alma existe independente de um invólucro físico. Embora essa existência não possa ser manifestada. Nesse caso, a única maneira de Cristo - já na glória -  manifestar-Se ao mundo é através do Seu corpo - a Igreja. A única maneira de vermos Cristo hoje, neste mundo, é através dos crentes verdadeiros, o Seu Corpo. Foi, provavelmente, isso que Paulo quis dizer com Filipenses 1:21: “para mim o viver é Cristo”. Paulo quis viver no mundo, de modo que este pudesse ver em sua vida o próprio Cristo.