segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Evangelismo universitário e a igreja - Dave Russell


Embora o câmpus universitário ofereça uma excelente oportunidade para a evangelização, também
pode ser desafiador ultrapassar o abismo entre a igreja local e o câmpus universitário.

Os câmpus universitários muitas vezes parecem “uma cidade dentro de uma cidade”. Eles têm sua própria cultura, seus próprios calendários, sua própria (e estreita) demografia. Enquanto muitas pessoas estão em casa escovando os dentes e se preparando para dormir, estudantes universitários podem estar pensando que esteja na hora de pedir uma pizza e começar a trabalhar em um artigo científico de dez páginas. Quando comecei o ministério no câmpus aos 22 anos, eu me parecia com os alunos do câmpus. Agora, aos 36 anos, eu chamo a atenção se estiver em um alojamento universitário. Por essa e tantas outras razões, há um abismo a transpor.


Apesar disso, nós queremos que as igrejas sejam capazes de influenciar o câmpus e que o câmpus esteja presente na igreja local. Mas como?

A resposta breve é que as igrejas devem buscar uma dinâmica de ministério que estabeleça um ciclo entre câmpus e igreja. À medida que a igreja impacta o câmpus universitário, o câmpus é envolvido na vida da igreja local e, então, aquela igreja prepara aqueles estudantes para caminhar com Deus e labutar pelo evangelho de volta no câmpus.

O CICLO
O primeiro passo decisivo ocorre da igreja para o câmpus. É preciso enviar obreiros ao câmpus para que preguem o evangelho. No mínimo, isso significa preparar estudantes universitários que sejam membros de sua igreja. Isso também pode incluir usar a equipe pastoral (pastores universitários, estagiários remunerados etc.), líderes leigos ou um ministério paraeclesiástico fiel (mas nunca em lugar da preparação dos estudantes da igreja). O objetivo é alcançar o câmpus com o evangelho por meio do envio de obreiros para um ministério focado nele. Em vez de simplesmente tentar atrair estudantes universitários com uma programação dentro da igreja, as igrejas devem focar em alcançar os câmpus por meio do envio de obreiros ao câmpus.

O segundo passo é integrar tudo o que acontece no câmpus à igreja local. À medida que as igrejas propagam o evangelho e os estudantes se voltam para Cristo, eles devem então ser envolvidos naquela igreja local, onde serão ensinados sobre a importância do batismo, da membresia da igreja e da comunhão. Eles devem ser discipulados como membros da igreja local.

Depois, então, o ciclo se repete: à medida em que os alunos estão conectados à vida da igreja, eles são preparados para voltar ao câmpus para servir e causar impacto. Todo o ministério que é realizado fora é, então, trazido de volta à igreja local.

EM QUE MUITAS VEZES SE TORNA O MINISTÉRIO NO CÂMPUS
Na minha experiência, ministérios universitários têm dificuldade em desenvolver uma dinâmica de ciclo entre a igreja e o câmpus. Os dois se separam e o ministério universitário passa a funcionar como uma subcultura isolada. Deixe-me dar dois exemplos:

Desligado da igreja: errando o alvo
Com muita frequência, ministérios universitários teologicamente confiáveis – sejam eles paraeclesiásticos, denominacionais ou mesmo mantidos por igrejas — propagam o evangelho e fazem coisas boas, mas não estão integrados à vida da igreja local. Eles têm um ministério frutífero no câmpus, uma diversidade de pequenos grupos e oportunidades de treinamento, mas os próprios estudantes não se conectam de uma forma significativa às igrejas locais. Talvez eles não estejam envolvidos na igreja de modo nenhum igreja; talvez estejam sempre mudando de igreja, ou talvez apenas considerem a igreja um lugar para ir aos domingos de manhã.

Estes tipos de ministérios no câmpus acabam estabelecendo uma dinâmica que opera isolada da igreja. Eles têm boas intenções, mas deixam de lado um aspecto crucial de seguir a Jesus: viver dentro da estrutura e da responsabilidade da igreja local e de seus líderes. Eles fazem coisas boas, mas não estão preparando aqueles estudantes para uma vida inteira de seguir a Jesus. Em vez de associarem-se às igrejas locais, esse ministérios terminam como substitutos acidentais da igreja local na vida dos estudantes cristãos.

Desligados do câmpus: perdendo oportunidades
O outro lado da moeda é que há igrejas que têm estudantes frequentando, talvez até como membros. Esses estudantes podem participar em atividades ministeriais e programas da igreja. O problema é que eles não estão de fato integrados ao câmpus; eles não estão buscando focar o ministério ali.
Para esclarecer, eu não acredito que todos os universitários devam direcionar seu ministério pessoal ao câmpus. Contudo, se a maioria dos estudantes universitários de sua igreja não busca um ministério pessoal no câmpus, eu penso que tanto eles quanto vocês estão perdendo uma excelente oportunidade. Os estudantes universitários que são membros de sua igreja estão na melhor posição para propagar o evangelho no câmpus. Esse tipo de ministério pode fazer um bom trabalho ao envolver os estudantes do câmpus na vida da igreja local, mas erra o alvo à medida que não procura discipulá-los ou equipá-los para, intencionalmente, impactarem o seu câmpus.

COMECE COM ALGUMAS PESSOAS, NÃO ALGUMAS ATIVIDADES
Muitos ministérios universitários têm dificuldades de desenvolver esta dinâmica cíclica. Em vez de perguntar: “Como atrairemos estudantes universitários à nossa igreja?”, nós deveríamos perguntar: “Como a nossa igreja está impactando o câmpus com o evangelho?”.

Com muita frequência, os ministérios universitários reúnem uma multidão de estudantes para grandes reuniões e atividades. Mas o de que o câmpus precisa mesmo não são mais atividades, e sim pessoas que propaguem o evangelho aos estudantes incrédulos, que alcancem os estudantes cristãos ao seu redor e os ajudem a se envolverem na igreja e a serem discipulados.
A questão agora se torna… “Como?”

Comece com algumas pessoas. Quer sejam alguns estudantes, alguns líderes leigos ou alguns membros da equipe pastoral ou estagiários, comece a pensar em como sua igreja pode evangelizar e discipular no câmpus. Se não for possível ainda ter um grupo de pessoas comprometido com esse alvo, aqui estão algumas coisas que você pode fazer nesse ínterim:
  • Ore regularmente, nas reuniões semanais de sua igreja, para que o evangelho avance nos câmpus locais.
  • Considere contratar estagiários (estudantes recém-formados seriam o ideal) para se dedicarem ao evangelismo no câmpus. Esses estagiários poderiam ser integral ou parcialmente sustentados.
  • Ensine os estudantes universitários acerca da importância da membresia da igreja e encoraje-os a se tornarem membros de uma igreja nos primeiros anos de faculdade. Ajude-os a ver que quatro anos é tempo o bastante para se comprometer com uma igreja local e que isso não deve ser visto como uma fase transitória.
  • Em vez de oferecer aulas de acordo com a faixa etária (Escola Dominical tradicional), integre os estudantes universitários às classes de adultos.
  • Concentre-se mais em treinar e discipular os estudantes do que em programações atrativas e legais. Treine os estudantes para usarem ferramentas evangelísticas como “Duas maneiras de viver”, “Christianity Explored” e “One to one Bible reading” [“Cristianismo explorado” e “Leitura Bíblica Um a Um”, ambos sem tradução em português].
  • Ajude a posicionar os estudantes para impactarem o câmpus. Em vez de viverem num apartamento fora do câmpus, encoraje-os a morarem num alojamento de calouros ou num local onde eles possam desenvolver muitos relacionamentos.
  • Encoraje os membros de sua igreja a convidarem estudantes a suas casas e os estudantes a convidarem membros de sua igreja ao câmpus.
Fonte: Voltemos ao evangelho