segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A PALAVRA DE DEUS, O TESOURO DA IGREJA REFORMADA



“Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.”(Mateus 24.35).  

Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero declarou ao poder do papa as verdades Bíblicas sobre a salvação do homem. Tocado pela Palavra (Rm 1.17), ele publicou as 95 teses que traziam de volta os princípios esquecidos pela igreja romana. Mais uma vez Deus reavivaria a sua obra (cf Hc 3.2). A Palavra de Deus agora teria lugar de primazia na vida da igreja.
      Todos os avivamentos na história da igreja começaram pela redescoberta da Palavra de Deus. Como podemos ver isso?
Uma reforma Religiosa nos tempos dos Reis com Josias (2Reis 22.1-2)   
O povo tinha se esquecido da Palavra de Deus, e seria condenado: “Andaram nos estatutos das nações que o SENHOR lançara de diante dos filhos de Israel e nos costumes estabelecidos pelos reis de Israel. Os filhos de Israel fizeram contra o SENHOR, seu Deus, o que não era reto; edificaram para si altos em todas as suas cidades, desde as atalaias dos vigias até à cidade fortificada.” (2Rs 17.8-9).
Josias o Reformador (2Rs 22.8-10; 11-14) – Quem foi Josias? O décimo sexto rei de Judá (640-609 a.C). Era um homem justo (Cf 2Rs 22.1-2), reformou o templo e o culto a Deus. Ao reparar o Templo ele encontrou o livro da Lei que o povo tinha esquecido. A situação era tão terrível, que o povo não sabia que livro era este: “Relatou mais o escrivão Safã ao rei, dizendo: O sacerdote Hilquias me entregou um livro. E Safã o leu diante do rei.” ( 2Rs 22.10).
O resultado de encontrar a Palavra: “Tendo o rei ouvido as palavras do Livro da Lei, rasgou as suas vestes.”(2Rs 22.11). Após ter reconhecido o pecado ele renova a aliança com o Senhor, purifica o culto a Deus (cf 2Rs 23). No período desse Rei o povo foi abençoado com a Palavra de Deus.
Deus levantou Josias para que trouxesse de volta aquilo que havia se perdido no meio do povo, a sua lei e seus princípios de culto. O povo foi abençoado por mais de 30 anos de seu reinado. Mas outros reis não seguiram o seu exemplo (Ex: Jeoacaz, Jeoaquim).

Caminhando com a história vemos:

Uma reforma Religiosa nos tempos do pós-exílio (Esdras 7.10)   
Por causa dos pecados de Israel, o Senhor lançou-os no Cativeiro (Babilônia). O povo desprezou a lei de Deus: “Desprezaram todos os mandamentos do SENHOR, seu Deus, e fizeram para si imagens de fundição, dois bezerros; fizeram um poste-ídolo, e adoraram todo o exército do céu, e serviram a Baal.”(2Rs 17.16).
Esdras um reformador (Ed 7.10) – “Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos.” - No avivamento da obra do Senhor ele usa a disposição do crente (v.10a) – “Esdras dispôs”.    Antes de pregar e ensinar ele cumpriu a Palavra (v.10b) – “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” (Tg 1.22). Esdras desejou uma reforma, assim ele viveu a Palavra.
Deus aviva a sua obra através de sua Palavra e as pessoas que ele chama para tal tarefa são pessoas que vivem a Palavra. Não são apenas ouvintes, mas praticantes.
Caminhando com a história vemos, ainda:
Jesus e os discípulos e a verdadeira religião para o mundo (Mateus 24.35)
Jesus ensinou a importância da sua Palavra para a igreja: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha;”(Mt 7.24) -  A Palavra é rocha para a igreja. Jesus diz em Sua oração: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”(Jo 17.17). Assim, seus ensinos não podem ser mudados pois é a verdade.
Os discípulos seguiram o mesmo ensino: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,” (2Tm 3.16). A Escritura é o poder de Deus: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;” (Rm 1.16). 
            Deus levantou Josias e Esdras, mas quando chegamos em Cristo vemos o exemplo maior. E os discípulos seguiram seu exemplo. Jesus disse: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.”(Mt 24.35).  
E por fim, caminhando com a história vemos:
Continuação da Reforma Religiosa  
A igreja vivia em meio às perseguições (desde, ou antes de 54 d.C), mas era uma igreja que se mantinha firme nas Escrituras. Então entra em cena o imperador romano Constantino (306-337 d.C), institui uma série de benefícios ao Cristianismo, tais como: isenção de impostos, terras, pagamento dos bispos e ajuda na construção de templos. Agora, o poder e dinheiro passaram a influenciar a vida da Igreja, que, em 392 d.C., se fundiu com o Estado, tornando-se a mesma coisa.

Aquele amor cristão, o partir o pão de casa em casa e o socorrer aos necessitados viraram práticas do passado. O Cristianismo começou a decair moralmente, e seus fiéis não correspondiam mais à Palavra e à vontade de Deus.

Na Idade Média, quem mandava na Igreja era o Papa. Ele tinha plenos poderes para instituir e derrubar reis e reinos. Foi criado o “clero”, que era uma liderança muito mais política que espiritual, e mantinha uma distância enorme do povo. O clero não tinha nada a ver com os apóstolos que viviam em comunhão com o povo.

Alguns dos erros que cometidos pela Igreja que a fez se distanciar da Palavra de Deus:

380 d.C. – Oração pelos mortos
535 d.C. – Instituição das procissões
538 d.C. – Celebração da missa de costa para o povo
757 d.C. – Adoração de imagens
884 d.C. – Canonização de santos
885 d.C. – Adoração da “Virgem Maria”
1022 d.C. – Legalização da penitência por dinheiro
1215 d.C. – Adoção da confissão auricular (confessar ao padre)
1470 d.C. – Invento do rosário
  
A necessidade urgente de uma Reforma

Então no século XVI (1517), um monge alemão chamado Martinho Lutero, tocado pela Palavra de Deus, abraça as idéias dos pré-reformadores { John Tauler - Alemão (1300-1361); John Wyclif (1320 – 1384); John Huss (1373 – 1415); William Tyndale – inglês (1494-1536)}. Com isso publica as suas 95 teses, que eram (e são) um protesto contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Assim, em 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg (Alemanha), com um convite aberto ao debate sobre elas. Inicia-se, então, a Reforma Protestante. As suas 95 teses eram contra todo poder papal, Lutero declarou: “O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.” (tese 62).  

A Reforma do século XVI foi uma volta às Escrituras Sagradas, um retorno à doutrina apostólica.
Após Lutero vieram vários outros que pregavam a Palavra de Deus com fidelidade -  Outros Reformadores: Zwinglio na Suíça (1481-1522) e João Calvino na França (1509-1564).

Conclusão:  Todos os grandes avivamentos no meio do povo de Deus ocorreram com a redescoberta do tesouro que o Senhor nos entregou, a Sua Palavra. Foi assim com Josias, com Esdras, e quando olhamos os ensinos de Cristo vemos que Jesus deixa claro que Sua Palavra e ensino são eternos e são o alicerce no qual a igreja deve estar plantada.

Precisamos de Reforma hoje! – Mas para isso é importante lembrar que o avivamento da igreja vem por meio do real interesse pela Palavra de Deus e não por movimento de shows  “gospel” ou pentecostalismo herético! Pessoas usadas por Deus foram pessoas que rasgaram suas vestes diante da Palavra (Josias), que dispuseram o coração a obedecer a Palavra e praticar (Esdras). Foram homens que não tiveram medo de enfrentar o clero e declarar as verdades bíblicas (reformadores do séc 16).

Que possamos ser instrumentos de Deus para uma nova Reforma! 


Por rev. Ronaldo P Mendes