quinta-feira, 26 de setembro de 2013

As tentações da juventude


[Certa vez] foi levantada em classe, a questão - a juventude atual é igual a juventude de meu tempo, isto é, a minha juventude?


De imediato respondemos que sim, pois a juventude é apenas uma faixa etária que compreende a idade entre os dezoito e trinta anos. Então, em qualquer tempo e em qualquer lugar, todo o ser humano que ultrapassa essa idade tem a mesma juventude. Conversando um pouco mais verificamos que o que os moços queriam saber era se o comportamento dos moços da minha época era igual ao comportamento dos moços de hoje.

Aqui a coisa muda um pouco de figura. Não há negar que o comportamento dos moços da minha época era mais tranqüilo. Não queremos dizer com isso que os jovens da nossa época eram melhores que os de hoje. Talvez fossem até piores. Acontece que nós vivemos a nossa juventude, numa época livre de tantos apelos que existem hoje. Qualquer pessoa da minha idade pode verificar facilmente que para se viver mais tranquilamente em nosso tempo, era muito mais fácil.

Não havia as facilidades de hoje. O nosso passatempo era o esporte. Os vícios se resumiam na caipirinha ou no cigarro. Uma mesa de esnuquer ou de bilhar só se encontravam em alguns bares da cidade. Os bailes eram na base da música lenta não excitante. Os passeios noturnos eram feitos na praça ou nas ruas principais sob a vigilância dos mais velhos. As meninas ainda não haviam sido atingidas pelo vírus do feminismo que atualmente desfeminiza as mulheres.

Até a frequência aos templos se constituía em um lazer, então era fácil ser "bom moço". Não éramos testados como os de hoje são. Nossa resistência nunca era posta frente a frente com a tentação maior, com o apelo mais violento.

As circunstâncias que cercam a juventude de hoje é que são diferentes daquelas que cercavam a nossa juventude. Hoje há as músicas excitantes, alucinantes e alheatórias, como as músicas de discotecas, por exemplo. Há a facilidade na aquisição de outros instrumentos de destruição da moral e até da vida dos nossos jovens - os carros, as motos, as lanchonetes nem sempre aconselháveis, culminando com as drogas, os entorpecentes.

Eu não posso dizer que os moços de antigamente fomos (desculpem a silepse) melhores dos que os de agora, pois não sei qual seria o nosso comportamento se tivéssemos de enfrentar as mesmas circunstâncias e os mesmos desafios que enfrenta a juventude atual!

Diz o ditado que a ocasião faz o ladrão. Tive um professor que dizia que a ocasião não faz o ladrão, ela apenas revela o ladrão. Quem sabe se nós, os jovens do nosso tempo não seríamos também jovens transviados se tivéssemos que enfrentar o mesmo que os jovens de hoje estão enfrentando?

Apenas fomos mais felizes por não termos encontrado em nosso caminho os elementos corruptores, desintegradores que há hoje. Chegamos fácil a uma conclusão. Os jovens de hoje precisam de muito mais força, de muito mais heroísmo, de muito mais renúncia do que foi exigida de nós, se quiserem ter a mesma fase de vida tranquila que tivemos. É preciso ser muito mais fortes do que fomos, porque nossa força não foi testada quanto está sendo testada a força dos jovens de hoje. 

Eu confio na juventude. Sei que há os fracos, os que se deixam levar e vencer pelos vícios, pela ociosidade, mas estes são exceção. A regra é uma juventude forte que sabe o que quer e luta por alcançar. A essa juventude não podemos negar nada. Devemos dar o melhor de nossa participação a fim de que consiga sobreviver e viver vitoriosamente.

Sempre é bom lembrar a receita dada por Salomão para uma vida feliz em todas as etapas: "lembra-te do teu criador nos dias da tua mocidade antes que venham os maus dias e cheguem os anos dos quais venhas a dizer, não tenho neles contentamento". (Eclesiastes 12.1)
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Samuel Barbosa