domingo, 5 de janeiro de 2014

AS ADVERTENCIAS DA PALAVRA DE DEUS III

L. R. Shelton, Jr.

III

AS ADVERTÊNCIAS DA PALAVRA DE DEUS dizem respeito a todos nós, porque: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3:14-17). Têm sido necessárias desde a queda de Adão, porque “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Jr. 17:9).
Deus advertiu Adão da seguinte forma: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comeras; porque no dia em que dela comeres, certamente morreras” (Gn 2:17). E realmente morreu, tanto espiritual quanto fisicamente, quando desobedeceu a Deus e seguiu sua própria vontade.

Deus advertiu Israel em Lv. 26:15-39 que, se deixassem de cumprir o Seus mandamentos e desprezassem a Sua Palavra, Ele os castigaria sete vezes mais pelos seus pecados e os espalharia entre as nações. E sabemos pela Bíblia e pela História de Israel que Deus não pode mentir, e que realmente dispersou os judeus e indispôs o coração de todos contra eles até ao dia de hoje.

Deus advertiu o povo, pela boca de João Batista em Mt 3:8, que se não houvesse frutos dignos do arrependimento, viria o Grande Juiz: “A sua pá ele a tem na mão, e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível” (3:12). Essa advertência não foi respeitada pelos falsos religiosos dos Seus dias, e mataram nosso Bendito Senhor Jesus. Mas pouco depois, em 70 d.C., a cidade de Jerusalém foi submetida á espada e um milhão e meio dos judeus pereceram nesse castigo.

Deus adverte os gentios em Rm 11:21 que, visto que Ele não poupou os ramos naturais, nós também devemos aplicar a nós mesmos essa advertência. Não devemos ensoberbeças-nos, mas temer: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade, mas para contigo, a bondade de Deus” – e Ele qualifica a promessa: “se nela permanecerdes; doutra sorte também tu serás cortado.” Aqui, Deus nos adverte sobre nossa responsabilidade de permanecer no Seu amor.

Além disso, Deus nos adverte em 1 Co 10:12, depois de descrever o quadro terrível da apostasia dos israelitas no deserto: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia.”
As Escrituras falam de modo claro e positivo sobre a perseverança dos santos, mas é dos SANTOS, e não dos professos que não têm regeneração. Essas advertências nos são dadas para delinear nosso caminho da justiça e da verdadeira retidão (Ef 4:24).

Veja bem, caro leitor: A provisão divina em Cristo é uma verdade abençoada que consola o verdadeiro filho de Deus; mas é consolo que conhecemos somente ao andarmos pelo caminho da retidão. É dentro desse caminho que somos conservados pelo poder de Deus mediante a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Somos conservados mediante o Seu Espírito que em nós opera, em espírito de total dependência de Cristo, renunciando nossa própria sabedoria e forças. O único lugar de onde nunca podermos cair é quando estamos prostrados aos pés de nosso bendito Senhor, implorando a Sua misericórdia. É para lá que o Senhor leva os Seus, desfazendo neles toda a confiança na carne, levando-os a esta experiência: “Quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Co 12:10).

Daí a necessidade de transmitir essas mensagens de advertência contra a apostasia – a volta ao pecado, a Satanás, e ao mundo (2 Pe 1:10, 12, 13). O leitor pergunta: “O que é a apostasia?” Vamos ver, pela Palavra de Deus. Em 1 Tm 1:19 vemos que é naufragar na fé, abandonar a vida da fé na Pessoa de Cristo, sem ficar firme até ao fim. Em Hb 3:12 a apostasia é referida como afastar-se do Deus vivo, por causa de um coração maligno de incredulidade. Sim, toda a apostasia, quer parcial, quer total, tem sua origem na incredulidade, que é um pecado que condena, porque leva o coração a apartar-se do Deus vivo.

Além disso, 2 Pe 2.20 nos diz que a apostasia é voltar ao mundo, e ser por ele dominado, mesmo depois de ter escapado às suas poluições mediante o conhecimento do Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
Convido o leitor a ler todos os versículos em 2 Pe 2 que tratam da questão da apostasia. Que advertência para todos quantos já tinham feito uma profissão de fé em Cristo: “Se, depois de terem escapado das contaminações de mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior que o primeiro. Pois, melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, após conhecê-lo volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado. Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito: e; a porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal” (20-22).

Estremeço cada vez que leio essas Escrituras, e medito a respeito: vejo que uma pessoa pode chegar bem perto do Senhor, sem ficar ligado a Ele de modo salvífico!
O apóstolo não está ensinando nessas palavras a falsa doutrina de cair da graça; trata-se de uma advertência no sentido de alguém chegar tão perto, e acabar perdendo tudo, porque volta à sua inveja, ao seu ódio, ao seu orgulho, à sua rebeldia, ao seu farisaísmo, à sua cobiça, à sua devassidão, à sua embriaguez – acaba voltando totalmente ao mundo, portanto, porque nunca alcançou a Cristo. Foi vencido pelo mundo, e seu último estado ficou pior do que o primeiro. (Mt12:43-45).

Para lançar mais luz sobre esse assunto da apostasia, quero mostrar-lhe os vários passos que levam a ela. Primeiro: há o olhar para trás como no caso da esposa de Ló (Lc 9:62) que, embora tivesse fisicamente saído de Sodoma, ainda deixou seu coração ali. Olhar para trás, para a vida pregressa do pecado, e voltar a ansiar pelas panelas de carne do Egito, ou pelas vantagens do mundo. Olhar para trás para os velhos amigos, lembrar-se dos bons velhos dias da carne, quando não havia consciência que se sentisse culpada por causa da carne e da culpa; olhar para sua religião anterior, e ter vontade de estar de volta nela.

Em segundo lugar, vemos em Hb 10:38 que há um retroceder. As exigências de Cristo tornam-se demasiadamente rigorosas para atrair o corações das pessoas, o caminho estrito e apertado já não é considerado agradável.
Segue-se, portanto, o terceiro passo, que é, em Jo 6:66, retirar-se. O caminho da piedade é demasiadamente estreito para as concupiscências da carne, de modo que se procura um caminho mais fácil de ser palmilhado.
O quarto passo, segundo Is 28:13, é o cair para trás, que é fatal. É o ponto de nenhum retorno.

Caro leitor, falo com amor à sua alma imortal; essas advertências são para todos os que dizem ser cristãos. Não se pode olhar para trás, nem retroceder-se, nem cair para trás; senão, haverá apostasia. Quero advertir-lhe: cesse de pecar; cesse de prometer paz à sua alma com a alegação que você é um cristão carnal; cesse da sua amargura, do seu espírito inexorável; cesse de nutrir ódio e ressentimento no coração contra o seu próximo. Todas essas coisas, pois, levarão ao olhar para trás, ao retroceder, à retirada, e ao cair para trás, situação na qual já não haverá salvação. Deus disse, pois, em Hb 10:38: “Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.”

Recapitulando, pois: As Escrituras abundam na verdade graciosa da segurança eterna do crente, e dizem que se realmente estamos em Cristo, e o Espírito Santo nos uniu com Ele ao ponto de sermos osso do Seu osso e carne da Sua carne, estamos genuinamente salvos, e isso para sempre. Nisso creio firmemente, e me alegro, porque Rm 8:38-39 nos diz que nada nos poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Por outro lado, porém, nosso Deus soberano e vivo complementou essa bendita verdade com o ensino da perseverança dos santos, que significa que o crente está responsável diante de Deus para andar diariamente no caminho da santidade, comprovando, assim, que realmente está em Cristo e o Espírito Santo habita nele. E uma maneira de fazer assim é dar-nos essas advertências contra a apostasia, e levar-nos a procurar certificar-nos da nossa chamada e eleição, clamando a Ele para nos guardar pelo seu Espírito.

Caro leitor, depois de ter citado trechos da Palavra de Deus no tocante à apostasia, quero despertar seu coração e mente com mais uma palavra de Jesus registrada em Lc 17:32: “Lembrai-vos da mulher de Ló.” Que advertência solene nosso Senhor nos faz aqui! Referia-se a Gn 19:17 e às palavras dos dois anjos que foram enviados para tirar Ló, a esposa, e as duas filhas da cidade de Sodoma antes de chegar o castigo: “Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças.” Mas, enquanto fugiam, a esposa de Ló “olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal” (v. 26). Assim, somos advertidos a não olhar para trás, mas para olhar para a frente, para Cristo.
Essa advertência é séria, quando pensamos na pessoa referida por nosso Senhor. Ele não nos manda lembrar-nos de Abraão, de Isaque, de Jacó, de Sara, de Ana, ou de Rute. Não! Ele seleciona alguém cuja alma dói perdida para sempre. Ele exorta: “LEMBRAI-VOS DA MULHER DE LÓ” pois ela voltou para trás, e foi para o inferno.

A seriedade dessa advertência se percebe ao consideramos o assunto que Jesus tratava ao falar assim: Sua própria segunda vinda para julgar o mundo. Descrevia o terrível estado de despreparo em que muitos serão apanhados. Ele pensava no Último Dia ao dizer: “Lembrai-vos da mulher de Ló.”
A advertência é tanto mais séria, quando pensamos em Quem a fez: o Senhor Jesus, cheio de amor, misericórdia e compaixão; Aquele que não esmaga a cana quebrada, nem apaga a torcida que fumega; Aquele que chorava pela cidade incrédula de Jerusalém, e que orou pelos homens que O crucificaram. Mesmo assim, Ele achou por bem advertir-nos e lembrar-nos da condenação terrível que aguarda aquele que olham para trás. Aquele que nos ama diz: “Lembrai-vos da mulher de Ló”, pois ela voltou para trás e foi para o inferno.

A gravidade da advertência é percebida quando notamos quais as pessoas que a receberam originalmente. Veja bem: O Senhor Jesus estava falando aos Seus discípulos. Não Se dirigia aos escribas e fariseus, que O odiavam, mas a Pedro, Tiago e João, e a muitos outros que O amavam. Mesmo a eles, no entanto, era necessário fazer semelhante advertência. E muito mais a nós, também!

Vemos quão solene é a advertência, pela maneira de ela ser dada. Jesus não diz: “Acautelai-vos de seguir a mulher de Ló; tomai o cuidado de não imitá-la; não sejam como a mulher de Ló.” Não; Ele prega uma palavra diferente, e diz: LEMBRAI-VOS. Ele fala como se todos nós passássemos o perigo de nos esquecer do assunto. Desperta nossa memória preguiçosa. Ele nos manda conservar diante dos olhos o estado perdido dela. Jesus exclama: “Lembrai-vos da mulher de Ló” que voltou para trás e foi para o inferno.
Apelo ao leitor: LEMBRE-SE DA MULHER DE LÓ. Não volte para trás para a perdição da sua alma. “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Hb 3:12).

Autor: L. R. Shelton, Jr.
Digitação: Sabryna Santos com Autorização
Revisão: Robson Alves de Lima
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br