segunda-feira, 10 de junho de 2013

Apóstolo Paulo, Renato Russo e a arte secular

Apóstolo Paulo, Renato Russo e a arte secular
“Quando o sol bater na janela do seu quarto, lembra e vê que o caminho é um só”. Renato Russo
É surpreendente ver, ouvir e sentir as pedras clamando. Quando pessoas que – supomos – não têm o mesmo esclarecimento de consciência dos que renovados pelo Espírito Santo, ou seja, os crentes, são usadas em sua arte como boca de Deus diante dos homens.
Na falta de uma expressão que sobrepuje as fronteiras da religião, parece que Deus se vê na obrigação de usar alguém de fora para falar com o mundo.
O afastamento da igreja com relação ao resto da sociedade é tamanho, que é possível notar o Senhor utilizando outras pontes que ligam sua Palavra às mentes obscurecidas.
As palavras lá de cima do texto, de autoria do grande poeta Renato Russo, que com algumas de suas canções parecia tentar evangelizar sua geração, tendo intensamente difundida uma arte que demonstrava desespero por um Caminho de luz.
Antes que seja punido com o fechamento implacável desta janela, gostaria de notificar aos nobres leitores que encontro paralelo bíblico para citar poetas seculares, os quais com sua arte, profetizavam da parte do próprio Deus, desconhecido teologicamente, mas ansiado em seus espíritos sedentos e famintos.
O texto de Atos 17:28, que diz: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração” é um apanhado de frases dos poetas gregos Epimênides e Arato, ou ainda de Cleanto.
Parece que o apóstolo Paulo tinha a sensibilidade de perceber a busca religiosa por dentro das manifestações poéticas e artísticas daqueles poetas ‘pagãos’.
Inclusive, Paulo cita o poeta Epimênides pelo menos uma vez mais, na carta que escreveu a Tito.
Sei que pode ser difícil de engolir para uma mente mais purista, esterilizada por  um modelo de santidade sectarista que alguns evangélicos adotam neste tempo, mas o fato de que o apóstolo Paulo recorreu a leituras pagãs e, pior, as citações dos tais poetas não cristãos estão registrados no Cânon das sagradas Escrituras.
Vejo a manchete: “Bomba, bomba!! Parece que Paulo ouvia música secular e ainda colocou suas letras no cânon sagrado!”
Será que apóstolo Paulo também buscava inspiração na música secular de seu tempo?
Gostaria muito que esta verdade pudesse lançar em cada crente uma reflexão capaz de libertar de uma vez por todas da mentalidade sectária e excludente que tomou conta de muitos ramos da igreja evangélica moderna.
Irmãos, a arte é uma bênção, uma dádiva cuja origem se encontra no próprio Deus. Ouvir música secular, ler poesias, assistir filmes, adquirir cultura, tudo isto pode nos tornar melhores e mais profundos em nossa compreensão de Deus, o qual é o autor e também o doador de todo dom artístico humano.
Em alguns cultos já se cantam músicas seculares e vem se aproximando um momento em que a música cristã se tornará mais identificada e adequada a realidade artística do mundo secular. Uma música que vá de encontro aos anseios do coração humano, que lance luz e direção aos perdidos.
Espero um dia, ver cristãos alcançando o coração das pessoas e as influenciando com a mesma eficiência do ‘ímpio’ Renato Russo.

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