sábado, 28 de dezembro de 2013

Somente Cristo Justifica


A observação de Agostinho sobre a justificação é uma
das mais importantes citações sobre o assunto antes do movimento da Reforma.
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“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação,
assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens
para justificação de vida” (Rm 5.18).

Essa “uma só ofensa”, se somos tendentes à “imitação”, pode ser apenas a ofensa do diabo.

Visto que, contudo, isso é manifestamente falado em referência a Adão, e não ao diabo, segue-se que não temos nenhuma outra alternativa, senão entender que o princípio da propagação natural, e não aquele da imitação, está aqui implícito. [XIV.] Ora, quando ele diz em referência a Cristo, “um só ato de justiça”,  ele tem declarado  mais expressamente  nossa  doutrina  do que se dissesse, “um só ato de retidão”; porquanto ele menciona aquela justiça pela qual  Cristo  justifica  o  ímpio,  e  a  qual  não  propôs  como  um  objeto de imitação, pois ele somente é capaz de efetuar isso. Ora, era absolutamente apropriado  o  apóstolo dizer, e  diz  corretamente:  “Sede  meus  imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11.1); mas ele nunca poderia dizer: “Sede meus justificados, como também eu sou por Cristo”; – visto que pode existir, e de fato realmente existem e têm existido, muitos que eram retos e dignos  de  imitação;  mas  ninguém  é  justo  e um justificador,  mas  Cristo somente. Portanto, está dito: “Mas, àquele que… crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4.5). Ora, se algum homem tivesse em seu poder confiantemente declarado, “eu te justifico”, segue-se necessariamente que ele poderia dizer também, “creia em mim”. Mas nunca esteve no poder de nenhum dos santos de Deus dizer isso, exceto o Santo dos santos, que disse: “Credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14.1); de forma que, visto que é ele quem justifica o ímpio, ao homem que crê naquele que justifica o ímpio, sua fé é contada como justiça”.


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Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Fonte: Saint  Augustine's  Anti-Pelagian  Works, A
Treatise on the Merits and Forgiveness of Sins and on the
Bap, Book 1, Chapter 18.

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