quinta-feira, 16 de maio de 2013

JESUS GARANTE A PAZ EM MEIOS ÀS TORMENTAS DA VIDA



"16 Ao descambar o dia, os seus discípulos desceram para o mar. 17 E, tomando um barco, passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já se fazia escuro, e Jesus ainda não viera ter com eles. 18 E o mar começava a empolar-se, agitado por vento rijo que soprava. 19 Tendo navegado uns vinte e cinco a trinta estádios, eis que viram Jesus andando por sobre o mar, aproximando-se do barco; e ficaram possuídos de temor. 20 Mas Jesus lhes disse: Sou eu. Não temais! 21 Então, eles, de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino.” (João 6.16-21)

Não devemos confundir este acontecimento com aquele que Jesus acalmou a tempestade (cf Mt 8.23-27). Aqui, Jesus havia multiplicado cinco pães e dois pequenos peixes para uma multidão de mais de 5.000 pessoas. A multiplicação dos pães fez com que aqueles que encheram seus estômagos dissessem que Jesus era o profeta que devia vir ao mundo e tentassem tomá-lo para o fazerem rei (cf Jo 6.14,15). Por isso era necessário que seus discípulos entrassem em um barco e voltassem para o outro lado do mar (cf Mc 6.45) e se retirou novamente sozinho para o monte, onde ficou a orar até bem tarde da noite.

No mar, já bem distante da terra, cerca de 3 a 6 quilômetros (cf v.19), seus discípulos enfrentavam uma grande tempestade, com o mar bastante agitado e um grande vento contrário. É nesse contexto que vemos mais uma ação poderosa de Jesus. O texto tem maravilhosos ensinos e um deles é que Jesus traz a paz em meio às aflições e as tormentas da vida. Vemos que o Senhor está no controle de tudo, de toda circunstância! Se precisar, ele faz o sobrenatural acontecer para nos conduzir em segurança! Paz “Shalom” (Hebraico) e “Eirêne” (grego) significam não apenas ausência de guerra, mas também “segurança” e “tranquilidade”. E Jesus disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”(Jo 14.27), ele é o “Príncipe da Paz” (Is 9. 6). Mas, com base no texto de João 6.16-21, para quem ele garante esta paz?

Para aqueles que são os seus discípulos (v.16-17; Mc 6.45)

Eles obedeceram a ordem de Jesus (Mc 6.45) – Conforme o evangelho de Marcos, Jesus “constrangeu” (fez necessário) os discípulos a entrarem no barco.  O Senhor tinha um plano. Eles não foram ali por um acaso, Jesus tinha lições para ensinar aos seus discípulos. A embarcação não era um navio, era um pequeno barco. E eles sabiam do perigo que era navegar quase à noite em um pequeno barco. Nunca é fácil obedecer a Deus. Muitas vezes temos que entrar no mar mesmo! O prazer de Deus é que  o obedeçamos (cf 1Sm 15.22). Sem questionar!  Obedecer é renunciar sua vida: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.”(Lc 14.33).Os discípulos seguem Jesus por onde ele for: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.”(Jo 10.27).

Mesmo que as circunstâncias não sejam favoráveis (v.17b) – Estava escuro e havia muitos perigos. Essa era a característica de um discípulo. Paulo e Barnabé pregaram o Evangelho em Listra (uma cidade da Ásia, era uma província romana), e foram confundidos com deuses da mitologia grega (Barnabé Júpiter e Paulo Mercúrio). Porém eles rejeitaram este título  rasgando suas vestes (cf At 14.14). E a multidão enfurecida apedrejou Paulo lançando-o para fora da cidade (v.19). O que Paulo fez?  “… levantou-se e entrou na cidade…”(v.20). E lá foi estabelecida uma igreja (cf At. 16.1). Um verdadeiro discípulo não desiste, mesmo que as circunstâncias não pareçam favoráveis!

Jesus garante a paz em meios às tormentas da vida – Para aqueles que são os seus discípulos. E ser discípulo não é tão simples. Deve haver uma renúncia de si mesmo. O discípulo segue o Mestre e obedece a Sua Palavra. Mesmo que pareça difícil deve haver obediência. O seguidor de Cristo vive para Cristo a cada dia: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl 2.20). Isto é ser discípulo! Você é um discípulo de Jesus?

 Vemos, ainda, que Cristo garante a paz em meios às tormentas para:

Os  que passam aflições por fazerem a vontade de Deus (v.18-19)

o mar se empolava {agitava, encapelava, dobrava} (v.18b) – Os discípulos estavam no barco com tempestade pela segunda vez. A primeira foi quando eles estavam no barco com Jesus e sobreveio grande tempestade (Mt 8. 23-27). Nesse período eles clamaram ao Senhor: “… Senhor, salva-nos! Perecemos!”(v.25). E Jesus mostra seu poder e soberania acalmando a tempestade. Dizem que um raio não cai no mesmo lugar duas vezes. Depende, se for o propósito de Deus! Às vezes, algumas aflições voltam. E pensamos que não tem fim! O mar se agita, vem a calma, mas começa de novo. Talvez o propósito de Deus não tenha sido alcançado. Mais uma vez os discípulos estavam com muito medo e há muito tempo no mar sozinhos (v.19).

Homens de Deus tiveram grandes tribulações na vida por fazer a vontade de Deus -  Por obedecerem a voz de Cristo, os discípulos tiveram que enfrentar a fúria do mar (v.18). Mas não somente eles: apesar de ser um homem sincero, temente a Deus, e desviar-se do mal, por permissão divina, perdeu todos os seus bens, seus filhos, e até mesmo a sua saúde (Jó 1.13-2.8); Jeremias, foi escolhido por Deus para o ministério profético, mas, foi rejeitado por sua família, pelos sacerdotes e pelo povo judeu (Jr 12.6; 20.2; 26.8,9); foi afrontado pelos falsos profetas (Jr 23.9-40; 28.1-17); foi ferido e colocado em um cepo (instrumento de castigo, feito de madeira, em que o condenado ficava preso pelas pernas, cf Jr 20.1,2), colocado na prisão (Jr 37.15,16) e, depois, em um calabouço (Jr 38.6). Paulo, enfrentou diversos tipos de aflições, tais como:  insulto (At 13.45); apedrejamento (At 14.19,20); açoites prisões (At 16.22,23); naufrágio, fome, sede,frio nudez (II Co 4.8-9; 11.16-33). A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que sofreram aflições por obedeceram a Palavra de Deus.

Jesus garante a paz em meios às tormentas da vida – Para aqueles que passam aflições por fazerem a vontade de Deus. Os discípulos estavam fazendo a vontade de Deus porque estavam obedecendo a Cristo. Mas ao fazerem isso, passaram por aflições. Paulo escrevendo a Timóteo, disse: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.”(2Tm 3.12). Quando nos dispomos a servir fielmente ao Senhor, parece que o mundo desaba sobre nós e o inimigo tenta nos destruir. Mas, assim como Cristo andou sobre as águas para confortar os discípulos, ele intervém em nossa vida nos momentos difíceis. “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”( Jo.16.33)

E por fim, vemos que Cristo garante a paz para:

Os que O recebem e tem prazer nele (v.20-21)

Jesus tira toda e qualquer tribulação: “Sou eu. Não temais “ (v.20) - Esta é a palavra de conforto que aquele que recebe Cristo encontra. “Parem de ter medo eu estou aqui!” Eles conheceram o Mestre. Quando Jesus chegou já era quase de manhã (cf Mc 6.48). Parece que o Senhor demorou muito! Mas nada saiu do seu controle. Jesus foi ao encontro dos discípulos no momento certo. O salmista diante do que Deus poderia fazer em sua vida declara: O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?” (Sl 27.1). Diante da escuridão do mar revolto a  “luz do mundo” (cf Jo 8.12) vai ao encontro dos seus discípulos.

Eles o receberam de bom grado (v.21) – Os discípulos depositaram a confiança na presença de Cristo. O salmista, de forma maravilhosamente poética diz: “E eu, Senhor, que espero? Tu és a minha esperança.”(Sl 39.7). O salmista confiava na presença de Deus e dependia dele.   Os que recebem Cristo de bom grado são os que confiam em sua ação. E o vento cessou quando Cristo entrou no barco (cf Mc 6.51). Quando Cristo faz parte de nossa vida, nossos planos e da nossa família, a tempestade passa e temos calmaria. Mas se ele estiver longe de nossos objetivos e vida colheremos tempestade! Assim como os discípulos, tenha alegria na presença de Jesus e confie nele. Não basta dizer que é cristão, tem que ter comunhão com o Senhor Jesus. 

Jesus garante a paz em meios às tormentas da vida – Para os que O recebem e tem prazer nele! Diante da escuridão da noite e das ondas bravias, os discípulos tinham uma Luz, Jesus. E eles confiaram e se alegraram no Senhor. Muitas pessoas cristãs têm sido atribuladas pelo pecado e não querem ouvir a voz de Cristo que está a chamar: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.”(Ap 3.20).  Reflita no que diz o salmista: Os que confiam no SENHOR são como o monte Sião, que não se abala, firme para sempre.” (Sl 125.1).
 
Jesus garante a paz em meios às tormentas da vida – Para Os que são os seus discípulos (v.16-17; Mc 6.45) - Os que obedecem a sua ordem, mesmo que as circunstâncias não estejam favoráveis. Para Os  que passam aflições por fazerem a vontade de Deus (v.18-19)  - Aqueles que estão dispostos a sofrerem por Cristo, terão dele a Paz. E também para Os que o recebem e tem prazer nele (v.20-21) – Não basta só dizer que é cristão, tem que ter prazer em Cristo e alegria em sua presença!

Lições finais:

1 – Se você é verdadeiramente discípulo de Cristo, e faz sua vontade, descanse porque ele nunca vai te desamparar.
2 – Passar por aflições por fazer a vontade de Deus não é maldição, mas glória (cf At 5.41).
3 – Tenha prazer na presença de Jesus. Alegre-se no Senhor. Ame a Jesus, porque ele anda sobre as águas para te dar a sua Paz! 


Por Rev. Ronaldo P Mendes