sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ordenar tudo que acontece torna Deus um monstro moral?



Por John Hendryx


Ordenar Tudo Que Acontece Torna Deus Um Monstro Moral? Uma resposta ao livro "contra o calvinismo" do arminiano Roger Olson


Uma das premissas principais do novo livro de Roger Olson “Against Calvinism” é sua declaração de que a clássica doutrina reformada da providência meticulosa faz de Deus um monstro moral, ou pior, indistinguível do diabo. Ele afirma que o calvinista não pode afirmar consistentemente que Deus ordena tudo o que acontece, incluindo os atos ímpios dos homens, sem também fazer de Deus o autor do pecado.

Mas isso procede? Não. Nem um pouco.

A acusação que torna Deus um monstro moral SE o Deus da Escritura ordena todas as coisas, mesmo os atos ímpios dos homens, se baseia no pressuposto de que a menos que possamos explicar Suas ações, nós podemos colocá-Lo em julgamento. Em outras palavras, a acusação se baseia puramente em racionalismo e lógica extra-bíblica. Nós reconhecemos que não podemos explicar todos os atos secretos de Deus, uma vez que Deus escolheu não revelar muitas coisas sobre Si mesmo. Mas uma característica marcante na Bíblia é que ela freqüentemente declara que Deus ordena meticulosamente tudo o que vem a acontecer (Ef 1:11) e que os homens são responsáveis por suas ações. Um exemplo importante se sobressai: o maior pecado cometido pelo homem na história - a crucificação de Jesus. Quando o apostolo Pedro pregou em Pentecostes, ele declarou:

Este homem lhes foi entregue por propósito determinado e pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, o mataram, pregando-o na cruz” Atos 2:23

e dois capítulos depois em Atos é dito novamente:

Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se fizesse”.Atos 4:27-28

A própria Bíblia testifica, em linguagem clara, que Deus ordenou que os homens maus crucificassem a Jesus. No entanto, os “homens maus (homens sem lei, em inglês)" são 100% responsáveis, por essa realização. Portanto, aqueles que abraçam a Bíblia como sendo autoritativa necessitam ser capazes de desenvolver uma teologia que se encaixe nessa visão. Embora você possa não compreender isso, você deve se render ao que as Escrituras ensinam sobre a meticulosa mão da providência de Deus em todas as coisas e Sua inocência ao fazer isso.

A falha fatal no argumento de Olson vem principalmente de sua insistência em que os calvinistas devam de alguma forma explicar isso filosoficamente, ou então estaríamos sendo inconsistentes, ou pior, estaríamos tornando Deus em um monstro. Mas eu diria o contrário. Uma vez que a Bíblia prevalece sobre nossas mais elevadas pressuposições, a posição mais consistente possível é ceder ao ensino da Bíblia de que ambas as coisas são verdadeiras. Deus não nos diz muito sobre COMO Ele pode ordenar os atos maus, embora não seja culpado do mal. Ele só nos mostra muitos exemplos onde isso acontece. Isso pode ser um mistério para seres humanos compreenderem, mas claro como cristal no que diz respeito à sua verdade estabelecida.

Da mesma forma, em nenhum lugar na Bíblia Deus nos chama para explicar os detalhes dessa doutrina por meios filosóficos, ou para bisbilhotar nas coisas secretas de Deus. Ao contrário, Ele nos chama para sermos fiéis ao Texto que diz que Deus ordena todas as coisas, mesmo o mal, e que, ao mesmo tempo, Deus é irrepreensível ao fazê-lo. Ele ordena o pecado sem pecar. Eu não devo sustentar essas verdades juntas racionalmente (de acordo com o conhecimento humano) ou filosoficamente, mas porque elas são axiomáticas na Bíblia. Meu entendimento dos meandros de como isso acontece é secundário. Deus é Deus. Nossas mentes finitas TEM que entender como Ele faz isso a fim de que isso seja verdade?

Parece que, em última análise, as objeções de Olson para isso são morais e filosóficas, ao invés de exegéticas. Ele está, portanto, baseando suas considerações e, assim, seus fundamentos teológicos, sobre a areia. As conclusões em que chegamos, eu afirmaria, devem ser baseadas no que a Escritura diz. Porque a alternativa é traçar nossos mais elevados pressupostos a partir de algo que não é uma fonte de autoridade, como a razão humana isolada. É de extrema importância que ele venha com fundamentos exegéticos para a sua posição, ao invés de basear sua teologia sobre uma reação emocional.

Eu honestamente fico temeroso com Olson, quando ele diz que se Deus ordena eventos maus, então Deus é indistinguível do diabo, porque a Bíblia declara que Deus os ordena e também declara que Ele o faz sem culpa, ou seja, sem pecado. E se nossa teologia é bíblica, (e eu acredito que é), então o Dr. Olson acaba chamando Deus de monstro, ou pior , de diabo. Eu não gostaria de ser ele.

Nota: Deve ser algo dado para os cristãos, que, devido à queda, todos os seres humanos não estão a salvo de castigo temporal e eterno. Por que deveria, portanto, surpreender a Olson que Deus justamente exerça essa autoridade durante as nossas vidas? O julgamento já começou a leste do Éden e nós todos estamos sujeitos à morte. Portanto, nada (sem sofrimento) deve nos surpreender aqui, exceto a grande misericórdia que Ele nos mostrou em Jesus Cristo. Em relação a Torre de Siloé (Lucas 13:4), Jesus declarou que ela não caiu sobre as pessoas pelo pecado particular delas, como se elas estivessem, de alguma forma, pior do que os outros, mas como um sinal neste mundo decaído, de que somos todos maus, pecadores merecedores, debaixo de maldição que precisam se arrepender e receber a misericórdia de Jesus Cristo. Não se surpreenda que a torre tenha caído sobre as pessoas, mas faça disso um sério lembrete de que você merece o mesmo. 

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Fonte: Monergism
Tradução: Francisco Alison Silva Aquino
Divulgação: Bereianos