sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Força-os a Entrar (sermão inédito de C.H.Spungeon, confira)

“força-os a entrar”. (Lucas 14:23)
Tenho tanta pressa de ir e obedecer hoje mesmo essa ordem de forçar a entrada dos que se detêm agora nos caminhos e nos becos, que não posso ficar na introdução, mas devo dar inicio a minha apresentação de imediato.
Ouçam, pois, vocês que desconhecem por completo a verdade que é em Jesus, ouçam, pois, a mensagem que tenho que lhes entregar. Vocês caíram, caíram em seu pai Adão; também caíram por vocês mesmos, pelo pecado que cometem diariamente e por sua constante iniquidade. Provocaram a ira do Altíssimo. E tão certamente como pecaram, assim certamente Deus deverá lhes castigar se perseveram em suas iniquidades, pois o Senhor é um Deus de justiça, e de nenhuma forma passará por alto o culpado.
Por acaso você não o ouviram? Não se lhes disse aos ouvidos que faz muito tempo que, Deus, em sua infinita misericórdia, estabeleceu uma forma pela qual, sem nenhuma violência contra sua honra, pode ter misericórdia de vocês, os culpados e indignos? A vocês lhes falo. E minha voz se dirige a vocês, oh filhos dos homens. Jesus Cristo, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, desceu do céu, e foi feito a semelhança de carne de pecado. Gerado pelo Espírito Santo, Ele nasceu da Virgem Maria. Viveu nesse mundo uma vida de santidade exemplar e do mais profundo sofrimento, até que se entregou para morrer por nossos pecados, “o justo pelos injustos, para nos levar a Deus”.
E agora, o plano de salvação é declarado com sinceridade a vocês: “Todo aquele que crer no Senhor Jesus Cristo será salvo.” Para vocês que violaram todos os preceitos de Deus, e desprezaram sua misericórdia, e desafiaram Sua vingança, há, todavia, para vocês uma misericórdia proclamada: “todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.” Porque é “palavra fiel e digna de ser recebida por todos, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar aos pecadores, dos quais eu sou o primeiro;” e “ao que a Ele vem, jamais será lançado fora. Porque Ele pode também salvar perpetuamente aos que por ele se acercam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.”
Agora, tudo o que Deus lhes pede, e isso Ele dá para vocês, é que tão só olhem a Seu Filho sangrante e moribundo, e confiem suas almas nas mãos Dele cujo nome é o único que pode salvá-los da morte e do inferno. Não é assustador que a proclamação desse evangelho não receba a aceitação unânime dos homens? Uma pessoa pensaria que tão logo fosse pregado: “para que todo aquele que Nele creia, não se perda”, cada um de vocês, “lançando seus pecados e iniquidades”, se apegaria a Jesus Cristo, e olhariam somente para Sua Cruz. Porem, ai, tal é a desesperada maldade de nossa natureza, tal a perniciosa depravação de nosso caráter, que essa mensagem é desprezada, o convite ao banquete do Evangelho é rejeitado, e existem muitas pessoas que nesse dia são inimigas de Deus por suas obras perversas. Vocês são inimigos do Deus que lhes prega a Cristo hoje, inimigos Dele que enviou a seu Filho para dar sua vida como resgate para muitos. Digo que é estranho que seja assim, no entanto, é um fato, e por isso, a necessidade do mandato do texto: “Força-os a entrar”.
Filhos de Deus, para vocês que creram, tenho pouco ou nada que dizer-lhes essa manhã, e vou direto a cumprir meu propósito: busco àqueles que não querem vir, aos que estão pelos caminhos e pelos valados. E, se Deus vai comigo, é meu dever cumprir agora com essa ordem: “Força-os a entrar”.
Primeiro, devo encontrá-los. Depois, devo-me trabalhar para forçá-los a entrar.
I. Primeiro, devo ENCONTRAR VOCÊS. Se lerem os versículos que precedem o texto, acharão uma ampliação desse mandato: “Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos.” E logo adiante, “Sai pelos caminhos” e traz aos vagabundos e bandidos; “e valados” e traz àqueles que não tem onde descansar sua cabeça e estão encostados juntos aos valados descansando, traz eles também, e “força-os a entrar.” Sim, os estou vendo essa manhã, a vocês, os pobres. Minha missão é forçá-los a entrar. Vocês não possuem recursos, porem isso não é uma barreira para o reino dos Céus, pois Deus não excluiu de Sua graça ao homem que tem frio e está coberto de farrapos e necessitados de pão. De fato, se houvesse alguma distinção, estaria do lado de vocês, e seria em seu benefício, “a vós é enviada a palavra dessa salvação.” “e aos pobres é anunciado o Evangelho.”
Porem, especialmente, devo falar aos que são pobres espiritualmente. Vocês não possuem fé, não possuem virtude, não tem boas obras, não possuem graça, e o que é pior ainda, não possuem nenhuma esperança. Ah, meu Senhor lhes enviou um convite imerecido. Venham e sejam bem vindos à festa de matrimônio de Seu amor. “O que queira, tome da água da vida de graça.” Venham, devo aproximar-me de vocês, ainda que estejam manchados com a pior sujeira, e ainda que não tenham nada senão farrapos sobre suas costas. Ainda que suas obras justas são como um trapo de imundícia, ainda assim devo me aproximar de vocês para convidá-los, primeiro, e se necessário for, forçá-los a entrar.
E agora os observo outra vez. Não só são pobres, mas também mancos. Houve um tempo quando vocês acreditavam que podiam fazer sua própria salvação, sem a ajuda de Deus; que podiam fazer boas obras, participar das cerimônias, e entras no céu por vocês mesmo. Porem, agora, estão mancos, a espada da Lei amputou suas mãos, e agora, já não podem trabalhar mais; dizem , com amarga tristeza –
“A melhor realização de minhas mãos
Não se atreve a apresentar-se diante de Teu Trono”
Agora perderam todo o poder para obedecer a Lei. Sentem que quando querem fazer o bem, o mal está presente em vocês. Vocês estão mancos. Renunciaram, como que a uma esperança abandonada, a toda intenção de se salvarem por seus próprios meios, devido que estão mancos e sem braços. Mas estão pior que isso, porque se não pudessem achar seu caminho ao Céu, poderiam achar o caminho pela trilha da fé. Porem, estão lesados dos pés tanto quanto das mãos. Sentem que não podem crer, que não podem se arrependerem, que não podem obedecer as estipulações do evangelho. Sentem-se absolutamente arruinados, sem nenhum poder em todos os sentidos para fazer algo que possa agradar a Deus. Efetivamente, vocês clamam –
“Oh, se não somente cresse,
Então tudo seria muito fácil,
Quero, porem não posso, socorre-me Senhor,
Minha ajuda deve vir de Ti”

Para você eu também sou enviado. Diante de você devo levantar em alto o estandarte manchado do sangue da Cruz, a ti devo pregar esse evangelho: “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.” E a ti devo proclamar: “O que quiser, tome da água da vida gratuitamente.”
Existe, todavia, outra classe. Vocês estão indecisos. Estão duvidando entre duas opiniões. Algumas vezes estão inclinados seriamente, e outras vezes, a alegria do mundo os desvia. O pouco progresso que fazem na religião é muito débil. Possuem um pouco de força, mas é tão pouca que avançam penosamente. Ah, irmão que caminha coxeando, a você também foi enviada essa palavra de salvação. Ainda que fique paralisado entre duas opiniões, o Senhor me envia a ti com essa mensagem: “Até quando vacilareis entre duas opiniões. Se Jeová é Deus, segui-lhe! Se Baal, segui-lhe!” Considera seus caminhos; “coloque em ordem sua casa, porque irá morrer e não viverá”Prepare-se para vir ao encontro de seu Deus, oh Israel! Já não titubeiem, decidam-se por Deus e por Sua verdade.
E, ainda, vejo outra classe, a dos cegos. Sim, a vocês que não podem ver nem a si mesmos, que se crêem bons quando estão cheios de maldade, que tomam por amargo o doce e o doce por amargo, a escuridão pela luz e a luz pela escuridão. A vocês eu fui enviado. Vocês, almas cegas que não podem ver sua herança perdida, que não crêem que o pecado seja tão excessivamente mal como o é, e que não querem ser persuadidos que Deus é um Deus justo e reto, a vocês eu fui enviado. A vocês, também, que não podem ver ao Salvador, que não enxergam beleza Nele para desejá-lo; que não enxergam a excelência na virtude, nem glória na religião, nem felicidade no serviço a Deus, nem se deleitam por ser Seus filhos; a vocês, também, fui enviado.
Sim, a quem não fui enviado, se me apego a meu texto? Porque vá mais longe ainda: não só dá uma descrição particular, de maneira que possa encontrar cada caso individual, mas sim que mais adiante faz um ronda geral, e diz: “Sai pelos caminhos e valados”. Aqui fazemos entrar a todas as classes e condições de homens: ao grande senhor em seu cavalo pelo caminho, e à mulher caminhando com todo o peso de suas preocupações. Ao ladrão emboscado no caminho do viajante; todos eles estão nos caminhos e todos eles são forçados a entrar, e ali adiante nos valados, descansam as pobres almas, cujos refúgios construídos de mentiras foram destruídos, e buscam agora um pequeno abrigo para suas cansadas cabeças. A vocês, também, temos sido enviados nessa manhã. Esse é o mandato universal:forçá-los a entrar.
Agora, faço uma pausa depois de ter descrito o caráter. Faço uma pausa para olhar para a tarefa parecida com a de Hércules que está diante de mim. Bem disse Melanchton: “O velho Adão foi demasiadamente forte para o jovem Melanchton”. Como se um menino quisera dobrar a um Sansão, assim busco conduzir a um pecador para a Cruz de Cristo. E, no entanto, o Senhor me envia com essa tarefa. Ali, vejo diante de mim a grande montanha da depravação humana e da torpe indiferença, porem, pela fé, exclamo: “Quem és tu, oh grande montanha? Diante de Zorobabel será aplanada!” (Zacarias 4:7).
Meu Senhor me disse: forçá-los a entrar? Então, ainda que o pecador seja como um Sansão, e eu como um garotinho, o conduzirei com uma guia. Se Deus me disse que o fizesse, e eu o tento pela fé, se fará; e se com um coração que geme, luta e chora, busco nesse dia forçar aos pecadores a virem a Cristo, as doces exigências do Espírito Santo irão com cada palavra, e alguns serão forçados a entrar, com toda certeza.
II. E agora, mãos a obra, direto à tarefa. Homens e mulheres inconversos, ainda sem reconciliação e sem regeneração, a vocês devo FORÇAR-LHES A ENTRAR. Permitam-me abordar-los nos caminhos do pecado e lhes repetir outra vez meu encargo. O Rei do Céu lhes envia nessa manhã uma imerecida chamada. Ele diz: “Vivo eu, que não quero a morte do ímpio, mas sim que o ímpio se aparte de seu caminho e viva!
Vinde então, e argui-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.” (Isaías 1:18). Queridos irmãos, meu coração se alegra ao pensar que tenho tão boa nova que dizer-lhes, e, no entanto, confesso que minha alma também está triste porque vejo que vocês não a consideram uma boa nova, mas sim que se afastam dela, e não lhe dão a devida consideração.
Permita-me dizer-lhe o que o Rei fez por vocês: Ele conhecia sua culpa, Ele sabia antecipadamente que vocês iriam à ruína. Sabia que Sua justiça exigiria o sangue de vocês, e para resolver essa dificuldade, e que Sua justiça fosse devidamente cumprida, e que ainda assim vocês pudessem ser salvos, Jesus Cristo morreu. Contemplem por um instante esse quadro. Vêem a esse homem ali ajoelhado no jardim do Getsemani, suando gotas de sangue? Vejam isso depois: vêem a esse Ser que sofre atado a um pilar e que é açoitado por terríveis látegos, até que os ossos de seus ombros fiquem visíveis como brancas ilhas em meio a um mar de sangue? Outra vês, vejam esse terceiro quadro. O mesmo Homem que está pendido na Cruz com as mãos estendidas, e com os pés firmemente cravados, agonizante, gemendo e sangrando; é como se o quadro falasse e dissera: “Consumado és”.
Tudo isso Jesus Cristo de Nazaré fez para que Deus pudesse, de maneira consistente com sua justiça, perdoar o pecado. E a mensagem para vocês essa manhã e essa: “Crê no Senhor Jesus e será salvo.” Quer dizer, confie Nele, renunciem a suas obras e a seus caminhos, e coloquem seu coração somente nesse Homem, quem se entregou, Ele mesmo, pelos pecadores.
Bem irmãos, lhes comuniquei a mensagem, e o que dizem a respeito? A rejeitam? Respondem-me que para vocês não é nada. Não podem escutá-la; que me ouvirão prontamente. Mas querem continuar em seus caminhos nesse dia e cuidar de suas propriedades e seus bens. Detenham-se irmãos, não somente me foi dito que lhes dissesse a mensagem e continuasse com meus assuntos. Não. Pede-me que lhes force a entrar. E permitam-me fazer-lhes essa observação antes que siga adiante, que existe uma coisa que posso dizer, e da que Deus é testemunha nessa manhã, que é sério meu desejo que obedeçam a esse mandato de Deus. Vocês podem desprezar a própria salvação, mas eu não a desprezo. Pode ir e esquecer o que irá ouvir, mas recorde por favor que as coisas que agora lhe digo me custaram muitos sofrimentos antes que viesse aqui para expressá-las. Falo-lhe desde o fundo de minha alma, meu pobre irmão, quando lhe suplico por quem vive e esteve morto, e está vivo para sempre. Considera a mensagem de meu Senhor que me pede que lhe apresente agora.
Porem, acaso o despreza? Ainda a rejeita? Então, devo mudar meu tom por um minuto. Não somente lhe direi essa mensagem e lhe convidarei como o faço com toda seriedade e afeto sincero, mas irei mais longe. Pecador, em nome de Deus, eu lhe ordeno que se arrependa e creia. Pergunta-me de onde vem minha autoridade? Sou um embaixador do Céu. Minhas credenciais, algumas delas secretas e em meu próprio coração. E outras estão abertas diante de vocês e têm os selos de meu ministério que são as muitas pessoas, algumas sentadas e outras de pé, nessa igreja, onde Deus me deu muitas almas por meus serviços. Como o Deus eterno me deu uma comissão para pregar o Seu evangelho, lhes ordeno que creiam no Senhor Jesus Cristo. Não por minha própria autoridade, mas sim pela autoridade de quem disse, “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” E logo acrescentou essa solene sanção, “o que crer e for batizado, será salvo; mas o que não crer será condenado.” Rejeitem minha mensagem, e recordem que “Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus” (Hebreus 10:28-29); um embaixador não tem menor posição que o homem com quem trata, posto que está colocado em alta posição. Se o ministro escolhe assumir a dignidade adequada, e é cingido com a onipotência de Deus, e é consagrado com sua santa unção, deve ordenar aos homens, e falar com toda autoridade para forçá-los a entrar: “convence, repreende e exorta com toda paciência e ensino”.
Porem, você se afasta e diz que não aceitará ordens? Então, outra vez, mudarei minha nota. Se o anterior não ajuda, todos os outros meios a meu alcance serão intentados. Queridos irmãos, venho a vocês com minha linguagem simples, para exortar-lhes que corram para Cristo. Oh meus irmãos, não sabem que é um Cristo cheio de amor? Deixem-me dizer-lhes desde minha própria alma o que sei Dele. Eu também, alguma vez, o desprezei. Ele batia à porta de meu coração e eu recusava abrir ela. Vinha a mim, inumeráveis vezes, manhã à manhã, e noite após noite. Repreendia-me em minha consciência e me falava por meio de seu Espírito, e quando, por fim, os trovões da Lei prevaleceram em minha consciência, eu cria que Cristo era cruel e sem amor.
Oh, jamais posso me perdoar a mim mesmo por ter pensando tão mal Dele. Porem, que recepção tão cheia de amor eu tive quando fui para Ele. Eu pensava que me castigaria, mas sua mão não estava cerrada pela ira, mas sim completamente aberta em misericórdia. Eu pensava, completamente certo, que Seus olhos lançariam relâmpagos de Ira para mim; porem, em vez disso, estavam cheios de lágrimas. Jogou-se sobre meu colo, e me beijou, me tirou meus farrapos e meu vestiu com Sua justiça, e fez que minha alma cantasse em alto de alegria; ao tempo na casa de meu coração e na casa de Sua igreja havia música e dança, porque o filho que havia se perdido foi achado, e o que estava morto recebeu de novo a vida.
Exorto-lhe, pois, a que olhe para Jesus Cristo para que sua carga seja aliviada. Pecador, jamais o lamentará, serei uma testemunha por meu Senhor, que não o lamentará nunca, não suspirará para regressar a seu estado de condenação. Sairá do Egito e irá à Terra Prometida, e lá a encontrará fluindo com leite e mel. Achará pesadas as provas da vida cristã, mas receberá Graça para que se convertam leves. Quanto aos gozos e deleites de ser um filho de Deus, se hoje lhe minto, me cobrará nos dias vindouros. Se saborear e vê que o Senhor é bom, não tenho a menor dúvida que descobrirá que não só é bom, mas sim melhor do que os lábios dos homens podem descrever.
Não sei que argumentos usar contigo. Apelo à seus próprios interesses. Oh, meu pobre amigo, não seria melhor para você reconciliar-se com o Deus do Céu, do que ser seu inimigo? O que você ganha em se opor a Ele? Por acaso é mais feliz sendo Seu inimigo? Responda, buscador de prazeres: tem achado deleites nessa copa? Responda-me fariseu: tem achado descanso para seus pés em todos seus trabalhos? Oh você, que se empenha em estabelecer sua própria justiça, lhe ordeno que deixe sua consciência falar contigo. Tem achado que é um caminho feliz? Ah, meu amigo, “Por que gastai o dinheiro naquilo que não é pão, e vosso trabalho no que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, e comerei do bem, e vossa alma se deleitará em manjares.”
Exorto por tudo que é sagrado e solene, tudo que é importante e eterno, foge para salvar sua vida! Não olhe para trás, não pare na planície, não se detenha até que tenha provado, e encontrado um interesse no sangue de Jesus Cristo, esse sangue que nos lava de todo pecado. Ainda permanece frio e indiferente? Por acaso o cego não me permitiria que o conduzisse para a festa? Meu amigo lesado não desejará colocar sua mãe em meu ombro e permitir-me que o leve ao banquete? O pobre não consentirá que eu caminhe junto com ele? Devo usar palavras mais fortes? Devo exercer alguma outra pressão para forçá-los a entrar? Pecadores, a isso estou resolvido nessa manhã, e se não são salvos vocês não terão desculpa. Vocês, desde o que sustenta suas cãs grisalhas ao que está em sua infância, se não se aferram a Cristo hoje, o sangue de vocês será sobre suas próprias cabeças.
Se há poder no homem para trazer a seu companheiro – como de fato existe quando o homem é ajudado pelo Espírito Santo – esse poder será exercido essa manhã, com a ajuda de Deus. Vamos, não irei desanimar por suas recusas. Se minha exortação falha, tentarei outra coisa. Meus irmãos, lhes suplico, lhes suplico que se detenham e considerem. Vocês sabem o que estão rejeitando nessa manhã? Estão rejeitando a Cristo, seu único Salvador. “Porque ninguém pode colocar outro fundamento que o que está posto.” “E em nenhum outro há salvação, porque não há outro nome debaixo do céu, dado aos homens, em que possamos ser salvos.” Meus irmãos, não posso suportar que vocês façam isso, pois eu sim recordo o que vocês estão esquecendo: o dia virá no qual vocês necessitarão de um Salvador. Não falta muito para que passem os cansados meses, e sua fortaleza comece a declinar. O pulso lhes falhará, sua força os abandonará, e vocês e o horrendo monstro, A MORTE, se enfrentarão entre si. O que irão fazer nas grandes correntes do Jordão sem um Salvador? Os leitos de morte são frios sem o Senhor Jesus Cristo.
De qualquer maneira, morrer é algo horrível. O que tem a melhor esperança, e a fé mais triunfal, descobre que a morte não é um assunto de riso. É algo terrível passar do visível ao invisível, do mortal ao imortal, do tempo à eternidade. E irão descobrir que é difícil passar pelas portas de ferro da morte sem as doces asas dos anjos os conduzindo aos portões dos céus. Será uma coisa muito dura morrer sem Cristo.
Não posso evitar pensar em vocês. Os vejo atuar como suicidas essa manhã, e me imagino a mim mesmo parado ao lado de suas camas escutando seus gritos, e sabendo que estão morrendo sem esperança. Não posso suportar isso. Parece que estou junto a seu caixão agora, vendo seus rostos pálidos e frios, e eu digo: “esse homem desprezou a Cristo e descuidou da grande salvação”. Penso que amargas lágrimas irei derramar nesse momento, se penso que não lhes fui fiel; e como esses olhos permanentemente fechados na morte, me darão a impressão que me reprovam e dizem: “Ministro, assisti a suas pregações no famoso Music Hall, porem, não se preocupou seriamente por mim; divertiu-me, pregou-me, porem, não me rogou! Não soube o que Paulo quis dizer quando disse, ‘e como Deus os exorta por meio de nós, rogamos em nome de Cristo: reconciliem-se com Deus!’
Suplico-lhes que permitam que essa mensagem entre em seus corações, por outra razão. Imagino-me a mim mesmo de pé no tribunal de Deus. Como é certo que o Senhor vive, o dia do juízo vem. Vocês crêem nisso? Vocês não são infiéis. Suas consciências não lhes permitiriam duvidar da Escritura. Talvez vocês pretenderam fazer isso, porem, não podem. Sentem que deve haver um dia que Deus irá julgar ao mundo em justiça. Vejo-lhe em meio da multidão e o olho de Deus está fixo em você. Para você parece que não está olhando para nenhum outro lado, mas só a você, e Ele o chama diante Dele. E ele lê seus pecados e exclama, “Apartai-vos de mim, malditos, ao fogo eterno do Inferno.”
Meu querido leitor, não posso suportar pensar em você nessa situação; para mim parece que todos os cabelos de minha cabeça se põem em pé ao pensar na condenação de qualquer de meus leitores. Vocês se imaginam nessa situação? A palavra foi pronunciada: “Apartai-vos de mim, malditos.” Vocês vêem o abismo quando se abre para tragá-lo? Ouvem os gritos e alaridos dos que o precederam nesse eterno lago de tormento? Em vez de imaginar essa cena, me volto para você com as palavras do Profeta inspirado, e te digo: “Quem de nós poderá habitar com o fogo consumidor? Quem de nós poderá habitar com as chamas eternas?” Oh! Meu irmão, não posso permitir-lhe que deixe de lado dessa maneira a religião. Não, eu penso no que virá depois da morte. Estaria privado de toda humanidade se visse a uma pessoa a ponto de se envenenar e não lhe arrancasse o veneno de suas mãos. Ou se visse a alguém a ponto de se lançar da Ponte de Londres, e não o acudisse para impedi-lo.  E seria pior que um demônio se agora com todo amor, amabilidade e verdade, não te implorasse a “tomar posse da vida eterna” e: “Trabalhar, não pela comida que perece, mas sim pela comida que permanece para a vida eterna.”
Algum hipercalvinista dir-me-ia que estou equivocado ao fazer isso. Não posso evitá-lo. Devo fazê-lo. E posto que ao fim devo estar diante de meu Juiz, sinto que não terei uma prova completa de meu ministério a menos que suplique com muitas lágrimas que vocês queiram ser salvos, que vocês queiram olhar a Jesus Cristo e receber sua gloriosa salvação.
Porem, serve de algo? Por acaso todas as minhas súplica se desperdiçaram já que vocês não prestaram nenhuma atenção a elas? Então, outra vez, mudo meu tom. Pecador, lhe supliquei como um homem suplica a seu amigo, e se fosse por minha própria vida não poderia falar com mais fervor nessa manhã como o faço pela sua. Preocupei-me seriamente por minha alma, porem, nem um raminho mais do que me preocupam as almas de minha congregação essa manhã. E, portanto, se deixam de lado essas súplicas, tenho algo mais: Devo os ameaçar. Nem sempre vocês terão advertências como essas:
Vem o dia, quando a voz de todo ministro do Evangelho será apagada, ao menos para você. Porque seu ouvido estará congelado na morte. Já não haverá nenhuma ameaça. Será, mais bem, o cumprimento da ameaça. Não haverá promessa, nem proclamações de perdão e misericórdia; nem sangue que fale de paz. Mas estará na terra onde o dia do Senhor é tragado inteiramente em noites eternas de desgraça, e onde a pregação do Evangelho está proibida porque ambos seriam infrutuosos. Peço-lhe, então, que escute essa voz que se dirige agora a sua consciência. Pois, senão, Deus falará contigo em Sua ira, e lhe dirá com sumo desgosto: “Entretanto, porque eu clamei e recusastes; e estendi a minha mão e não houve quem desse atenção, Antes rejeitastes todo o meu conselho, e não quisestes a minha repreensão, também de minha parte eu me rirei na vossa perdição e zombarei, em vindo o vosso temor. Vindo o vosso temor como a assolação, e vindo a vossa perdição como uma tormenta, sobrevirá a vós aperto e angústia.” (Provérbios 1:24-27) Pecador, volto a lhe ameaçar. Lembre, pode ser que tenha muito pouco tempo para ouvir essas advertências.
Você imagina que sua vida será longa, mas, acaso não sabe que curta é? Alguma vez intentou medir que frágil você é? Já viu o corpo de um morto cortado em pedaços pelos estudantes de anatomia? Viu algo tão maravilhoso como a estrutura humana? –
“Que estranho, que uma harpa de mil cordas,
Se conserve afinada por tanto tempo”
Porem, deixe que tão somente uma corda se torça, que um pouco de comida vá pela direção equivocada, e você pode morrer. Por mais insignificante incidente, você pode morrer a qualquer momento, quando Deus o queira. Homens muito fortes têm perecido em pequenos e ligeiros acidentes, e isso pode passar contigo. Na capela, na cada de Deus, existem alguns que caíram mortos. Muito frequentemente ficamos sabendo de pessoas que caem em nossas ruas, indo do tempo à eternidade, por algum súbito ataque. Estás seguro que esse teu coração está perfeitamente são? Seu sangue circula com toda precisão? Estás completamente seguro disso? E se é assim, quando tempo isso lhe irá durar?
Oh, talvez estejam aqui alguns que jamais verão o dia de Natal. Pode ser que o mandato já tenha saído: “Coloca sua casa em ordem, porque irá morrer e não viverá.” De toda essa grande congregação, não poderia dizer com exatidão quantos estarão mortos em um ano; porem, é certo que o grupo congregado agora nunca mais voltará a se reunir por completo outra vez em outra assembleia. Alguns dessa vasta multidão, talvez dois ou três, partirão antes que recebamos ao novo ano. Recordo-lhes, pois, queridos irmãos, que a porta da salvação pode se fechar, ou muito bem você poderia estar longe de onde está a porta da misericórdia. Vamos, pois, deixe que a ameaça tenha poder sobre você. Não o digo para ameaçá-lo sem motivo, mas sim com a esperança de que a ameaça de um irmão possa conduzí-lo ao lugar onde Deus preparou o banquete do Evangelho.
E agora, devo ir sem nenhuma esperança? Já se esgotou tudo o que posso dizer? Não, regresso novamente contigo. Diga-me, irmão, o que é que o mantém apartado de Cristo? Escuto que alguém diz: “oh senhor, é porque me sinto demasiadamente culpado.” Isso não pode ser, meu amigo, não pode ser. “Porem senhor, sou o primeiro dos pecadores.” Meu amigo, você não o é. O primeiro dos pecadores morreu e foi ao céu faz muitos anos. Seu nome era Saulo de Tarso, depois chamado apóstolo Paulo. Ele foi o primeiro dos pecadores, e eu sei que disse a verdade de Deus. “Não”, ainda diz, “sou demasiadamente vil”. Não pode ser mais vil que o primeiro dos pecadores. Quando muito, é o segundo entre os piores. Mas ainda supondo que é o pior que vive hoje em dia, segue sendo o segundo, porque Paulo foi o primeiro. Mas ainda suponhamos que é o primeiro, não é essa precisamente a razão para que você venha a Cristo? Tanto pior que seja a condição de um homem, com maior razão deveria ir ao hospital ou a um médico. Tanto mais pobre seja, maior razão tem para aceitar a caridade que outro lhe oferece.
Agora, Cristo não busca nenhum mérito seu. Ele dá gratuitamente. Tanto pior seja, mais bem vindo é. Porem, deixe-me perguntar-lhe: crê que converteria melhor mantendo-se afastado de Cristo? Se é assim, ainda sabe muito pouco sobre o caminho da salvação. Não senhor, quanto mais você detenham-se, pior ficará. Sua esperança se debilitará, sua desesperação se fará mais forte. O cravo com que Satanás lhe sujeitou estará mais firmemente cravado, e terá menos esperança que nunca. Olha, suplico, lembre que você não ganha nada com a demora, mas por ela pode perder tudo.
“Porem”, outro brada: “sinto que não posso crer.” Não, meu amigo, e nunca irá crer se primeiro não olha para a fé. Lembre-se que não vim aqui para convidá-lo à fé, mas sim que vim para convidá-lo a Cristo. Porem, dizem, qual é a diferencia? Simplesmente essa: se antes de tudo diz, “eu quero crer em algo”, nunca crerá. Sua primeira pergunta deve ser “o que é essa coisa na que devo crer?” Assim, a fé virá como consequência dessa busca.
Nosso primeiro negócio não tem relação com a fé, mas sim com Cristo. Venha, eu lhe suplico, ao monte do Calvário, e fixe seu olhar à Cruz. Contempla ao Filho de Deus, quem fez os céus e a terra, que morre por seus pecados. Olhe para Ele, não há poder Nele para salvar? Olhe para Seu rosto tão cheio de piedade. Por acaso não há amor em Seu coração que demonstra que está desejando salvar-nos? Com toda certeza, pecador, olhar para Cristo lhe ajudará a crer. Não creia primeiro, para depois ir a Cristo, pois dessa maneira sua fé será uma coisa sem valor. Veja a Cristo sem nenhuma fé, e lance-se sobre Ele, ou se afunda ou nade.
Porem, ouço outra exclamação: “oh senhor, você não imagina quantas vezes fui convocado, durante quanto tempo eu rejeitei ao Senhor.” Não o sei, e não o quero saber. Tudo que sei é que meu Senhor me enviou para forçá-lo a entrar, assim que,venha agora. Pode ter rejeitado mil convites, não converta esse no milésimo primeiro.
Tem estado na casa de Deus, e só se endureceu para receber o Evangelho. Porem, por acaso não vejo uma lágrima escorrendo em seu olho? Vamos, meu irmão, não se endureça pelo sermão dessa manhã. Oh Espírito do Deus vivente, vem e derrete esse coração porque nunca foi derretido, e forçá-lo a entrar! Não posso deixá-lo ir com desculpas tão vãs como essas; se você já viveu tantos anos menosprezando a Cristo, existem muitíssimas razões pelas quais não deve menosprezá-lo agora.
Porem, não lhe ouvir dizer em voz baixa que esse não é o momento oportuno?Então, o que devo dizer para você? Quando irá chegar esse momento oportuno? Virá quando esteja no inferno? Virá quando esteja morrendo, e os garfos da morte se ponham em sua garganta, será ai então? Ou quando o suor abrasador que queima sua fronte; e então, outra vez, quando o frio pegajoso esteja ali, ai serão os tempos adequados?
Quando as dores estejam lhe torturando, e esteja à beira da tumba? Não senhor,essa manhã é o momento conveniente. Que Deus o faça assim. Lembre-se, não tenho autoridade para pedir para você que venha a Cristo amanhã. O Senhor não lhe chamou para vir a Ele na próxima terça-feira. O convite é “Se ouvires hoje sua voz, não endureçam vossos corações, como na provocação do deserto”, porque o Espírito diz “hoje”. “Vinde então, e argüi-me”, porque o procrastinaria? Poderia ser a ultima advertência que possa ter alguma vez. Postergue, e pode ser nunca mais volte a chorar na igreja. Poderia não ter nunca mais ter a possibilidade de ouvir um sermão tão apaixonado dirigido para você. Poderia ser que nunca mais lhe supliquem como eu estou lhe suplicando agora. Pode ir agora e Deus pode dizer “está entregue aos ídolos; deixa-o” (Oséias 4:17). Ele lançará as rédeas sobre seu colo, e então, tenha atenção, seu caminho é certo, o caminho da segura condenaçãoe rápida destruição.
E agora, de novo, tudo isso é em vão: Não quer vir a Cristo agora? Então, que mais posso fazer? Não tenho senão um último recurso, e o utilizarei agora. Se me permiteque chore por você, me autorize a orar por você. Podes desprezar minha pregação; pode rir-se do pregador; pode chamá-lo de fanático se quiser; ele não irá lhe repreender, não trará nenhuma acusação contra ti diante do grande Juiz. Sua ofensa, no que a ele concerne, está perdoada antes que seja cometida; porem, deve recordar que a mensagem que está rejeitando essa manhã é uma mensagem de Alguém que lhe ama, e também é entregue pelos lábios de alguém que o ama. Deve lembrar que você pode jogar sua alma com o diabo, que pode pensar com ligeireza que é um assunto sem maior importância; mas há alguém que está preocupado por sua alma, e um que antes de vir aqui lutou com seu Deus pedindo força para pregar para você, e quem, quando se tenha ido desse lugar, não se esquecerá de sua audiência dessa manhã.
Volto a repetir, quando as palavras nos falham podemos derramar lágrimas; pois as palavras e as lágrimas são as armas com as que os ministros do evangelho forçam aos homens a entrar. Você não sabe, e suponho que não pode crer, que ânsias um homem a quem Deus chamou ao ministério sente por sua congregação, e especialmente por alguns dos membros. Ouvi outro dia de um jovem que assistiu a essa igreja durante muito tempo, e que a esperança de seu pai era que fosse trazido a Cristo. No entanto, esse jovem se fez amigo de um incrédulo; e agora descuida de seus deveres, e vive a cada dia no caminho do pecado. Vi o rosto pálido de seu pai. Não lhe pedi que me dissesse o que lhe passava, pois senti que seria remover a tristeza e abrir de novo a ferida. Temo, às vezes, que os cabelos grisalhos desse bom homem irão à tumba cheios de tristeza.
Jovens, vocês não oram por vocês mesmos, mas suas mães lutam por vocês. Vocês não pensam em suas próprias almas, mas a preocupação de seus pais é exercida por vocês. Estive em reuniões de oração, e ouvi aos filhos de Deus orarem ali, e não teriam podido orar com mais zelo e mais intensidade de angustia se cada um deles tivesse estado buscando a salvação de sua própria alma. E não é estranho que nós estejamos prontos para mover céus e terra pela salvação de vocês, e que nem assim vocês não pensem em vocês mesmos e não tenham respeito algum pelas coisas eternas?
Agora, me dirijo por um momento a alguns de vocês em particular. Existem aqui alguns que são membros de igrejas cristãs, e que fazem uma profissão de religião. Porem, a menos que me equivoque, e me daria muito gosto de estar equivocado, sua profissão é uma mentira. Não vivem de acordo a ela, desonram ela. Vivem na prática perpétua de não assistir à casa de Deus, se não é que vivem piores pecados ainda. Agora eu lhes pergunto, a esses que não são o adorno da doutrina de Deus seu Salvador, se imaginam que me podem chamar de seu pastor, e que minha alma não possa tremer por vocês e que em secreto não derrame lágrimas por vocês? Repito e digo que pode ser assunto de pouca importância para vocês como mancham sua roupa cristã, mas é um assunto de grande preocupação para os que suspiram, choram e se lamentam pelas iniquidades dos que professam em Sião.
Não resta ao ministro nenhuma outra coisa, além de chorar e de orar? Sim, existe algo mais. Deus não deu a seus servos o poder para dar a regeneração, mas lhes deu algo relacionado. É impossível que um homem possa regenerar seu vizinho, e, no entanto, como nascem os homem de novo a Deus? O apóstolo não fala de alguém – Onésimo – a quem tinha gerado em suas prisões? Pois, o ministro possui um poder que lhe é dado por Deus, para serem considerados pai e mãe daqueles que são nascidos de Deus, pois o apóstolo disse que sofreu dores de parto pelas almas até que Cristo foi formado nelas. Que podemos fazer então? Podemos agora apelar ao Espírito.  Sei que preguei o Evangelho, e que o preguei com muito zelo. Lembro a meu Senhor que honrei Sua própria promessa. Ele disse que Sua palavra não voltará para Ele fazia, e não voltará. Está em Suas mãos, não nas minhas. Não posso forçá-los, mas Tu, oh Espírito de Deus, que possui a chave do coração, Tu podes forçá-los.
Algumas vez notaram nesse capitulo do Apocalipse, onde diz, “Eis aqui, estou a porta e bato”, que uns quantos versículos antes, a mesma Pessoa é descrita como a que tem a chave de Davi? De maneira que, se bater na porta não funciona, Ele tem a chave, pode e quer entrar. Agora, se o chamado à porta de um ministro cheio do zelo não prevalece contigo nessa manhã, resta ainda esse secreto abrir do coração que o Espírito Santo faz, de maneira que serão forçados a entrar. Considerei meu dever trabalhar com vocês como se eu pudesse forçá-los; porem, agora deixo tudo nas mãos de meu Senhor. Não pode ser Sua vontade que depois de ter trabalhado tanto no parto, não demos à luz filhos espirituais. Tudo depende Dele. Ele é o Senhor do coração e o Dia o irá declarar: que alguns de vocês, levados pela Graça Soberana, se converteram em prisioneiros voluntários de Jesus, que tudo o conquista, e submeteram seus corações a Ele por meio do sermão dessa manhã.
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ORE PARA QUE O ESPIRITIO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.


FONTE

“Compel Them to Come In”
Sermão nº 227—-  do volume 5 do The New Park Street Pulpit,
Tradução e revisão: Armando Marcos Pinto