quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Jejum sincero e Arrependimento

Roland Clarke

Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, em oferta de alimentos e libação para o SENHOR vosso Deus? (Joel 2:12-14)

Como os Israelitas chegaram tão perto da beira do desastre? Eles foram rebeldes e não deram atenção a muitos avisos. Ao longo do tempo o profeta Joel apareceu; Deus estava pronto para liberar sua ira e destruí-los.

O Alcorão e a Bíblia descrevem um cenário de ‘juízo’ similar onde Deus estava perto de destruir o povo de Ninive. Mas, como a perspectiva do desastre iminente tocou os corações dos Ninivitas, eles se arrependeram e o julgamento ameaçador foi desviado.

Vemos uma incrível similaridade quando comparamos a mensagem de Joel e Jonas. Em Joeo 1:13,14 lemos como Deus instruiu os sacerdotes a “cingi-vos e lamentai-vos” ... Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do SENHOR vosso Deus, e clamai ao SENHOR.”

Em Jonas 3:8,9 lemos como o Rei dos Ninevitas se humilhou e instruiu seu povo a fazer o mesmo, do mais alto nobre aos mais rebaixados servos. Ele os ordenou que os homens “sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos. Quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?”

Que tipo de obras maldosas vemos a nossa volta? (de fato, em nossas próprias vidas?) O pecado vem de várias formas, incluindo roubo, mentira, ganância, ambição egoísta, orgulho, inveja, explosões de fúria, vício em álcool e drogas, amargura, falta de perdão, facções, fofoca, luxúria e imoralidade sexual.

Luxúria e imoralidade sexual podem ser vistas por todo o mundo, mas, talvez, esses pecados sejam mais evidentes na indústria pornográfica e em Hollywood. Enraizando-se nisso, eles acabaram acelerando o declínio moral no ocidente e agora já afetam muitas outras nações.

Além do mais, um dos efeitos da perda da moralidade sexual está na inconveniência de ter um bebê indesejado. Muitas pessoas parecem pensar que o aborto é um modo ‘fácil’ de se livrar do peso e do constrangimento de ter um bebê.

Como resultado, 40 milhões de bebês nos Estados Unidos têm sido mortos nos últimos 35 anos! Nos parece adequado dizer que as nações ocidentais precisando dar ouvidos ao chamado de Joel ao arrependimento. Precisamos nos arrepender com lágrimas porque temos fechados os olhos para o assassinato em massa – pelo aborto!

Seria, no entanto, injusto ignorar pecados que estão evidentes em outras partes do mundo, por exemplo, no Oriente Médio (e no oriente mais distante). Por exemplo, o que deveríamos dizer sobre a amargura profundamente enraizada que muitas nações Muçulmanas (e indivíduos) têm contra Israel? [E, por que não, a amargura de Israel contra os Palestinos e Árabes em geral?]

Certo escritor Muçulmano, Ruslan Tokchukov, corajosamente deu sua opinião sobre o tema, notando o “fim brutal” que sofreram “todas aqueles poderosos inimigos do povo Judeus: os Faraós do Egito, os Assírios, os Babilônicos, o Império Romano, a Espanha Inquisidora, o Império Tsarista Russo, o Reich Nazista.” Ele conclui sua análise histórica notando “uma parte da Bíblia Cristã em que Deus amaldiçoa aqueles que amaldiçoam o povo Judeu.” Então ele diz que “a história mundial inteira parece confirmar isso. Agora, quer ou não você seja religioso, quer chame isso de lei de Deus ou lei da história, você tem que concordar que nenhuma outra nação que perseguiu os Judeus escaparam de conseqüências ruins. Eu não acho que essa lei seja exceção para os Árabes ou qualquer outros Muçulmanos.”[1]

O alerta de Tokchukov foi escrito em 2003, antes do advento de Ahmadinejad e suas repetidas ameaças de “varrer Israel do mapa”. Algum líder Muçulmano já se levantou contra essas declarações e foi corajoso o bastante para condenar tais declarações genocidas? Se essas nações Islâmicas não ouviram o aviso de Ruslan, essas sementes de ódio crescerão e eventualmente irão ceifarão tempestades (como profetizado em Zacarias 12 e Joel 3).

Obviamente a hostilidade e violência cometida por radicais Muçulmanos é algo pecaminoso, mas e quanto à enganação e mentira? Considere como os chamados moderados, como Yasser Arafat, foram ambíguos. O mundo bem sabe como Arafat ganhou o prêmio Nobel da Paz após solenemente aceitar (em Inglês) e honrar o Acordo de Paz de Oslo (1993). Entretanto, não é muito conhecido o que aconteceu 3 anos depois. Arafat revelou sua agenda verdadeira escondida atrás do acordo de paz quando falava em Árabe ao embaixador Árabe em Estocolmo. Ele disse, “Nós planejamos eliminar o estado de Israel ... Nós Palestinos vamos tomar tudo, inclusive toda a Jerusalém.” (conforme noticiado no diário Norueguês Dagen, em 6 de fevereiro de 1996).

Em outra ocasião, Arafat explicou, “Já que não podemos vencer Israel na guerra, faremos isso em fases. Nós tomamos qualquer e cada território que pudermos da Palestina ... e usaremos como plataforma para tomar mais. Quando chegar a hora, podemos usar as nações Árabes para se unirem a nós para o golpe final contra Israel.” (de uma entrevista da televisão Jordaniana, conforme citado em “The Threat Inherent in a Palestinian State” por Don Feder, Insight Magazine, 13 de maio de 2003)

Chorar e se arrepender à luz dos desastres?

Houve dor emocional nos EUA causado pela morte de 40 milhões de bebês que foram abortados de 1973 a 2008? Sem dúvida sim, embora, provavelmente, a maioria das lágrimas foram contidas ou derramadas em segredo.

Em 2008, China e Mianmar sofreram um terremoto e ciclone catastrófico que mataram um total aproximado de 200.000 pessoas. Ambos os países consideraram adequado guardar três dias em honra à memória daqueles que morreram.

Alguém se pergunta se esses dias de ‘lamentação’ nacional foram observados pelos público no sentido de se humilharem e fazerem uma análise introspectiva? Talvez poucas pessoas sentiram-se assim, mas parece não foi esse o sentido estabelecido pelos líderes dessas nações.

Alguns leitores podem perguntar, “O que nos dá o direito de fazer tal pergunta?”.

É exatamente este o ponto que Jesus Cristo trouxe quando se dirigiu a um grupo de pessoas que estava falando sobre a morte brutal de Judeus quando ofereciam sacrifícios no Templo. Cristo perguntou-os:

“E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” Lucas 13:4-5

Claramente Jesus ensinou que humilhação e arrependimento são uma resposta adequada quando as pessoas dão de cara com uma grande tragédia.

Lágrimas genuínas podem ser o sinal de arrependimento genuíno. De acordo com a Bíblia e o Alcorão, Jonas se humilhou e experimentou profunda aflição ou agonia. A Bíblia nos diz que ele “[clamou] ao SENHOR ... do ventre do inferno.” (Jonas 2:2) Semelhantemente, o Alcorão diz que Jonas “quando, angustiado, invocou” ... “E o atendemos e o libertamos da angústia.” (Sura 68:48; 21:88).

Outra história Bíblica (conforme registrado no Alcorão) descreve como Adão se “desventurou” após ser seduzido pelo Diabo (Sura 20:117). Além do mais, de acordo com a tradição Islâmica, Adão e Eva choraram em arrependimento por 40 anos, e após isso foram reunidos um ao outro novamente.

Tristeza e Arrependimento

O que a Bíblia diz sobre tristeza e arrependimento? Ela enfatiza que certas tristezas fazem com que haja arrependimento, “pois a tristeza que é usada por Deus produz o arrependimento que leva à salvação”. (II Coríntios 7:9-10

Quando Adão e Jonas desobedeceram a Deus, eles sofreram sérias conseqüências. O Rei Davi também encarou sérias conseqüências quando pecou contra o Senhor. Lemos sua oração no Salmo 30:

SENHOR meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste. SENHOR, fizeste subir a minha alma da sepultura; conservaste-me a vida para que não descesse ao abismo. Cantai ao SENHOR, vós que sois seus santos, e celebrai a memória da sua santidade. Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã ... Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria...

Ver a humildade de Jonas e Davi me faz lembrar de uma hadice que diz, “Cada filho de Adão é um pecador e o melhor dos pecadores são aqueles que se arrependem constantemente.”

Esta atitude é parte da razão porquê Deus chamou Davi de “um homem segundo o meu coração”. Davi sabia que o sacrifício que agrada o Senhor é “o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Salmos 51:17)

Tão certo quanto a tristeza sincera leva ao arrependimento, também podemos estar certos de que “Deus enxugará nossas lágrimas”, tal como está escrito em Isaías 25:7-9. Novamente lemos no capítulo 57 que Deus “conforta aqueles que choram”. O verso precedente diz, “o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito ... Porque não contenderei para sempre, nem continuamente me indignarei; porque o espírito perante a minha face se desfaleceria, e as almas que eu fiz ... Eu vejo os seus caminhos, e o sararei, e o guiarei, e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos seus pranteadores. Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei.” (Isaías 57:15-19)

Resgatado e Perdoado?

Temos sido lembrados como Deus resgatou Jonas da experiência de quase-morte em resposta a seu coração humilde que admitia sua culpa. Agora, deixe-nos considerar uma pergunta-chave, “isso implica que Deus salvou (ou perdoou) Jonas e seu pecado?” As palavras de sua oração de confissão implicam que Jonas foi perdoado pelo SENHOR.

Lemos que Jonas lembrou-se do SENHOR e prometeu oferecer “sacrifício com a voz do agradecimento” porque “do SENHOR vem a salvação.” (Jonas 2:7-9)

Olhando para a experiência de Jonas, não podemos dizer que sua salvação apenas envolveu ser resgatado da morte. Também está relacionada a sua desobediência, i.e. o perdão de seu pecado. A situação crítica da qual Jonas foi libertado não foi moralmente neutra. Jonas era culpável, então ele precisava do perdão de seus pecados bem como do resgate da morte. Faz sentido entender que o perdão foi uma parte, uma parcela da experiência da salvação de Deus vivida por Jonas.

Também devemos ter em mente que Jonas era Israelita e, como tal, vivia sob a Lei Mosaica, que exigia sacrifícios animais para a purificação de seus pecados. A lei exigia que qualquer um que tivesse cometido pegado sacrificasse uma oferenda pelo pecado.

De fato, as Escrituras dizem, “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.” (Hebreus 9:22)

Jonas desobedeceu a ordem de Deus, então é duro imaginá-lo agradecendo sem primeiro ter sacrificado uma oferenda pelo pecado!

Um Profeta Pode Cometer Pecado?

A Bíblia Cristã e Judaica dá uma resposta honesta a esta pergunta. “Sim, os profetas pecaram.” Entretanto, é muito difícil de os Muçulmanos aceitarem isso porque seus pregadores têm ensinado que os profetas são sem pecado. No entanto, os fatos são claramente exposto fora da Bíblia (e, de fato, no Alcorão).

A Bíblia diz, “Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Eclesiastes 7:20) No Alcorão uma declaração similar diz, “Se Deus castigasse os humanos, por sua iniqüidade, não deixaria criatura alguma sobre a terra; porém, tolera-os até ao término prefixado.” (Sura 16:61)

Jonas não foi o único profeta mencionado no Alcorão que desobedeceu a Deus. Adão também desobedeceu. Muitos estudiosos Muçulmanos tentaram fugir da conclusão de que Adão pecou. Eles dizem que ele apenas cometeu um ‘equívoco’ ou ‘esqueceu-se’ da ordem de seu Senhor. O fato é que os estudiosos Muçulmanos sabem que antes de comer o fruto Adão “foi claramente advertido”. (Esta citação foi tirada diretamente do comentário de Yusuf Ali da Sura 20:117.)(

John Gilchrist refuta a interpretação Islâmica popular de que Adão cometeu um deslize num momento de esquecimento. Ele escreve, “Deus não apenas o advertiu contra comer da árvore, mas descobrimos também que Satanás também o lembrou dessa advertência enquanto o tentava a pecar. Como alguém pode sustentar o argumento de que Adão apenas esqueceu-se do mandamento de seu Senhor? Deixando de lado o lembrete de Satanás, certamente é difícil demais de crer que Adão pudesse se esquecer da única e exclusiva coisa que lhe fora proibido, especialmente quando esse proibição veio diretamente de Deus para ele. Além do mais, se isso foi apenas um ‘equívoco’ menor, então por que a pena foi tão severa – a expulsão permanente do casal e de toda a raça humana com eles do Jardim?” (pg. 278 em Muhammad and the Religion of Islam)

Independentemente de Adão ter ou não se ‘esquecido’ da ordem de Deus, é um fato incontestável que o Alcorão claramente diz que “Adão desobedeceu a seu Senhor.” (Sura 20:121) A palavra Árabe asa – desobedecer – vem do infinitivo isyan que lexicamente significa ‘pecado’.)

Um Ponto a se Considerar

O artigo “Um Diálogo acerca do Único Deus Verdadeiro” sinaliza como Ulema omitiu o título de Salvador de sua lista de 99 belos nomes de Deus. A ênfase principal dessa discussão foi mostrar como Deus salva as pessoas em circunstâncias perigosas. Mas, a omissão de Salvador se faz ainda mais significante quando examinamos como Deus salva as pessoas do pecado.

Deus prenunciou que seu servo, o Messias, iria “trazer minha salvação” (Isaías 49:6). Como, então, Jesus Cristo trouxe a salvação de Deus? Ele trouxe a salvação (libertação) resgatando as pessoas de circunstâncias perigosas, e.g., aqueles que estavam sofrendo por doenças sérias. Isso foi tudo o que ele fez? Não, ele fez muito mais. Cristo também salvou aqueles que estavam escravizados pelos hábitos pecaminosos e abatidos pelo peso da consciência. (Veja você mesmo lendo Mateus 1:21; Lucas 7:36-48; 19:1-10; João 1:29; 3:16,17; 8:32.)



* Este artigo é uma tradução de "Heartfelt Fasting and Repentance"